Amebíase
A amebíase é uma infecção do intestino grosso causada pela Entamoeba histolytica, um parasita unicelular.
A Entamoeba histolytica existe sob duas formas durante o seu ciclo de vida: o parasita activo (trofozoíto) e o parasita inactivo (quisto). Os trofozoítos vivem entre o conteúdo intestinal e alimentam-se de bactérias ou então da parede do intestino. Quando a infecção se inicia, os trofozoítos podem causar diarreia, o que faz com que saiam para fora do corpo. Uma vez fora, os frágeis trofozoítos morrem. Quando o doente não tem diarreia, costumam converter-se em quistos antes de abandonarem o intestino. Os quistos são muito resistentes e podem disseminar-se quer directamente de pessoa a pessoa, quer indirectamente através dos alimentos ou da água.
A transmissão directa ocorre através do contacto com fezes infectadas. É mais provável que a amebíase se propague entre os que vivem em asilos e têm uma higiene inapropriada do que entre aqueles que não vivem desse modo; também se torna mais provável o seu contágio por contacto sexual, particularmente entre homossexuais masculinos, do que por um contacto eventual ou fortuito. A transmissão indirecta dos quistos é mais frequente nas zonas com más condições sanitárias, como os campos de trabalho não permanentes. As frutas e verduras podem contaminar-se quando crescem em terra fertilizada com adubo humano, são lavadas com água contaminada ou são preparadas por alguém que está infectado.
Amebíase
Além das úlceras no cólon, as amebas podem causar abcessos em diferentes órgãos, dos quais o mais frequentemente afectado é o fígado.

Sintomas
Geralmente os infectados, em particular os que vivem em climas temperados, não apresentam sintomas. Em certos casos, os sintomas são tão ligeiros que quase passam despercebidos. Podem consistir em diarreia e obstipação intermitentes, numa maior quantidade de gás (flatulência) e dores abdominais. O abdómen pode ser doloroso ao tacto e é possível que as fezes contenham muco e sangue. Pode haver escassa febre. Entre um ataque e outro, os sintomas diminuem até se limitarem a algias recorrentes e fezes líquidas ou muito moles. O emagrecimento (emaciação) e a anemia são muito frequentes.
Quando os trofozoítos invadem a parede intestinal, é possível que se forme um grande volume na mesma (ameboma) que pode obstruir o intestino e ser confundido com um cancro. Por vezes, os trofozoítos originam uma perfuração intestinal. A libertação do conteúdo intestinal para dentro da cavidade abdominal causa uma grande dor na zona agora infectada (peritonite), o que requer atenção cirúrgica imediata.
A invasão por parte dos trofozoítos do apêndice e do intestino que o rodeia pode provocar uma forma leve de apendicite. Durante a cirurgia da apendicite podem espalhar-se por todo o abdómen. Como consequência, a operação poderá ser atrasada de entre 48 a 72 horas com o objectivo de eliminar os trofozoítos mediante um tratamento com fármacos.
No fígado pode formar-se um abcesso cheio de trofozoítos. Os sintomas consistem em dor ou mal--estar na zona que se encontra acima do fígado, febre intermitente, suores, calafrios, náuseas, vómitos, fraqueza, perda de peso e, ocasionalmente, uma ligeira icterícia.
Em certos casos, os trofozoítos disseminam-se através da corrente sanguínea, causando infecção nos pulmões, no cérebro e noutros órgãos. A pele também é, por vezes, infectada, especialmente em torno das nádegas e nos órgãos genitais, da mesma forma que as feridas causadas por cirurgia ou por lesões.
Diagnóstico
A amebíase diagnostica-se no laboratório examinando as fezes de um indivíduo infectado; para estabelecer o diagnóstico costuma ser necessário analisar entre 3 e 6 amostras. Para observar o interior do recto e colher uma amostra de tecido de qualquer úlcera que se encontre, pode utilizar-se um rectoscópio (tubo flexível de visualização).
