Formigas Urbanas
Pesquisadores americanos demonstraram que as formigas lava-pés apresentam atração pelo campo elétrico, o que explica os constantes ataques a aparelhos eletrodomésticos. Embora estes estudos tenham sido realizados em cabines de alta tensão, tal fato também ocorre em locais com baixa corrente elétrica, como, por exemplo, em semáforos, causando problemas no trânsito.
As formigas carpinteiras têm causado sérios danos a aparelhos de som. Invadem a caixa e constroem ninhos sobre o motor do disco ou na região de controle do braço que contém a agulha. Além de aumentarem a umidade, liberam secreçõe4s, dentre elas, o ácido fórmico, e acabam, rapidamente, inutilizando o equipamento. Invadem, ainda, videocassetes, geladeiras, televisores, fornos de microondas, pequenas centrais telefônicas (PABX), aparelhos telefônicos, microcomputadores e máquinas de lavar roupas.
A melhor forma de controlar a infestação de formigas em aparelhos eletrônicos é remover, mecanicamente, os ninhos, já que produtos químicos não podem ser utilizados. No entanto, nos hospitais, as conseqüências são mais graves.
Levantamento realizado em doze hospitais do Estado de São Paulo mostra que todos apresentaram infestação de formigas. Em um dos hospitais, localizado na região Sudeste do Estado, 16,5% das formigas coletadas apresentaram bactérias patogênicas; os berçários e as UTIs foram as alas com maiores índices de infestação.
O nome formiga deriva do ácido fórmico. Esta substância é produzida pela glândula ácida das formigas, particularmente daquelas pertencentes à subfamília Formicinae. Entretanto, a maioria das formigas não tem ácido fórmico e pertencem a subfamília Myrmicinae. Assim, passou-se a chamar de MIRMECOLOGIA o campo da Entomologia dedicado ao estudo das formigas.
As formigas atuais e conhecidas até 1993 compreendem 16 subfamílias com 51 tribos, 296 gêneros e 9.536 espécies, além de 408 fósseis. Estima-se que existam cerca de 18.000 espécies de formigas em todo o mundo. No Brasil, já estão catalogadas mais de 2.000 espécies.
Todas as formigas são sociais e ocorrem, praticamente, em todos os ambientes terrestres, exceto nos pólos. Como qualquer ambiente natural, os sistemas artificiais, entre eles os centros urbanos, podem ser colonizados e explorados por várias espécies de formigas. Do total existente, cerca de 1% das espécies pode ser considerado praga por causar conflito com os interesses do homem e menos de 50 espécies estão adaptadas ao ambiente urbano. Como salientado, as formigas pertencem ao grupo de insetos sociais, juntamente com todos os cupins e parte das abelhas e vespas; portanto, vivem em colônias.
Uma colônia de formigas é formada de indivíduos adultos e em desenvolvimento ou cria, constituída de ovos, larvas e pupas. Os adultos, com raras exceções, são fêmeas e estão divididas em pelo menos duas castas: as fêmeas férteis ou rainhas, cuja função primordial é a postura de ovos e as fêmeas estéreis ou operárias que realizam todas as demais atividades da colônia, tais como: coleta de água e alimento, alimentação da cria e da rainha, construção e defesa do ninho. As operárias, por sua vez, podem apresentar formas diferentes, duas ou mais, fato denominado polimorfismo. Ele está relacionado com a realização de tarefas diferentes.
Todas as operárias não apresentam asas e as formas aladas correspondem aos sexuais: rainhas e machos. Estes, geralmente, aparecem apenas uma vez por ano na época de acasalamento, que se dá através da realização do vôo nupcial. Conseqüentemente, uma colônia de formigas é constituída exclusivamente de fêmeas ápteras.
É importante salientar que no máximo 30% da população adulta de uma colônia podem exercer atividades externas ao ninho ao mesmo tempo. Geralmente, este valor não ultrapassa 5 a 10%.
As colônias, nas várias espécies, podem ter uma única rainha, fenômeno denominado de monoginia, ou várias rainhas funcionais, poliginia. Em geral, as rainhas de uma espécie poligínica vivem menos do que aquelas das espécies monogínicas. Em compensação, a capacidade da colônia em produzir novas rainhas é maior, e ocorre várias vezes por ano.
Nos últimos anos, a atenção está se voltando para as formigas que vivem em íntima associação com o homem e são distribuídas por todo o mundo através do comércio, denominadas formigas andarilhas (tramp species).
A presença de formigas em residências, apesar de causar bastante incômodo, não é considerado um perigo à saúde, a menos que os moradores sejam alérgicos à sua saliva ou ao veneno para aquelas formigas que apresentam ferrão. Não se conhece estatísticas sobre acidentes deste tipo no Brasil. Nos prédios elas podem invadir e causar danos a equipamentos elétrico-eletrônicos, tais como: aparelhos de som, televisores, máquinas de lavar roupa, vídeo-cassetes, telefones e fiação elétrica. Elas podem causar problemas mais sérios quando ocorrem em fábricas de alimento, escritórios, instituições de pesquisa, biotérios, zoológicos, museus, cabines de eletricidade e centrais telefônicas. Podem também afetar diretamente a saúde pública quando a infestação se dá em hospitais, por poderem transportar microorganismos patogênicos, atuando como vetores mecânicos. Este fato foi inicialmente mostrado na Inglaterra, Alemanha e nos Estados Unidos e mais tarde no Chile e no Brasil.
As espécies que predominam no ambiente urbano apresentam um conjunto próprio de características.
