Kamila Nara Silva de Souza1

1Acadêmica de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Ceará – UECE/FAFIDAM. kamilanara@hotmail.com

INTRODUÇÃO

 A epidemia tabagística é, na atualidade, um sério problema de saúde pública, no mundo. Sendo o tabagismo considerado a principal causa de morte evitável em todo o mundo.

 Segundo INCA (1997):

Desde 1993, o Brasil é o maior exportador e quarto maior produtor de tabaco no mundo, ficando, pela ordem, atrás da China, EUA e Índia. O recolhimento de impostos sobre esse produto é significativo para a economia do país, mas, provavelmente, fica aquém dos prejuízos decorrentes do ato de fumar. Pesquisas revelam que o cigarro provoca gastos sociais que vão além do tratamento médico de fumantes, pois geram perdas econômicas ocasionadas pela falta ao trabalho,queda de produtividade, aposentadoria precoce, incêndios, acidentes no trabalho e no trânsito, manutenção de aparelhagens, reposição de moveis, tapetes, cortinas, etc. Portanto, o problema do tabagismo é agravado pelos danos que causa ao meio ambiente doméstico, urbano e rural.Na área rural, as agressões são provocadas pelo desmatamento em larga escala – para obtenção de lenha usada na secagem (cura) das folhas do fumo – e no amplo uso de agrotóxicos nas plantações, causando danos ao ecossistema e á saúde dos agricultores e fumantes.Nas cidades observa-se que o homem passa 80% de seu tempo em locais fechados (trabalho, residências, lazer e hospitais). Como partículas de fumaça são encontradas em qualquer lugar onde se fume, rapidamente as concentrações excedem os níveis considerados padrões para a boa qualidade do ar ambiente, aumente, entre os não-fumantes, o risco de sofrerem todas as doenças relacionadas ao cigarro.A Organização Mundial da Saúde (OMS) – considera o fumo o maior agente de poluição domestica ambiental, sendo as crianças as mais prejudicadas. A convivência involuntária com a fumaça de cigarros transforma não-fumantes em fumantes passivos, com percentual de 50% maior de infecções respiratórias nas crianças que vivem com mais de dois fumantes em casa.Mas, mesmo com todas essas informações, as pessoas continuam fumando, e isso se deve a pelo menos três fortes razões: à nicotina, que leva á dependência química; à pressão constante da publicidade; e à aceitação social do tabagismo.

Matando três milhões de pessoas no mundo, anualmente, com uma projeção estimada de óbitos em torno de dez milhões até o ano 2020, das quais sete milhões ocorrerão nos países em desenvolvimento, o tabagismo é considerado um problema de saúde pública, fazendo-se necessárias campanhas preventivas globais que esclareçam os malefícios do fumo. A população precisa saber que o consumo de cigarros é a maior causa evitável de doenças e mortes em todo, e o profissional de saúde tem um papel fundamental no repasse dessa informação (p.10).

Rosemberg (1994) afirma que, pelo fato do tabagismo diminuir as defesas orgânicas, ele aumenta o risco de contrair doenças infecciosas como tuberculose e gripe. Os filtros dos cigarros retêm apenas uma parte de algumas substâncias tóxicas, mas nenhum deles impede o desencadeamento de doença pulmonar e cardiocirculatória para as quais o cigarro é fator de risco. Os chamados cigarros com baixo teor de nicotina e alcatrão são também nocivos. Os tabagistas para absorverem a dose de nicotina, exigida pela dependência orgânica, tragam esses cigarros mais vezes e mais profunda e demoradamente. Com isso eles ainda absorvem maiores quantidades dos elementos tóxicos. Com conseqüência, cresce o risco de infarto do coração, de bronquite e enfisema e permanece o risco de câncer. Não há cigarro inócuo; o único que não faz mal é aquele que não se fuma.

Conforme as idéias de González Enriquez, et al (1978 – 1992), a fumaça do cigarro contém mais de 4.000 substâncias tóxicas, mas é a nicotina o composto mais nocivo. Ela é responsável pela vasoconstrição, que gera diminuição do fluxo sangüíneo, cujo mecanismo ainda é desconhecido; porém acredita-se que a nicotina estimule a vasopressina. Além disso, o fumo atua no sistema nervoso simpático, que também causa vasoconstrição. Esses fatores, em conjunto, geram hipóxia tissular significativa, ou seja, um único cigarro determina vasoconstrição cutânea por mais de 90 minutos. A isquemia crônica dos tecidos gera lesão das fibras elásticas e diminuição da síntese do colágeno. Outros estudos mostraram que a estimulação dos leucócitos pelos componentes do tabaco causa liberação dos íons superóxidos. Essa liberação de radicais livres pode causar lesão tissular, diretamente pela peroxidação lipídica ou indiretamente pela inativação das enzimas que em circunstâncias normais protegeriam o tecido da ação proteolítica, como o inibidor da a-1-proteinase. Esses radicais livres são normalmente inativados pelo retinol, betacaroteno e tocoferol, porém nos tabagistas os níveis séricos e cutâneos dessas. Além disso, o fumo causa aumento da agregação plaquetária, diminuição da formação de prostaciclinas, aumento da viscosidade sangüínea e aumento da atividade plasmática da elastase. Essa atividade aumentada da elastase causa formação defeituosa da elastina, substâncias são baixos tornando a pele mais espessa e mais fragmentada.

