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Buda não é um deus, e sim um guia espiritual. Os budistas, portanto, não o encaram como os seguidores de outras fés vêem seus deuses. O culto budista implica prestar homenagem a Buda. Um budista pode também seguir outra religião e viver de acordo com os preceitos budistas. Para um budista, a meta mais importante é observar os Oito Caminhos, o que significa compreender plenamente as verdades budistas, levar vida correta e evitar trabalhos que prejudiquem a outras pessoas. Dessa forma, os budistas esperam alcançar um reencarnação favorável após a morte, ou mesmo atingir a iluminação, estado de pureza espiritual completamente livre das preocupações mundanas e do ciclo da reencarnação.
A vida do Buda |
O Buda viveu em algum momento entre os séculos VI e IV a.C., no nordeste da Índia. Segundo as tradições budistas, Sidarta Gautama nasceu em uma família real do clã Shakya. Seu pai, temendo que ele fosse afligido por experiências dolorosas, o manteve confinado dentro do palácio. No entanto, com a idade de 29 anos, Gautama conheceu o sofrimento pela primeira vez. Ao ver um asceta errante, decidiu seguir essa antiga trilha e fugiu de sua casa à noite, abandonando esposa e família. Depois de seis anos de severa austeridade, ele atingiu seu objetivo. Mas não escapou do sofrimento. Sentado sob a árvore Bodhi, a árvore da iluminação, passou por todos os estágios de meditação (jhana) e atingiu a iluminação, compreendendo a natureza real do sofrimento. Desse momento em diante passou a ser conhecido como o Buda, "o desperto", e por cerca 40 anos, até sua morte, ensinou aos outros, pregando seu primeiro sermão em um parque de cervos em Sarnath, Índia. Gautana é tido como o vigésimo quarto Buda no presente estágio do mundo. Quando seus ensinamentos entrarem em declínio, o futuro Buda, Maitreya, virá.
| | Devoção Budista | |
No ocidente, o Budismo é em geral visto como uma religião em que a contemplação monástica assume um papel central. Essa visão obscurece a importância da devoção popular na história da tradição. Sabe-se, por exemplo, que visitar, logo depois da morte do Buda, as stupas, urnas funerárias, que contém suas relíquias, era um meio de obter mérito religioso. Peregrinações a locais sagrados por sua presença em vida, como Bodh Gaya, também se tornaram populares. Com o tempo, cultos devocionais cresceram em torno de importantes Budas celestiais e bodhisattvas, como Amitabha e Avalokiteshvara. Na China, os Lohan, os 18 discípulos que atingiram a iluminação quando Buda ainda era vivo, eram também importantes.
Stupas, Templos e Relíquias
Stupas são antigas construções funerárias indianas que contêm relíquias de reis e heróis. No budismo, crê-se que contenham relíquias do próprio Buda, que, uma vez divididas, foram abrigadas em várias stupas. No período budista posterior, as stupas foram usadas com urnas funerárias para outras figuras significativas. Ainda que nenhuma stupa antiga permaneça totalmente intacta hoje, muitas foram erguidas durante a grande expansão budista, sob seu patrono imperial, o rei indiano Ashoka (268-239 a.C.). Com o tempo, algumas stupas tornaram-se importantes locais de peregrinação e, à medida que crecia seu prestígio, foram revestidas de pedra, em geral com cenas entalhadas que retratam a vida do Buda. No Tibete a stupa tornou-se um chorten, com um domo que repousa sobre uma base de cinco camadas que simbolizam os cinco elementos deste mundo e, no topo, o pináculo, um sol sobre uma lua crescente, simbolizando sabedoria e compaixão. No Sudeste Asiático, China e Japão, as stupas se tornaram pagodes, que representam o cosmo budista
| | Origens | |
Há dois ramos principais do budismo: Theravada e mahayana. O budismo theravada, que surgiu primeiro, segue estritamente os ensinamentos originais de Buda graças a um conjunto definido de escrituras, e é conhecido também como "doutrina dos mais velhos". A prática theravada ressalta a iluminação do indivíduo. O budismo mahayana afirmou-se mais tarde, no século primeiro a.C., e é mais aberto a diferentes idéias e abordagens. Usando um conjunto maior de escrituras, preconiza a compaixão e a iluminação pelo bem dos outros. Por isso, a escola mahayana é conhecida como "veículo maior", enquanto a theravada é o "veículo menor".
Budismo Theravada e Budismo Mahayana
| Budismo Theravada O Budismo theravada é praticado sobretudo em países do sul da Ásia, como Sri Lanka, Myanma, Camboja, Laos e Tailândia. Os budistas theravadas rejeitam e teoria dos bodhisattvas, seguindo apenas Buda. Eles buscam tornar-se arhats, ou santos, e acreditam que para atingir o nirvana é essencial integrar uma ordem monástica. O Tipitaka é a escritura principal dos budistas theravadas | | Budismo Mahayana Os budistas da escola mahayana também seguem Buda, mas dão ênfase especial a escrituras não incluídas no Tipitaka. Eles acreditam que a iluminação é acessível a qualquer um, não apenas aos monges. Os budistas mahayanas acreditam que os bodhisattvas podem ser uma fonte alternativa de inspiração, e ajudar a outros no caminho para a iluminação. Eles também crêem que no fundo outro buda virá para reviver o ensinamento budista. O budismo mahayana é praticado sobretudo na China, no Tibete, no Nepal, no Vietnã, na Coréia e no Japão. | |
Ensinamentos Quando Buda alcançou a iluminação, decidiu atingir imediatamente o nirvana para ensinar sua visão aos outros. Buda encarava o sofrimento como o problema central da existência humana, como formulou nas Quatro Nobres Verdades. A solução para o sofrimento humano está em seguir os preceitos delineados nos Oito Caminhos. Esses princípios essenciais são o cerne do dharma, ou ensinamento, budista. Certos princípios adicionais, como os Cinco Preceitos, foram acrescentados depois.