Os doentes com um abcesso hepático têm quase sempre no sangue valores elevados de anticorpos contra o parasita. Contudo, como esses anticorpos podem permanecer na corrente durante meses ou anos, o achado de valores elevados de anticorpos não indica necessariamente que exista um abcesso. Em consequência, se o médico pensa que se formou um abcesso, pode prescrever um fármaco que elimine as amebas (um amebicida). Se o fármaco resultar eficazmente, dá-se por assente que o diagnóstico de amebíase era correcto.
Tratamento
Vários fármacos amebicidas que se ingerem por via oral (como o iodoquinol, a paromomicina e a diloxanida) eliminam os parasitas do intestino. Para os casos graves e as infecções localizadas fora do intestino administra-se metronidazol ou desidroemetina. Voltam a examinar-se amostras de fezes ao cabo de 1, 3 e 6 meses após o tratamento para assegurar que o doente está curado.
A amebíase é uma infecção parasitosa devido a um protozoário do Género Entamoeba histolytica . É uma infecção cosmopolita, com grande incidência em zonas quentes, mas também está presente nas zonas temperadas em forma de pequenas epidemias familiares.
As amebas pertencem à classe Rhizopoda e movem-se pela emissão de pseudopodes.
Das amibas encontradas nas fezes do homem, três pertencem ao Género Entamoeba :
-
Entamoeba histolytica
-
Entamoeba hartmanni
-
Entamoeba coli
Existem ainda mais três amibas pertencentes a outros Géneros: Endolimax nana, Iodamoeba butschlii e Dientamoeba fragilis. Esta doença intestinal pode por vezes implicar outros orgãos : fígado, pulmões e raramente o cérebro.
Entamoeba histolytica
É um parasita essencialmente humano, vive e multiplica-se no intestino por divisão assexuada. Periodicamente, alguns elementos enquistam-se e constituem a forma de resistência no meio exterior. Estes quistos são muito sensíveis à secura, à acção directa do sol e ao calor. São também muito resistentes a certas substâncias químicas usadas frequentemente para desinfectar a água, como por exemplo, o cloro.
Patogenia
O protozoário que causa a amebíase é adquirido pela ingestão de quistos viáveis em águas, alimentos ou práticas sexuais oral ou anal.O contacto directo entre o indivíduo infectado e o indivíduo são, constitui certamente, a mais importante fonte de infecção em agregados populacionais com elevado grau de promiscuidade e baixo nível higiénico, como por exemplo em: asilos, hospitais psiquiátricos, prisões, bairros sociais, etc. A maior parte dos casos ocorrem em países desenvolvidos entre os viajantes recém-chegados dos países tropicais e sub-tropicais.
Ciclo Evolutivo da Entamoeba histolytica
No ciclo evolutivo surge uma forma trofozoítica pequena, que vive na luz intestinal e que é comensal, não produzindo doença. Essa forma pode eventualmente transformar-se na forma invasiva e patogénica. Surge assim a colite amebiana, com períodos alternados de constipação e diarreia, com intervalos assintomáticos.
Ocasionalmente, surge a disenteria amebiana, com graves ulcerações hemorrágicas do cólon, com toxicidade e que pode evoluir para perfuração intestinal, peritonite e morte. Outra evolução invasiva é a disseminação pela via hematogénica e formação de abcessos metastáticos em outros orgãos geralmente no fígado, pulmões e raramente no cérebro.
Tratamento
O tratamento de todas as formas de amibas é feito com medicamentos que eliminam eficazmente o parasita em poucas semanas e permitem a recuperação completa. Ocasionalmente, é necessário drenar o abcesso do fígado.
Identificação da Entamoeba histolytica
1) A partir de fezes recentes
2) Após coloração
3) Método Imunológico
Elisa
4) Provas Serológicas
A PARTIR DE FEZES RECENTES
Exame a fresco - Observação dos trofozoítos
Encontram-se geralmente em fezes disentéricas, liquefeitas, ou em culturas. Quando observados nestas condições, e logo após a emissão das fezes, esses trofozoítos costumam ser grandes e alongados, os núcleos não são visíveis e o seu diâmetro é de 10 e 60 micrómetros, conforme se localizem em ulcerações ou no lúmen intestinal.
