A história do vídeo cassete.

Até o final da década de 1970, a gravação em meio magnético era feita com video-tapes (videoteipes) aparelhos que utilizavam fitas magnéticas de 1 ou 2 polegadas de largura acondicionadas em carreteis. Os equipamentos eram caros e pesados e seu uso para o mercado amador praticamente inexistia. Usou-se então para o vídeo o conceito de “cassete” desenvolvido pela Philips nos anos 60 para as fitas de áudio, onde os carreteis das fitas para gravadores de áudio foram colocados em uma caixinha plástica. Do mesmo modo a fita de vídeo foi montada em uma caixa com uma tampa retrátil que permitiria sua colocação no gravador de maneira mais rápida e prática (sem precisar passar ao redor da cabeça de leitura ou por polias) além de ser protegida do contato com as mãos. As primeiras máquinas não tinham os sintonizadores de TV ou timers (relógios para gravação), mas logo vislumbrou-se que o potencial do mercado seria o de se gravar em casa a programação da televisão, o que fez com que os aparelhos fossem desenvolvidos neste sentido. Por volta de 1980 haviam três formatos competindo, cada um com um diferente formato de fita cassete fisicamente incompatível.



[editar] Os formatos Betamax e VHS



Três aparelhos Betamax

Três aparelhos Betamax

A primeira empresa a ter sucesso comercial em lançar um aparelho de videocassete foi a Sony. A Sony criou o formato conhecido como Betamax lançando-o no mercado dos EUA em Novembro de 1975. Por causa de uma política de exclusividade da Sony o Betamax foi adotado por poucas empresas entre elas a Sanyo e a NEC. O Betamax possuia originalmente um tempo de gravação de 1 hora por fita que após a chegada de concorrentes passou a 2 horas por fita.


Em 1976 surgiu um formato concorrente lançado pela JVC conhecido como Video Home System, o VHS que logo foi franqueado para outras empresas como a Matsushita (Panasonic), Sharp, Zenith, RCA, o que acelerou sua difusão pelo mundo. O VHS possuia um tempo de gravação de duas horas.


Durante vários anos estes dois formatos concorreram pela preferência do consumidor. O formato VHS aos poucos prevaleceu a ponto de ao longo dos anos a Sony ficar isolada como única fabricante de aparelhos Betamax até que ela própria encerrou a fabricação deste tipo de aparelho e adotou o padrão VHS.


Há várias razões para o fracasso do formato Betamax:



VHS com a tampa retrátil aberta e a fita exposta

VHS com a tampa retrátil aberta e a fita exposta


  • Suposição I: O VHS prevaleceu porque, desde sua introdução contava com o dobro de tempo de gravação, dado que o formato Betamax no início estava limitado a uma hora de gravação; mas logo foi aperfeiçoado com a velocidade Beta II que permitia duas horas de gravação.
  • Suposição II: O êxito do VHS é deu-se pela grande disponibilidade de pornografia neste formato, refletindo uma tradição que mostra que a pornografia é o combustível para a imposição de novos formatos (a Internet é um exemplo óbvio disso).
  • Suposição III: A JVC e a Sony usaram diferentes tipos de divulgação para suas tecnologias, a JVC licenciou rapidamente sua tecnologia VHS a outras companhias que inundaram o mercado com dezenas de marcas diferentes (Zenith, RCA, SHARP, Philco, GE, Sears,Thomson etc.)criando uma massa crítica de publicidade+marketing+revendas que em muito superou a Sony e as 2 ou 3 companhias que foram licenciadas por ela para produzir os equipamentos Betamax.
  • Difusão no Brasil: Os primeiros aparelhos de video eram em NTSC o que não permitia a gravação em cores das transmissões brasileiras, os técnicos de TV brasileiros descobriram uma forma de trocar o cristal que determinava a frequência do sinal de cor dos aparelhos VHS para um padrão intermediário entre o NTSC e o PAL-M que resultava na gravação e reprodução das cores dos programas de TV. Assim ao se comprar um aparelho de videocassete a preferência foi para os VHS pois podiam ser adaptados mais facilmente.


