
É doença causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, cuja posição sistemática ainda não está satisfatoriamente estabelecida; Seu descobrimento data do ano de 1908 em roedor africano:(Cenodactylus gondi,e no Brasil no coelho, e posteriormente em mais de 80 espécies animais,tanto domésticas quanto silvestres,inclusive em aves.
Parasitando a espécie humana foi comprovado no ano de 1914, porém só em 1923, na Checoslováquia (Jankú) realizou avaliação da doença,considerando-a particularmente perigosa para crianças ainda em fase de gestação no ventre materno.
O parasita é capaz de invadir, naturalmente, qualquer organismo animal de sangue quente (homeotermos),nos quais se multiplica em ciclo assexuado; É parasita estrito do interior da célula (intra celular), e principalmente células do sistema nervoso central, endotélios e dos músculos estriados como o são aqueles esqueléticos e do coração(miocardio); Atravessada a membrana celular da célula que irá parasitar, inicia o toxoplasma sua multiplicação de forma assexuada - sem concurso de células diferenciadas em gametas masculinos ou femininos - e após número variável de partições, a célula hospedeira, que devido seu aspeto passa a denominar-se pseudo-cisto, se rompe, deixando em liberdade os organismos resultantes dessa partição,que passam a denominar-se de zoitos, os quais rapidamente invadem novas células ,prosseguindo em ciclo parasitário.
O parasita, cuja tamanho é microscópico, portanto só visível mediante utilização de meios óticos ou eletrônicos como o próprio microscópio, tem forma semelhante à gomo de laranja, e após a multiplicação assexuada no interior celular, em poucos dias assume sua forma de resistência, denominado de cisto, no qual os parasitas persistem por anos ou mesmo toda a vida do hospedeiro.
Além do anteriormente descrito ciclo assexuado, existe também um outro ciclo, agora sexuado, e denominado de Gametogônico, que ocorre particularmente em felinos, inclusive no gato doméstico. Neste ciclo descoberto por Hutchinson em estudos quase simultâneos aos de Dubey e Frankel, ciclo que se processa em células da camada interna dos intestinos, e no qual aparecem células diferenciadas em gametas masculinos e femininos, denominadas macro e microgametas, os quais dão origem aos chamados oocistos; Tais oocistos passando para a luz dos intestinos são eliminados juntamente com as fezes do animal hospedeiro. Referidos oocistos para se tornarem infectantes para outros animais, sofrem processo de esporulação, dando origem cada um a dois esporocistos, os quais por sua vez dão origem cada um à quatro espozoitos; Tais oocistos infectantes são capazes de sobreviver à digestão gástrica, ao ácido sulfúrico na concentração de 1%, ao dicromato de potássio a 2,5% e ao hipoclorito na concentração de 2,5%, e de manterem-se viáveis muitos meses em ambiente úmido e arejado.
Daí surgem os vários caminhos para o contagio humano
Possivelmente a via mais freqüente seja a ingestão de carnes cruas ou mal cozidas, o que permite a sobrevida do parasita contido nessas carnes;
Cadeia epidemiológica denominada Gametogônica, e conhecida desde 1969, conseqüente a contaminação de objetos ou mesmo alimentos ou mãos por fezes de gatos infectados;
Acidentalmente, na preparação de antígenos utilizados para provas diagnósticas da doença, ou por caçadores que se contaminam com sangue de animais doentes.
Penetrando o parasita em um organismo animal suscetível à doença, suponhamos que pela via digestiva a través de alimentos contaminados, o toxoplasma é liberado da célula que o continha e penetra em células da mucosa intestinal, nas quais se reproduz rapidamente; Nessas células em que penetrou, após várias divisões celulares, dá origem aos chamados merozoitos, os quais invadem por sua vez novas células, inclusive células de defesa do organismo, como o são os macrófagos; Estas últimas, por serem móveis e circularem junto com o sangue, levam o parasita em seu interior para os gânglios linfáticos regionais, onde o processo tem continuidade, constituindo então por via linfática e sangüínea, uma parasitemia (multiplicação do agente no sangue circulante), com conseqüente disseminação do parasita em todo organismo, e devido a predileção do mesmo por células nervosas e da musculatura estriada, ao sistema nervoso e também ao coração, além dos músculos esqueléticos.
