A etimologia do albatroz

 


 


Os albatrozes e o ser humano



 Etimologia


O nome albatroz deriva do árabe al-câdous ou al-ġaţţās (um pelicano; que significa, literalmente, “o mergulhador”), que foi adoptado para o inglês pelo termo português alcatraz (ou “ganso-patola“) – o mesmo que deu origem à famosa prisão da Ilha de Alcatraz. O Dicionário de Oxford comenta que a palavra alcatraz foi originalmente aplicado às fragatas; a modificação para albatroz foi provavelmente influenciada pelo termo latino albus, que significa “branco”, em contraste com as fragatas que são negras.[13] A palavra portuguesa albatroz é de origem inglesa.


Estas aves foram ainda conhecidas pelo termo em inglês Goonie birds ou Gooney birds, especialmente para se referir aos albatrozes do Pacífico Norte. No hemisfério sul, o nome mollymawk é ainda muito utilizado em algumas áreas geográficas, sendo uma corruptela de malle-mugge, um nome neerlandês para o fulmar-glacial. O nome da família, Diomedea, dado por Lineu faz referência à mítica metamorfose dos companheiros do guerreiro grego Diomedes em aves.



 Albatrozes na cultura



Em “O Dicionário Khazar“, Milorad Pávitch diz que “só os albatrozes se exprimem, em toda parte, com a mesma linguagem”[31], o que caracteriza bem o seu estatuto de “mais lendária das aves”.[29] Um albatroz é o motivo principal da Balada do Velho Marinheiro de Samuel Taylor Coleridge, onde um albatroz é feito cativo. É também a metáfora do poeta maldito num poema de Charles Baudelaire. Foi no poema de Coleridge que o uso do albatroz como metáfora teve a sua origem: diz-se, em língua inglesa, que alguém com um fardo que se apresenta como um obstáculo para a consecução dos seus objectivos tem “um albatroz em torno do pescoço” (an albatross around their neck), que não é mais que o castigo infligido, no poema, ao marinheiro que matou o albatroz. Um cartoon no “The Economist“, por Kevin Kallaugher apresentava, por exemplo, Tony Blair disfarçado de pomba da paz, fazendo referência às suas diligências para a paz no Médio Oriente, mas com um albatroz (a Guerra no Iraque) acorrentado ao pescoço[32] Devido ao poema de Coleridge tornou-se vulgar pensar que os marinheiros consideravam de mau augúrio maltratar ou matar albatrozes, o que pouco correspondia à verdade, já que os matavam frequentemente por diversão ou ódio[16], ainda que permanecesse a superstição de que eram a encarnação de marinheiros mortos naufragados.


 

Mais recentemente, tornaram-se parte da cultura popular, como no sketch dos Monty Python, em que John Cleese tenta vender albatrozes como se fossem gelados. No filme Serenity, a personagem River Tam é referida como sendo um albatroz (fardo). Uma famosa canção de baleeiros, registada no livro de Gale Huntington, Songs the Whalemen Sang intitula-se “The Wings of a Goney” (“as asas de um albatroz”). Em The Voyage of the Dawn Treader, o terceiro volume de “As Crónicas de Nárnia” de C.S. Lewis, é enviado um albatroz para Aslan para guiar um navio para local seguro.


Os observadores de aves apreciam particularmente os albatrozes, sendo as suas colónias marinhas cada vez mais procuradas pelos ecoturistas. São feitas viagens regulares para observação de aves marinhas pelágicas em cidades costeiras como em Monterey, Kaikoura, Wollongong e Sydney. Os albatrozes são facilmente atraídos para os barcos através do despejo de óleo de peixe no mar. As visitas às colónias podem igualmente ser muito populares: a colónia de albatrozes-reais-setentrionais de Taiaroa Head, na Nova Zelândia, atrai cerca de 40 mil visitantes por ano[9]. Outras colónias, mais isoladas, são atracções regulares em cruzeiros às ilhas sub-antárcticas.

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