Dotados de grande actividade, modificam continuamente de forma pela incessante emissão de pseudópodes. O seu movimento pode ser contínuo ou intermitente, consoante as condições a que estão expostos durante a observação, principalmente, a temperatura e humidade.
Na maioria das vezes, os pseudópodes são lançados numa das extremidades do trofozoíto, à qual imprimem uma movimentação tipicamente direccional. Outras vezes, retraem-se e emitem novos pseudópodes noutras direcções; ou pode ocorrer ainda a sucessão de pseudópodes numa só direcção e é tão rápida que a amiba parece estar a deslizar sobre a superfície observada.
Na região posterior à emissão de pseudópodes, verifica-se com alguma frequência, uma espécie de cauda - região uróide, à qual aderem residuos celulares, hemácias, bactérias, muco ou detritos, conforme a natureza das fezes.
O citoplasma distingue-se nitidamente do ectoplasma pois este é claro e periférico e do endoplasma pois este é finamente granuloso e nele se situam o núcleo e os vacúolos digestivos.
Exame a fresco - Observação de quistos
Os quistos da Entamoeba histolytica aparecem com estruturas redondas ou ovais, homogéneas, claras ou ligeiramente amareladas.
Os corpos cromatóides podem ser visíveis mas os núcleos não. Para que estes sejam visíveis terá de ser utilizado material fixado pela formalina, o mesmo acontecendo com os quistos corados pelo lugol diluído a 1/5.
Observa-se que parte do citoplasma está ocupado por uma formação que contém glicogénio - vacúolo de glicogénio. Quando corado pelo lugol, este apresenta uma coloração castanha ou amarela que contrasta bastante com o fundo amarelo do restante citoplasma. Nas preparações coradas pela hematoxilina férrica, o glicogénio dissolve-se e no seu lugar aparece um espaço claro e acinzentado.
APÓS COLORAÇÃO
Observação dos trofozoítos
Há uma nítida diferenciação entre o ecto e o endoplasma quando os trofozoítos são fixados em Schaudinn e corados pela hematoxilina férrica. O núcleo torna-se bem destacado, geralmente sob a forma esférica ou ligeiramente ovalada.
Os citoplasmas depois de delicadamente corados apresentam poucas inclusões fagocitárias.
Nos trofozoítos velhos em degeneração aparecem vários vacúolos e fungos.
Os trofozoítos que se localizam no lúmen intestinal são menores do que os observados nas ulcerações ou fezes mucossanguinolentas mas quanto à morfologia apenas diferem no conteúdo dos vacúolos digestivos.
Observação dos quistos
Os quistos da E. histolytica apresentam os corpos cromatóides de diferentes formatos, sendo a sua forma mais habitual a de bastonetes curtos e grossos, com pontas arredondadas. Por vezes, apresentam também a forma de massas ovaladas, esféricas ou regulares.
Tanto o glicogénio como os corpos cromatóides são mais frequentes nos quistos imaturos e tendem a desaparecer nos quistos de quatro núcleos.
Hoje em dia, estes métodos impossibilitam o diagnóstico preciso de uma Amebíase pois baseiam-se em exames de observação que fazem apenas a comparação entre as morfologias das várias Entamoebas (tamanho e formato).
MÉTODO IMUNOLÓGICO
Método de reacção enzimática - Método de ELISA
Detecta antigénios de E. histolytica. É um método sensível e bastante prático mas infelizmente não diferencia a forma comensal da invasiva nos antigénios.
TÉCNICAS SEROLÓGICAS
Detecta anticorpos de E. histolytica e trata-se de um método eficaz pois a forma comensal desta amiba não produz anticorpos.
Hemaglutinação indirecta
Princípio - O reagente é feito de células vermelhas de ovelha, sintetizadas por um antigénio solúvel obtido por cultura.