A severidade de tal infeção dependerá, como ocorre em outras infeções, da resistência do hospedeiro assim como virulência do toxoplasma e sua quantidade relativa presente no organismo infectado.
Com a introdução do parasita no organismo hospedeiro têm início os fenômenos imunológicos, que se traduzem: primeiro, pelo aparecimento de anticorpos circulantes do tipo IgM (imuno-globulinas do tipo M) constituindo a chamada imunidade imediata; segue-se a chamada imunidade retardada, mediada por células do sistema retículo endotelial, o que provocará em caso de sucesso das defesas orgânicas, na extinção das formas zoiticas do toxoplasma.
No entretanto, as formas císticas do Toxoplasma persistirão por muitos anos e mesmo toda a vida do hospedeiro infectado, caso o mesmo não venha a perecer do mal, ficando porém portador assintomático, com alto título de anticorpos em seu organismo. Tais cistos, multiplicando-se no interior das células de forma lenta, mantém o estímulo antigênico, e somente no caso de ocorrerem doenças intercorrentes ou medicação imunosupressora, poderão determinar reativação da toxoplasmose, com rompimento de tais cistos e extravasamento dos mesmos para o tecido pericístico vizinho. Tal rompimento de cisto foi já observado com o auxílio do oftalmoscópio, em exames oculares de portadores da doença com localização na retina, o que ocorre com relativa freqüência, determinando a chamada retinocoroidite, freqüente nos primeiros decênios de vida do indivíduo infectado.
Na toxoplasmose congênita, ou seja aquela originária de contagio do feto pela própria mãe infectada, manifestam-se com freqüência desde simples conjuntivite até microftalmia, passando por uma irite, uveite, hemorragias retinianas, opacificação dos meios líquidos do olho, retinocoroidite, etc. É no entretanto, mais freqüentemente observada esta última, conseqüente a reativação localizada imediata.
É descrita em oftalmologia, lesão dita patognomônica (típica) da doença, e que se traduz por retinopatia em forma de roseta.
Trabalhos recentes trazem a suspeita do parasita secretar toxina que é eliminada e se difunde de forma contínua, a través do sangue do hospedeiro, para todo o organismo infectado; Tal toxina atinge maior concentra-ção quando se instalam os pseudo-cistos, e cujo efeito tem maior importância sobretudo ao órgão em que esteja localizado o referido pseudo-cisto, sobretudo no caso de ser este o cérebro. Não parece improvável que a toxina intervenha na patogenia da doença;Demonstrou-se que apenas 0,1 ml do exsudato peritoneal centrifugado, procedente de um rato infectado, injetado em outro rato sadio por via endovenosa, mata este último em poucos segundos.
A grande difusão do parasita na natureza,aliada à facilidade de sua transmissão às mais diversas espécies animais e ao homem, são favore--cidas pela peculiar biologia do mesmo: uma escassa especificidade de hospe-deiro, possibilidade de localizar-se em vários órgãos, sua eliminação em estado infectante, sua grande resistência ante os fatores externos na natureza e suas amplas possibilidades de infeção.
No cão doméstico, os sintomas tem grande semelhança com aqueles da Cinomose (virose que ataca essa espécie);São observados transtornos gástricos, cerebrais e pneumônicos; e os cães jovens (entre 2 meses e 2 anos), são também mais susceptíveis de adoecerem de forma aguda, diferentemente dos animais mais velhos, nos quais a doença, como também na cinomose, tem caracter prevalentemente crônico. Nos casos manifestos, acompanham a febre, vômitos, inapetência, diarréia intensa e incoercível, emagrecimento e lassidão, decaimento do estado do animal, conjuntivite e tumefação dos gânglios linfáticos do baço e do fígado.
Na forma nervosa, como na Cinomose, contrações do tipo epileptiformes,espasmos e até paralisias são observados. Nas formas pulmonares: bronco-pneu-monia não purulenta. Nas úlceras, encontradas em órgãos de animais que pere-ceram do mal, são encontrados ao exame microscópico o agente causal.
Em suinos a doença é encontrada prevalentemente em sua for-ma latente, no entretanto, leitões podem apresentar desde simples eczema de pele, até vertigens, debilidade, dispnéia,tremores musculares e tumefações testiculares, assim como febre alta com pneumonia, enterites e nefrites. Foram já isolados toxoplasmas no leite, carne e placenta de suínos ex-perimental e espontaneamente infectados.
