O Supremo Tribunal Federal (STF) enfim conseguiu decidir alguma coisa sobre a pesquisa com células-tronco embrionárias humanas. Permitiu o que a lei 11.105 já permitia e era muito pouco, quase nada. E ainda levou mais de três anos para decidir o óbvio.

Pior, durante dois dias inteiros tivemos de agüentar uma xaropada interminável, votos que se arrastavam na companhia de profusas citações de Aristóteles e Santo Tomás, explicações mais capengas que as nossas (de jornalistas) para conceitos biológicos, excursos sobre a polissemia do termo "embrião", apologias mornas do progresso da ciência e da relevância ética da religião...

Realmente, democracia é osso duro de roer. Quer um exemplo? O lamentável debate sobre nada, ou menos que nada, que acaba de ser protagonizado pelos ministros Cézar Peluso e Celso de Mello. Já havia seis votos pela improcedência da ação direta de inconstitucionalidade 3.510, como disse Celso de Mello, mas Peluso resolveu chiar porque seu voto não foi incluído na soma. Ora, não tinha a menor importância material para o resultado - seis votos já constituíam maioria. E ficaram lá os dois ilustres causídicos, eminentes juristas, egrégios ministros etc. debatendo o significado do verbo "declarar"... Façam o favor.

Vai ser preciso esperar ainda muitas gerações para que nós, brasileiros, aprendamos que ela funciona melhor quando os discursos vão direto ao ponto. Se quiserem de fato melhorar a eficiência da Justiça nacional, deveriam começar por aí: com cursos de objetividade e síntese para juízes. Ganharíamos um tempo enorme.