A reacção é efectuada em microplacas com fundo em U.
A presença de anticorpos anti-E. histolytica são reveladas por uma hemaglutinação que se traduz por um aspecto homogéneo de côr castanho-avermelhado observado dentro do poceto.
Quando não existem anticorpos específicos, as células vermelhas sintetizadas formam um anel no fundo do poceto.
Leitura dos resultados
Reacção negativa - Ausência de hemaglutinação. Observa-se um anel mais ou menos largo no fundo do poceto.
Reacção positiva - Presença de hemaglutinação. Não se observa o anel no fundo do poceto, mas sim, um véu uniforme de hemácias depositadas no fundo do poceto.
O título é dado pela primeira diluição que apresenta o anel.
AMEBÍASE
Aspectos Epidemiológicos
Agente etiológico - Entamoeba hystolytica.
Reservatório - O homem.
Modo de transmissão - Ingestão de alimentos ou água contaminados por dejetos, contendo cistos amebianos. Ocorre mais raramente na transmissão sexual devido a contato oral-anal.
Período de incubação - Entre 2 a 4 semanas, podendo variar dias, meses ou anos.
Período de transmissibilidade - Quando não tratada, pode durar anos.
Complicações - Granulomas amebianos (amebomas) na parede do intestino grosso, abcesso hepático, pulmonar ou cerebral, empiema, pericardite, colite fulminante com perfuração.
Aspectos Clínicos
Descrição
Infecção causada por um protozoário que se apresenta em duas formas: cisto e trofozoíto. Esse parasito pode atuar como comensal ou provocar invasão de tecidos, originando, assim, as formas intestinal e extra-intestinal da doença.
O quadro clínico varia de uma diarréia aguda e fulminante, de caráter sanguinolento ou mucóide, acompanhada de febre e calafrios, até uma forma branda, caracterizada por desconforto abdominal leve ou moderado, com sangue ou muco nas dejeções. Pode ou não ocorrer períodos de remissão.
Em casos graves, as formas trofozoíticas se disseminam através da corrente sangüínea, provocando abcesso no fígado (com maior freqüência), nos pulmões ou no cérebro. Quando não diagnosticadas a tempo, podem levar o paciente ao óbito.
Características epidemiológicas
Estima-se que mais de 10% da população mundial está infectada por E. dispar e E. histolytica, que são espécies morfologicamente idênticas, mas só a última é patogênica, sendo a ocorrência estimada em 50 milhões de casos invasivos/ano.
Em países em desenvolvimento, a prevalência da infecção é alta, sendo que 90% dos infectados podem eliminar o parasito durante 12 meses. Infecções são transmitidas por cistos através da via fecal-oral. Os cistos, no interior do hospedeiro humano, se transformam em trofozoítos.
A transmissão é mantida pela eliminação de cistos no ambiente, que podem contaminar a água e alimentos. Sua ocorrência está associada com condições inadequadas de saneamento básico e determinadas práticas sexuais.
Vigilância Epidemiológica
Objetivo - Medidas específicas de vigilância epidemiológica não são adotadas.
Notificação - Não é uma doença de notificação compulsória
Medidas de Controle
a) Gerais: impedir a contaminação fecal da água e alimentos através de medidas de saneamento básico e do controle dos indivíduos que manipulam alimentos.
b) Específicas: lavar as mãos após uso do sanitário, lavagem cuidadosa dos vegetais com água potável e deixá-los em imersão em ácido acético ou vinagre, durante 15 minutos para eliminar os cistos. Evitar práticas sexuais que favoreçam o contato fecal-oral. Investigação dos contatos e da fonte de infecção, ou seja, exame coproscópico dos membros do grupo familiar e de outros contatos. O diagnóstico de um caso em quartéis, creches, orfanatos e outras instituições indica a realização de inquérito coproscópico para tratamento dos portadores de cistos. Fiscalização dos prestadores de serviços na área de alimentos, pela vigilância sanitária.
c) Isolamento: em pacientes internados precauções do tipo entérico devem ser adotadas. Pessoas infectadas devem ser afastadas de atividades de manipulação dos alimentos.
d) Desinfecção: concorrente, com eliminação sanitária das fezes.