O gado vacum adoece geralmente de forma latente, em poucos casos apresentando-se febre, com respiração acelerada e dispnéia, tosse, rangidos de dentes, inapetência ou decúbitos permanentes. Nesses casos, podem ser encontrados em esfregados de órgãos lesados, espécimens do parasita, que se cora de forma negativa pelo Método de Gram.
Em gatos, além da febre, tosse, tumefações ganglionares e mesmo encefalites, os intestinos apresentam-se ulcerados e necróticos, e nos pulmões são encontrados nódulos até do tamanho de um verme.
Em animais explorados na produção de peles como os visões, assim como em cobaias, nos quais é fácil a introdução do parasita até pela simples tomada da temperatura a través do termômetro não haver sido devidamente desinfetado, a doença se inicia por apresentarem-se os animais com a pelagem eriçada, anorexia, esgotamento, paralisias das extremidades e diarréia.
Os ratos só com dificuldade se infectam, e só experimentalmente.
Lebres e coelhos são infectados com relativa freqüência, e quando doentes, apresentam-se apáticos, deixando-se capturar com facilidade. Nestes, em caso da doença generalizada, os gânglios linfáticos apresentam-se tumefeitos, assim como o baço; pulmões edematosos e hiperê-micos, e o fígado semeado por focos necróticos. Quanto aos sintomas, são os mesmos observados em cobaios e visões.
Em aves, principalmente em galinhas, pombos, faisões, patos e pavões, são dignas de nota as alterações observáveis no sistema nervoso central: estupor, apatia e permanente isolamento de suas companheiras, além de debilidade, movimentos retrógrados (andar para traz) ou circulares (andam as aves em círculo) ,transtornos do equilíbrio, contraturas musculares espasmódicas, caibras, e tombos ao tentarem se locomover, demonstrando encefalite. Aliam-se ainda sintomas de gastroenterite, com diarréia, e mais tarde miocardite e corioretinite. Pelo fato de existirem nesses casos, pseudo-cistos nos ovários, há a possibilidade da passagem do parasita aos ovos das aves. Os sintomas em galinhas, lembram aqueles que se apresentam na denominada Doença de Marek, em sua forma paralítica, diferenciando-se desta pela presença no cérebro dos pseudo-cistos da toxoplasmose.
A infeção humana, quase sempre tem início após o parto, ou seja é congênita (pré-natal)para o bebe ainda em sua vida intra uterina, que se infecta pela mãe quando esta é acometida da doença durante a gestação.
A gravidez da mulher, é seguramente a situação em que mais tem sido a doença estudada, já que por sua gravidade é a situação que mais preocupa clínicos, parteiros e epidemiologistas.
Duas situações se apresentam
- Gravidez em uma mulher SEM infeção toxoplasmática prévia;
- Gravidez em uma mulher COM infeção toxoplasmática prévia.
Na primeira situação, tendo a mulher gestante, em algum momento da gestação contagio pelo toxoplasma, se não tratada oportunamente, tem possibilidade de transmitir a infeção ao feto.
Já com respeito à segunda situação, há controvérsia da possibilidade de uma mãe com toxoplasmose crônico, transmitir a doença ao feto em formação em seu próprio organismo, o que só seria possível a través de sua placenta; Sabin e outros investigadores, negam tal possibilidade.
A maioria dos pesquisadores afirmam ser condição necessária para a contaminação do feto durante a gestação, que a infeção da mãe ocorra em algum momento do seu período de gestação.
Conclusão
Em toda mulher grávida ,é obrigatório o teste correspondente; Caso seja NEGATIVO, o que é indicativo da futura mãe não estar infectada, porém poderá sê-lo durante a gestação, é recomendável que realize novos testes durante sua futura gravidez, aos 3,5,7 meses, e no momento do parto, e nestes casos, sendo tal teste POSITIVO, imediato tratamento; Caso o teste seja POSITIVO, quando realizado o teste antes da gravidez, revelando ser a mesma uma doente crônica assintomática, é pouco provável o aparecimento de uma toxoplasmose congênita para o bebe.
