No dia 4 de agosto de 2007, o foguete Delta 2 partiu de Cabo Canaveral, na Flórida, rumo ao espaço carregando a espaçonave Phoenix. O destino da Phoenix: o planeta Marte. Sua missão: buscar, durante três meses, possíveis formas de vida, passadas ou presentes. No dia 25 de maio de 2008, 9 meses e 21 dias depois do lançamento do Delta 2, a sonda de 350 kg pousou com sucesso no Pólo Norte do planeta vermelho, carregando 55 kg de instrumentos científicos.

Água de Marte é salgada demais
para sustentar vida, diz estudo
Enquanto a Missão Phoenix procura evidências de vida em Marte, analisando o solo e a água congelada do planeta, cientistas das universidades Harvard e Stone Brook, nos EUA, publicam um estudo sugerindo que a água de marte é salgada demais para sustentar a vida que conhecemos.

A descoberta foi feita a partir da análise dos depósitos de sal de rocha marciana de 4 bilhões de anos explorada pelo robô Opportunity e por espaçonaves que orbitam Marte. O estudo foi publicado na edição de 29 de maio de 2008 da revista Science.

A água líquida é exigida por todas as espécies na Terra, e nós assumimos que é o mínimo necessário para haver vida em Marte"" diz o pesquisador Nicholas J.Tosca, de Harvard. "Contudo, para analisar a capacidade de Marte, precisamos considerar a qualidade de sua água. Os limites da vida como conhecemos são definidos pela temperatura, acidez e salinidade da água".

De acordo com o estudo, mesmo há bilhões de ano, a salinidade da água marciana já excedia os níveis em que a vida terrestre pode crescer e sobreviver.­

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O trabalho principal da sonda é estudar a história da água no ártico marciano, procurar evidências de uma zona habitável no planeta, monitorar o clima na região polar e avaliar o potencial biológico do limite gelo-solo. Um dos coordenadores da Missão Phoenix Mars Lander é o brasileiro Ramon de Paula, radicado nos Estados Unidos desde 1969, que trabalhou no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) e vem comandando missões para Marte desde 2000. Outro brasileiro no projeto é Nilton Rennó. Cientista da Universidade de Michigan, ele ajudou os cientistas da Nasa a escolher o local de pouso da Phoenix.


JPL/Nasa
Animação mostra a sonda Phoenix já em solo marciano


Marte é um planeta deserto e frio com nenhuma água líquida em sua superfície. Mas no Pólo Norte marciano, água em forma de gelo esconde-se bem abaixo da superfície, como mostram descobertas feitas pela sonda Mars Odissey, em 2002. A sonda Phoenix está atuando na região circumpolar usando um braço robótico para chegar até a camada de gelo, cavando através da superfície protetora do solo. Amostras do gelo e do solo serão levadas para a plataforma da sonda para uma análise científica de seus elementos. Os resultados dessa análise serão enviados à Nasa, a agência espacial norte-americana, e vão contribuir com o Programa de Exploração de Marte.

A Missão Phoenix é liderada pela Universidade do Arizona, com gerenciamento do projeto do Laboratório de Propulsão a Jato (Nasa) e desenvolvimento e parceria com a empresa Lockheed Martin Space Systems. Contribuem para a missão a agência espacial canadense, a Universidade de Neuchatel (Suíça), a Universidade de Copenhague (Dinamarca), o Instituto Max Planck (Alemanha) e o Instituto Meteorológico Finlandês.