Destacam-se:
1. associação com o homem: principalmente devido a disponibilidade de locais para a construção de ninhos e dispersão para longas distâncias;
2. migração: tendência em mudar freqüentemente o ninho de local;
3. populações unicoloniais: implica na ausência de comportamento agressivo entre indivíduos de uma espécie pertencentes a ninhos diferentes que ocupam uma mesma área;
4. alta agressividade interespecífica;
5. poliginia: não existe qualquer agressão entre as rainhas e nem tentativa de dominância;
6. reprodução: característica muito importante, pois é responsável pela dispersão das espécies. Muitas delas aboliram o vôo nupcial. A colônia se reproduz por sociotomia (fragmentação da colônia);
7. tamanho e forma: as operárias são muito pequenas;
8. longevidade das rainhas: em geral é pequena. Nessas formigas, ela pode ser extremamente pequena;
9. operárias estéreis: as operárias nunca desenvolvem os ovários.
As formigas mais importantes na maioria das cidades da região Sudeste do Brasil compreendem as espécies introduzidas Tapinoma melanocephalum, Paratrechina longicornis, Monomorium floricola, Monomoriumpharaonis e Pheidole megacephala. Das espécies nativas apenas Wasmannia auropunctata e Linepithema humile apresentam as mesmas características daquelas introduzidas. Ainda são importantes os gêneros Pheidole (8 - 10 espécies), Camponotus (4 - 6 espécies) e Crematogaster (2 - 4 espécies). As formigas do gênero Solenopsis ainda podem ser agrupadas nesta categoria.
Levantamentos realizados em doze hospitais do Estado de São Paulo mostraram que:
1. todos os hospitais visitados apresentaram infestação de formigas. Sempre ocorreram várias espécies, com a predominância de uma delas. O índice de infestação variou de 16 a 61% dos pontos amostrados, atingindo 73% quando ocorreu a explosão populacional de uma das espécies;
2. em um dos hospitais localizado na região Sudeste, 16,5% das formigas coletadas apresentaram bactérias patogênicas;
3. os berçários e as UTIs foram as alas com maiores índices de infestação;
4. as formigas mais comuns foram duas espécies introduzidas, destacando Tapinoma melanocephalum e Paratrechina longicornis;
5. a presença de formigas em áreas consideradas críticas e a ocorrência de altas taxas de bactérias patogênicas associadas, constituem riscos em potencial na transmissão de bactérias que podem causar infecção hospitalar.
Amostragens realizadas em residências de três cidades do Sudeste da Bahia apresentaram cerca de 30 espécies de formigas, com a predominância de sete espécies introduzidas. A espécie dominante foi Pheidole megacephala. Os hospitais (12), centros de saúde e gabinetes odontológicos apresentaram 17 espécies de formigas, destacando as mesmas sete introduzidas. As espécies dominantes nesses locais foram Tapinoma melanocephalum e Paratrechina longicornis.
Recentemente, pesquisadores da Faculdade de Medicina de Marília - SP encontraram alto índice de formigas no Hospital das Clínicas, apesar de utilizarem diferentes formas de controle. O mais preocupante é que isolaram várias bactérias altamente resistentes em 60% das formigas. O mesmo fato tinha sido verificado no Hospital da Universidade Estadual de Maringá - PR.
Identificar corretamente uma espécie de formiga, assim como conhecer sua biologia, incluindo seu comportamento, é muito importante para o controle. O corpo de uma formiga é dividido em cabeça, tórax aparente ou mesossoma, cintura e gáster. As diferenças morfológicas mais importantes que separam as formigas dos outros insetos é a presença da cintura, uma região estreita que une o mesossoma ao gáster, quando vista de cima e a antena em forma de cotovelo (geniculada). O aparelho bucal é provido de um par de mandíbulas relativamente grandes e fortes. É com elas que conseguem fazer galerias no solo, madeira, ou tecidos vivos de plantas, Alutar@ com inimigos, carregar seus ovos e larvas, cortar folhas, obter alimento, além de outras atividades. A cabeça possui duas antenas, cujo primeiro segmento, próximo à cabeça, é sempre maior que os demais e é denominado escapo. O sentido do tato é altamente desenvolvido nas antenas. As formigas geralmente possuem um par de olhos compostos. Algumas espécies possuem, na extremidade posterior do gáster, um ferrão que funciona como uma poderosa arma de defesa, ocasionando picadas dolorosas no homem e em outros animais, Pela inoculação de veneno.
Morfologia externa da formiga.
As espécies de formigas urbanas de importância econômica que ocorrem na maioria das cidades brasileiras são descritas a seguir.
Formiga-fantasma (Tapinoma melanocephalum) B
Normalmente nidificam em batentes de portas, guarnições de janelas, atrás de azulejos quando ocorrem no interior das residências. Na área externa podem ser encontradas no solo, madeiras em decomposição e partes de árvores. Não é difícil identificar esta espécie, pois possuem somente um nó na cintura e a cabeça e o mesossoma são escuros e o gáster e as pernas claros. Os indivíduos são muito pequenos, variando de 1,3 a 1,5 mm de comprimento. Novas colônias são, provavelmente, formadas pela migração de uma ou mais rainhas acompanhadas por um número de operárias. Elas possuem o hábito de se movimentar aos ziguezagues quando procuram por alimento. São importantes pragas domésticas, pois consomem vários tipos de alimento, tendo preferência por substâncias adocicadas. São também muito comuns em hospitais.

