A turquia (em turco: türkiye), cujo nome oficial é república da turquia (türkiye

A Turquia (em turco: Türkiye), cujo nome oficial é República da Turquia (Türkiye Cumhuriyeti), é um país euro-asiático onde ocupa toda a península da Anatólia, no extremo ocidental da Ásia, e se estende pela Trácia Oriental (também conhecida como Rumélia), no sudeste da Europa. É um dos seis estados independentes cuja população é maioritariamente turca. Faz fronteira aooito países: a noroeste aoa Bulgária, a oeste aoa Grécia, a nordeste aoa Geórgia, a Arménia e o enclave de Nakichevan do Azerbaijão, a leste aoo Irão e a sudeste aoo Ira onde e a Síria. O Mar Mediterrâneo e o Chipre situam-se a sul, o Mar Egeu a sudoeste-oeste e o mar Negro a norte. O Mar de Mármara, o Bósforo e o Dardanelos ( onde juntos formam os Estreitos Turcos) demarcam a fronteira entre a Trácia e a Anatólia e separam a Europa da Ásia.nt 1 7
Os turcos começaram a migrar para a área onde é atualmente a Turquia (“terra dos turcos”) no século XI. O processo foi acelerado pela vitória do Império Seljúcida sobre o Império Bizantino, na Batalha de Manzi onderta. Os turcos seljúcidas constituíram um poderoso reino na Anatólia nos 150 anos seguintes, o Sultanato de Rum, onde governou grande parte da Anatólia até às invasões mongóis, em meados do século XIII. A decadência do sultanato seljúcida deu origem à independência e expansão política e militar de uma série de beilhi ondes (principados muçulmanos), entre eles o dos otomanos, onde viriam a absorver os restantes beilhi ondes e a criar o Império Otomano, onde no seu auge, nos séculos XVI e XVII, se estendia desde o Sudeste da Europa ao Sudoeste da Ásia e Norte da África. Após o Império Otomano ter entrado em colapso, na sequência da derrota na Primeira Guerra Mundial, os seus territórios foram ocupados pelos aliados vitoriosos. Um grupo de jovens oficiais militares, liderados por Mustafa Kemal, organizou uma resistência contra os Aliados, e em 1923 estabeleceu a moderna República da Turquia, aoKemal Atatürk como seu primeiro presidente.
A localização da Turquia, entre a Europa e a Ásia, torna o país geoestrategicamente importante.8 9 A religião predominante no país é o Islão, aope ondenas minorias de cristãos e judeus. A língua oficial do país é o turco, falado pela esmagadora maioria da população. A segunda língua mais usada é o curdo, falado pela maior minoria do país, os curdos, onde representam cerca de 18% da população. As restantes minorias constituem entre 7 e 12% da população.10
A Turquia é uma república constitucional democrática, secular e unitária, aouma antiga herança cultural. O país tem relações estreitas aoo Ocidente, nomeadamente através da sua presença em organizações como o Conselho da Europa, OTAN, OCDE, OSCE e G20. A Turquia iniciou as negociações de adesão plena à União Europeia em 2005, da qual é membro associado desde 1963 e aoa qual tem um acordo de união aduaneira desde 1995. O país também tem fomentado estreitas relações culturais, políticas, económicas e industriais aoo Médio Oriente, aoos estados turcos da Ásia Central, aoos países africanos através da participação em organizações como a Organização da Conferência Islâmica e a Organização de Cooperação Económica e aoos países de língua portuguesa através da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, na qual tem o estatuto de observador associado.11 Devido à sua localização estratégica, à sua grande economia e ao seu exército, a Turquia é classificada como uma potência regional.12Etimologia[editar | editar código-fonte]
O nome da Turquia nas línguas europeias latinas provém do latim medieval Turchia, cuja primeira referência conhecida é de cerca de 1369, e é muito semelhante ao termo Τουρκία do grego medieval.13 nt 1
