A atriz Brooke Shields está de volta. Depois de perder o posto de namoradinha da América, cair no esquecimento no esquecimento nos anos 90, e passar por uma forte depressão pós-parto depois do nascimento de sua primeira filha, a atriz decidiu retomar a carreira aos 42 anos. E em plena forma. “A minha vida estava um marasmo, pensei até que estava me atrofiando!”, diz Brooke. Ledo engano. Brooke foi convidada para viver Wendy, uma executiva quarentona e despachada, protagonista do seriado Lipstick Jungle (algo como selva de batom, um apelido para Nova York), que estréia dia 25 de agosto, na Fox. A série conta a história de três amigas modernosas em busca de realização profissional e amorosa. Alguém falou em Sex and the City? “Apesar de os dois livros terem sido escritos pela mesma autora, são completamente diferentes”, diz Brooke. Nesta entrevista a ÉPOCA, ela fala sobre a retomada da carreira, o ostracismo em que caiu na década de 90 e defende a emancipação das mulheres.
ÉPOCA – Como você foi convidada para participar do seriado?
Brooke Shields - Eu li o livro da Candance Bushnell quando ele saiu, e adorei. Eu sou fã de Candance. Já trabalhei com ela antes e adoro. Suas personagens são mulheres fortes, independentes, livres. Quando me disseram que poderiam transformar o livro num seriado, eu fiquei exultante em poder tentar o papel. Mas estava grávida da minha segunda filha. Fiquei chateada porque não poderia fazer Wendy protagonista do livro e do seriado. Mas houve atrasos na produção. Quando retomaram o projeto da série eu já estava livre para fazer. Tudo se encaixou perfeitamente.
ÉPOCA – Lipstick Jungle é um Sex and The City para quarentonas?
Brooke - As comparações são normais depois de tanto sucesso de Sex and The City. Mas apesar de ser a mesma autora, são livros completamente diferentes. As mulheres de Lipstick Jungle estão mais ligadas ao mundo dos negócios, preocupadas com suas profissões. Em certo sentido, é uma versão moderna de Sex and The City. Sim, realmente, para um público mais quarentão, no ápice da carreira. E também são mulheres em posições completamente diferentes das de Sex, muito mais modernas, poderosas e competitivas. Mas também são amigas umas das outras.
ÉPOCA – Por que você decidiu aceitar esse papel no seriado a essa altura da sua carreira?
Brooke - Para mim é como um reality show. Eu me identifico com a Wendy em várias maneiras. Renascer todos os dias, acordar e se maquiar para estar bonita - apesar de eu achá-la mais bonita do que eu na vida real. O sentimento dela é positivo, essa vontade de ser a melhor na sua área. A frustração que ela sente às vezes não a permite desistir de nada na sua vida. Isso a faz ser tão forte. Wendy vive no mundo ambicioso dos negócios, e isso a motiva, atiça, mas não a impede de ser uma mãe zelosa ao mesmo tempo. A força a querer cada vez mais e mais. Essa é uma postura que todas as mulheres deveriam ter.
ÉPOCA – Você estudou o comportamento das executivas para viver seu papel?
Brooke - Na verdade há varias mulheres em que me espelhei. Especialmente as executivas e agentes poderosas que encontrei ao longo da minha carreira, em Los Angeles e Nova York. Mulheres em posições de comando, que tem uma característica e uma personalidade muito forte. Wendy é uma mistura de todas as mulheres poderosas que encontrei na vida.
ÉPOCA – O seriado é uma mensagem para as mulheres?
Brooke - Sim. Diz que é importante elas terem sua própria carreira, tocar sua própria vida, independentes dos homens. Não cresci e me tornei quem sou para ser patrocinada por alguém, ser sustentada. Isso é importante. É bom que as mulheres queiram mais do que têm, se esforcem para não dependerem de ninguém. É possível ser uma mulher bem-sucedida, feliz, rica. E é bom que as mulheres queiram mais. E trabalhem para conseguir.
ÉPOCA – Isso não é feminista demais?
Brooke - Na verdade, não. Eu decide nunca mais me desculpar pelo meu poder. As mulheres foram ensinadas, ao longo dos anos, a se subestimarem. Se minimizarem diante das ameaças masculinas. Mas acho que nem eu, nem as outras mulheres precisam se auto-depreciar para soar engraçadas ou serem queridas. Me lembro até hoje da minha editora quando lancei meu livro. Ela contava que seu marido era o dono-de-casa. E eles nunca discutiram isso. Não foi uma decisão conjunta. Apenas aconteceu. Ela foi promovida várias vezes, ele tinha de ficar em casa e cuidar das coisas. E ele gosta disso! Se sente realizado. Pode ser assim, com as mulheres administrando suas vidas e negócios.
ÉPOCA – Como foi vencer a depressão pós-parto depois do nascimento do seu primeiro filho?
Brooke - A depressão é muito malandra. Usa todas as suas artimanhas para vencer sua vontade. Era horrível porque, quando minha primeira filha, Rowan, nasceu, eu pensava que seria uma péssima mãe, que minha filha iria me odiar, que eu tinha de desaparecer. Mas, depois da depressão, acho que eu pude ser muito mais quem eu sou. Dizem que as adversidades moldam e revelam o caráter. Eu fiquei surpresa e satisfeita com a minha resistência.
ÉPOCA – Você acha que a sua depressão teve alguma coisa a ver também com o seu envelhecimento e com o fato de você ter caído no esquecimento depois de ser um sucesso enorme nos anos 80?
Brooke - Não vejo nenhuma conexão entre as duas coisas. Nos últimos cinco anos eu tenho trabalhado mais do que trabalhei em toda a minha carreira - e mais do que muitos jovens atores por aí. Estou em plena forma física, super-ativa e não me sinto nada velha. Aquela depressão foi um problema puramente biológico. Que, aliás, afeta muitas e muitas mulheres no mundo todo. Eu apenas padeci de um problema biológico que, com sorte, apoio da minha família e dos médicos, consegui superar. Por anos a minha vida ficou no marasmo. Mas um dia eu acordei e pensei: "Estou atrofiando!" Então eu tive sorte. Fui para a Broadway, participei de peças, me dediquei ao teatro, as críticas foram positivas. E agora apareceu o Lipstick Jungle. É ótimo estar de volta.
ÉPOCA – Você se sentiu perseguida pela mídia alguma vez?
Brooke - Eu tenho sido observada por todos desde que nasci. E principalmente pela mídia (risos). Mas isso é uma coisa natural para quem se tornou uma celebridade instantânea como eu. Por isso escrevi um livro, para contar as coisas que se passaram comigo de um jeito verdadeiro, nas minhas próprias palavras, como realmente tudo aconteceu.