Ultimamente os especialistas têm falado muito em marketing de Varejo. Mas não falam com a mesma intensidade em problemas de natureza ambiental, que as embalagens dos produtos lançados no mercado proporcionam. Nesse artigo vamos abordar, mais especificamente, as sacolas de plásticos.

Com intensidade maior ou menor, toda venda possui um serviço que a acompanha.

A embalagem, o acondicionamento que se cria para que o produto seja mais facilmente vendido, oferecendo a conveniência, o essencial que permite conduzir o produto comprado, é um ingrediente desse tipo de marketing no varejo.

É ai que entra as sacolas de plásticos.
Segundo pesquisadores e estatísticos, elas estão circulando pelo mundo em uma quantidade que aproxima um trilhão de unidades. Normalmente tem sido veículo de comunicação, trazendo estampado o nome da instituição que a utiliza.

Introduzida nas décadas de 70 e 80 passou a ser um instrumento de grande necessidade, substituindo os meios mais rudimentares para transportar pequenas quantidades. Essas sacolas agora dominam o cenário do mundo econômico da sociedade consumista. Não se pode negar a conveniência, a sua eficiência em conduzir, principalmente produtos semi-úmidos, como carne fresca, laticínios e sua reutilização para outros fins após o uso original.

Índice

1.      Poluição e outros Problemas

2.      O Governo Desempenhando o seu Papel

3.      Artes Artesanato e Reciclagem

4.      Substituir Sacos Plásticos Não Biodegradáveis por Biodegradável

5.      Conclusão


1 - Poluição e outros Problemas Ambientais

Até então, essas sacolas não são biodegradáveis. Segundo os fabricantes, elas podem ser feitas de polietileno e polipropileno, polímeros de plásticos, que atualmente circulam em todo o mundo entre 500 bilhões e um trilhão de unidades.

Calcula-se que cerca de 90% dessas sacolas ou sacos plásticos, acabam virando lixo ou contendores de lixo. Dado a sua extrema leveza, quando não usada para acondicionar lixo, se não for bem acondicionada, tem a tendência de voar e espalhar-se pelo meio ambiente. Essa situação pode provocar outro tipo de poluição que, por exemplo, acabam entupindo redes de esgotos quando não atingem cursos de água.

Em Daca, capital do Bangladestesh, por exemplo, essa questão provocou catástrofe, publicada em noticiários do mundo todo na época, que atingiu proporções exorbitantes e veio exigir a tomada de medidas drásticas para evitar que cerca de 11 milhões de sacolas de plásticos atingissem os rios e sistemas de esgoto do país. O rio que banha a capital, Daca, ganhou por diversas vezes barragens artificiais de sacos de plásticos. Os entupimentos de esgotos foram responsáveis por cheias devastadoras em 1988 e 1998.

Esse tipo de material, mais cedo ou mais tarde acaba, por chegar aos rios e oceanos, quando não estão bem acondicionados.

Há vários anos ambientalistas vem chamando a atenção para esse problema. Citam casos de milhares de baleias, golfinhos, tartarugas e aves marinhas que morrerem asfixiadas com plásticos anualmente. Um caso dramático ocorreu quando uma baleia atingiu à costa da Normandia com aproximadamente 850 Kg. de plásticos incrustado no estômago.

2 - O Governo Desempenhando o seu Papel

Se o papel do Governo é governar, em países mais evoluídos como a Irlanda, foi o primeiro a tomar medidas sobre a produção descontrolada de sacolas de plásticos ao introduzir PlasTax em 2002. Um imposto que cobra 0,15 € ao consumidor por cada saco plástico distribuído. O resultado dessa iniciativa foi à arrecadação de 23 milhões de Euros para investimentos em projetos ambientais e uma redução no consumo de 90%.

Legislação semelhante está sendo estudada no Reino Unido.

Na Alemanha os sacos plásticos são cobrados dos consumidores e em todos os supermercados é habitual o uso de sacos de pano reutilizáveis ou caixas de papel cartão.

No Brasil e em Portugal tudo é distribuído gratuitamente e não há, por parte do Governo, preocupação por conseqüências que degradam a natureza. Quanto ao Marketing, uma vez que está sempre desenvolvendo produtos para atender necessidades, ficaria eticamente impedido de fazer qualquer coisa que venha prejudicar, na sociedade, no ambiente, os seus consumidores. Contudo a preocupação com o ambiente pode estar sendo omissa e o seu papel ético com a sociedade apenas um compromisso. Lançam constantemente novos produtos com embalagens não recicláveis e decomposição difícil.