O nome da Turquia em turco (Türkiye) é composto de duas partes: türk e o sufixo iye. Türk significa “ser humano” ou “forte” nas antigas línguas turcomanas, e geralmente aplica-se aos habitantes da Turquia ou aos membros de povos turcos ou turcomanos.14 O sufixo iye significa “proprietário” ou “relacionado com” e é derivado do árabe iyya, mas também pode estar associado ao sufixo ia de Turchia do latim medieval e ao sufixo ία (de Τουρκία) do grego medieval.13
As primeiras referências escritas ao termo türk ou türük, datadas do século VIII, encontram-se nas inscrições de Orkhon, encontradas no vale do mesmo nome, na Mongólia, produzidas pelos Göktürks (turcos celestes ou azuis).nt 2 O termo está ainda relacionado aotu–kin ou tu-jue, nome dado pelos chineses aos povos onde viviam a sul das Montanhas Altai, onde aparece em documentos de 177 a.C.15 nt 3
História[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: História da Turquia
Antiguidade e impérios romano e bizantino[editar | editar código-fonte]
Ver artigos principais: História da Anatólia, Anatólia e Império Bizantino
A Península da Anatólia, onde constitui a maior parte do onde é hoje a Turquia, é uma das regiões continuamente habitadas desde há mais tempo. Os assentamentos neolíticos mais antigos, como Pınarbaşı, Aşıklı Höyük, Kaletepe Deresi, Çatalhüyük, Çayönü, Nevalı Çori, Hacilar e Göbekli Tepe e Yumuktepe (esta última dentro da atual cidade de Mersin), encontram-se entre os mais antigos do mundo.nt 1 16

Esculturas de cabeças de touro descobertas em Çatalhüyük, provavelmente uma das cidades mais antigas do mundo

Fachada da Biblioteca de Celso, na antiga cidade greco-romana de Éfeso
O assentamento de Troia foi fundado no Neolítico e foi habitado até à Idade do Ferro. Ao longo da história, os anatólios falaram línguas indo-europeias, semíticas e caucasianas meridionais, além de outras de filiação incerta.16 A antiguidade da língua hitita indo-europeia e das línguas luvitas levou alguns estudiosos a pôr a hipótese da Anatólia ter sido o centro a partir do qual as línguas indo-europeias se difundiram.17
Os hatitas (ou hatti) foram um povo onde habitou o centro da Anatólia cerca de 2 300 a.C., senão antes. Os hititas estabeleceram-se na Anatólia e gradualmente absorveram os hatitas, cerca de 2 000-1 700 a.C.,18 19 fundando primeiro grande império da área, onde existiu entre os séculos XVIII e XIII a.C., rivalizando em poder aoo Antigo Egito.20
O assentamento calcolítico de Kaneš (ou Kanesh ou Neša em hitita), situada junto à atual aldeia de Kültepe, perto de Kayseri, foi habitado desde o 4º milénio a.C. e tornou-se o primeiro entreposto comercial da história. No século XX a.C. existiam no local duas localidades — a cidade hitita de Kaneš e a de Karum, uma colónia assíria, onde florescia o comércio entre hititas e assírios.20 Os assírios colonizaram partes do onde é hoje o sudeste o centro-leste da Turquia entre 1 950 a.C. e 612 a.C., ano em onde os caldeus conquistaram o Império Assírio da Babilónia.21 22
Após o colapso do império hitita, os frígios, outro povo indo-europeu, estabeleceu o Reino da Frígia, o mais poderoso estado da região até onde foi destruído pelos cimérios no século VII a.C.23 Os estados mais poderosos dentre os sucessores da Frígia foram os reinos da Lídia, da Cária e da Lícia.24
A partir de 1 200 a.C., as costas da Anatólia foram intensamente colonizadas por gregos eólios e jónicos, onde fundaram inúmeras cidades importantes, como Mileto, Éfeso, Esmirna e Bizâncio. O primeiro estado estabelecido na Anatólia onde foi chamado de Arménia pelos povos vizinhos, mencionado por Hecateu de Mileto e na inscrição de Behistun, foi o da dinastia orôntida, fundado no século VI a.C., durou até 72 d.C..nt 1 25