A resposta imunológica primária, que é aquela que aparece numa infeção recente, cronologicamente se caracterizando porque os primeiros anticorpos, sejam eles aglutinantes, líticos, ou fixadores do complemento, formam parte da chamada imuno-globulinas M (IgM), de elevado peso molecular (19 S); Posteriormente tais anticorpos são substituídos por anticorpos denominados de IgG, de baixo peso molecular (7S),o que só ocorre tardiamente.
Tem importância saber-se se o indivíduo reagente positivo é de infeção recente ou não, devido ao fato da doença em gestantes se revestir de especial gravidade para o feto, no caso da infeção haver tido início durante a gravidez, quando o feto se torna particularmente suscetível a se contagiar do mal, caso a gestante não seja tratada. Já quando a mãe contraiu a doença muito antes da gestação, o perigo para o feto é quase nulo, constituindo-se o risco apenas à própria gestante.
Para o diagnóstico da doença, as provas sorológicas são especialmente úteis, existindo cerca de sete provas distintas, as quais servem não apenas para seu diagnóstico como para precisar o tempo da infeção e sua fase atual.
Para tratamento de enfermos existem medicamentos específicos, entre os quais as pirimetaminas e mesmo alguns corticoides.
Já para prevenção, não foram ainda conseguidas vacinas eficientes, sendo a profilaxia do mal, baseada em medidas higiênicas, particularmente em se tratando de felinos como o gato doméstico, que merece especial cuidado quando em contato com gestantes.
Fonte: www.saudeanimal.com.br
TOXOPLASMOSE
É uma doença de distribuição mundial causada por um protozoário toxoplasma Gondii que acomete os animais domésticos, principalmente o gato e felídeos, que são os únicos hospedeiros definitivos do protozoário; mas também são hospedeiros intermediários.
Outros animais também são hospedeiros da toxoplasmose, como por exemplo os anfíbios, peixes, répteis, aves e mamíferos. O gato infecta-se pela ingestão de um hospedeiro intermediário contaminado peloT. gondii.
SINTOMAS NOS ANIMAIS
A doença normalmente é assintomática, praticamente em todas asespécies. As manifestações clínicas no animal podem estar associadas à idade muito jovem ou imunossupressão. Os sinais clínicos são deficiência neurológica que depende da localização das lesões para manifestar uma sintomatologia (hiperexcitabilidade, depressão, tremor, peresia, paralisia e convulsão), retinocoroidite, miosite, linfadenopatia, abortamento, moléstia neonatal e podendo ainda manifestar diarréia, pneumonia e estado febril. O dianóstico da toxoplasmose antes da morte do animal pode ser difícil, mas depois da morte é realizado uma biópsia, que dá o diagnóstico definitivo pela presença de cistos nos tecidos.
O diagnóstico também pode ser através do exame de fezes à procura de oocistos de coccídios (mas nem sempre é realizado pois quando ocorre a eliminação de oocistos o gato está sem sintomas). ou por sorologia pela demosntração de título de anticorpos anti-toxoplasma.
SINTOMAS NOS HUMANOS
Em seres humanos ela pode causar morte fetal, aborto, deficiência neurológicas e visuais.
PROFILAXIA
Para evitar a contaminação do animal deve-se fornecer a ele carne cozida ou enlatada e higiene do local onde dormem. Quanto ao ser humano, deve-se ter cuidado ao manusear a caixa de areia do gato dando destino adequado às fezes fazendo limpeza e desinfecção diária dessa caixa, lavando as mãos após manusear o animal e a carne crua; não comer carne crua ou mal passada, tomar cuidado com tanque de areia onde as crianças brincam, e se possível cobri-los quando não estiverem em uso(controlar moscas e baratas que podem servir de hospedeiros).
As mulheres grávidas devem tomar medidas sérias para que seja evitado contato com material fecal dos gatos (por exemplo uso de luvas).
Fonte: www.saudevidaonline.com.br
TOXOPLASMOSE
É uma doença infecciosa causada por um protozoário encontrado nas fezes secas dos gatos chamado Toxoplasma.
A doença pode determinar quadros variados, desde ausência de sintomas até doença com manifestações graves.
Agente Transmissor: Fezes do gato (fezes secas, geralmente após três dias da defecação do gato), não existe um transmissor direto.
Transmissão
A Transmissão pode ser por três vias:
- por ingestão de cistos do solo, areia, qualquer lugar onde possam existir fezes de gatos;
- por ingestão de cistos de carne crua ou mal-passada, principalmente de porco ou carneiro;
- por contaminação da gestante para seu feto.