Tapinoma melanocephalum
Formiga-louca (Paratrechina longicornis) B
As colônias são pequenas com várias rainhas. Normalmente estas formigas fazem seus ninhos na área externa, principalmente em calçadas ou em telhados, pois a temperatura é alta e adequada para o desenvolvimento da cria. Os ninhos também podem ser encontrados no solo sob objetos, em material depositado no chão, tais como pedaços de madeira e também nas fendas entre calçadas e paredes. Possuem somente um nó na cintura e a extremidade do gáster apresenta um círculo de pêlos observáveis sob lupa. São monomórficas. O escapo é extraordinariamente longo, ultrapassando o limite da cabeça. Estas formigas são escuras e pequenas com pernas longas e finas, andam rapidamente e em círculos durante o seu deslocamento, daí o seu nome, formiga louca. Consomem uma grande variedade de alimentos: carnes, doces, frutas, verduras e até refrigerantes. São muito comuns nos hospitais e seu controle é muito difícil. Não se conhece ainda a razão, mas em determinadas situações, formam megapopulações, com colônias extremamente grandes.

Paratrechina longicornis.
Formiga-carpinteira (Camponotus spp.)
A maioria das formigas carpinteiras faz seus ninhos em madeira morta, mas podem também fazê-los em troncos de árvores, porém não se alimentam da madeira. Também fazem seus ninhos dentro das casas, aproveitando falhas na estrutura, podendo ser encontradas em vigas de madeira e molduras de porta. Podem construir ninhos secundários, menores e ligados ao formigueiro principal, que é maior. Podem ser encontradas dentro de aparelhos eletrônicos. Apresentam somente um nó na cintura e um círculo de pêlos na extremidade do gáster, quando observadas sob lupa. São polimórficas apresentando cores variadas (do amarelo ao preto). Podem ter muitos pêlos ou não, dependendo da espécie. O mesossoma, quando observado de perfil, é arredondado. Algumas espécies expelem ácido fórmico, um líquido de odor característico. Alimentam-se geralmente de substâncias açucaradas, ovos, carnes e bolos.

Camponotus atriceps
Formiga lava-pés (Solenopsis spp.)
Formam ninhos de terra solta dos quais, quando mexidos, sai um número enorme de formigas, podendo ser observadas larvas e pupas. Os ninhos normalmente estão localizados em locais abertos, tais como gramados, campos de futebol e canteiros de árvores. Ocasionalmente podem infestar equipamentos eletrônicos e até mesmo caixas de fiação elétrica, podendo provocar curto circuito. Com dois nós na cintura, sua coloração pode variar do amarelo-claro a marrom até o preto brilhante. Possuem ferrão na extremidade do gáster e antenas com 10 segmentos sendo os dois últimos iguais e maiores que os anteriores. São polimórficas. Não existe a casta de soldado distinta. A picada é dolorosa, pois as formigas introduzem o ferrão na pele da vítima inoculando veneno que causa bolhas como se fossem queimaduras. Podem causar respostas alérgicas em algumas pessoas e, em casos mais graves, choque anafilático. As formigas lava-pés são onívoras, ou seja, alimentam-se de quase todos os tipos de plantas ou animais e de uma variedade de alimentos domésticos, tais como óleos, carnes, manteiga, queijos, frutas, pães e doces.

Solenopsis sp
Formiga-do- faraó (Monomorium pharaonis)
Fazem ninhos em pequenas cavidades no interior de ambientes domésticos e, classicamente, são um risco potencial para a saúde pública, especialmente quando ocorrem em hospitais, pois são vetores mecânicos de bactérias patogênicas. Possuem dois nós na cintura e antenas com 12 segmentos, sendo os três últimos maiores que os demais. São monomórficas, com cores variando do amarelado ao marrom claro, medindo de 1,2 a 2,0 mm. Esta formiga tem sido largamente espalhada pelo mundo através de transporte acidental e tem se tornado uma espécie importante, principalmente nos centros urbanos e em outras áreas em que foi introduzida. Consomem alimentos variados, preferencialmente os ricos em gordura e também substâncias doces. As colônias possuem muitos indivíduos, podendo conter várias rainhas que, apesar de possuírem asas, nunca voam. A fundação de novas colônias ocorre principalmente por fragmentação (sociotomia). É uma das espécies mais difíceis de ser controlada pois é altamente dominante sobre as outras espécies e possui crescimento rápido da colônia.

Monomorium pharaonis
Formiga cabeçuda (Pheidole spp.)
Podem fazer os ninhos no solo e em frestas de calçadas . Nas residências aproveitam falhas estruturais na construção para ali nidificarem. Apresentam dois nós na cintura e um par de espinhos no mesossoma. São dimórficas, sendo que a maior delas apresenta a cabeça desproporcionalmente maior que o resto do corpo (soldados). Estas porém são em número reduzido na colônia. As antenas possuem 12 segmentos sendo os três últimos maiores que os demais. Alimentam-se de produtos ricos em proteína além de suco de frutas.
Pixixica (Wasmannia auropunctata) B Também conhecida por pequena formiga de fogo. Esta espécie constrói ninho em lugares desde muito secos até muito úmidos. As colônias contêm muitos indivíduos e podem ter mais de uma rainha. Possuem dois nós na cintura. As operárias são monomórficas tendo aproximadamente 1,5 mm de comprimento. O ferrão está presente; porém, raramente aparente. Os três últimos segmentos das antenas são diferenciados, sendo os dois últimos bem maiores. Possuem um par de espinhos no mesossoma. Apresentam coloração marrom dourada com o gáster um pouco mais escuro do que o resto do corpo. O tegumento apresenta esculturas na cabeça e mesossoma. Estas formigas picam dolorosamente e a dor pode durar por várias horas, porém só picam quando são pressionadas. Seu veneno pode causar alergias. Em ambientes domésticos costumam infestar roupas, camas, berços ou alimentos. Alimentam-se de carnes e óleos.