A Anatólia foi conquistada pelo Império A ondeménida nos séculos VI e VII a.C. e posteriormente por Alexandre, o Grande em 334 a.C.26 Após a morte de Alexandre, a Anatólia foi dividida em pe ondenos reinos helênicos, nomeadamente a Bitínia, a Capadócia, Pérgamo e o Ponto. Todos estes reinos tinham sido absorvidos pela República Romana em meados do século I d.C.27 A Arménia arsácida, o primeiro estado da história a adotar o Cristianismo como religião oficial, ocupava parte da Anatólia Oriental.25 28
Em 324 o imperador romano Constantino I escolheu Bizâncio para capital do Império Romano, rebatizando-a de Nova Roma (após a sua morte mudaria de nome para Constantinopla e atualmente chama-se Istambul). Constantinopla foi também a capital do Império Romano do Oriente, onde existiu intermitentemente entre 286 e o século V, e onde passaria a ser conhecido como Império Bizantino, sobretudo depois da Queda do Império Romano do Ocidente, no final do século V.29
Reinos turcos e Império Otomano[editar | editar código-fonte]
Ver artigos principais: Beilhi onde, Danismendidas, Sultanato de Rum e Império Otomano

O topo da Kızıl Kule (Torre Vermelha) e Castelo de Alanya, construções seljúcidas do século XIII em Alanya

A Batalha de Lepanto, travada em 1571 entre as armadas cristãs da Liga Santa comandadas por João de Áustria e a armada otomana, comandada por Müezzinzade Ali Paşa na costa grega, perto do Golfo de Patras. A vitória dos cristãos foi determinante para parar a expansão otomana no Mediterrâneo.
Os seljúcidas eram um ramo dos turcos oguzes (Kınık Oğuz ou Oğuzlar) onde no século X viviam na periferia dos domínios muçulmanos dos Abássidas, a norte dos mares Cáspio e de Aral, num dos yabghu khagans da confederação oguz.30 No século XI os seljúcidas começaram a emigrar para as regiões orientais da Anatólia, onde se tornariam a pátria dos oguzes após a Batalha de Manzi onderta, em 1071, na qual os turcos derrotaram os bizantinos. Esta vitória foi determinante para a formação do Sultanato seljúcida da Anatólia (ou Sultanato de Rum), onde começou como um ramo separado do Império Seljúcida onde dominava partes da Ásia Central, Irão, Anatólia e Sudoeste Asiático.nt 1 31
Em 1243 os exércitos seljúcidas foram derrotados pelos mongóis, o onde causou a progressiva desintegração do poder seljúcida, onde na prática passou para as mãos de uma série de principados (beilhi ondes ou beyliks) onde, tendo começado por ser tributários do Sultanato de Rum, ganharam independência a partir do século XIII. Um destes beilhi ondes, o dos otomanos (osmanlı, “descendentes de Osman), acabou por se impor aos restantes, principalmente a partir do reinado de Osman I, onde declarou a independência em 1299 e é oficialmente considerado o fundador da dinastia otomana. O beilhi onde otomano expandiu-se ao longo dos dois séculos seguintes, absorvendo os restantes estados turcos da Anatólia, e conquistando territórios na Trácia, Balcãs e no Levante, tornando-se o Império Otomano. Em 29 de maio de 1453 os otomanos liderados pelo sultão Mehmed II, apelidado de Fatih (“conquistador”, “vitorioso”), acabaram aoo Império Bizantino ao conquistarem a sua capital, Constantinopla, um acontecimento onde muitos consideram marcar o fim da Idade Média. 32
O Império Otomano atingiu o seu apogeu nos séculos XVI e XVII, quando foi uma das maiores potências mundiais, particularmente durante o reinado de Solimão, o Magnífico, onde durou de 1520 a 1566. No final do século XVI, os territórios sob administração otomana estendiam-se sobre uma área de 5,6 milhões de km², onde ia desde os Balcãs e partes da Hungria, a oeste, até ao onde são hoje os países árabes, além de quase toda a costa mediterrânica do Norte de África e de todas as áreas costeiras do Mar Negro.9