A doença não é transmitida de uma pessoa para outra, com exceção de mulher grávida para seu feto.
Sintomas
Os sintomas são muito variados, dependentes também da imunidade do paciente.
O início dos sintomas pode variar de cinco a 30 dias após a contaminação.
Podemos distinguir algumas manifestações mais chamativas:
Doença febril: febre e manchas pelo corpo como sarampo ou rubéola; podem haver sintomas localizados nos pulmões, coração, fígado ou sistema nervoso. A evolução dos sintomas tem curso benigno, isto é, autolimitado.
Linfadenite: são as famosas ínguas pelo corpo, mais localizadas na região do pescoço e raras vezes disseminadas.
Doença ocular: é a doença mais comum no paciente com boa imunidade, inicia com dificuldade para enxergar, inflamação, podendo até terminar em cegueira.
Toxoplasmose neonatal: infecção que ocorre no feto quando a gestante fica doente durante a gravidez, podendo ser sem sintomas até fatal dependendo da idade da gestação; quanto mais cedo se contaminar, pior a infecção. Por isso a importância do pré-natal.
Toxoplasmose e AIDS/Câncer: como a imunidade do paciente está muito diminuída, a doença se apresenta de forma muito grave, causando lesões no sistema nervoso, pulmões, coração e retina.
Prevenção: Evitar comer carne mal-cozida, evitar contato com fezes de gato (higiene do local de defecação do gato) e fazer higiene pessoal. Mulheres grávidas devem evitar contato com gatos.
Tratamento: O tratamento só é indicado nos casos de doença em órgãos como coração, olhos ou durante a gravidez. Em pacientes com AIDS o tratamento é obrigatório e por tempo indeterminado para evitar a progressão da doença.
Fonte: www.brasilescola.com
TOXOPLASMOSE
A toxoplasmose é uma das doenças com índices de prevalência mais altos do mundo. Normalmente as pessoas que ficam com toxoplasmose nem ficam sabendo que a tiveram, confundindo seus sintomas com os de uma gripe. No entanto, a doença pode se manifestar de forma mais severa também. Com a grande quantidade de pessoas afetadas pelo vírus da AIDS, a questão da toxoplasmose tornou-se bem mais séria em termo de saúde pública. Outro grupo que deve ser particularmente cuidadoso é o das mulheres gestantes. É muito comum a dúvida sobre o que as mulheres grávidas devem fazer com seus gatos. Aqui apresento informações sobre a toxoplasmose (que são resultado de pesquisas sobre a doença) na forma de perguntas e respostas
A toxoplasmose é uma doença causada por um protozoário chamado Toxoplasma gondii. Este protozoário pode infectar qualquer animal de sangue quente.
Como os humanos podem pegar Toxoplasmose?
As vias de transmissão possíveis são:
1.ingestão de cistos na carne crua ou mal cozida de animais portadores. É a forma mais comum de contaminação em humanos.
2.ingestão de oocistos (forma resistente do T. gondii) provenientes de fezes de gatos, seja pelo manuseio da caixa de areia, contato com solo ou verduras contaminados pelos oocistos.
3.infecção transplacentária, quando o parasita ataca o feto antes do nascimento, através da placenta, nos casos em que a gestante tem seu primeiro contato com o Toxoplasma. Quando ela já tem anticorpos no início da gestação isso não ocorre, pois não desenvolverá a doença.
Qual é o risco de pegar Toxoplasmose?
Quando um ser humano tem seu primeiro contato com agente causador da Toxoplasmose, ele pode desenvolver sintomas semelhantes aos de uma gripe, como dores no corpo, tosse, entre outros. As defesas do organismo costumam ser suficientes para conter o processo, embora pessoas com deficiências imunológicas (portadores de AIDS, por exemplo) possam desenvolver sintomas graves em função dessa infecção. O parasita pode ainda retornar caso a imunidade seja afetada no futuro. Após esta primeira infecção o indivíduo normal ganha imunidade contra a doença. O grande perigo da infecção ocorre quando uma mulher gestante entra em contato com o Toxoplasma pela primeira vez em sua vida e desenvolve a infecção. O feto poderá se infectar e apresentar mal-formações como deficiência visual grave quando nascer, entre outros problemas graves de saúde.
