Introdução a Como funciona o ecofeminismo

O que você faria se descobrisse que todas as árvores (em inglês) de sua cidade estão programadas para serem cortadas? Ou que a principal fonte de água de sua cidade está sendo lentamente contaminada? Ou talvez que seu condomínio está construído em cima de um depósito de lixo tóxico? Você se mudaria? Você escreveria para seu representante no Congresso? Talvez você organizasse um grupo para enfrentar o problema e evitar que mais danos acontecessem.

Dr. Wangari Muta Maathai
­Tony Karumba/AFP/Getty Images
Dra. Wangari Muta Maathai, notável ecofeminista queniana e prêmio Nobel em 2004. Na foto, com o vice-presidente executivo da Mitsubishi em uma cerimônia de plantação de árvores na Floresta do Karura, em Nairóbi.­

Combinação das palavras ecologia e feminismo, o ecofeminismo abraça a idéia de que a opressão das mulheres e a opressão ou destruição da natureza estão intimamente ligadas. Elementos do movimento feminista, do movimento da paz, dos movimentos ambientalista e verde podem ser vistos no ecofeminismo. Ativista, educadora e escritora, Ynestra King chegou a chamar o ecofeminismo de "a terceira onda do movimento feminista" fonte: Sturgeon. O termo foi cunhado em 1974, do trabalho da feminista francesa Françoise d´Eaubonne, "Le feminisme ou la mort".

O feminismo pode ser definido como o pensamento e o movimento em direção à igualdade política, econômica e social entre mulheres e homens. A ecologia é o estudo da relação entre grupos humanos e seus ambientes físico e social.

Alguns apontam o zoologista alemão Ernst Haeckel como fundador da ciência da ecologia. Outros acreditam que a real fundadora da ecologia foi uma mulher - Ellen Swallow. Renomada química industrial e ambiental, Swallow foi a primeira mulher admitida como estudante no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e a primeira mulher a exercer o cargo de instrutora no instituto. Como professora e ecologista ativa, Swallow se preocupava em educar as mulheres sobre o ambiente em relação às suas casas ou tarefas familiares, ressaltando o monitoramento da qualidade da água, do ar e da nutrição.

A madrinha do ecofeminismo

Anos antes do termo ecofeminismo existir, a bióloga marinha e naturalista Rachel Carson incorporou o movimento por meio de seu trabalho e livros. No cerne dos livros de Carson estava a noção de que, apesar de os humanos serem uma pequena parte da natureza, eles têm uma enorme capacidade para alterá-la. Carson estava profundamente incomodada pelo uso de pesticidas sintéticos (especialmente o DDT) e seus potenciais efeitos negativos de longo prazo. Seu livro "Silent Spring" (de 1962) afirmava que os efeitos prejudiciais fisiológicos e ambientais dos pesticidas desafiavam as práticas do governo e chamavam a uma mudança no tratamento da natureza fontes: RachelCarson.org (em inglês) e Lear.


Neste artigo, esboçaremos alguns fundamentos do pensamento ecofeminista, revisitaremos três movimentos definitivos na história do ecofeminismo e veremos onde está o ecofeminismo hoje.