Wasmannia auropunctata
Formiga acrobática (Crematogaster spp.)
Constroem o ninho diretamente no solo ou sob pedras ou outros objetos. Podem se alojar em troncos de árvores e batentes de madeira. Possuem dois nós na cintura que é ligada no topo do gáster. Podem apresentar coloração amarela, marrom clara e marrom escura. São facilmente reconhecidas pelo gáster em forma de coração, quando visto de cima e mesossoma que ostenta um par de espinhos. Algumas espécies, quando perturbadas, podem morder, utilizando a mandíbula e ferroar dolorosamente. São onívoras alimentando-se de doces, manteiga e carnes.
Crematogaster sp.
Formiga argentina (Linepithema humile)
Esta espécie faz seus ninhos próximo à fonte de alimento e água, como pias, vasos de plantas e encanamentos. O fato de expulsarem as outras espécies de formigas do território onde estabelecem seus ninhos, favorece sua dispersão, dificultando o controle. Apresentam somente um nó na cintura. A extremidade do gáster não apresenta círculo de pêlos. São monomórficas e a coloração varia de marrom claro a marrom um pouco mais escuro. O escapo não é mais longo que a cabeça e as pernas são proporcionais ao corpo. Alimentam-se de substâncias açucaradas, carnes, insetos mortos e suco de frutas.
Linepitema humile
Diante de uma infestação de formigas faz-se necessário monitorar o ambiente a fim de encontrar os ninho e identificar as espécies presentes. Por outro lado, não existe ainda um inseticida eficiente para todas as espécies que ocorrem no ambiente urbano. Num próximo número discutiremos as melhores estratégias de controle.
ESTRATÉGIAS DE COMBATE
Formigas que predominam neste ambiente apresentam várias características biológicas em comum, e dependem do comportamento humano para se dispersar para longas distâncias, para encontrar locais para a construção de ninhos e para obter farta alimentação. Além disso, todas apresentam comportamento social. Vivem em colônias constituídas de indivíduos adultos (rainha e operárias) e crias que compreendem ovos, larvas e pupas. Para a manutenção da colônia, as operárias adultas exercem atividades externas ao ninho, tais como: coleta de alimento e água. No máximo 30% da população adulta de uma colônia exercem atividades externas ao ninho. Em geral, este valor é de 5 a 10% ao mesmo tempo. Maiores informações sobre a biologia, identificação e porque controlar formigas, ver Formigas Urbanas: Comportamento da espécies que invadem as cidades brasileiras.
Desde já é bom esclarecer que qualquer forma de controle a ser adotado deve ter como objetivo a colônia como um todo e não somente as operárias que realizam atividades externas ao ninho.
Quando é necessário controlar formigas? Não existe um nível de infestação padrão para decidir a necessidade de controle. Ele depende do local. Por exemplo, a tolerância das pessoas pela presença de formigas em grandes áreas abertas como, salas, lavanderias, abrigos e mesmo depósitos de lixo, é bem maior do que quando elas ocorrem nos banheiros e áreas de alimentação. Outro fato a considerar é que a presença de uma única formiga procurando alimento indica que, se houver alimento disponível, chegarão outras centenas ou milhares.
O controle de formigas em prédios urbanos é complexo devido a dificuldade da localização dos ninhos, ocorrência de várias colônias em uma mesma área, reinfestações constantes e adaptação das espécies aos hábitos urbanos. Muitas vezes o uso indiscriminado de inseticidas pode promover, além da contaminação do ambiente, a fragmentação das colônias, aumentando o nível de infestação. Desta forma, esborrifar inseticidas em forma de aerossol nas formigas aparentes pode promover a dispersão das demais que estão no interior do ninho para outras áreas na residência ou residências vizinhas. Uma das características principais das formigas urbanas é a forte tendência em migrar, ou seja, freqüentemente mudar a colônia de lugar, tanto quando perturbadas, quanto quando em alta densidade populacional.
A obtenção de resultados satisfatórios necessita então de uma combinação de estratégias de controle. Em primeiro lugar deve-se ter cuidado com a limpeza e armazenamento dos alimentos. Farelos caídos pelo chão devem ser imediatamente recolhidos. Louças sujas não devem ser deixadas de um dia para o outro dentro da pia, pois são importantes fontes de alimento, o que dificulta o controle.
Antes de iniciar qualquer controle é importante inspecionar a área infestada a fim de descobrir os locais críticos. Isto pode ser feito utilizando-se iscas atrativas não tóxicas, que podem ser feitas com mel, geléias, sardinha, atum, carne de vaca crua, bolo, etc. Dispor pequenas porções de iscas em tampinhas de plástico ou canudinhos de refrigerante cortados em pedaços de aproximadamente 3 cm nos cômodos da residência, fábrica ou hospital. As iscas devem ser deixadas por um período de duas a quatro horas, tempo suficiente para que as formigas as encontrem. O horário preferencial para a inspeção é entre 12 e 20 horas, nunca esquecendo o período noturno, pois algumas espécies do gênero Camponotus forrageiam somente a noite. Uma vez observadas formigas nas iscas, elas devem ser coletadas com uma pinça fina ou pincel embebido em álcool e colocadas dentro de frascos com álcool a 70%. A etiquetagem é essencial, principalmente quando os insetos são enviados para um especialista identificar a espécie, pois os dados de coleta são de grande valor para os pesquisadores. A etiqueta pode ser, preferencialmente, depositada dentro do frasco ou colada por fora. Ela deve ser sempre escrita a lápis ou tinta nanquim à prova d'água. Canetas esferográficas não devem ser utilizadas pois borram em contato com o álcool, inviabilizando os dados de identificação do material.