Algumas amebas, como a Entamoeba histolytica, podem causar doenças no homem. Ela faz parte de um grupo maior de amebas, da família Endamoebidae, que são parasitas comuns da nossa espécie. Elas vivem no nosso aparelho digestivo ou infectam tecidos, são pequenas e têm a capacidade de formar cistos, que são uma forma resistente às condições desfavoráveis do ambiente.
A Entamoeba histolytica geralmente convive bem com nossa espécie, não causando problemas. Por isso ela é colocada no grupo das Endamoebas, que significa amebas interiores, geralmente encontradas no interior de animais vertebrados. Mas em determinadas condições ela se torna patogênica: começa a engolir ou fagocitar células do nosso organismo (como as hemácias), ou começa a invadir órgãos e tecidos, como o fígado ou o intestino. É só então que ela causa a doença.
A amebíase pode provocar de uma simples disenteria (diarréia) até o comprometimento de algum órgão ou tecido. Ela ocorre em todo o mundo e geralmente está associada a condições econômica e de higiene precárias. Por que? Pelo simples fato de que só se pega amebíase ingerindo cistos que contaminam a água e os alimentos. Mas como estes cistos vão parar na água, contaminando-a? Como parasita intestinal obrigatório do homem, só há um meio de fazê-lo: pelas fezes. Quando o saneamento básico e as condições de higiene das populações são precárias, a possibilidade de contaminação das águas por fezes humanas aumenta. Esta mesma água poderá ser utilizada, rio abaixo, para a irrigação de hortaliças e frutas ou mesmo para o consumo humano direto. Você conseguiu visualizar o ciclo todo? Para piorar o quadro, os cistos que vão contaminar o ambiente ainda por cima são resistentes! Eles duram em média 30 dias na água, 12 dias em fezes frescas, 24 horas em pães e bolos e 20 horas em laticínios (produtos derivados do leite)!
Mas felizmente podemos quebrar esta cadeia de transmissão: basta que possamos assegurar condições mínimas de saneamento básico às populações e proporcionar a elas água tratada, já que o cloro adicionado nas estações de tratamento mata os cistos desta e de outras amebas.
Além disso, devemos possuir, em nosso ambiente, hábitos de higiene como:
-
lavar bem as mãos antes e após as refeições;
-
lavar bem frutas e hortaliças e deixá-las de molho em uma solução de água com água sanitária (1 colher de sopa de água sanitária de boa qualidade para cada litro de água);
-
ferver (por pelo menos 20 minutos) e filtrar águas de poço ou rios antes de bebê-las;
-
evitar o contato direto e indireto com fezes humanas (use luvas!).
No caso de uma infecção já adquirida, existe tratamento eficiente com antibióticos, que custam caro e provocam efeitos colaterais como vertigens ou erupções da pele. Por isso, o melhor mesmo é prevenir a infecção!
Existem também outras amebas que parasitam o homem, mas que convivem normalmente sem causar doença como Endolimax nana e Iodameba butschlii.
Algumas espécies de vida livre podem, eventualmente, ser patogênicas para o homem como as amebas dos gêneros Hartmannella, Acanthameba e Naegleria, produzindo casos de infecção das meninges (meningoencefalite humana) e podendo levar à morte ou produzindo lesões da córnea (camada protetora dos olhos).
AMEBÍASE
A amebíase ou disenteria amebiana é uma doença de difusão mundial causada pela Entamoeba histolytica, que se instala principalmente no intestino grosso humano. Segundo estimativas, atinge mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, causando de 40mil a 100 mil mortes anuais. Ao contrário do que se pode pensar, não se restringe apenas a países tropicais, mas é freqüente também nos clima frio. É a falta de condições higiênicas adequadas que condiciona sua disseminação.