[editar] Philips Video 2000



Philips V2000

Philips V2000

Um terceiro formato, Video 2000, ou V2000 (vendido também como “Video Compact Cassette”) foi desenvolvido e introduzido pela Philips em 1978, e foi vendido apenas na Europa. A Grundig desenvolveu e vendeu seus próprios modelos baseados no formato V2000. Os modelos de V2000 contavam com cabeças de posicionamento piezoeléctricas para ajustar dinamicamente o tracking da fita. As fitas cassetes de V2000 tinham dois lados, e como os cassetes tinham que ser virados quando chegavam na metade do tempo de gravação. Eram usados níveis de proteção da gravação que poderiam ser mudados pelo usuário ao invés dos pinos quebráveis das fitas VHS/Betamax. A fita de meia polegada usada continha duas faixas paralelas de um quarto de polegada, uma para cada lado. Tinha um tempo de gravação de 4 horas por lado. Os últimos modelos produzidos pela Philips em 1985 foram considerados por muitos como superiores a qualquer outra coisa no mercado da época, mas a má reputação adquirida pelas características limitadas, pouca credibilidade dos primeiros modelos, e pelo mercado agora dominado pelo VHS/Betamax, garantiram vendas limitadas antes do sistema ser abandonado logo depois.


[editar] Outros formatos


Diversos outros formatos foram propostos por fabricantes e acabaram esquecidos devido ao fracasso comercial:



[editar] VCR



Vídeocassete N1500 da Philips

Vídeocassete N1500 da Philips

O VCR foi lançado pela Philips em 1970 e se restringiu ao mercado europeu. Usava cassetes quadrados e fita de 1.3 cm, que fazia uma hora de gravação. O primeiro modelo, disponível no Reino Unido em 1972, era equipado com um timer primitivo que usava mostradores rotatórios. Custando aproximadamente £600, era caro e o formato não se tornou popular no uso caseiro.



[editar] Avco Cartrivision


O sistema Avco Cartrivision, uma combinação de televisão e VCR da Cartridge Television Inc. que era vendido por US$1,350, foi o primeiro VCR a pré-gravar fitas de filmes populares disponíveis para locação. Assim como o VCR da Philips, o cassete era quadrado, no entanto gravava 114 minutos. Isso devia-se a forma primitiva de compressão de vídeo que gravava cada terço do vídeo e o reproduzia de volta três vezes. Foi abandonado treze meses depois, após péssimas vendas. Tempo depois, descobriu-se que fitas de Cartivision que haviam sido armazenadas em um armazém se desintegraram.



[editar] V-CORD


Formato proposto pela Sanyo e adotado também pela Toshiba. Foi lançado em 1974 nos EUA.



[editar] VX


Formato criado pela Matsushita, foi lançado no mercado dos EUA em 1974 sob a marca Quasar.



[editar] AKAI


Formato proposto pela empresa japonesa Akai.



[editar] LVR


Formato proposto pelas empresas alemãs Basf e Eumig para uso principalmente em câmeras de vídeo. Não foi lançado comercialmente.



[editar] Sony U-Matic



Sony U-matic VTR BVU-800

Sony U-matic VTR BVU-800

O Sony U-matic, introduzido em Tóquio em Setembro de 1971, foi o primeiro formato comercial de videocassete do mundo. Seus cassetes, usavam fitas de 1.9 cm e tinha um tempo de reprodução máximo de 60 minutos, depois estendido a 90 minutos. A Sony também disponibilizou duas máquinas (o VP-1100, reprodutor de videocassette e o VO-1700, VCR) para usar as novas fitas. O U-matic, com sua fácil utilização e boa qualidade permitiu sua difusão no meio profissional especialmente na área do jornalismo televisivo. O U-Matic foi o principal impulsionador do jornalismo eletrônico onde as câmeras de vídeo passaram a substituir as de cinema na produção de notícias para TV. Paralelamente os VCRs U-matic foram largamente usados por escolas empresas e institições. Seu uso continuou até início dos anos 90 quando o formato Betacam passou a ser usado pela emissoras de TV.


