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Champagne França
A região de Champagne-Ardenne, no nordeste da França, de onde vem o famoso espumante, esbanja beleza, entre vinhedos e antigas cidades imponentes
Um acidente da natureza. Provavelmente está aí a origem do champanhe. Dom Pérignon, bem relacionado com a nobreza, levou a fama. Há quem defenda, no entanto, que, tempos antes de o monge beneditino entrar na história, o espumante já era "produzido" em Champagne-Ardenne, nordeste da França.
Não de propósito. Na verdade, lutava-se contra a segunda fermentação da bebida - quando se formam as deliciosas bolhinhas. A intenção era fazer vinhos tranqüilos, ou seja, sem borbulhas. Mas o subsolo calcário e o clima da região não permitiram. A bebida acabava fermentando novamente durante o período de envelhecimento.
Dom Pérignon certamente teve seu mérito. Entre outros feitos, criou a mistura das três uvas do espumante: as vermelhas pinot noir e pinot meunier e a branca chardonnay. E usou a cortiça para tampar as garrafas e não perder o gás. Sim, de certo modo, foi o inventor do champanhe que tomamos hoje.
A bebida dos amantes e da festa. Envolve requinte, glamour e até certa superstição. Brinde de verdade só com champanhe. Os momentos celebrados com o espumante francês pretende-se que sejam eternos. É como um símbolo de felicidade.
Foi ele que tornou Champagne-Ardenne mundialmente conhecida: só espumantes fabricados nessa área da França podem ostentar o nobre nome. De 30 mil hectares de vinhedos, saem 250 milhões de garrafas todo ano. Mas a região, que se estende da Bélgica à nascente do Rio Sena, reserva mais do que bolhinhas para seus visitantes.
Respira-se ali pura história - e pertinho de Paris, já que as principais cidades ficam a cerca de 150 km da capital francesa. Reims presenciou a coroação de 25 reis. A medieval Troyes exibe casas do século 16 (e faz a festa dos consumistas com seus outlets). Langres, no extremo sul, conserva 4 km de muralhas e arquitetura renascentista.
Sem contar a gastronomia. Ah, a gastronomia francesa... Queijos, pratos requintados, petit-fours. Champagne faz direitinho sua parte para manter a fama do país. Prove de tudo. Sempre com tacinhas do espumante rei dos vinhos, "incidente de percurso" para lá de bem-vindo.
O vinho produzido em Champagne não é - nem pretende ser - o melhor da França. Mas o charme da pequena região de pouco mais de 3,4 mil quilômetros quadrados está justamente no vinho que produz. Nenhuma outra bebida tem o glamour que cerca as bolhas do espumante francês. A cerca de 150 quilômetros de Paris, a região fria, meio ao norte do país, é a única no mundo a ter o direito de produzir o legítimo champanhe, sinônimo de comemoração em todo o mundo há mais de dois séculos.
Um passeio pelas montanhas e pelos vales de Champagne pode ser uma experiência inesquecível. A região tem uma paisagem peculiar, já que mais de 90% de seu território são cobertos de videiras. São quase 300 vilarejos que dividem a paisagem com as fileiras de uvas. Até mesmo pequenos quintais servem para o plantio.
Uma visita a Champagne também é uma agradável aula de história, além de um prazeroso aprendizado de como se faz - e se bebe - o vinho espumante. As inúmeras estradas vicinais que recortam a região fazem com que a chamada Rota Turística de Champagne tenha 600 quilômetros, permitindo ao viajante uma surpresa a cada curva.
A surpresa pode ser um museu com objetos do frei Dom Pérignon - considerado o "inventor" do champanhe- , um hotel que hospedou Napoleão Bonaparte ou um vale que parece saído de uma tela impressionista. Isso sem contar que ainda é possível conhecer muitas das maisons tradicionais que vendem champanhe (a preços atraentes) e permitem degustações.
Reis, monges e litros de espumante escrevem a história de Champagne Desde os tempos de Catharina de Médici, Napoleão Bonaparte, Luís XV e La Fontaine, a região é o lugar certo para quem deseja beber na fonte o vinho mais famoso produzido pela França
Estando em Paris, é possível ir de carro a Champagne e voltar à capital no mesmo dia. Mas seria um desperdício. Se você quiser, pode se hospedar em um dos hotéis mais charmosos da região, como o Domaine Royal Champagne (integrante do seleto grupo Relais & Châteaux), localizado entre as cidades de Reims e Epernay.