Como a mulher gestante pode se prevenir?
Não comendo alimentos crus ou mal-cozidos, usando luvas ao fazer jardinagem (lavando as mãos depois) e deixando de limpar a caixa de areia dos seus gatos. Deve-se limpar cuidadosamente o material que irá entrar em contato com carne crua, como a tábua de cortar carne. A caixa de areia dos gatos precisa ser limpa todos os dias. É bom que a gestante possa saber se já tem ou não anticorpos contra a Toxoplasmose, até para poder regular o grau de atenção para as medidas preventivas. Isso se consegue através de um exame de sangue.
É preciso se desfazer dos gatos da casa?
Não, conviver e manusear gatos é seguro, seguindo as recomendações acima.
Qual é o papel dos gatos na transmissão da doença?
Como eles se contaminam?
Os felinos são os únicos hospedeiros definitivos do Toxoplasma. A reprodução sexuada do se dá em seus intestinos. Após a infecção em um gato, por exemplo, ele irá eliminar cistos (formas resistentes do parasita) nas fezes por um período máximo de quinze dias. Acontece que esses cistos ficam no solo por até mais de um ano e podem contaminar alimentos e ser transportados por moscas, baratas e até minhocas. Os gatos se contaminam geralmente ingerindo carne contaminada, seja servida pelos donos ou ingerindo suas presas, como ratos e pássaros.
Como evitar a infecção em gatos?
Evitando que possam caçar e não oferecendo leite cru (principalmente de cabra) nem carne crua.
Mulheres grávidas devem evitar manipular gatos?
A manipulação é segura, porque mesmo que o gato esteja no período de eliminação dos cistos (que dura apenas quinze dias e ocorre apenas uma vez na vida do gato), eles não estarão em sua forma esporulada, ou seja, contaminante. Isso porque é preciso pelo menos 24 horas para que isso aconteça, e os gatos possuem hábitos de higiene muito desenvolvidos, não ficando em contato com suas próprias fezes e limpando-se boa parte do dia.
Qual o papel dos gatos na transmissão da Toxoplasmose?
Os felinos são os únicos hospedeiros definitivos da toxoplasmose. Somente eles eliminam cistos contaminantes nas fezes, que são resistentes no meio ambiente. Portanto são responsáveis pela transmissão para os outros animais, que podem ingerir os cistos na água, por exemplo. Os felinos, principalmente os gatos, são os reservatórios naturais da doença e espalham o parasita para muitas outras espécies através dos cistos resistentes eliminados nas fezes. São essas espécies que acabam contaminando outros felinos, normalmente quando lhes servem de alimento. Se não houvessem felinos no mundo, não haveria toxoplasmose.
Fonte: www.cachorrosegatos.com
TOXOPLASMOSE
Infecção x doença
É muito importante distinguir duas condições bastante diferentes mas que podem ser chamadas do mesmo jeito: toxoplasmose.
A primeira, toxoplasmose infecção, significa a presença deste microorganismo vivo porém quiescente, no organismo humano. Essa condição é muito freqüente, é, na verdade, uma das infecções humanas mais comuns, podendo estar presente em cerca de até 90% de uma população.
Nessa condição, a pessoa não sente absolutamente nada. Portar um microorganismo, algumas vezes pode significar doença, mas na maioria das vezes não. Na verdade, não existe uma superfície da terra livre de micróbios: não existe vazio ecológico na terra.
Na superfície do corpo humano, na pele e nas mucosas, existem muitos microorganismos que convivem harmonicamente conosco, respeitados alguns limites. No intestino grosso temos 106 a 108 microorganismos por cm3 de fezes. Na intimidade de alguns tecido&s também podemos ter alguns microorganismos e conviver com eles sem perder a saúde.
O Toxoplasma gondii, agente causador, um protozoário de alta infecciosidade mas baixa patogenicidade ocorre em todo o mundo. Isto pode ser verificado através da pesquisa de anticorpos antitoxoplasma no soro de populações (enquete sorológico). A prevalência humana mais baixa é encontrada em climas quentes e secos, tal como no Arizona. A incidência aumenta com a idade. No Brasil, a prevalência de anticorpos varia de 54% no Cento-Oeste a 75% no Norte; porém alguns municípios aleatoriamente podem Ter prevalência mais alta. Cerca de 50% dos gatos apresentam anticorpos.
