O fascínio do ser humano pela arte é algo comum no mundo desde os primórdios de nossa espécie. Não só pela admiração do belo, intrigante ou assustador, mas principalmente pelo sentimentalismo carregado em cada obra artística. Neste sentido, podemos validar a expressão "a arte imita a vida imitando a arte".

O hiperrealista Ron Mueck traz em suas esculturas detalhes tão precisos do corpo humano que se torna possível ver suas "almas". A manifestação de sentimento em suas obras aflora a percepção do homem através do homem e do homem através do meio. É uma retratação fiel do íntimo humano em seus mais delicados estados de espírito, principalmente os sentimentos que trazem a nós uma grande sensação de vazio, abandono e sofrimento interior.

Suas obras trazem características ultra-românticas, marcadas por um profundo pessimismo, valorização da morte, tristeza e uma visão decadente da vida e da sociedade. Traz essas emoções elevadas de tal forma que suas obras são carregadas de uma característica extremamente real. Tornam-se algo tão perfeito que deixam visíveis suas "imperfeições".

Esta é a relação do homem e suas "expressões artísticas". Sejam elas nas artes plásticas, literárias ou cênicas. Sempre expressam o próprio ser, a interpretação de seus sentimentos em relação ao mundo ou a si mesmo. Seus valores éticos e morais estão expostos, explicita ou implicitamente em suas obras. O homem está constantemente, consciente ou inconscientemente produzindo arte.

Afinal, o homem vive. E é sua própria experiência que este usa para reproduzir a vida em suas ações. Tanto a vida humana quanto a arte são alimentadas pelo mesmo combustível, a emoção. Até mesmo os filósofos, grandes pensadores, em suas explanações "racionais", estão completamente injetados pela emoção.

Enfim, o sentimento humano é fonte de todas as suas produções. O próprio homem é uma obra artística, capaz de inúmeras formas de manifestações. Fruto de um artesão maior, o homem como imagem e semelhança, também é um criador. Seus sentimentos o sustentaram através dos séculos, modelando-o até sua forma atual. Atualmente o homem é sua própria obra-prima, arte de sua arte.