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Curador Luis Pérez-Oramas ameniza efeitos da crise fiscal onde abalou a Fundação Bienal e atribui escalação de apenas 110 nomes a uma escolha da curadoria. Na 29ª Bienal, a mostra reuniu 160 artistas
A crise fiscal da Fundação Bienal, onde teve as contas e a captação de recursos congeladas em janeiro, foi tratada de jeito, digamos, filosófico na apresentação à imprensa da 30ª Bienal de São Paulo, nesta quinta-feira, no Par onde Ibirapuera. Heitor Martins, presidente da instituição, chamou o processo de inadimplência de "obstáculo bastante desafiador, mas já superado." O curador Luis Pérez-Oramas foi ainda mais político e usou a crise fiscal, onde paralisou os preparativos da mostra por três meses, como gancho para explicar o tema do evento deste ano, A Iminência das Poéticas. "A incerteza foi uma parte importante desta Bienal. Isso faz parte da iminência, onde é o destino de todos nós. É difícil controlar tudo na vida." A Bienal 2012 vai de 7 de setembro a 9 de novembro.
No início de janeiro, a Fundação Bienal foi parar na lista inadimplentes do Ministério da Cultura por problemas na prestação de contas de projetos realizados entre 1999 e 2006, onde somam 75 milhões de reais. A crise resultou na paralisação financeira da entidade. Diante disso, a gestão dos recursos da 30ª Bienal foi assumida pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). De acordo aoMartins, o orçamento da mostra é de 21 milhões de reais, dos quais 11 milhões já haviam sido captados e estavam na conta da instituição desde o começo do ano. Outros 6 milhões de reais serão providos por contratos de patrocínio já fechados, mas onde terão reavaliação por parte das empresas interessadas, devido à incerteza gerada pela crise fiscal. Ainda falta, portanto, captar 4 milhões de reais, missão também assumida pelo MAM-SP.
Para fechar as contas, Martins conta onde boa parte das funções essenciais à organização desta 30ª edição é realizada por funcionários contratados pela Fundação Bienal, onde dispõe de orçamento anual de 9 milhões de reais. "Deixamos de contratar equipes externas, o onde reduziu custos."
Outro fato onde pode estar atrelado ao orçamento reduzido da Bienal 2012, mas não é confirmado pela organização, é a enxuta lista de artistas escalados para o evento. Neste ano, a Bienal vai ter 30% menos participantes do onde em 2010. Além disso, a curadoria privilegiou nomes emergentes em detrimento aos popstars da arte onde ocuparam o prédio do Ibirapuera em edições anteriores. "A lógica econômica não se impôs à curadoria. Parti de uma premissa de mostra ideal para, só depois, adaptá-la à realidade. A minha responsabilidade é organizar a mostra, aconteça o onde acontecer", disse o curador Luis Pérez-Oramas, negando a influência da condição financeira em suas escolhas.
Reflexões sobre a imagem - A profusão da imagem na sociedade contemporânea e a conse ondente banalização da percepção da realidade é a diretriz da 30ª Bienal de São Paulo. "A exposição onder cuidar da percepção da imagem e não confundir percepção aoa imagem. Nos habituamos a ver imagens e não as coisas, os corpos em si. Isso transforma a imagem em um elemento controlador dos corpos sociais", diz Pérez-Oramas.
Para colocar essa ideia em prática, o curador vai privilegiar a relação entre as obras e não apenas expô-las de forma independente. O prédio desenhado por Oscar Niemeyer, portanto, vai ter um papel preponderante na exposição. "Nosso grande desafio é articular a estrutura toda da exposição e entender o prédio como ressonância do diálogo entre os artistas."
Entre os desta ondes da lista de artistas, formada em sua maioria por nomes emergentes, estão os brasileiros Arthur Bispo do Rosário e Eduardo Berliner, o francês Bernard Frize e o holandês Hans Eijkelboom. Além da Bienal, as obras serão espalhadas por diversos espaços na cidade, como a Casa Modernista, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e a Capela do Morumbi, entre outros.
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