Construída no século 18, a casa principal do hotel fica no alto de uma colina e é onde funcionam a recepção, as salas de estar (decoradas com antigos artefatos e uniformes militares) e o restaurante - à noite, muito freqüentado pelos moradores da região. Ao fundo do grande salão do refeitório há um simpático terraço, do qual o hóspede tem uma vista privilegiada dos vinhedos.
Na entrada do hotel, uma placa avisa que o imperador Napoleão Bonaparte e seus oficiais, depois de vencerem a Batalha de Reims, em 1814, passaram a noite ali (então um albergue), antes de seguir para Epernay.
Atualmente, os chalés, construídos um pouco mais abaixo da casa principal, dão vista para as plantações e são - cada um deles - decorados de uma maneira diferente. Papel de parede, espelhos, móveis antigos. Não é à toa que, ali, qualquer mortal se sente como um rei.
Ao sul de Reims estão Ay e Epernay, cidades tranqüilas localizadas uma de cada lado do Rio Marne, ambas endereços de importantes maisons. O vale, cercado de vinhedos e vegetação de pequeno porte, é o local onde La Fontaine teria se inspirado para criar suas famosas fábulas.
Com apenas 28 mil habitantes, Epernay é a capital de Champagne e uma ilha num oceano de vinhedos. Seus mais de 100 quilômetros de caves abrigam cerca de 20 milhões de garrafas de champanhe. A Avenue de Champagne transporta o turista ao passado. Os casarões, em estilos renascentista ou clássico, foram (e alguns ainda são) importantes centros de negócios dos grandes grupos fabricantes.Lá, o turista pode conhecer várias dessas casas históricas. A Maison Mercier, a marca mais vendida na França, é uma das mais visitadas. Em seu foyer encontra-se o maior tonel do mundo, construído em 1889, com capacidade de 215 mil garrafas.
É também nessa avenida que se encontra a sede da Moët & Chandon, que inclui a 'loja de fábrica' e a entrada para os 28 quilômetros de caves do grupo, tudo aberto à visitação.
A mansão Chandon já hospedou boa parte da realeza européia - de Catharina de Médici à rainha Vitória (que aparece num quadro de uma das salas da casa) - e, claro, o rei Luís XV. Até hoje a casa recepciona chefes de Estado, para hospedagens ou almoços, sempre regados a champanhe.
Uma rota turística na região deve ser completada em Hautvillers. Nesse vilarejo havia a abadia de Dom Pérignon, considerado o "inventor" do champanhe. Resta pouco do edifício: a igreja, as ruínas do convento do século 13 - onde o frei viveu - e um pequeno e sinuoso vinhedo da época do monge, o qual não segue a rigidez das plantações atuais, todas em linha reta.
Atrás da igreja localiza-se o Museu Dom Pérignon. O espaço abriga pertences pessoais, documentos, roupas e escritos do frei. Entre eles, uma carta ao administrador da cidade, na qual diz estar enviando uma amostra "do melhor vinho do mundo". Os vários ambientes do museu reproduzem a cela do frei, o laboratório - onde fazia as experiências que o levaram à descoberta do champanhe - e as caves, que reproduzem o método de envelhecimento da época, com o gargalo das garrafas enterrado na areia.
As caves também abrigam uma outra preciosidade: os champanhes da safra especial Dom Pérignon 1993. Preciosos porque se trata de uma safra limitada, com apenas 1.993 unidades, com três litros cada. Ao preço unitário de US$ 2,5 mil, é a bebida sugerida pela maison para brindar o novo milênio, em dezembro próximo.
A vila à volta da abadia é outra imagem que não se esquece. As ruas, estreitas e sinuosas, convidam a um passeio a pé. No trajeto, repara-se que muitas casas têm uma placa informando ser produtores de champanhe. Impossível resistir ao convite de entrar e provar. Na verdade, é como se a pequena Hautvillers borbulhasse. Ou melhor, é como se toda a Champagne borbulhasse.
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