A invasão muçulmana da península ibérica

Invasões islâmicas (também chamadas de invasões árabes ou invasões muçulmanas) é o nome usado para descrever a série de deslocamentos militares e populacionais ocorridos a partir do esforço iniciado em 711, quando tropas muçulmanas vindas do Norte de África, lideradas pelo general Tárique, cruzaram o mar Mediterrâneo na altura do estreito de Gibraltar, iniciando a conquista da península Ibérica. Boa parte do território da península era então dominada pelos visigodos.

Índice

* 1 A Reconquista
* 2 História
o 2.1 Antecedentes
o 2.2 A invasão islâmica
o 2.3 A resistência asturiana
* 3 Cronologia
* 4 Aspectos populacionais
* 5 Ver também
* 6 Referências

A Reconquista

Numa pequena região das Astúrias teve início a luta entre os cristãos espanhóis e os árabes muçulmanos pela retomada da Península Ibérica. Essa luta, conhecida como Reconquista, durou por toda a Idade Média e só terminou no início da Idade Moderna, em 1492, quando os invasores foram definitivamente expulsos pelos reis Fernando e Isabel conhecidos como “os reis católicos”.

A influência deixada pelos muçulmanos ainda pode ser percebida nas palavras do português e do espanhol que vieram do árabe, como “açúcar” (azúcar), “alcaide”, “almirante”.

História

Antecedentes

A monarquia dos visigodos era electiva. Com a morte do rei Vitiza, as cortes reuniram-se para eleger o seu sucessor, constituindo-se duas facções em disputa pela eleição: o grupo de Ágila II e o de Rodrigo.

A invasão islâmica

Os partidários do primeiro solicitaram apoio ao governador muçulmano de África, Tarik Ibn-Ziad, abrindo-lhe as portas de Ceuta e incitando-o a enviar uma expedição militar à península, pois por muito tempos os judeus foram perseguidos naquela região e, dentro da chariá islâmica, é obrigação do muçulmano defender os adeptos dos livros (judeus e cristãos) [1].

Desse modo, em 711, sob o comando do próprio Tárique, tropas muçulmanas atravessaram o Estreito de Gibraltar e venceram os partidários de Rodrigo na batalha de Guadalete. Entretanto, após a vitória, os muçulmanos não apenas não colocaram Áquila no trono, mas foram alargando as suas conquistas pela península Ibérica, no território designado em língua árabe como al-Andalus, da qual, por fim, ficaram senhores, colocando sob tutela cristãos e judeus, pois ambos sofriam ataques e combatiam-se mutuamente[2].

A resistência asturiana

Abdulaziz (ou Abdul-el-Aziz) subjugou a Lusitânia e a Cartaginense e, saqueando as cidades do Norte que lhe abriam as portas, atacou aqueles que lhe tentaram resistir.
Invasão muçulmana da Península Ibérica (711-714). A verde, os territórios sob domínio muçulmano.

Invasão muçulmana da Península Ibérica (714-719). A verde, os territórios sob domínio muçulmano.

Às suas investidas escapou, porém, uma parte das Astúrias onde se refugiou um grupo de visigodos sob o comando de Pelágio. Uma caverna nas montanhas servia simultaneamente de paço ao rei e de templo de Cristo. Por vezes, Pelágio e seus companheiros desciam das montanhas em surtidas para atacar os acampamentos islâmicos ou as aldeias despovoadas de cristãos. Um desses ataques, historiograficamente designado de batalha de Covadonga, marcou o início de um processo de retomada dos territórios ocupados, ao qual se deu o nome de Reconquista.

Por ele, poucos anos após a invasão muçulmana, os cristãos (hispano-godos e lusitano-suevos) acantonados nas serranias do Norte e Noroeste da península, iniciaram a reconquista do território, formando novos reinos que se foram estendendo sucessivamente para o Sul.

Cronologia

* 1º período: Nos primeiros tempos, a Hispânia muçulmana era governada pelos emires dependente do Califado de Damasco;
* 2º período: Posteriormente, o emirado tornou-se independente, estabeleceu-se a capital em Córdoba e os emires tomaram o título de Califas, fundando-se assim o Califado de Córdova;
* 3º período: Finda a hegemonia da família do primeiro-ministro Almançor, o vitorioso, iniciou-se um período de anarquia, alimentado pela ambição dos generais. Córdova aboliu o Califado, proclamando a República e, com a desagregação do Califado, formaram-se por toda a Hispânia variadíssimos pequenos estados independentes e rivais: as taifas. Aproveitando-se de tal desordem, os cristãos apressaram o movimento da Reconquista.

Aspectos populacionais

A população sob o domínio muçulmano era muito heterogénea e constituída por árabes e berberes, uns e outros muçulmanos, moçárabes (hispano-godos que, sob o domínio muçulmano conservaram a sua religião, mas adoptaram as formas de vida exterior dos muçulmanos), ou cristãos arabizados e judeus.

Os moçárabes que constituíam a maioria da população gozavam de liberdade de culto e tinham leis próprias, mas a troco dessas vantagens eram obrigados ao pagamento de dois tributos: o imposto pessoal de capitação, e imposto predial sobre o rendimento das terras.

Ver também

* Al-Andalus
* Taifa
* Reconquista

Referências

1. ↑ Portal Mackenzie O cristianismo e o islamismo no Ocidente medieval
2. ↑ Revista Judaica Nº 19

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