A Entamoeba histolystica pode permanecer no organismo sem causar nenhum sintoma. A infecção assintomática é mais encontrada em países, como Estados Unidos, Canadá e países da Europa. As formas graves de disenteria amebiana têm sido registradas com mais freqüência na América do Sul, na Índia, no Egito e no México.
A transmissão da doença é feita por cistos eliminados com as fezes e ingeridos com água ou alimentos.
Ciclo Evolutivo
No seu ciclo evolutivo, a Entamoeba histolystica pode assumir quatro formas distintas:
-
trofozoíto "minuta", pequeno, até 20µm, mononucleado, com pseudópodes, vivendo no intestino, destituído de patogenicidade, alimentando-se de bactérias, muco e amido. Pode ser encontrado nas fezes não-disentéricas. Forma o cisto de transmissão desta protozzose;
-
cisto imaturo, forma arredondada, com núcleo grande e membrana pré-cística, que começa a se formar ao redor do protozoário. Forma-se quando as amebas na forma de trofozoíto "minuta" são arrastadas pela corrente fecal, na porção final do intestino grosso e reto;
-
cisto maduro, com quatro núcleos e dupla membrana protetora. É expelido com as fezes e representa a forma de transmissão. Vive até 4 semanas em condições favoráveis de umidade; porém, à temperatura de 50ºC, é destruído em poucos minutos;
-
trofozoíto "magna" ou tissular, forma invasora de tecidos, patogênica, medindo até 60µm, mononucleado, com pseudópodes, vacúolos digestivos contendo principalmente hemáceas. Não sobre encistamento e pode ser encontrado nas fezes de pacientes com disenteria amebiana.
O ciclo evolutivo começa pela eliminação de cistos juntamente com as fezes de um doente ou portador da doença. os insetos, podem ser considerados vetores mecânicos, pois, quando se alimentam de fezes contaminadas ou quando pousam nelas, contribuem para a disseminação e a transmissão dos cistos.
O indivíduo sadio, ocasionalmente, poderá ingerir os cistos com água ou alimentos contaminados. Na cavidade intestinal, os cistos se rompem, liberando amebas na forma de trofozoíto.
Sintomas
O período de incubação é de 2 a 4 semanas. A disenteria amebiana aguda manifesta-se com quadro disentérico agudo, melena, cólicas abdominais, tenesmo, náuseas, vômitos, emagrecimento e fadiga muscular.
Profilaxia e Tratamento
-
manter sanitários limpos
-
lavar as mãos antes das refeições e após a defecação
-
tratar os doentes e portadores assintomáticos
-
não usar excrementos, como fertilizantes
-
combater as moscas e baratas.
O tratamento consiste no uso de fármacos apropriados, como oxiquinolinas, diloxamid, nitroimidazóis, etc., muitas vezes combinados com antibióticos.
Lembre-se: não use qualquer medicamento sem prescrição médica.
AMEBÍASE
Homem: Hospedeiro Definitivo
A contaminação pela Entamoeba histolytica ocorre através da ingestão de água e alimentos contaminados com cistos tetranucleados.
No interior do intestino grosso ocorre a eclosão dos cistos com liberação dos trofozoítos (forma responsável pela infecção).
Os trofozoítos se desenvolvem no intestino grosso, invadindo a mucosa intestinal e se nutrindo de células mucosas e hemácias. Podem, portanto, causar diarréia intensa com fezes sanguinolentas, podendo também cair na corrente sanguínea e atingir outros órgãos, situação mais rara, porém mais perigosa.
No intestino grosso, os trofozoítos se incistam, formando cistos com envoltório protéico altamente resistente , que serão eliminados nas fezes para um reinicio do ciclo.
Profilaxia
- Melhoria das condições sanitárias (destino adequado das fezes – esgoto)
- Tratamento dos doentes.
- Higiene pessoal (lavar as mãos,etc.);
- Tratar a água;
- Lavar bem os alimentos;
Tratamento
- Antibióticos;