| | Cultos e Festivais | |
Buda foi um mestre, não um deus. Em conseqüência, o culto budista tem características diferentes dos de outras fés. Seja ele praticado em casa, num templo ou num mosteiro, inclui prestar homenagem a Buda e recitar preces sagradas como as Três Jóias. Festas religiosas são outras oportunidades de culto. Os mosteiros têm grande importância no budismo, e a sangha, ou comunidade monástica, é predominante na vida espiritual dos fiéis. Em países como a Tailândia, rapazes podem tornar-se monges por alguns anos como parte de sua educação espiritual; em outros lugares os votos monásticos são mais permanentes.
Festivais
| | Os budistas celebram numerosos festivais, o mais importante dos quais está ligado à vida de Buda. Os festejos variam muito de um lugar para outro. Nos países ao sul as festas ligadas à agricultura são mais populares, enquanto no sudeste da Ásia a festa da estação das chuvas, ou Asalha, é muito difundida. Festivais budistas são geralmente eventos contidos e silenciosos. | | Dia do Wesak Considera-se que o nascimento, iluminação e morte de Buda ocorreram no mesmo dia do mês do Wesak (maio-junho). Os budistas celebram esses eventos no Dia do Wesak. As pessoas decoram suas casas e fazem oferendas. Um detalhe importante da festa é o uso de velas e lamparinas que simbolizam a iluminação de Buda. | | Dias do Uposatha Dias relacionados às fases da lua, assim como outras datas especiais do calendário lunar, são chamados dias do Uposatha. Esse nome significa "entrar para ficar": nesses dias os leigos usam roupas especiais (geralmente túnicas brancas) e entram nos mosteiros locais. Ali, eles acompanham os monges no canto e na meditação e também podem observar outros preceitos morais, adquirindo dessa forma um mérito adicional. | | Asalha Durante a estação das chuvas, ou Asalha, considera-se que Buda ascendeu aos céus e ensinou o dharma aos deuses. A viagem é difícil, por isso os monges permanecem em seus mosteiros estudando e meditando. No final do Asalha, os monges celebram uma cerimônia especial em que pedem perdão a seus companheiros, caso os tenham ofendido. | | Peregrinações Os budistas empreendem peregrinações a lugares ligados à vida de Buda. Os mais importantes são Lumbini, cidade natal de Buda, no Nepal; Bodh-Gaya, local de sua iluminação; Varanasi (antiga Benares), onde ele pregou seu primeiro sermão; e Kusinara, local de sua morte. Há ainda outros sítios menores de peregrinação no mundo budista. |
Rituais
| Os rituais budistas variam de uma escola para outra. Tradicionalmente, incluem venerar a Buda e recitar as Três Jóias e os Cinco Preceitos. O culto pode dar-se num santuário em casa ou num templo. | | Preces No budismo mahayana, preces podem ser dedicadas aos bodhissattvas. Recitar tais preces ou girar um moinho de orações para simbolizar um mantra repetido são outras maneiras de ganhar mérito. A prece, em vez de servir para pedir alguma coisa, é uma tentativa de combinar os pensamentos íntimos com as boas energias. | | Prostração Embora Buda não seja venerado como um deus, os budistas homenageiam-no e agradecem por seus ensinamentos ao inclinar-se, ajoelhar-se a prostrar-se diante de sua imagem. | | Oferendas Os budistas fazem oferendas simbólicas, como flores, velas e incenso, em templos e santuários. As flores simbolizam a natureza fugaz da vida terrena; a chama de uma vela representa a luz da iluminação; o aroma do incenso reflete a expansão do dharma (verdadeira realidade). | | Esmolas Monges e monjas levam uma vida de pobreza. Para sobreviver dependem de esmolas dadas pelos leigos. A cada dia, monges fazem coletas em sua comunidade local. Doar comida e roupas é prática comum de budistas leigos para adquirir mérito. | | Perambulação Caminhar ao redor de um sítio sagrado é ritual comum no budismo tibetano. Os peregrinos devem caminhar três vezes ao redor de um mosteiro ou santuário, numa evocação das Três Jóias. | | |
Ritos Fúnebres Os budistas são cremados ou enterrados. Uma variedade de costumes e ritos prevalece em diferentes partes do mundo budista. Os parentes próximos de um agonizante tentam ajudá-lo a preparar-se para a morte, considerada um estado de repouso abençoado. Muitas vezes, monges são encarregados pela família de orar pelos mortos e praticar ritos fúnebres.

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