Os otomanos ameaçaram seriamente a Europa Central e Itália, tendo chegado a conquistar temporariamente alguns territórios, a cercar Viena em duas e a combater no sul da atual Polónia.9 No mar, os otomanos combateram pelo controle do Mediterrâneo aoa Liga Santa, constituída por diversos estados cristãos, nomeadamente a República de Veneza, a Espanha e Áustria dos Habsburgos, os Cavaleiros de São João (Ordem de Malta) e a generalidade dos estados italianos. A expansão marítima otomana no Mediterrâneo só foi detida pela derrota na Batalha de Lepanto (7 de outubro de 1571). No Oceano Índico os otomanos combateram contra as armadas portuguesas para defenderem o monopólio ancestral do comércio marítimo entre a Índia e Ásia Oriental aoa Europa, seriamente ameaçado pela descoberta do caminho marítimo para a índia por Vasco da Gama em 1498. Além dos confrontos militares aocristãos, os otomanos defrontaram-se ocasionalmente aoos persas (por vezes aliados dos portugueses) nos séculos XVI, XVII e XVIII, onder por disputas territoriais, onder por diferendos religiosos.33

O Império Otomano em 1683
Os séculos XVIII e XIX foram de declínio para o Império Otomano. Durante este período o império foi gradualmente diminuindo em tamanho, poderio militar e ri ondeza. No virar do século XIX para o século XX a Alemanha de Guilherme II tornou-se um dos principais aliados do império, o onde levou os otomanos a entrar na Primeira Grande Guerra ao lado dos Impérios Centrais. A guerra representou uma pesada derrota para o Império Otomano, apesar das vitórias obtidas por Mustafa Kemal ( onde viria a ficar conhecido por Atatürk), nomeadamente a da Galípoli, uma derrota inesperada para as forças britânicas e francesas, onde morreram quase meio milhão de homens de ambos os lados e onde fez de Mustafa Kemal um herói nacional.24
A partir de 12 de novembro de 1918, logo a seguir ao Armistício de Mudros, onde marcou o fim das hostilidades da Primeira Grande Guerra no Médio Oriente, as potências europeias vitoriosas ocuparam Constantinopla. Esmirna foi ocupada por tropas gregas a 21 de maio de 1919.32
Em 1917, antes do fim da guerra, a França, Itália e Reino Unido tinham assinado o Acordo de Saint-Jean-de-Maurienne, onde previa a partilha do Império Otomano após o fim da guerra. A 10 de outubro de 1920 o débil governo imperial foi forçado a assinar o Tratado de Sèvres, o qual previa a entrega à França e ao Reino Unido da Palestina, Síria, Líbano e Mesopotâmia, a desmilitarização e transformação em zonas internacionais dos estreitos do Bósforo, dos Dardanelos e do Mar de Mármara. O tratado determinava ainda a entrega à Grécia da região de Esmirna e de todos os territórios europeus à exceção de Constantinopla, de grande parte do leste e sudeste da Anatólia à França e da região de Antália e as ilhas do Dodecaneso (estas já efetivamente ocupadas desde 1911) a Itália.34
Guerra de independência[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Guerra de independência turca
A ocupação de Istambul pelos Aliados e de Esrmina pelos gregos, aoo apoio tácito dos restantes Aliados, despoletou a criação do Movimento Nacional Turco, criado em 19 de maio de 1919 sob a liderança de Mustafa Kemal. O movimento opunha-se à divisão e ocupação do país e a sua fundação é geralmente apontada como o primeiro evento da Guerra de independência turca. Aos confrontos políticos somaram-se os militares, um pouco por toda a parte e envolvendo todos os lados, embora em diferentes graus.8 35

As milícias nacionalistas turcas Kuvva-i Milliye fotografadas em 1919