Após a coleta os insetos devem ser enviados a um especialista em formigas para identificação, com sua prévia autorização. Algumas chaves de identificação podem ser utilizadas, Bolton (1994 e 1995), Hölldobler & Wilson (1990), Campos-Farinha et al. (1995), Bueno & Campos-Farinha (1998) e Bueno & Campos-Farinha (1999).
Realizar entrevistas detalhadas com as pessoas que ocupam os edifícios, além de inspeções nas áreas vizinhas também são recomendado para tomada de decisão.
É importante enfatizar que a correta identificação da espécie facilita avaliar as melhores estratégias de controle, pois permite conhecer os hábitos de nidificação e alimentação da formiga. Informações sobre a biologia das espécies podem ser encontradas nas três últimas referências citadas.
A utilização das iscas atrativas não tóxicas permite também, em muitos casos, localizar o ninho, ou pelo menos a trilha principal da colônia. Caso o ninho seja encontrado, um tratamento localizado pode ser realizado utilizando água quente com um pouco de detergente de lavar-louças. Se a colônia estiver localizada dentro de instalações elétricas que adentram a parede, ou em frestas nas construções, pode ser utilizado inseticida em pó seco. A aplicação deve ser realizada por uma pessoa experiente. O controle direto do ninho é a forma mais adequada para o controle de formigas. Se for percebido que o ninho está espalhado, ou que as formigas estão entrando na residência vindo de locais não identificados, devem ser utilizadas iscas tóxicas.
A isca tóxica ideal deve ser atraente para diversas espécies, conter um ingrediente ativo de baixa concentração e não matar por contato. Estas características são fundamentais, pois o inseticida deve entrar no ciclo alimentar da colônia. As operárias coletam a isca e, por trofalaxia, passam o alimento para as larvas, rainha(s) e outras operárias. Entende-se por trofalaxia a transferência de alimento boca a boca entre operária-operária, operária-larva, larva-operária e operária-rainha.
Existem algumas iscas comerciais para formigas hoje em dia, porém nem sempre ocorre uma boa aceitação por todas as espécies. Algumas delas são acondicionadas em porta iscas e outras em forma de gel de fácil aplicação. Uma vez iniciada a iscagem o controle não pode ser interrompido e deve ser continuado até a observação da queda na atividade dos insetos. A pulverização com outros inseticidas deve ser evitada.
Em hospitais e grandes edifícios o controle mais efetivo ainda é através da utilização de iscas tóxicas que podem ser dispostas em qualquer ambiente. No entanto, diante de uma alta infestação e, até que as formigas comecem a diminuir sua atividade, algumas precauções podem ser tomadas. Pode-se colocar fita dupla face nos pés de camas, macas, berços e incubadoras a fim de impedir que as formigas subam, além de desencostá-las da parede. Uma mistura de uma parte de vaselina sólida e uma parte de óleo hidratante para bebês também funciona impedindo o acesso das formigas naqueles locais.
No ambiente hospitalar a presença de formigas não é sinônimo de falta de limpeza. Pelo contrário, algumas espécies de formigas apresentam atratividade por material esterilizado, principalmente quando são usadas determinadas substâncias químicas para esterilizar roupas e roupas de cama.
Os inseticidas denominados reguladores de crescimento foram introduzidos há pouco tempo no mercado mundial. No Brasil ainda não existem iscas para formigas com estes constituintes. Eles nada mais são que análogos do hormônio juvenil, substâncias que mimetizam a ação desse hormônio, e que atuam sobre o desenvolvimento larval dos insetos e sobre a postura da rainha. Como as operárias adultas não são afetadas, elas continuam distribuindo a isca pela colônia. Mesmo assim, as larvas interrompem o desenvolvimento, evitando o aparecimento de novas rainhas e operárias adultas e ocorre a interrupção da geração seguinte. Outro fato positivo é que eles não apresentam qualquer efeito sobre os vertebrados e são rapidamente degradadas quando expostos ao ambiente.
Estudos recentes demonstraram que os reguladores de crescimento são mais eficientes do que as outras iscas comerciais. Geralmente, os inseticidas químicos tradicionais são logo percebidos pelas formigas que param de distribuí-lo pela colônia. No entanto, os reguladores de crescimento têm, como inconveniente, o tempo prolongado para fazer efeito e interromper o forrageamento; mais ou menos 10 semanas. Daí o nome de inseticida da geração seguinte.
Assim, o que faz o sucesso de um controle é o bom senso e a capacidade do operador em identificar as espécies, inspecionar devidamente o local para encontrar o ninho e principalmente conhecer a biologia do grupo com que está trabalhando.
Neste século que está terminando, ocorreram vários erros nas estratégias de conviver com os insetos, inclusive com as formigas. O principal deles foi acr que os compostos químicos sintetizados (p.e. os clorados) ou mesmo os isolados de plantas (p.e. as piretrinas) seriam por si só suficientes para controlar indiscriminadamente todas as espécies de insetos. Um bom exemplo para ilustrar este fato pode ser encontrado naquilo que se conhece hoje através da fitoquímica sobre a presença nos vegetais de compostos tóxicos aos insetos. Durante o processo evolutivo, os insetos sempre conseguiram desenvolver novas estratégias contra tais compostos. Por mais que uma planta conseguisse produzir novos produtos tóxicos para sua defesa, novos insetos tiveram sucesso em usá-las na sua alimentação, ao longo de quase 400 milhões de anos do processo evolutivo entre eles. No mínimo a humanidade foi muito imediatista, pelo menos em termos biológicos.
