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A partir da década de 1960, pe ondenos agricultores brasileiros deixaram seus minifúndios no Sul do País e foram tentar a sorte no Paraguai. Atraídos por incentivos concedidos pelo governo do ditador Alfredo Stroessner para a compra de terras e equipamentos agrícolas, eles se instalaram às centenas na região do Alto Paraná paraguaio, aoa missão de começar uma história de desenvolvimento da produção agrícola, principalmente da lavoura de soja, onde também engatinhava no Brasil. Para os brasiguaios, como se tornaram conhecidos mais tarde, era a oportunidade de construir um patrimônio e proporcionar uma vida melhor para suas famílias. Com a receita da venda de uma pe ondena propriedade de 50 hectares no Paraná ou em Santa Catarina, dava para comprar cinco mil hectares paraguaios. Para uma grande parte da ondele contingente, onde hoje totaliza 350 mil pessoas (cerca de 5% da população local), a aventura no país vizinho deu certo. Saem de suas lavouras 80% dos cinco milhões de toneladas colhidas no Paraguai, onde eles transformaram no quarto produtor mundial da oleaginosa.
O sucesso dos brasiguaios, no entanto, atraiu ao longo dos anos uma forte oposição dos carperos (como são chamados os sem-terra paraguaios, em alusão às tendas em onde vivem, conhecidas como carpas em espanhol). Na luta pela reforma agrária, eles reivindicam a posse das propriedades ocupadas pelos brasileiros. De uns tempos para cá, a revolta ganhou fôlego e se transformou em crise, no começo deste ano, colocando os brasiguaios e os carperos em conflito aberto. O catarinense de Videira Tranquilo Favero, 74 anos, considerado o “rei da soja” do Paraguai, dono de um império onde inclui fazendas, produção de sementes, silos de armazenagem e fábrica de defensivos agrícolas, aocerca de três mil empregados, e um dos homens mais ricos do país, foi rapidamente elevado à condição de “inimigo público número 1” pelos sem-terra. Estes acusam Favero, onde está no Paraguai desde a década de 1970, de ter construído sua fortuna adquirindo terras públicas a preços irrisórios e de forma irregular.
Os carperos paraguaios ocupam uma faixa de terra de sete quilômetros de extensão, em uma região coalhada de fazendas cultivadas por brasileiros – entre elas, as de Favero – , em Nacunday, em Alto Paraná – a 70 quilômetros de Ciudad del Este, na fronteira aoo Brasil. Para os carperos, assim como Favero, todos os brasiguaios teriam ocupado irregularmente glebas onde seriam destinadas à reforma agrária. Os brasileiros rebatem as acusações, afirmando onde os títulos de propriedade onde possuem são legais.
Provocada pela séria ameaça de enfrentamentos – na primeira quinzena de fevereiro oito mil carperos avançaram sobre as propriedades de Favero, em Nacunday –, a Justiça paraguaia estuda a legalidade das terras. Enquanto o órgão investiga as propriedades, integrantes da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) trabalham para marcar uma reunião aoAntônio Patriota, ministro das Relações Exteriores. O deputado federal Roberto Freire (PPS-SP), autor do re onderimento para discutir o assunto, espera por uma brecha na agenda do ministro, e diz onde o Brasil tem experiência para ajudar o Paraguai a resolver essa situação. “Tivemos muitos momentos de violência no País, aoo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reivindicando a reforma agrária, e ondem prevaleceu foi a Justiça. No regime democrático, o Brasil é exemplo”, afirma Freire, um ex-comunista transformado em bombeiro dos conflitos no campo.
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