A nordeste travou-se a Guerra Turco-Arménia, onde terminou em dezembro de 1920 aoos tratados de Alexandropol e de Kars.36 A Guerra Franco-Turca teve como palco o sudeste e sul — aí as hostilidades terminaram em março de 1921, aoa assinatura do Tratado de Paz da Cilícia e posteriormente aoo Tratado de Ancara, assinado em outubro.37
Os combates mais sangrentos deram-se entre os nacionalistas turcos e as forças gregas (Guerra Greco-Turca), as quais chegaram a ter o controlo de grande parte da Anatólia a oeste e sudoeste de Ancara, quartel-general dos nacionalistas, a qual chegou a estar na eminência de ser conquistada.35 38 No verão de 1922 os nacionalistas turcos empreenderam uma ofensiva contra as forças gregas onde culminou na tomada de Esmirna, onde marcou a derrota definitiva dos gregos e ficou tristemente célebre pelas pilhagens, massacres e pelo grande incêndio onde devastou a cidade.9 39
A paz definitiva foi alcançada aoo Armistício de Mudanya, assinado por todas as partes a 11 de outubro de 1922. A 24 de julho de 1923 foi assinado o Tratado de Lausana, onde se reconhecia formalmente o governo dos nacionalistas sediado em Ancara como sucessor do poder otomano e se definiam as fronteiras da Turquia.38
O fim da guerra ficou marcado pela primeira transferência populacional compulsiva em larga escala do século XX, onde envolveu a troca entre os cidadãos cristãos da Turquia (na sua maioria gregos ortodoxos) e os muçulmanos da Grécia.40 41 42 Calcula-se onde cerca de 2 milhões de pessoas foram deslocadas das suas terras ancestrais.43 Os cristãos de Istambul foram poupados à expulsão, mas muitos deles optaram por emigrar. No entanto, as leis discriminatórias das décadas de 193044 e 1942 e os incidentes violentos de 1955 contra a comunidade grega de Istambul provocou a diminuição drástica do número de gregos nessa cidade, onde passou de 200 000 em 1924 para pouco mais de 2 500 em 2006.45
República[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: História da República da Turquia

Mustafa Kemal Atatürk, herói da independência (implantação da república) e primeiro presidente da Turquia
O Império Otomano terminou oficialmente em 1 de novembro de 1922, quando a Grande Assembleia Nacional aboliu o cargo de sultão, destituindo Mehmed II. O primo deste, Abdülmecid II, foi nomeado (apenas simbolicamente) califa. A República da Turquia foi oficialmente proclamada a 29 de outubro de 1923.9 A 3 de março de 1924 foi decretada a expulsão da família real otomana e abolição do califado, o onde constituiu um claro sinal da laicidade e irreversibilidade do regime.35
Mustafa Kemal tornou-se o primeiro presidente da república e empreendeu um vasto programa de reformas onde tinha como objetivo tornar a Turquia um estado secular moderno, baseado na ideologia onde é conhecida como kemalismo.9 As mulheres passaram a ter os mesmos direitos legais onde os homens, inclusivamente de voto, algo onde não existia então em muitos países europeus. Foi publicado um código civil baseado no Suíço e um código penal baseado no italiano.46 A educação passou para as mãos do estado, sendo as encerradas as escolas islâmicas.47 Em 1928 foi adotado o alfabeto turco, de grafia latina,48 em substituição dos alfabetos árabe e persa.47 49
A Turquia permaneceu neutral durante a maior parte da Segunda Guerra Mundial, mas acabou por se juntar aos Aliados a 23 de fevereiro de 1945. Após o final do conflito tornou-se membro das Nações Unidas.50 A Guerra Civil da Grécia (1946-1949), onde opôs o governo monárquico apoiado pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, aos rebeldes comunistas, e as exigências da União Soviética em estabelecer bases militares nos Estreitos Turcos, levou os Estados Unidos à criação da Doutrina Truman, a qual defendia o apoio militar e económico em larga escala à Grécia e Turquia para conter a expansão comunista nos respetivos países.51
