A paralisia facial periférica, do tipo idiopático, também chamada paralisia de Bell ou a frigore, consiste de acometimento do sétimo nervo craniano, de forma aguda, podendo ser precedida por dor na região mastoidiana, resultando em paralisia completa ou parcial da mímica facial. Podem estar associados distúrbios da gustação, salivação e lacrimejamento, além de hiperacusia desagradável e hipoacusia na zona de Ramsay-Hunt. (VALENÇA, 1999).

De acordo com Antunes (2002), existem várias teorias para tentar explicar a paralisia facial idiopática (vascular, viral, hereditária, inflamação, imunomediata e psicossomática), mas permanece ainda como sendo de causa incerta.

A primeira consulta fonoaudiológica do paciente constará de anamnese, avaliação e serão fornecidos os primeiros exercícios miofuncionais.

A anamnese na Paralisia Facial Periférica (PFP) pode levantar sinais que ajudam a traçar o prognóstico, nortear os esclarecimentos que possam ser dados ao paciente, determinar a conduta e estabelecer objetivos terapêuticos.

Três perguntas são básicas para a visualização do quadro:

a) Quando ocorreu a PFP;

b) Qual a causa;

c) Quais os tratamentos e intervenções realizados desde a instalação.

O objetivo principal da avaliação, além de identificar o tônus da musculatura afetada pela observação da posição de repouso, é avaliar também quais os segmentos musculares que estão envolvidos e identificar a fase em que o paciente está: fase flácida ou fase de seqüelas.

Na fase inicial da paralisia basicamente flácida e com pouco ou nenhum esboço de movimento, o trabalho consiste na realização dos mesmos movimentos da avaliação e outros, feitos de forma isométrica e acompanhados por massagens indutoras do movimento desejado na hemiface paralisada (ALTMANN, 1998) no sentido do movimento. Essas massagens podem ser exclusivamente manuais, lentas, com pressão profunda ou utilização de massageador facial suave.

Os exercícios devem estimular os músculos inervados pelo nervo facial, ou seja, relativos aos segmentos da face: testa, olhos, nariz, lábios e bochechas.

Denomina-se fase de seqüelas a falta de recuperação completa da musculatura facial, geralmente acompanhada por contratura e algumas sincinesias. Embora indesejadas, as seqüelas são uma ocorrência comum em muitos casos de paralisia facial periférica.

Para as contraturas, são sugeridos exercícios de alongamento passivo e ativo, assim como relaxamento e calor úmido local por pelo menos 5min.

A massagem pode eventualmente atingir os pontos de dor muscular, portanto a intensidade da pressão exercida deve respeitar a tolerância da pessoa massageada, podendo aumentar conforme ela permitir. Exercícios realizados para se obter relaxamento devem ser realizados sem força ou vigor. (BAJAJ-LUTHRA et al., 1998).

Estima-se que a incidência da paralisia de Bell seria de 20-30 casos por 100 mil habitantes, com prevalência ligeiramente maior entre as mulheres. É rara antes dos 10 anos de idade e sua incidência é bimodal com picos na terceira e oitava décadas de vida, dependendo da distribuição etária da população. (SEVETTIERI et al., 1996 apud VALENÇA et al., 2001).

O trabalho fonoaudiológico visa dar funcionalidade à musculatura afetada, diferenciando-o dos outros tratamentos que visam apenas a estética facial. Além disso, a atuação fonoaudiológica contribuiu para diminuir o tempo de recuperação da paralisia facial, ponto importante para o paciente que quer restabelecer sua expressão facial anterior, o mais breve possível.

A fonoaudiologia como uma ciência que se preocupa com a adequação dos movimentos e funções da musculatura da face, pode contribuir para o restabelecimento da mímica e expressão faciais do indivíduo. E é, através da expressão facial que demonstramos, às vezes, muito mais do que as palavras conseguem dizer.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1.ALTMANN, E. B. C. Como eu trato paralisia facial. Anais do Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, Natal: 1998.

2.ANTUNES, M. L. Paralisia facial periférica. In: Guias de medicina ambulatorial e hospitalar. São Paulo: Manole, 2002, p. 131-142.

3.BAJAJ-LUTHRA, A. et al. Quantification of patterns of facial movement in patients with ocular to oral synkinesis. Plast Reconstr Surg, v. 101, n. 6, p. 473-480, 1998.

4.SEVETTIERI, G.; SALEMIG, G.; ROCCA, W. A. Incidence and lifetime prevalence of Bell's palsy in two Sicilian municipalities. Sicilian neuro-epidemiologic study (SNES) group. Acta Neurol Scand, n. 94, p. 71-75, 1996.

5.VALENÇA, M. M.; VALENÇA, L. P. A. A. Nervo facial: aspectos anatômicos e semiológicos. Neurobiologia, n. 62, p. 77-84, 1999.

6._________; _________; LIMA, M. C. M. Paralisia Facial Periférica Idiopática de Bell: A propósito de 180 pacientes. Arq Neuro-Pasiquiatr, v. 59, n. 3B, set., 2001. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php? =sci_arttext&pid=S0004282X2001000500016>. Acesso em: 14 set. 2006.