Como disse Edward O. Wilson em entrevista recente, autor de vários livros sobre biodiversidade, criador da Sociobiologia e o mais eminente estudioso das formigas: "temos que aprender a conviver com as formigas". Para que isso ocorra, há necessidade de investir em novas pesquisas para ampliar os conhecimentos sobre: diversidade das espécies, relações entre as espécies, competição entre e dentro das espécies, cadeias alimentares, alterações nos ecossistemas, introdução de novas espécies, mecanismos de resistência, etc.
Finalmente, para melhorar o controle, quando ele for inevitável, há necessidade de desenvolver métodos alternativos, envolvendo a procura de novas formulações de iscas e descobrir novos compostos atrativos e repelentes para as várias espécies de formigas. Novas pesquisas são necessárias para otimizar o controle, utilizando métodos mais eficientes e menos agressivos ao ambiente.
FORMIGAS EM AMBIENTE HOSPITALAR
Em 1880 os habitantes das cidades e grandes centros representava somente 1,7% da população mundial. A industrialização que emergiu no final do século XIX iniciou o processo de urbanização. Assim, em 1950, a população urbana tinha aumentado para 28% e em 1985 para 42%. Estima-se que no ano 2 000 ela será de 50%. Fica claro que a sociedade humana tornou-se urbana, e esta não é uma característica somente dos países desenvolvidos, mas também daqueles em desenvolvimento. Estes, estão se urbanizando numa velocidade muito rápida. Segundo dados do Ministério da Saúde, 75% da população brasileira vivem nas áreas urbanas e este valor atinge mais de 85% nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
Os problemas associados a urbanização incluem, além da a concentração exagerada de pessoas, o aumento da poluição do ar e da água e a redução no controle sanitário. Também ocorrerá aumento nas doenças causadas ou transmitidas pelos Artrópodes. Estes animais são os que mais afetam a qualidade de vida da espécie humana através de sua simples presença, da possibilidade de causar prejuízos à agricultura e no armazenamento de alimentos, de afetar estruturas residenciais, ou pela ameaça que podem causar a saúde pública.
Entre os Artrópodes, os insetos sociais e particularmente as formigas estão entre os animais que melhor se adaptaram ao ambiente urbano. Como qualquer ambiente natural, os artificiais, entre eles as áreas urbanas, podem ser colonizados e explorados por várias espécies, principalmente aquelas que são associadas ao comportamento humano. Ao contrário do que se possa imaginar, certas espécies de formigas são indicadoras de limpeza, pois somente vivem em locais extremamente limpos.
Esses insetos, podem causar sérios problemas quando ocorrem em fábricas de alimentos, padarias, restaurantes, escritórios, instituições de pesquisa, biotérios, zoológicos, museus, cabines de eletricidade e centrais telefônicas. Também constituem um perigo potencial à saúde pública, quando a infestação se dá em hospitais, por apresentarem a capacidade de transportar microrganismos patogênicos, atuando como vetor mecânico. Esse fato, foi inicialmente mostrado na Inglaterra por Beatson (1972) e mais tarde por Edwards e Backer (1981), na Ex-Checoslováquia por Alekseev e colaboradores (1972) e mais tarde na Alemanha e países do leste europeu por Eichler (1987). Na América, ele foi verificado por Ipinza-Regla e colaboradores (1981) no Chile, Williams (1989) nos Estados Unidos e por Bueno e Fowler (1992) no Brasil.
Levantamentos realizados em oito hospitais do Estado de São Paulo mostraram que: 1. todos os hospitais visitados apresentaram infestação de formigas. Sempre ocorreram várias espécies, com a predominância de uma delas. O índice de infestação variou de 16 a 61% dos pontos amostrados, atingindo 73% quando ocorreu a explosão populacional de uma das espécie;
2. em um dos hospitais localizado na região Sudeste, 16,5% das formigas coletadas apresentaram bactérias patogênicas; 3. os berçários e as UTIs foram as alas com maiores índices de infestação;
4. as formigas mais comuns foram duas espécies introduzidas, destacando Tapinoma melanocephalum e Paratrechina longicornis; 5. a presença de formigas em áreas consideradas críticas e a ocorrência de altas taxas de bactérias patogênicas associadas, constituem riscos em potencial na transmissão de bactérias que podem causar infecção hospitalar.
Segundo dados da Folha de São Paulo (Cotidiano, 3.11) de 02.12.96, dos 12 milhões de pacientes internados em 1995, através do S.U.S, 12,5% (1,5 milhões) contraíram infecção hospitalar e 2,33% (cerca de 35 mil) morreram. Considerando que nos países desenvolvidos os custos de cada tratamento estão estimados em US $ 2 000, pode-se deduzir que no Brasil são gastos cerca de 3 bilhões de dolares por ano no atendimento de pacientes infectados. Outra informação importante é que para cada dolar investido na prevenção de infecção, ocorre um retorno de 4 dolares.
Diante desses dados e baseados na experiência acumulada, tanto através da literatura especializada e da publicação de doze artigos científicos, bem como de conhecimentos práticos, tomamos a liberdade de apresentar algumas sugestões sobre o controle de formigas em ambiente hospitalar.
A erradicação de formigas em prédios urbanos é complexa, principalmente, devido aos seguintes aspectos: difícil localização do ninho, ocorrência de vários ninhos em uma mesma área, reinfestações constantes e, principalmente, a capacidade de adaptação de algumas espécies aos hábitos dos humanos.
Antes de pensar no controle e determinar as estratégias de combate, é fundamental conhecer a situação real da infestação de formigas através de monitoramento. Basicamente, deve-se conhecer o nível de infestação, quais são as espécies presentes, quantas e onde estão localizadas as colônias. A correta identificação das espécies de formigas é muito importante, pois pode-se saber os locais em que preferem construir seus ninhos, as preferências alimentares, e as melhores formas de combate.