De acordo com Balbach (1993), finalmente, "o tabagismo gera aumento da hidroxilação do estradiol na pele", determinando, nas mulheres, um estado hipoestrogênico que pode estar associado com pele seca e atrófica e com piora do seu aspecto geral.

Diante das considerações da Organização Mundial de Saúde /INCA (1997), existem riscos específicos para a mulher, a gestante a criança e os homens.

A menopausa precoce é mais freqüente nas mulheres fumantes. Estas quando associam fumo com a pílula anticoncepcional têm o risco aumentado de 700% de sofrer infarto do coração e acidente vascular cerebral. O tabagismo nas mulheres também aumenta o risco de contrair câncer do côo do útero e da mama.

            Quando a mulher fuma durante a gravidez aumenta o risco de deslocamento precoce da placenta, de aborto prematuro, do bebê nascer com peso e altura inferiores ao normal, de natimortalidade e de vir a morrer repentinantemente nos primeiros meses de vida ( morte súbita infantil). Podem também ocorrer defeitos congênitos. Os filhos cujas mães fumam durante a gestação têm maiores riscos de prejuízos no desenvolvimento mental, traduzidos na idade escolar, por atraso notadamente da habilidade geral, compreensão à leitura e à matemática. Os malefícios ao feto decorrentes do tabagismo nas gestantes são mais freqüentes e acentuados nos países em desenvolvimento, nos quais o Brasil está inserido, devido às precárias condições de saúde e econômico-sociais da maioria das mulheres na população em geral. Já o risco para os homens, é a maior freqüência de impotência sexual.

            A OMS considera o fumo nocivo à saúde porque ele encerra milhares de substâncias tóxicas. Já foram identificadas no fumo, além da nicotina, mais de 4.700 substâncias. Conforme a quantidade do tabaco e a maneira de tragar o cigarro, inala-se em cada tragada em média, de 2.000 a 2.500 dessas substâncias. Ela afirma que, após uma tragada a nicotina chega ao cérebro e 7 segundos. Em média traga-se 10 vezes um cigarro. Quem fuma um maço de cigarros por dia sofre, portanto, 200 impactos cerebrais de nicotina, totalizando 73.000 impactos por ano. Nenhuma outra droga age com esse volume e intensidade, provocando os malefícios e lesando praticamente todos os órgãos.

Balbach (1993) disse cada vez que a nicotina chega ao cérebro ela provoca a liberação de grande quantidade de hormônios, muitos, psicoativos. Os receptores específicos cerebrais que reconhecem a nicotina exigem, com o correr do tempo, quantidade cada vez maior da droga para dar o mesmo nível de resposta. É a nicotina-dependencia, cujo tempo de instalação varia conforme os organismos e a quantidade de cigarros diariamente consumidos. Dos adolescentes e jovens que se iniciam no tabagismo, quando chegam aos 19 anos, 90% tornam-se nicotino-dependentes. A maioria dos usuários é do sexo masculino, mas a tendência é o tabagismo se tornar uma doença predominantemente feminina nas sociedades ocidentais. É comum a iniciação na adolescência, com o uso experimental.

 O tabagismo é responsável por 80% a 90% dos obtidos, por câncer pulmonar, 80% dos obtidos em decorrência da bronquite crônica e enfisema pulmonar e 30% dos referentes ao infarto do coração.

 De acordo com Rosemberg (1994), o tabagismo também aumenta o risco de câncer da boca, da laringe, do esôfago, estômago, pâncreas rim e bexiga e derrames do sistema nervoso central aneurisma da aorta e do abdômen.

O presente estudo tem como objetivos:

- descrever as principais doenças incidentes no organismo de quem fuma e convive o fumo;

- especificar os riscos em homens, mulheres, crianças e gestantes;

- mostrar os efeitos da droga nos diferentes órgãos que constituem o organismo humano.

METODOLOGIA

As informações foram obtidas através de estudo bibliográfico, que se realizou nos meses de julho e agosto de 2008. E as pesquisas se realizaram com livros da biblioteca da Universidade Estadual do Ceará/FAFIDAM, biblioteca municipal de Limoeiro do Norte, João Eduardo Neto e artigos online da página scielo.

RESULTADOS

             Diantedo estudo bibliográfico feito os fatos aqui citados reiteram os malefícios da exposição ao tabagismo.

            De acordo com Rosemberg (1994), podemos identificar diversos resultados, dentre eles, os fumantes precisam ser ajudados a abandonar o tabaco porque, quanto mais cedo deixarem de fumar, sofrerão menos malefícios e a sua vida se prolongará. De cada dois fumantes, um falece prematuramente. Está sobejamente demonstrado que os tabagistas, em média, têm vida mais curta em comparação com os exfumantes e, sobretudo com os que nunca fumaram.

