Ana Cecília Chaves Mourão1; José Robério de Sousa Almeida2

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1 - Graduando em Ciências Biológicas, UECE/ FAFIDAM, Limoeiro do Norte - Ceará;

2 - Professor do curso de Ciências Biológicas, UECE/ FAFIDAM, Limoeiro do Norte - Ceará.

1.INTRODUÇÃO

Alimento orgânico ou natural são alimentos cultivados sem uso de agrotóxicos sintéticos, adubos químicos, fertilizantes solúveis, hormônios, sulfas aditivos de rações animais, drogas veterinárias convencionais e demais produtos elaborados sinteticamente, tendo como uso os fertilizantes orgânicos e controle naturais contra insetos e ervas daninhas.

Os sistemas orgânicos de produção são alternados para o cultivo dos alimentos no qual são utilizados de acordo com a rotação de culturas, consorciação de plantas, controle biológico para manejo de pragas e doenças, cobertura do solo, aproveitamento do resto de lavouras, de estercos animais, de leguminosas, de adubos verdes e de resíduos orgânicos, buscando interação de forma equilibrada entre o homem, o planeta, a água, os seres vivos e a natureza.

Segundo Digest (1998, p. 40): "A noção de alimento nutritivo produzido por métodos naturais atrai os consumidores preocupados como os efeitos sobre a saúde de pesticidas, hormônios de crescimento, antibióticos e outros produtos químicos sintéticos usados por agricultores."

Digest (1998) explica que os benefícios dos alimentos orgânicos para o consumo humano compreendem o movimento em direção a uma alimentação saudável que esta crescendo. Há poucos anos, os alimentos orgânicos só podiam ser encontrados em lojas de produtos naturais ou em mercados e feiras de pequenos agricultores. Hoje todos os gêneros alimentícios desde carne, frango e ovos caipiras, a legumes, verduras e frutas, alem de vinhos, são comercializados junto com produtos convencionais em supermercados e lojas de produtos alimentares.

São vantagens também dos alimentos orgânicos, os métodos naturais de agricultura, pois restauram os nutrientes do solo; os produtos animais não têm resíduos de hormônios antibióticos por serem criados em um ambiente natural, sua qualidade é superior a de alimentos convencionais; a genética da planta, o clima, a irrigação e a época da colheita têm um impacto muito maior no conteúdo nutricional do que o tipo de fertilizante usado; são mais saborosas as frutas e legumes orgânicos; a carne de galinha, porco e boi produzem uma carne mais magra e mais saborosa em comparação com os criados industrialmente; são menores as chances de conterem pesticidas, corantes e outros produtos químicos. Existem também outras vantagens, por exemplo, o fato de que os selos de certificação (Figura 1) tornam a produção orgânica tecnicamente mais eficiente, à medida que exige planejamento e documentação criteriosos por parte do produtor. Outra vantagem é a promoção e a divulgação dos princípios norteadores da Agricultura Orgânica na sociedade, fornecendo ao produtor o conhecimento dos adubos orgânicos para facilitar o cultivo orgânico de uma horta (Tabela 1) ao mesmo tempo colabora para o crescimento do interesse pelo consumo de alimentos orgânicos.

Por controvérsia os alimentos orgânicos entram em desvantagens em termos de sua produção e consumo humano em comparação aos alimentos tradicionais por terem uma produtividade menor e custos mais caros; por deteriorizarem mais rapidamente e podendo apresentar doenças naturais como vírus e fungos potencialmente prejudiciais aos seres vivos e por alguns possuírem mensagens promocionais confusas e ambíguas em loja de alimentos orgânicos. As frutas e legumes tendem a ser menores e podem apresentar manchas na casca devido a ataques de insetos e a cor pode não ser uniforme e tão intensa quanto a alcançada através da utilização de corantes ou ceras.

Conforme Digest (1998, p. 41): "Alguns alimentos naturais colocam a saúde em grande risco e devem ser evitados, por exemplo, leite e derivados não pasteurizados podem abrigar organismos que causam tuberculose e outras doenças graves."

O objetivo desse trabalho foi conhecer os alimentos orgânicos no que diz respeito às vantagens e desvantagens desses alimentos para o consumo humano; destacar os principais adubos orgânicos para o seu cultivo e conhecer alguns selos de certificação dos produtos orgânicos.

2. MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi realizada por meio da leitura de revisão literária do livro alimentos saudáveis, alimentos perigosos: guia prático para uma alimentação saudável, por dados obtidos na agenda do produtor rural do Banco do Nordeste e através da pesquisa na internet.

As figuras dos selos de certificação dos alimentos orgânicos foram tiradas através de imagens pela internet.

A tabela dos principais adubos orgânicos foi extraída da agenda do produtor rural.

3. RESULTADOS

O selo de certificação (Figura 1) de um produto orgânico identifica a procedência do alimento e garante ao consumidor a certeza de estar levando para a casa um produto isento de contaminação química. Garante também que esse produto é o resultado de uma agricultura capaz de assegurar qualidade do ambiente natural, qualidade nutricional e biológica de alimentos e qualidade de vida para quem vive no campo e nas cidades.









ABIO

ACS
 AMAZONIA

ANC

APAN

BCS

CHÃO VIVO

CMO

COOLMÉIA

É de grande importância a certificação para o mercado de orgânicos, pois além de permitir ao agricultor orgânico diferenciar e obter uma melhor remuneração dos seus produtos protege os consumidores de possíveis fraudes.