[editar] Derivados do VHS e Betamax



[editar] VHS-C



VHS-C

VHS-C

Lançado em 1976, o VHS compacto é totalmente compatível com o VHS, sendo basicamente uma fita VHS embalada num cassete de tamanho menor, mais conveniente para uso em câmeras de vídeo. Este tipo de fita pode ser usado num videocassete usando-se um adaptador;



[editar] S-VHS


Lançado em 1987. No Super VHS o tamanho e a disposição física da fita é o mesmo do VHS, sendo que a diferença fica na parte eletrônica que permite uma qualidade de imagem superior, de maior resolução. Os aparelhos de VCR compatíveis com o S-VHS são totalmente compatíveis com o formato VHS, porém o contrário não é verdadeiro, ou seja, uma fita gravada em S-VHS não pode ser reproduzida em um aparelho VHS;



[editar] D-VHS


Lançado em 2001, no Digital VHS, apesar de manter as características físicas do VHS, a informação é gravada em formato digital como ocorre nos DVDs. O D-VHS é capaz de gravar imagens de HDTV, High Definition Television. Como os aparelhos usam um mecanismo herdado do VHS eles são capazes de reproduzir fitas gravadas neste formato antigo.



[editar] Video-8


A Sony, após o fracasso do Betamax, lançou em 1984 um novo formato conhecido como Video-8. Este formato usa um cassete de pequeno formato com uma fita de 8mm de largura, menor que um o VHS-C, teve relativo sucesso para uso em câmeras de vídeo. Em 1989 a empresa lançou um aperfeiçoamento do Vídeo-8 conhecido como Hi-8. Este formato tem uma resolução de imagem equivalente ao do S-VHS. em 1998 lançou o D8 ou Digital 8 que alcança 500 linhas em sistema digital e que virou um concorrente pro Mini-DV quando foi criado em 2001.



[editar] Videocassete no Brasil


O mercado de VCRs no Brasil explodiu na década de 1980. Os primeiros aparelhos eram importados, legal ou ilegalmente, e por se tratarem de equipamentos projetados para o mercado americano, necessitavam de uma adaptação para funcionarem com padrão de televisão em cores adotado no Brasil, o PAL-M. A adaptação era feita em oficinas de manutenção de equipamentos eletrônicos e a qualidade da modificação variava muito.


Nestes tempos iniciais do videocassete no Brasil, o mercado de fitas pré-gravadas também se caracterizava pela informalidade. A maneira de se conseguir fitas pré-gravadas era se filiar a um “vídeo-clube” que, pelo menos em teoria, não cobrava nada, posto que os sócios ao fornecerem uma certa quantidade de fitas podiam emprestar as fitas dos outros sócios. Em meados da década de 1980 esta situação acabou, devido principalmente à pressão dos distribuidores ligados aos grandes estúdios, e as locadoras tomaram o lugar dos vídeo-clubes.


Em 1982 a Sharp lançou o primeiro aparelho de VCR fabricado no Brasil. Cerca de um ano após, a Philco lançou o seu aparelho e, logo, outros fabricantes lançaram também os seus aparelhos. Todos eles usavam o formato VHS, com exceção da Sony que lançou um equipamento Betamax. Este formato, apesar dos esforços da Sony, nunca teve participação significativa no mercado brasileiro devido principalmente à falta de material pré-gravado (filmes).



[editar] Panorama atual


Atualmente, os VCRs estão perdendo mercado para a tecnologia dos DVD graváveis, nos formatos DVD-R, DVD+R, DVD +ou- RW. O preço destes aparelhos têm baixado cada vez mais e esta nova onda tecnológica começa a substituir os aparelhos com fita.

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