A realidade da igreja metodista brasileira

Há muito a “identidade histórica” da Igreja Metodista vem sendo ignorada. Vivemos um momento em que os poderes decisórios vêm se concentrando cada vez mais em uma cúpula hegemônica e autoritária. Os Concílios, em todos os níveis, tornaram-se mero instrumento para referendar as decisões tomadas por dessas lideranças. Suprimiu-se o diálogo e o debate de idéias.

Vejo igrejas metodistas defendendo que a única forma de batismo válida é por imersão e proibindo batismo de crianças. Já ouvi sobre de envolvimento de pastores metodistas com o Movimento G-12. Sei de pastores que ganham percentuais sobre a arrecadação da Igreja. Líderes são avaliados mais pela sua “capa de espiritualidade” e capacidade de encher templos que pelo conteúdo da mensagem proposta. Creio que tudo isso é de conhecimento amplo e irrestrito, mas preferimos evitar discutir estas questões em nome de uma suposta manutenção da “unidade” da Igreja; o que é perigoso.


Por mais que eu acredite que seja vontade de Deus o crescimento da Igreja, tenho certeza de que este crescimento não deve ser dar a qualquer custo. A mensagem salvífica da Cruz deve ser resguardada, sob pena de ganharmos milhares de crentes “mimados” e confusos, que acreditam que pelo poder “mágico” de uma única palavra estarão livres da pobreza, da enfermidade e de todos os outros males que afetam a qualquer ser humano normal que vive nesse mundo. Fica aí implícito o total dês-compromisso de intervenção numa sociedade gerida por lideranças corruptas que espoliam os pobres desse mundo; algo fora dos propósitos de Jesus e do próprio fundador do metodismo. Wesley foi homem de seu tempo, daí resultou o “movimento metodista”. Vale lembrar que o movimento promovido por Wesley não foi algo estaque; obedeceu a ordem que um movimento deve ter: a ação efetiva na sociedade; do contrário não seria “movimento”.



Tenho para mim que as “campanhas” ou “correntes” em voga no metodismo atual, acolhidas não apenas por leigos/as simples de nossas comunidades, mas por lideranças de “peso” da igreja metodista brasileira, denuncia certa preguiça no que se refere ao Reino de Deus. Não é preciso estudar. Não é preciso pensar. Não é preciso compreender. Basta ir a uma campanha de sete sextas-feiras e o milagre acontecerá. É a lógica do mercado. A Igreja hoje quer suprir as “necessidades” das pessoas de modo a amarrá-las aos bancos dos templos, ainda que não haja real transformação das vidas.


Fica aqui o meu desabafo.


Graça e Paz,

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