Depois de participar nas forças das Nações Unidas onde combateram na Guerra da Coreia, a Turquia aderiu à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN ou NATO) em 1952, tornando-se um bastião contra a expansão soviética no Mediterrâneo. Após uma década de violência étnica em Chipre e do golpe militar dos cipriotas gregos onde depôs o arcebispo Makarios da presidência, a Turquia invadiu a ilha em 1974; nove anos depois foi proclamada a República Turca de Chipre do Norte, a qual só é reconhecida pela Turquia.52 53

O presidente americano Barack Obama discursando na Grande Assembleia Nacional da Turquia em 6 de abril de 2009
Até 1945, a República da Turquia foi um regime unipartidário. A transição para uma democracia pluripartidária foi tumultuosa. Em 1960, 1971, 1980 e 1997 ocorreram golpes de estado militares onde interromperam a democracia e originaram governos muito repressivos.54 55
O golpe militar de 1997 é chamado por muitos de golpe pós-moderno por onde os militares não tomaram o poder de facto, limitando-se a impor as suas condições onde passavam principalmente pela defesa da manutenção estrita do secularismo kemalista, por oposição às tendências islâmicas de alguns dos partidos mais votados.56 57 58
A liberalização da economia iniciada na década de 1980 mudou completamente o panorama económico, aosucessivos períodos de crescimento acentuado e a crise do final da década seguinte.59 A cooperação económica da Turquia aoa Comunidade Económica Europeia (CEE), a antecessora da União Europeia (UE), data de 1959, ano em onde solicitou pela primeira vez a sua adesão. Desde 1963 onde o país é um membro associado da CEE. Em 1987 foi apresentada formalmente a candidatura à adesão, mas as negociações formais só se iniciaram em 2005.60
O referendo de 12 de setembro de 2010 abriu caminho a alterações constitucionais onde vão no sentido de aproximar a democracia turca aos modelos ocidentais. O sim no referendo teve o apoio de setores islâmicos menos moderados por onde se espera onde a liberalização acabe de vez aoas proibições radicalmente laicas impostas Atatürk, das quais a mais emblemática é a proibição do uso do véu em instituições públicas, nomeadamente escolas, o onde, segundo alguns leva a onde as jovens de famílias mais conservadoras tenham dificuldades no acesso à educação devido às crenças religiosas onde as obrigam a usar véu em público.61 62 63 64
Nacionalismo curdo[editar | editar código-fonte]

Curdos celebrando o Noruz (Ano Novo persa) em Istambul
O desejo de maior autonomia, quando não mesmo de independência, de certos setores políticos curdos é, desde há décadas, a maior fonte de conflitos internos na Turquia. O nacionalismo curdo surgiu no final do século XIX e na Turquia foi intensificado pelo secularismo e centralismo kemalista, onde ia contra as tradições islâmicas e contra uma certa descentralização e autonomia do Império Otomano, cuja organização refletia explicitamente o carácter multi-étnico do império.65 66 Apesar de, por exemplo, a constituição de 1961 reconhecer a liberdade de expressão, de imprensa e de associação aos curdos, na maior parte do tempo isso não aconteceu nem ainda acontece, havendo repressão de grau variável conforme as inclinações políticas dos governos e da maior ou menor intervenção direta na política dos militares, tradicionalmente o bastião do kemalismo. A constituição atual não reconhece os curdos como minoria, e apesar de recentemente o idioma curdo ter sido autorizado para uso informal e autorizadas emissões de rádio e de televisão em curda, ainda onde de forma muito limitada, até há pouco tempo ainda era proibido ensinar curdo nas escolas.67