Em Bangladech uma associação, que surgiu depois das enchentes, obrigou a tomada de medidas extremas. É expressamente proibido, por lei, a manufatura, compra e posse de sacos de polietileno ou polipropileno e são aplicadas pesadas multas e até penas de prisão para reincidentes. Se alguém for apanhado com um saco de plástico na mão, neste país, vai custar cerca de R$ 25,00, valor correspondente a moeda de Bangladech. Este valor é astronômico, considerando o salário mínimo do país, considerando que o valor deve ser pago na hora e uma ida a esquadra (delegacia) para cadastro.

Se essa medida prejudicou gravemente a industria de plástico, por outro lado, possibilitou oportunidades de negócios para crianças de rua, que passaram a ganhar a vida por vender resistentes sacos artesanais de papel.

Outros paises, vizinhos estão adaptando medidas semelhantes pelos mesmos motivos e a reincidência na posse desse tipo de material pode valer multas de até 1.500 € e pena de prisão até sete anos.

3 – Artes, Artesanato e Reciclagem

Tijolo: com o plástico das sacolas e das embalagens, o arquiteto Sérgio Prado produz uma massa tão rígida quanto o concreto. (www.terra.com.br/istoe/1748/ciencia/1748_pero...)

Bolsa fabricada artesanalmente com material de sacolas
É um processo artesanal trabalhoso mas que rende uma bolsa extremamente leve e resistente. Pode ser usada para carregar frutas, verduras e legumes na feira, dispensando o carrinho e as inúmeras sacolas de cada compra que se faz. (e.entao.com.br/)

4 - SOLUÇÃO DIFÍCIL- Substituir Sacos Plásticos Não Biodegradáveis por Biodegradável

Recursos tecnológicos, já permitem desenvolver materiais plásticos biodegradáveis. Apesar de ter custos um pouco mais elevado, resolve o problema ambiental causado pelos sacos de polietileno e polipropileno. Consta que sacolas comuns, dependendo da intensidade de luz em que esse material for exposto e outros fatores, demora cerca de 100 anos ou mais para decopor. O novo material levaria apenas 60 dias.

A fabrica da BASF em Ludwigshafen, Alemanha, dobrou em 2006 sua produção de seus plásticos biodegradável, o Exoflex.

Em Cajamar (SP) a RES distribui aos fabricantes de plasticos matéria prima de origem vegetal (biopolimeros). Esse ingrediente utilizado na fabricação, permite que o produto final se torne naturalmente biodegradável e facilmente absorvido pela natureza.

5 - Conclusão

Esperar soluções, dentro de prazos satisfatórios, a partir de conscientização e reciclagem de materiais plásticos para deter a poluição, é uma grande ingenuidade. A solução terá mesmo que vir de materiais biodegradáveis.

Contudo, uma virada rápida para a substituição de não biodegradável por biodegradável, deverá ser, provavelmente um processo lento dado aos interesses comerciais, onde os fabricantes de plásticos estão constantemente fazendo guerra de preços. Como os produtos fabricados a partir de bio-polímeros são mais caros, essa substituição fica restrita apenas a poucas empresas que buscam qualidade de ecoeficiência; ISO 14000 (série que certifica qualidade de gestão ambiental).

Podemos citar, por exemplo, a NATURA, empresa ecoeficiente, que substituiu o saco plástico que envolve as notas fiscais das consultoras por sacos de plástico biodegradável. Segundo a NATURA, a embalagem é usada em 40% das caixas que saem todos os dias da fábrica, em Cajamar (SP), para serem entregues ás 335 mil consultoras espalhadas pelo país. A conta ficou 5% maior para a empresa, mas faz cumprir o seu compromisso com a sustentabilidade.

Como já vimos, esperar por conscientização e providencias para reciclagem, não vai resolver o problema. Solução mais rápida terá que ser através de MEDIDAS GOVERNAMENTAIS, possibilitando a produção em grande escala de matérias primas biodegradáveis e simultaneamente a proibição do uso de plástico comum.