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A vice-presidente do diretório do PSB de Natal, deputada estadual Márcia Maia, fez um pronunciamento ontem na Assembléia Legislativa para repudiar os atos de violência que ocorreram durante reunião do diretório que indicou, por maioria de votos, a coligação do partido com o PT e com o PMDB para as eleições municipais. Márcia foi aparteada por praticamente todos os deputados que participaram da sessão, inclusive integrantes de outras legendas. Em entrevista à imprensa, Márcia disse que o deputado federal licenciado Rogério Marinho foi o principal articulador da confusão, que houve distribuição de bebida alcoólica e que não o considera mais um liderado da governadora Wilma de Faria (PSB).
De acordo com Márcia, a intenção do deputado Rogério Marinho e das pessoas ligadas a ele era que a reunião não acontecesse. ‘‘Fomos surpreendidos. Nunca tinha passado por isso. Foi uma reunião que nos deixou muito tristes, principalmente quando soubemos que houve um comando para isso. Um grupo coordenando todo esse trabalho com o intuito, com o objetivo de cancelar a reunião. Alguns membros ligados ao deputado Rogério Marinho chegaram a dizer isso no início da reunião. Então, não se queria direito a voz porque quando o presidente do partido facultou a palavra, só o deputado Rogério Marinho falou. Só queriam tumultuar’’, afirmou. Márcia Maia disse que o PSB vem tentando um diálogo com Rogério Marinho, através dos deputados estaduais Cláudio Porpino e Gustavo Carvalho. ‘‘Vamos tentar manter esse diálogo. A não ser que o deputado não queira’’, disse.
Cláudio Porpino disse que integrantes da Juventude Socialista usaram o spray de pimenta. ‘‘Repudio essa imundície, esse ato mesquinho, em que fomos agredidos covardemente’’, disse. Antônio Jácome (PMN) lamentou o episódio ‘‘deplorável’’, assim como os deputados Vivaldo Costa (PR), Gilson Moura (PV) e Walter Alves (PMDB).
Entrevista - Márcia Maia Diário de Natal - Na opinião da senhora, quem foram os responsáveis pelo clima de tensão e violência na reunião do PSB? Márcia Maia - O deputado federal Rogério Marinho. Alegar que não houve direito a fala é mais uma tentativa de se criar um factóide, de tentar se defender de uma imagem que ficou extremamente negativa para o deputado federal Rogério Marinho e a Juventude também. Eu tenho informação de membro da Juventude que ligou para uma pessoa ligada a mim pedindo desculpa pelos atos de violência, dizendo que não concordava com o deputado Rogério Marinho, que tinham sido usados pelo deputado para fazer aquele tipo de tumulto.
Os dirigentes do PSB pretendem tomar alguma posição em relação ao deputado Rogério Marinho? Isso não foi ainda avaliado. Estamos todos atônitos porque isso nunca aconteceu na história do partido. O que nós vamos fazer imediatamente é requerer as fichas de filiação que o deputado Rogério Marinho disse que estava com João Bastos ou com Márcio Weber que são primeiro e segundo secretários do partido. As fichas dos novos filiados que são pessoas ligadas a vários dirigentes não estão na sede do partido. Nós também não temos ata de homologação desses filiados.
Como a governadora reagiu à forma como se deu a reunião? A governadora está com o mesmo sentimento que invade todos nós, que militamos há muito tempo no partido, que respeitamos o processo democrático. Ela lamentou profundamente, estava muito abalada, muito triste com tudo que aconteceu. A frase dela é de que democracia não se faz com baderna, não se faz com grito. Nós não temos ainda uma avaliação mais profunda sobre o episódio e quais providências iremos tomar.
Ela pretende tomar alguma atitude em relação às pessoas que fazem parte da administração e que são ligadas ou foram indicadas por Rogério Marinho? Essa é uma pergunta que tem que ser feita a ela.
Na opinião da senhora, qual deveria ser a postura dessas pessoas? A postura dessas pessoas deveria ser de entregar os cargos pelo comportamento que tiveram no partido ontem (terça), por estarem tentando denegrir a imagem da governadora Wilma de Faria, por estarem fazendo esse movimento que, com certeza, as pessoas não entendem. Eu acho que essas pessoas que não estão mais sendo consideradas de confiança da governadora - elas sabem disso -, na hora em que se posicionaram ontem (terça) concordando com esse tipo de comportamento que se teve na reunião, essas pessoas deveriam entregar o cargo.
O deputado tem reafirmado que não está contestando a governadora e que se considera um liderado dela. Qual a opinião da senhora sobre isso? Primeiro, eu não acho que ele seja um liderado da governadora. Uma pessoa liderada da governadora não tem o comportamento que ele teve ontem (terça). De forma nenhuma. Os liderados da governadora são pessoas que a respeitam, que tentam manter sempre o diálogo, são pessoas que não estimulam atos de agressividade, de violência. Eu não acredito que ele seja liderado da governadora. O que ele fez ontem, inclusive em alguns momentos me instigando e eu em nenhum momento dei ouvidos, procurei com muita calma, fazer o processo de condução junto com o prefeito Carlos Eduardo.
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