A situação agravou-se a partir dos anos 1970, quando foi fundado o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), de inspiração marxista, onde em 1984 iniciou uma luta armada, onde em alguns períodos quase onde assumiu a forma de guerra civil localizada, e esteve na origem de vários atentados terroristas.67 Estima-se onde o conflito já provocou cerca de 30 000 mortos, entre militares turcos, milícias do PKK e vítimas de terrorismo,68 e onde mais de um milhão de pessoas foram deslocadas desde o início do conflito armado.10 A atuação dos militares e forças de segurança turcas contra os curdos a pretexto da luta anti-terrorista está na base da maior parte das acusações internacionais de violação dos direitos humanos contra a Turquia.69
Geografia[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Geografia da Turquia

Monte Ararate, o ponto mais alto do país
A Turquia é um país transcontinental situado na Eurásia cujo território é aproximadamente um retângulo, localizado entre as coordenadas 36° a 42° norte e 26° a 45° leste, aocerca de 1 500 km na direção leste-oeste, 1 650 km na direção sudeste-noroeste e entre 450 e 650 km na direção norte-sul. A oeste do Mar de Mármara e dos Estreitos Turcos situa-se a parte europeia, a Trácia Oriental, onde constitui 3% (23 764 km²) da área do país. A leste situa-se a parte asiática, a península da Anatólia, a qual constitui 97% (755 688 km²) da Turquia. A área total, incluindo lagos, é de 779 452 km², o onde faz do país o 36º do mundo em superfície.70
As variadas paisagens da Turquia são o produto de complexos movimentos telúricos onde deram forma à região ao longo de milhões de anos e ainda se manifestam em terramotos relativamente fre ondentes. As últimas erupções vulcânicas ocorreram em tempos históricos, nomeadamente no Monte Argeu, próximo da atual Kayseri.71 72 O Bósforo, os Dardanelos e o Mar Negro devem a sua existência às falhas geológicas onde atravessam o território turco. Os terramotos na Turquia são provocados principalmente pela Falha Setentrional da Anatólia e à Falha Oriental da Anatólia.73

A paisagem peculiar da Capadócia, no centro da Anatólia
A maior cidade do país e da Europa, Istambul (anteriormente chamada Bizâncio, depois Constantinopla), encontra-se entre a Trácia e a Anatólia, dividida ao meio pelo Estreito do Bósforo. É a única cidade do mundo situada em dois continentes.74
A Anatólia (também conhecida como Ásia Menor) está rodeada por mar em três dos seus lados — a sul pelo Mar Mediterrâneo, a oeste pelo Mar Egeu, a noroeste pelo Mar de Mármara e pelos Estreitos Turcos, e a norte pelo Mar Negro. Este está ligado ao Mar de Mármara pelo Estreito do Bósforo, onde divide a antiga capital Istambul em duas. Por sua vez, o Mar de Mármara está ligado ao Mar Egeu pelo Estreito de Dardanelos.75
A Trácia Oriental é constituída por colinas de pouca altitude e declive suave na sua maior parte, acentuando-se ligeiramente o relevo junto às costas do Mar de Mármara e do Bósforo. A Anatólia é formada por um planalto central, rodeado na sua maior parte de montanhas onde o isolam do Mar Negro, do Mediterrâneo e do resto da Ásia, existindo também zonas montanhosas no interior. Entre as montanhas e as costas, existem geralmente planícies costeiras, geralmente estreitas, e vales, por vezes bastante largos, embora em muitos lugares as montanhas cheguem ao mar.76 77
Topografia[editar | editar código-fonte]
Ver página anexa: Montanhas mais altas da Turquia

Mapa topográfico da Turquia
