Renato Celestino Guedes1; Hozana Regiane da Silva² Fabíola de Sousa Pinto³; Edilene Lagedo Teixeira 4 Consuelo Salvaterra Magalhaes5 & Vanessa Patrocinio6

(1,2)Discentes do Curso de História do Departamento História;(3,6) Discente do curso de Economia Doméstica, ICHS, UFRuralRJ. &(4,5 ) Docente do Departamento de Economia Doméstica Coordenadora do Núcleo Interdisciplinar da Economia Doméstica e Ensino Fundamental, Instituto de Ciências Humanas e Sociais/ UFRuralRJ.

Palavras chave: Moda, Comunicação e História.

Introdução

A moda reflete como somos e os tempos em que vivemos (BARNARD, 2003; EMBACHER, 2004). Sendo a roupa um instrumento social para exibir riqueza, posição e a rejeição de símbolos de status, transmite outras mensagens, revelando nossas individualidades, prioridades (EMERECIANO, 2005), liberalismo e conservadorismo (O´HARA,1992). A importância desse estudo é mostrar que a moda é uma leitura dos estilos diferentes que carreiam comportamento, identidade e influências socioculturais, econômicas, tecnológicas e políticas pode servir de um paradigma da dialética interdisciplinar quando demonstra que através de diferentes conteúdos multidisciplinares criam-se conceitos mais complexos, mais ricos. Segundo Japiassú (1976), à interdisciplinaridade faz-se mister a intercomunicação entre as disciplinas, de modo que resulte uma modificação entre elas, através de diálogo compreensível, uma vez que a simples troca de informações entre organizações disciplinares não constitui um método interdisciplinar. Neste contexto a interdisciplinaridade foi abordada a partir de estudos de História, Semiótica e Comunicação, Moda, Economia Doméstica com a abordagem sociocultural, na tentativa de caracteriza-la como "... como a arte do aprofundamento com sentido de abrangência, para dar conta, ao mesmo tempo, da particularidade e da complexidade do real" (DEMO, 1998).Neste contexto a moda, enquanto processo de comunicação, pode ser entendida por meio da semiótica que é o estudo da linguagem e dos signos, que teve sua origem na Grécia, e que implicitamente compreende todas as investigações sobre a natureza dos signos, da significação e da comunicação (SANTAELLA, 2002; BARBOSA, 2007).

Metodologia

Este estudo interdisciplinar conjugou os estudos de História, Comunicação, Economia Doméstica e Moda para realizar uma análise comparativa da moda nos anos 40, com uma leitura sociopolítica, Evita Perón como ícone na Argentina. Enfocou a influência política e econômica da época sofrida pela moda, tornando-a comunicação de um tempo. È um estudo bibliográfico na linha qualitativa sobre a moda nos anos 40, realizada através da análise de textos de fonte eletrônica e literária sobre a moda, sendo os resultados apresentados de forma descritiva.

Resultados e Discussão

Os resultados apresentaram a identidade assumida através de símbolos da moda e suas adaptações em diferentes situações e lugares, metamorfose da identidade, no trajar de Evita que politicamente soube articular tão bem sem perder a sua própria identidade. Possibilitou um novo olhar para a moda onde a imagem do fútil deu lugar a um processo de comunicação e identificação social, política e econômica, verdadeiro papel da moda. Eva Maria Duarte nasceu na província de Los Toldos na Argentina, em 1919, de família humilde, foi conhecida mais tarde como evita Maria Duarte Perón – Evita Perón. A figura carismática de Evita não foi foco das atenções somente dos pobres e dos excluídos da Argentina durante esta década, ela chamava a atenção pela sua beleza e elegância, seus trajes, jóias, penteados, sapatos e acessórios em solenidades, viagens e seus discursos políticos inflamavam multidões (MARTINEZ, 1997). Em contraposição ao discurso político, as distorções de época, de guerra e muita recessão, contrastavam com o povo por quem ela dizia lutar. Mas após sua viagem à Europa Evita mudou o estilo típico do cinema glamour da época para tomar as rédeas do país e povo argentino. No aspecto social seu trabalho se desenvolveu na Fundação Eva Perón, mantida por contribuições de empresários e por doações que os trabalhadores. Criou hospitais, lares para idosos e mães solteiras, dois policlínicos, escolas, uma Cidade Infantil. Durante as festas de fim de ano distribuía sidra e panettone, socorria os necessitados e organizava torneios esportivos infantis e juvenis (PERON, 2007) . Neste contexto, optou por um visual mais revolucionário prendeu os cabelos repuxando eles para traz, os vestidos foram substituídos por saias, blusas de tecidos menos delicados (ORTIZ,1996 ). Inspirou uma sociedade e todo um continente, é lembrada no Brasil como no exterior. A ostentação dos seus trajes foi marca de expressão da mulher argentina e latino-americana atribuindo a ela a sua moda e seu estilo pautados numa mídia popular, fez dela um ícone da moda de uma época. Conseguiu se comunicar com o mundo, quando se comunica, através do vestir com diferentes países.

Conclusão

O ícone de moda dos anos 40 Evita Perón, retrata a importância das influências sócio-econômicas, tecnológicas e políticas da moda representada através do vestir quando busca a identidade no vestir em cada fase de sua vida sem abandonar suas características individuais. Cores texturas foscas e brilhosas, a formalidade e suntuosidade (signos) compõem o processo de comunicação entre ídolo e fãs que interpretam cada signo, segundo seus conceitos culturais políticos e econômicos.