A importância das plantas medicinais nos cuidados primários de saúde














Sobretudo nas regiões mais desfavorecidas, as populações continuam a depender de plantas medicinais para os cuidados primários de saúde. Pelo que, há que incrementar a sua gestão para benefício das comunidades locais.


Sara Otero


A Organização Mundial de Saúde estima que 80% da população mundial continua a depender de plantas medicinais para os cuidados primários de saúde. Esta situação observa-se especialmente nos países em desenvolvimento onde está concentrada a maioria da diversidade florística.
Actualmente, numa área remota do Nepal perto da fronteira com o Tibete, grupos ambientalistas estão a trabalhar diligentemente com os curandeiros tradicionais e as comunidades locais, para conservar as plantas medicinais, a base dos cuidados de saúde.
As pessoas de Dolpa, no Nepal, têm que percorrer vários dias até chegar ao hospital mais próximo, que carece tanto de medicamentos como de pessoal médico. Assim, dependem maioritariamente das plantas medicinais disponíveis localmente.

Em aldeias com posições muito elevadas nos Himalaias, os curandeiros são os profissionais de saúde existentes. Seguindo o sistema médico tradicional tibetano, muitos curandeiros são altamente conhecedores dos usos, da ecologia e da gestão de plantas medicinais. No entanto, esta tradição está fortemente ameaçada. O comércio de plantas medicinais está a crescer rapidamente, sendo exportados anualmente 40 a 80 toneladas de plantas somente de Dolpa, sendo a venda de plantas medicinais uma atraente actividade nestas regiões pobres, onde poucas oportunidades existem.
Desde 1997, o Programa “People and Plants”, uma iniciativa conjunta da World Wild Fund (WWF) e Jardins Botânicos Reais de Kew, em colaboração com outras entidades, tem tentado obter uma compreensão holística das dimensões ecológica, social, económica, cultural e religiosa da conservação e uso sustentável em Dolpa.
Dois grandes objectivos foram identificados neste estudo para a continuação de futuros trabalhos: desenvolvimento de uma comunidade modelo para a gestão de plantas medicinais e incentivos aos curandeiros e mulheres para melhorarem e desenvolverem os cuidados de saúde. A intenção passa também por dar a conhecer esse modelo a outras regiões dos Himalaias, dado a necessidade de toda a região incrementar a gestão das plantas medicinais para benefício das comunidades locais.

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