ECOCERT

FVO

IBD

IMO

MINAS
ORGâNICA

OIA

SAPUCAÍ

SKAL

TECPAR

                 

Figura 1. Principais selos de certificação que garantem ao consumidor a certeza de estar levando para casa produtos orgânicos.

Os adubos orgânicos (Tabela 1) esclarecerem ao produtor ou qualquer pessoa que preferem cultivar a sua própria horta como utilizá-lo da melhor forma a fim de conhecer a natureza benéfica de cada um tanto para os nutrientes do solo quanto para as plantas e animais.

Tabela 1. Os principais adubos orgânicos para cultivar a horta.

NOME DO ADUBO

CARACTERÍSTICA/ COMPOSIÇÃO

Palhas

São resíduos de plantas que entram em senescência; são bons reservatórios de potássio; as palhas de gramíneas incorporadas ao solo melhoram suas propriedades físicas e biológicas, por isso são recomendadas no preparo inicial de solos desgastados; as palhas de leguminosas são mais ricas em nutrientes minerais que as de gramíneas, se decompõem muito rapidamente, sendo boa fonte de nitrogênio.

Serragem e maravalha

A composição química da serragem e da maravalha (lâminas muito finas de madeiras) é a mesma da madeira que as originou, geralmente muito rica em energia e pobre em nitrogênio; ricas em lignina (contrastando com as palhas); não são aconselhadas para cobertura morta, pois tendem a formar blocos quando molhadas.

Esterco de aves

As aves não produzem urina, por isso, seu esterco é mais rico em nitrogênio que o de ruminantes ou suínos; o esterco de frangos galinhas é rico em nitrogênio e fósforo, mas pobre em celulose, por isso sua decomposição é rápida, liberando-se em poucos dias a maior parte dos nutrientes; em culturas de ciclo longo, o seu aproveitamento tende a ser maior em cobertura do que como adubação.

Esterco de ruminantes

O conteúdo de nitrogênio do esterco dos animais a pasto é menor d que com suplementação animal; a maior parte do esterco disponível pode ser usado curtido, compostado ou cru; o curtimento do esterco é seu envelhecimento sob condições não controladas; a compostagem é um aperfeiçoamento do curtimento natural, podendo-se adicionar palhas e outros resíduos vegetais; os estercos curtidos ou compostos são usados como adubo, variando entre 20t/ha e 40t/ha.

Esterco de suínos

Como os ruminantes, os suínos separam a urina das fezes; pela natureza de sua alimentação, as fezes são mais ricas em nutrientes e mais pobres em matéria orgânica que as dos ruminantes. A matéria orgânica presente é de decomposição rápida, portanto, o esterco de suíno é mais um alimento para a planta que para o solo.

Adubos verdes

A escolha do adubo verde deve ser feita buscando-se especialmente: 1) a máxima produção de biomassa; 2) o balanço de N, e 3) controle de pragas, doenças e invasoras. Quanto ao manejo do adubo verde, a época de corte e sua incorporação (ou não) dependem do objetivo visado. Quando o objetivo é aumentar o teor de húmus no solo, é preciso aumentar a massa de raízes e a quantidade de material orgânico sobre o solo.

Húmus de minhoca

As minhocas são criadas em canteiros sobre composto previamente preparado; com o tempo; o material desses canteiros é peneirado. O produto que fica é o húmus de minhoca. A minhoca transforma tudo que devora em um rico adubo. Além disso, movimentando-se na terra, ela melhora a circulação de água e ar dos terrenos. Os excrementos das minhocas aumentam de 3 a 11 vezes a quantidade de P assimilável e de K e Mg trocáveis no solo e elevam, ainda, de 5 a 10 vezes o teor de nitrato e de 30% o de Ca, diminuindo a acidez do solo.

"Coquetel"

Uma consorciação de gramíneas e leguminosas para adubação verde (milho, guandu, mucuna-preta, labe-Iabe, calopogônio, feijão-bravo, feijão-de-porco, girassol etc.); as sementes são misturadas em um recipiente e, após preparo do solo, semeadas a lanço numa densidade de 100 quilos por hectares; não precisa fazer adubação nem capina; a diversidade de plantas estimula ao máximo a reciclagem dos nutrientes disponíveis.

Farinha de Rocha

Nome dado às rochas moídas ou trituradas para uso agrícola; recupera os solos empobrecidos, desequilibrados e que perderam seus constituintes minerais; as melhores rochas para fazer recuperação de solos são as básicas: ricas em minerais ferromagnesianos e em micronutrientes de grande valor para os solos, plantas e animais.

Ex.: MB-4,

4. CONCLUSÃO

Com a realização da pesquisa, observou-se que a demanda dos consumidores pelos alimentos orgânicos está cada vez maior devido a preocupação com a saúde; a proteção do meio ambiente; a busca de sabor e frescor nos alimentos consumidos que tem qualidade superior a dos alimentos convencionais. Nesse sentido a variedade dos produtos orgânicos também aumentou, podendo ser encontrados em lojas de produtos naturais, mercados e feiras de pequenos agricultores. As seguranças dos alimentos naturais de origem animal e vegetal garantem através dos selos de certificação o esclarecimento a todos os consumidores e os motiva para juntar-se ao crescente número de pessoas que estão redescobrindo as recompensas do cultivo de alimentos em sua própria horta.