Os métodos convencionais de controle de insetos, quando utilizados para formigas domésticas, têm fornecido resultados pouco satisfatórios, mesmo quando realizados por empresas de dedetização. Obviamente, a aplicação de inseticidas tradicionais, principalmente, aerossois e pós químicos, não é recomendada, pois além de causarem danos indesejáveis ao ambiente, atingem somente as operárias que estão forrageando mas não elimina a colônia, e ainda podem acentuar o processo de fragmentação das colônias, levando a médio prazo, ao aumento no número de ninhos e, conseqüentemente, na população ativa de formigas.
A aplicação de iscas tóxicas é a melhor opção para ter sucesso no controle das formigas urbanas. Como em qualquer outra isca inseticida, o ingrediente ativo deve ser de ação lenta, para que as operárias, após contato com o inseticida, vivam o suficiente para distribuí-lo para outras formigas, inclusive para a rainha.
Atender essas orientações implica em utilizar o próprio comportamento da formiga como aliado e otimizar a qualidade de controle.
Fonte: www.rc.unesp.br
Formigas Urbanas

Formigas Urbanas
As formigas são provavelmente os insetos mais bem sucedidos, pois ocupam os mais variados ambientes e se associaram muito bem ao meio urbano.
Formigas Urbanas
Estas são chamadas de formigas andarilhas (tramp species), que vivem em íntima associação com o ser humano, sendo espalhadas para outros locais pelo comércio (principalmente o marítimo). Estas causam sérios problemas em estabelecimentos comerciais e de pesquisa, residências, e principalmente em hospitais, onde funcionam como vetores mecânicos de microorganismos patogênicos.
Estas formigas possuem características que facilitam a sua dispersão e infestação, sendo elas: poliginia, reprodução por fragmentação (a cópula acontece no interior do ninho, e a colônia se divide, no qual as operárias juntamente com as rainhas fundam novos ninhos), migração (a menor perturbação - calor, iluminação, movimento e uso de inseticidas - leva as operárias a recolher os ovos, imaturos e a rainha para outros locais), unicolonialidade (ausência de comportamento agressivo entre indivíduos de ninhos diferentes da mesma espécie), agressividade interespecífica (agressividade contra outras espécies de formigas), e tamanho reduzido. A seguir, serão discutidas as principais características destas formigas.
Danos Causados ao Homem
As formigas que ocorrem em residências usam geralmente em sua alimentação o alimento desperdiçado pelos seres humanos (açúcares, bolos, bolachas, cereais, frutas, etc), que caem no chão. Além disso, outros insetos, vivos ou mortos, podem complementar a dieta.
As formigas cortadeiras impõem sérios danos à agricultura, apresentando um controle difícil e oneroso. Elas se caracterizam por cortarem as plantas e transportarem os pedaços para o interior do ninho, onde serão utilizados como substrato para o cultivo do fungo, do qual todos os membros da colônia se alimentam.
As formigas urbanas ou andarilhas vivem em íntima associação com o ser humano. Estas causam sérios problemas em estabelecimentos comerciais e de pesquisa, residências, e principalmente em hospitais, onde funcionam como vetores mecânicos de microorganismos patogênicos.
Métodos de Prevenção
Os três fatores básicos que levam a qualquer praga urbana a invadir uma residência são: alimento, água e locais para construção de ninhos. Assim, a limpeza dos ambientes (por exemplo, restos de alimento derrubados no chão), e a remoção de entulhos deve ser feita de maneira constante. Além disso, a eliminação das cavidades, que poderiam servir como ninhos, e a sua correta vedação podem diminuir a quantidade de formigas.
Métodos de Controle
As metodologias convencionais de controle, através de inseticidas (aerossóis e pós secos), têm fornecido resultados pouco satisfatórios (aquisição de resistência pelo inseto, migração da colônia, e fragmentação de colônias, ocasionando em médio prazo no aumento do número de ninhos), onerosos, e extremamente nocivos tanto para a saúde humana como para o meio ambiente. Desta forma, serão tratados neste trabalho os procedimentos de controle sem substâncias químicas.
Formigas urbanas - Os três fatores básicos que levam a qualquer praga urbana a invadir uma residência são: alimento, água e locais para construção de ninhos. Assim, a limpeza dos ambientes (por exemplo, restos de alimento derrubados no chão), e a remoção de entulhos deve ser feita de maneira constante. Além disso, a eliminação das cavidades, que poderiam servir como ninhos, e a sua correta vedação podem diminuir a quantidade de formigas. No momento em que um ninho for encontrado, proceda para a sua destruição mecânica (por exemplo, os ninhos no solo de Solenopsis sp. são eliminados pelo uso de água quente).
Atualmente no mercado mundial, podem ser achadas duas novas formas de combate a estas formigas: iscas atrativas, e os reguladores de crescimento e esterilizantes de rainhas. As iscas atrativas, apesar de interessantes pela sua ação específica e localizada, apresentam muitos problemas, tais como: ingredientes ativos inadequados, baixa atratividade, repelência (no caso, o porta-iscas), e a ação de contato (dificulta a distribuição para toda a colônia). Enquanto isso, os reguladores de crescimento e esterilizantes de rainhas, agem respectivamente, sobre o desenvolvimento larval e na postura da rainha, acarretando na interrupção da formação de novas gerações. Ainda, não apresentam nenhum efeito sobre os vertebrados e são degradadas rapidamente quando expostas ao ambiente. O inconveniente da utilização destes compostos é o tempo que leva para a eliminação da colônia, de 15 a 20 semanas.