Todavia, a abordagem do fumante é tarefa árdua, complexa e de pouco rendimento em termos de saúde pública. Todos os métodos para se deixar de fumar, como medicamentos, produção de aversão ao fumo, hipnose, acupuntura simples ou associada ao raio laser e tantos outros, têm os resultados mais díspares, de 0 a 80% de êxito no início e praticamente nulos ao cabo de um ano. À medida que aumentou o rigor da avaliação, os resultados favoráveis foram diminuindo. O método que sofreu analise mais rigoroso é o da "reposição da nicotina".

O tratamento dos fumantes constitui um aspecto particular do trabalho, cujo rendimento em termos de saúde publica é precário e altamente dispendioso.

            Já diante dos conteúdos lidos de Balbach (1993), a pedra fundamental de combate à epidemia tabágica é preventiva.

Ações de saúde pública são essências pelo conteúdo educacional. Países que estão alcançando os melhores resultados no controle do tabagismo integram o seu combate aos programas de saúde pública, graças aos programas educacionais de coletividades nas unidades de saúde, com projeção nos locais de trabalho, de ensino e outros. Vários países, como por exemplo os Estados Unidos, conseguiram reduzir significativamente a prevalência tabágica na população.

Nos últimos 15 anos, 41 milhões de tabagistas abandonaram o fumo, dos quais apenas 3 % necessitaram de algum auxilio terapêutico. Nesse país, em 1965, 47,8% da população era fumante e 20 anos depois só 29,5%, ou seja, 61% menos. Calculou-se que se não tivesse desenvolvido um programa preventivo, em lugar dos 51 milhões de fumantes que hoje existem, haveria mais de 90 milhões. A integração do tabagismo nas ações de saúde é importantíssima, sobretudo a nível da atenção primaria nas unidades básicas de saúde. Estas, pela sua grande penetração podem avaliar estreitamente os fatores de risco reinantes na comunidade e influir para sua diminuição e ate eliminação, pela sua poderosa ação educativa. Em relação ao tabagismo, já há diversos exemplos significativos. Por exemplo, em Cuba o programa de redução da mortalidade por câncer, reduziu em 18 % a prevalência de fumantes nas comunidades.

DISCUSSÃO

Avaliando os estudos realizados anteriormente o tabagismo representa um sério risco para o bem-estar individual. Seus efeitos passaram despercebidos, por muito tempo, por se manifestarem em geral a longo prazo, variando aproximadamente de 20 a 40 anos após o início deste hábito aparentemente inócuo. Ao contrário do que sucede nos casos decorrentes da ingestão de drogas, não se registram intoxicações agudas, nem conseqüências espetaculares e imediatas. São tardias as conseqüências da exposição ao risco do fumo, manifestando-se através de moléstias pulmonares crônicas, alterações cardiovasculares, câncer de pulmão e da laringe, entre outros agravos. Dentre as doenças tabaco-relacionado, confirmou-se que câncer de traquéia/brônquios/pulmão, doença isquêmica do coração, DPOC e doenças cerebrovasculares  são os que mais contribuem para a morte por causa do cigarro.

Ezzati & Lopez (2004) também evidenciaram as doenças cardiovasculares, DPOC e câncer de pulmão como as três principais causas de morte relacionadas ao fumo em países desenvolvidos e em desenvolvimento para o ano 2000.

González Enríquez et al, (1997) que um número expressivo de mortes ocorre a partir de 65 anos, provenientes das doenças isquêmicas do coração e cerebrovasculares. O tabaco e outros fatores de risco vêm sendo atribuídos como causas importantes nessas mortes. A morte atribuível ao cigarro é pequena para essas doenças na faixa etária a partir de 65 anos quando comparada à faixa de 35-64 anos, na qual embora o número de mortes não seja tão expressivo, o percentual atribuível ao tabaco é importante (40%-60%), principalmente entre os homens. Trata-se de uma população adulta jovem, economicamente ativa, que morre precocemente em função de um fator de risco modificável e que pode ser minimizado ou eliminado. Isso teria efeito se medidas relacionadas à promoção e prevenção do hábito tabágica em idades precoces fossem instituídas enquanto política de saúde pública.

CONCLUSÃO

            Os resultados deste trabalho reafirmam os efeitos maléficos do cigarro, constituindo mais uma argumentação na luta contra o tabagismo, podendo tornar-se motivação efetiva para os mais preocupados com o bem estar e a saúde advindos do uso do cigarro.

            É necessário que todos os grupos sociais mobilizem-se, de forma esclarecida, contra o tabagismo, para que as gerações futuras possam desfrutar de um mundo menos poluído pelo tabaco. Muito importante nessa luta, são as crianças e os adolescentes, que atuam como fortes agentes de mudança comportamental e social.

Para isto é fundamental que todos participem, informando, protegendo crianças e gestantes da fumaça do cigarro, criando ambientes livres do fumo, incentivando e apoiando o trabalho dos órgãos de saúde e de lideranças do governo na busca de soluções para o plantio alternativo de tabaco, na elaboração.