Na segunda condição, toxoplasmose doença, a pessoa tem sintomas porque, intencionalmente redundante, está doente.
Adoescimento
Para adoecer de toxoplasmose são necessárias as seguintes condições (na primoinfecção em adultos):
Contágio com o agente causador, o Toxoplasma gondii
O inóculo (quantidade) do micróbio deve ser grande
Deve haver uma resposta inflamatória da pessoa que adquire o micróbio: se a resposta inflamatória é pequena, a pessoa tem poucos sintomas, podendo ser apenas leve mal estar, pouco apetite, febrícula, algumas ínguas.
Para adoecer de uma forma grave de toxoplasmose (disseminada, encefalite) são necessárias as seguintes condições:
Deficiência imunológica importante como em Doença do HIV/Aids, em câncer, em uso de corticóides e quimioterápicos
Transmissão durante a gestação (em mãe que não havia tido contato ainda com o parasita)
Manifestações clínicas
Se a resposta inflamatória é grande, os sintomas são mais importantes: febre alta, mal estar, dor de garganta, náusea, vômito, dor de cabeça, inguas grandes, aumento do baço e do fígado. Menos freqüentemente, pode comprometer outros órgãos. Sem dúvida, é muito mais comum não ter nenhum sintoma ou ter muito poucos. Estas formas são autolimitadas por causa da produção de anticorpos e da baixa virulência do toxoplasma.
A toxoplasmose ocular (retinite) pode fazer parte dos quadros crônicos; sua persistência pode levar à perda progressiva da visão. No recém-nascido, incide em 3-5% ao ano ocorrendo em 40% dos fetos de mães que adquiriram a infecção durante a gestação.
A infecção congênita geralmente é assintomática, com as seqüelas podendo tornar-se aparentes anos depois, com alterações cerebrais e oculares. Mais agressiva quando adquirida no 2º e 3º trimestre, pode ocasionar abortos de repetição, surdez, encefalites, malformações e morte, bem como as manifestações da fase febril aguda. As seqüelas incluem déficits de aprendizagem, retardo mental e comprometimento visual que pode chegar à cegueira.
Exames laboratoriais
Os exames sorológicos são os principais meios diagnósticos complementares em quadro clínico-evolutivo compatível pois detectam os anticorpos tanto da fase aguda quanto na crônica.
Sugerimos consultar médico especialista e evitar interpretações que se iniciam por um teste positivo para anticorpos, por exemplo IgG. Presença de anticorpos detecta resposta imune específica e não faz diagnóstico de doença por si só.
Tratamento
O tratamento específico é feito com sulfadiazina e pirimetamina associados por cerca de 40 dias, sendo importante o acompanhamento com exames de sangue e urina.
A toxoplasmose congênita deve ser sempre tratada precocemente, mesmo quando assintomática, na tentativa de impedir seqüelas oculares e no sistema nervoso central.
Na toxoplasmose ocular, deve-se associar corticóides para diminuir a resposta inflamatória contra a infecção porque esta também pode ser nociva nessa forma de apresentação da doença.
No pacientes com Aids, recomenda-se a manutenção das drogas por toda a vida, porém em doses mais baixas, podendo ser substituídas se surgirem efeitos tóxicos.
A toxoplasmose ganglionar geralmente não necessita tratamento, em face da benignidade do quadro e do caráter autolimitado. A transmissão se dá através de:
Ingestão de carnes cruas ou mal-cozidas n Ingestão de alimentos crus (saladas, frutas) não devidamente lavados
Contaminação direta com oocistos das fezes dos gatos (solo, areia, latas de lixo, jardins, etc.). Os vetores (moscas, insetos, vermes) podem disseminar o toxoplasma e levá-los aos alimentos.
Infecção passando da placenta para o feto
Transfusões sangüíneas ou transplantes de órgãos
Portanto, as medidas profiláticas são as medidas gerais de higiene e incluem os cuidados no trato ou afastamento dos gatos (pessoas que nunca tiveram contato com gatos também podem se contaminar) e a não-ingestão de carnes cruas ou mal cozidas. Importantíssimos são os cuidados e as consultas pré-natais da gestante, melhor ainda se antes da gestação.
Fonte: www.drgate.com.br