Ciclo de Vida
São insetos holometábolos, ou seja, apresentam metamorfose completa (ovo, larva, pupa e adulto).
Do ovo, colocado pela rainha, eclodem larvas sem apêndices locomotores, as quais são alimentadas pelas operárias. Neste período os indivíduos acumulam reservas e fazem uma série de ecdises (mudas) que os permite crescer. Ao atingirem seu último estádio larval (ponto de crescimento máximo) sofrem uma série de alterações graduais que culminam com a formação da pupa. Neste estágio de seu ciclo os indivíduos permanecem imobilizados e não se alimentam. Das pupas emergem os adultos.
Alimentação
A dieta das formigas é bastante diversificada, abrangendo os onívoros (maioria), carnívoros (animais vivos ou mortos), secreções açucaradas de outros insetos (pulgões, cochonilhas e cigarrinhas), seiva e néctar de plantas, e fungos (formigas cortadeiras). O alimento é ingerido pelas operárias e armazenado no papo, distribuído para os demais membros da colônia, sendo este processo chamado de trofalaxia. Existem casos em que as larvas recebem o alimento na forma sólida e repassam para os demais integrantes do ninho na forma líquida, devido ao fato dos adultos não serem capazes de digerir o alimento sólido.
As formigas que ocorrem em residências usam geralmente em sua alimentação o alimento desperdiçado pelos seres humanos (açúcares, bolos, bolachas, cereais, frutas, etc), que caem no chão. Além disso, outros insetos, vivos ou mortos, podem complementar a dieta.
Fonte: www.mdlpragas.com.br
FORMIGAS URBANAS
Generalidades
Existem de 18.000 a 20.000 espécies de formigas no mundo, sendo que mais de 11.000 foram estudadas e descritas. Atuam como predadoras de pragas e outras formigas.
No Brasil ocorrem aproximadamente 2.000 espécies, das quais somente 30 são consideradas pragas urbanas, causando danos estruturais, dermatites, danos a equipamentos elétricos e eletrônicos e principalmente disseminando doenças patogênicas (infecção hospitalar).
Entre as espécies economicamente importantes, sem dúvida temos:
lava pés (Solenopsis spp.), causando danos a agricultura e a saúde pública;
formiga carpinteira (Camponotus spp.), causando danos a residências, em peças de madeira e em equipamentos eletroeletrônicos;
formiga faraó (Monomorium pharaonis), largamente espalhada pelo transporte acidental e apresentando alto risco de transmissão de patógenos devido a velocidade de crescimento da colônia em determinada área;
formiga acrobática (Crematogaster spp), constróem o ninho diretamente no solo ou sob pedras e outros objetos, quando perturbadas podem morder e picar dolorosamente;
formiga fantasma (Tapinoma melanocephalum), comumente encontrada em árvores doentes, madeiras em decomposição e tendo como principal característica esta espécie o hábito de se movimentar em fileiras perfeitas, preferencialmente infestando alimento rico em açúcar.
Também podemos citar como espécies importantes: formiga cabeçuda (Pheidole spp) e pequena formiga de fogo (Wasmannia auropunctata).
As formigas apresentam comportamento social e necessitam do comportamento do homem para serem dispersadas por longas distâncias, encontrar locais para construção de ninhos e obter farta alimentação.
Biologia e Hábitos
Vivem em colônias constituídas de indivíduos adultos (rainha e operárias) e crias que compreendem ovos, larvas e pupas. No processo de manutenção da colônia, as operárias adultas exercem atividades externas ao ninho, tais como coleta de alimento e água. No máximo 30% da população adulta atua nessas atividades. Os indivíduos que são vistos representam de 5 a 10% do total da colônia.
Na maioria das espécies os machos conservam as asas durante toda a vida e as fêmeas somente até o acasalamento. Seu corpo é dividido em três partes (cabeça, mesossoma e gaster), sendo a característica mais importante a forma do pedúnculo abdominal. Os insetos estéreis são ápteros. Os machos tem um período de vida menor que as rainhas e geralmente morrem após se acasalarem. O maior número de indivíduos da colônia é formado por fêmeas estéreis (operárias).
A grande diversidade de espécies permitem que construam seus ninhos (formigueiros) em qualquer tipo de lugar, mas a grande maioria constrói seus ninhos no chão, dificultando a localização devido ao seu tamanho reduzido.
Outro fator biológico que colabora para a infestação do ambiente é a fragmentação da colônia, onde as operárias partem com rainhas fecundadas e cria para novos locais constituindo uma nova colônia. Isto, graças a perda do vôo nupcial, a cópula ocorre dentro do ninho dividindo-se em um ou mais ninhos originando novas colônias. Necessariamente não ocorre o vôo nupcial, sendo comum a poligamia (várias rainhas na mesma colônia produzindo ovos).
Os ovos depositados pela rainha são, de coloração branco e leitosa carregados pelas operarias e depositados em locais específicos dentro do ninho, enquanto as larvas são ápodes (ausência de pés). As puas são o ultimo estádio antes da fase adulta sofrendo metamorfose.
Controle
Apontada como a praga de maior dificuldade de controle da atualidade devido a sua bioecologia. O trabalho de inspeção deve ser orientado para o período compreendido entre 12 e 20 horas, preferencialmente durante a noite, pois, algumas espécies do gênero Camponotus forrageiam neste período. Dentro do manejo integrado de pragas (MIP) a ser adotado, o tratamento químico deve observar a característica de fragmentação das colônias. Inseticidas nas formulações concentrado emulsionável raramente conduz a resultados positivos pois, estimulam a divisão das colônias e consequentemente aumento da infestação da área, sendo melhor indicado a consulta de um profissional qualificado.