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História
A Bolsa do Café de Santos começou a ser construída em 1903 e foi instituída oficialmente em 1914, pelo decreto 1.416, mas, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial só foi instalada em 2 de maio de 1917. Para a construção do prédio, foi estabelecida uma taxa de vinte réis por saca de café vendida a termo.
O prédio é considerado um dos mais belos de Santos. Resultou de um projeto francês inspirado no Renascimento italiano, que venceu o Salão de Arquitetura de Paris na primeira década do século XX. A execução das obras começou em 1920 e a inauguração ocorreu em 7 de setembro de 1922, como parte das comemorações do Centenário da Independência.
A construção monumental é em estilo eclético, podendo ser notadas influências de vários estilos arquitetônicos, com três fachadas independentes: uma na Rua Frei Gaspar, torre voltada para a Praça Azevedo Júnior e pórtico da entrada principal na Rua XV de Novembro. Com mais de duzentas portas e janelas, em cerca de seis mil metros de área construída, foi criado para abrigar a principal Bolsa de Café e Mercadorias do mundo, porque Santos à época era a maior praça cafeeira do planeta. A obra é marcada pela diversidade de origem do material de construção: cimento e ferros da Inglaterra, telhas e pisos da França, mármores da Itália, Espanha e Grécia e ladrilhos da Alemanha. O interior do prédio também é luxuoso e requintado: cristais belgas e bronzes franceses.
O
vitral "
A visão de Anhangüera" no teto do grande salão da Bolsa do Café
A grandiosa sala dos pregões tem no teto o vitral "A visão de Anhangüera", desenhado pelo pintor Benedito Calixto. Três imensos painéis do mesmo pintor enfeitam a parede do fundo: o maior, central, tem 153 figuras, representando a Elevação de Santos a Vila, de forma onírica, com a parte real nítida e o sonho do progresso no futuro, esfumado. Os painéis laterais, menores, mostram a concepção do artista sobre a paisagem de Santos em 1822 e 1922. Nos quatro cantos de cada obra, Calixto pintou brasões alusivos ao Brasil Colônia, Brasil Império e Brasil República, e nas molduras retratou a fauna brasileira.
A Bolsa Oficial de Café e Mercadorias teve seu auge entre 1917 e 1929, sentindo bastante os efeitos da crise econômica mundial iniciada com a quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929, que levou à queda gradual nas atividades da bolsa santista. Em 1937, foi fechada por tempo indeterminado e algum tempo depois foi reaberta, porém a decadência no comércio do café continuou se acentuando. Com o encerramento dos pregões em fins da década de 1970, o prédio foi ocupado parcialmente por repartições estaduais, pois seu estado de abandono impedia a ocupação plena.
No primeiro andar do prédio, ainda por muitos anos após o encerramento dos pregões, funcionou até o final da década de 1970 um requintado restaurante, onde eram comuns as reuniões periódicas de diversos clubes santistas, como o 21 Irmãos Amigos e o Rotary Club de Santos.
Em 22 de setembro de 1981, o prédio da Bolsa foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat)1, garantindo oficialmente sua preservação. Até 1986, quando foi desativado, funcionou para a divulgação da cotação do café no mercado internacional.
Restruturação
A Bolsa do Café foi reinaugurada em 25 de setembro de 1998, após um trabalho que demorou 14 meses, atualmente funciona como o primeiro Museu do Café brasileiro, mantido pela pela Associação Amigos do Museu do Café. No acervo estão obras de Benedito Calixto (painéis e vitrais), além do espaço para exposições temporárias. Dentro do projeto museológico estão: a livraria, biblioteca e arquivo, o acervo e o centro de preparação do café.
Referências
Ver também