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sta semana foi marcada por um fato muito curioso no universo de segurança: o provedor McColo, derrubado sob acusações de cooperar com criminosos, voltou ao ar só para entregar o controle dos computadores infectados a servidores na Rússia. Outro acontecimento marcante veio da Microsoft, que anunciou o lançamento de um antivírus gratuito para os usuários domésticos em 2009. Também nesta semana a AVG afirmou que dará licenças para usuários afetados com um falso positivo que inutilizou o sistema, enquanto um indivíduo desconhecido criou um site-paródia do Twitterank.
A volta dos zumbis
O provedor norte-americano McColo, tirado do ar na semana passada por acusações de cooperação com criminosos, voltou brevemente ao ar para entregar o controle das redes-zumbi para servidores localizados na Rússia.
Conforme noticiado na sexta-feira passada (14), criminosos perderam o controle dos computadores infectados porque os servidores que repassavam os comandos a eles estavam localizados na McColo. O nível de spam mundial caiu em até 2/3 quando todos os computadores infectados que recebiam ordens por meio da McColo pararam de receber qualquer instrução para enviar mensagens indesejadas ou vírus.
Para entregar o controle de suas redes-zumbi para um novo local, mais seguro contra desconexões, os criminosos conseguiram reativar a McColo brevemente no fim do semana, quando a internet é menos monitorada.
O provedor usado foi o sueco TelieSonera. O contrato da McColo com a TelieSonera fora assinado há aproximadamente um ano. Para a aquisição do serviço, o provedor usou o nome de “CWIE Holding Company”, uma empresa supostamente envolvida com processamento de cartões de crédito. Quando o TelieSonera percebeu do que se tratava, a McColo foi novamente desconectada.
Pesquisadores de segurança da Trend Micro disseram que o provedor chegou a transmitir 15 megabytes por segundo (o que necessita de uma conexão de 120 Mbps) para os servidores russos. Apesar disso, algumas partes da rede não teriam sido atualizadas completamente, já que a rede foi rapidamente desconectada. O controle ou dados das partes das redes-zumbis que não puderam ser atualizadas teriam sido perdidos.
Microsoft promete antivírus gratuito para 2009
O G1 já noticiou o anúncio da Microsoft prometendo um antivírus gratuito para o segundo semestre de 2009. Não apenas uma ferramenta gratuita será oferecida, mas ela será acompanhada do fim da venda do atual produto de segurança para usuários domésticos, o Windows Live OneCare.
Ignoremos por hora o infeliz codinome “Morro” para ir à questão principal: qual será o impacto de um aplicativo de segurança gratuito da Microsoft?
Antivírus gratuitos estão disponíveis há anos. Hoje, muitos usuários fazem uso de ferramentas como AVG Free Edition, Avast Home Edition e Avira AntiVir Personal sem tirar um centavo do bolso. Pelo menos de acordo com o que pode se ler no anúncio, há indícios de que a oferta da Microsoft também será destinada a esse mercado. Embora esses softwares gratuitos não tratem de alguns tipos de pragas,
como o Avira Personal, que não detecta spywares, e o AVG, que não possui
anti-rootkit, a própria Microsoft fecha esse “buraco” há algum tempo com
ferramentas como o Windows Defender e o RootkitRevealer. O diferencial
do “Morro” -- ser uma solução completa integrada -- acaba não sendo tão
relevante.
O muito mais lucrativo mercado empresarial continuará tendo que pagar pelas suas soluções antivírus, vendidas sob a marca de Microsoft ForeFront. Nada mudará aqui, aparentemente: o ForeFront nem é mencionado no anúncio do novo programa. O que a Microsoft espera é, talvez, divulgar a existência do ForeFront por meio do seu software gratuito, como hoje fazem as outras empresas que oferecem os antivírus sem custo para os usuários.
É preciso, portanto, esperar para avaliar qualidade do novo produto, que a Microsoft diz ser destinado a computadores menos potentes. Se ele agradar mais do que os programas populares existentes, terá seu espaço e, com a força da marca Microsoft, poderá ser levado a sério por usuários que hoje ainda se mantêm apegados à marcas mais tradicionais.
Há também a questão sobre possíveis processos envolvendo práticas anticompetitivas, especialmente se o programa for, eventualmente, embutido no Windows. Basta dizer que tal decisão não acabaria bem, seja para a Microsoft, inescapável alvo de tais processos, ou para os usuários, forçados a lidar com softwares ainda menos eficientes devido a baixa concorrência.
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