A bioética é o estudo transdisciplinar entre biologia, medicina e filosofia (dessa, especialmente as disciplina da ética, da moral e da metafísica), que investiga todas as condições necessárias para uma administração responsável da vida humana (em geral) e da pessoa (em particular). Considera, portanto, a responsabilidade moral de cientistas em suas pesquisas, bem como de suas aplicações. São temas dessa área, questões delicadas como a fertilização in vitro, o aborto, a clonagem, a eutanásia, e os transgênicos.

O termo foi mencionado pela primeira vez nos anos 70, em um artigo do oncologista e biólogo americano Van R. Potter (The science of survival); pouco tempo depois, uma abordagem mais incisiva da disciplina foi feita pelo obstetra holandês Hellegers. Segundo BYK (1996), a Bioética é a combinação de conhecimento biológico e valores humanos.

O interesse por essa questão cresceu ainda mais depois que a ciência decifrou o os resultados do Projeto Genoma Humano, mostrando novos recursos de manipulação científica da natureza. A humanidade se viu diante de outros problemas como: a manipulação de células-tronco embrionárias e a introdução de alimentos transgênicos nas prateleiras dos supermercados. O estudo da bioética deve ir além de um simples discurso e passar a fazer parte das grades curriculares dos cursos de ensino superior e em especial do curso de engenharia agronômica, pois a bioética vai além da área médica, abarcando também psicologia, direito, biologia, antropologia, sociologia, ecologia, teologia, filosofia, entre outras, observando as diversas culturas e valores.
Esta pesquisa não tem fronteiras, dificultando, inclusive, uma definição plena, uma vez que os problemas são considerados sob vários prismas, na tentativa de harmonizar os melhores caminhos.

O objetivo da disciplina bioética deve ser discutir e acompanhar os aspectos éticos das pesquisas realizadas nas universidades ou em empresas conveniadas a elas.
O engenheiro agrônomo é um profissional que reúne as condições técnico-científicas e humanísticas para executar todas as tarefas inerentes à produção de alimentos para o homem e os animais domésticos, intervindo desde a definição das condições de plantio até a chegada do produto industrializado ao consumidor. O engenheiro agrônomo trabalha com questões fundamentais para os nossos dias: fixação do homem no campo e preservação do meio ambiente e o mais importante: a produção e comercialização de alimentos. Só que para se alcançar altas produções, alguns profissionais despreparados utilizam meios antiéticos, ou melhor, antibioéticos para aumentar seus lucros, como utilização excessiva de agrotóxicos, contaminando o solo, os rios e lagos e seus impactos são visíveis à saúde humana. Mas é na área da Genética Molecular que encontramos um dos grandes desafios dessa área: os organismos geneticamente modificados (OGMs). Esses alimentos apresentam vantagens como: enriquecimento com um componente nutricional essencial, aumento da produtividade agrícola através do desenvolvimento de lavouras mais produtivas e menos onerosas, cuja produção agrida menos o meio ambiente. E desvantagens como: organismos antes cultivados para serem usados na alimentação estão sendo modificados para produzirem produtos farmacêuticos e químicos. Essas plantas modificadas poderiam fazer uma polinização cruzada com espécies semelhantes e, deste modo, contaminar plantas utilizadas exclusivamente na alimentação.
Esses e outros aspectos precisam ser debatidos em sala de aula. São aspectos muito mais ecológicos que filosóficos.