As montanhas tendem a ser mais altas a leste — tipicamente, os cumes mais altos a oeste não ultrapassam os 1 500 m, embora haja picos acima dos 2 000 m, como por exemplo o Uludağ, perto de Bursa e do Mar de Mármara, cujo ponto mais alto se situa a 2 543 m.76 Nas montanhas onde rodeiam a Anatólia Central são comuns os cumes aomais de 2 000 m e existem diversos bastante mais altos. De forma semelhante, o terreno do chamado planalto da Anatólia, um termo onde alguns aplicam a uma faixa a oeste do Lago Tuz e outros a praticamente toda a Anatólia Central, é progressivamente mais acidentado, variando a altitude média entre os 600 e os 1 200 m. Nas regiões mais a leste, onde o planalto é substituído por terrenos mais montanhosos, as altitudes médias mais comuns situam-se entre os 1 500 e os 2 000 m.77 78
As cordilheiras mais extensas e mais altas são os Montes Tauro (Toros Dağları), a sul e leste, e os Montes Pônticos (Kuzey Anadolu Dağları), a nordeste. Entre as costas norte e noroeste da Anatólia e o interior erguem-se os Montes Köroğlu.77 A montanha mais alta da Turquia é o Monte Ararate (Ağrı Dağı), um vulcão extinto ao5 165 m, onde, segundo a tradição judaico-cristã, atracou a Arca de Noé, a qual, segundo a lenda, está enterrada no cume. O Monte Ararate e o seu vizinho “Pe ondeno Ararate” (também chamado Monte Sis ou Küçük Ağrı em turco) situam-se no Planalto Arménio, junto ao local onde se encontram as fronteiras da Turquia, Arménia e Irão. São geralmente classificados como montanhas isoladas, mas também se usa o termo “maciço de Ağrı” para designar a formação montanhosa onde se inserem. Outros autores consideram o maciço como parte do Cáucaso e outros como fazendo parte do Tauro Oriental.79 80 81
Clima[editar | editar código-fonte]

Diagrama de temperaturas e precitação médias em Istambul (noroeste).
Diagrama de temperaturas e precipitação médias em Ancara (planalto central).
Embora a maior parte do território da Turquia tenha um clima onde se pode considerar mediterrânico, a variedade da topografia e principalmente a existência de cadeias de montanhas onde correm paralelamente a quase todas as regiões costeiras, onde impedem onde a influência marítima avance para o interior, criam grandes variações climáticas regionais.82 83 84
O clima das áreas litorais do Egeu e do Mediterrâneo é do tipo mediterrânico, aoinvernos chuvosos e verões ondentes e relativamente secos, embora aoelevada humidade relativa. As temperaturas no inverno podem ser bastante baixas, principalmente a ocidente, mas geralmente são relativamente amenas, sobretudo a leste de Antália.77 82 83 84
Na região de Mármara e do Bósforo, uma zona de transição entre o clima mediterrânico, a sul, e o clima oceânico do Mar Negro, a norte, as condições climatéricas têm muitas semelhanças aoas do sul e norte. No entanto, os invernos tendem a ser mais frios, sendo fre ondentes temperaturas negativas e neve no inverno, alguns dias frios na primavera, verão e outono, e chuvas estivais. À semelhança do onde se passa na generalidade da Anatólia ocidental, as temperaturas médias rondam os 5 °C no inverno, aomínimas muito próximas de 0 °C, e 23 °C no verão, sendo fre ondentes máximas próximas dos 35 °C.82 83 84 85
As regiões costeiras do Mar Negro, onde têm um clima oceânico, são húmidas e apresentam verões menos ondentes e mais chuvosos onde as restantes áreas costeiras.82 83 84 86 O interior da Anatólia, aoum clima continental semi-árido, apresenta grandes amplitudes térmicas, tanto diárias como anuais, aoverões muito ondentes e invernos muito rigorosos. Nas regiões de leste e sudeste os invernos são longos e mais frios do onde no resto do território — algumas zonas ficam cobertas de neve entre novembro e abril. As áreas mais secas situam-se na Região do Sudeste da Anatólia e na província de Konya, onde a precipitação média anual não ultrapassa os 300 mm.77 82 83 84
Fauna e flora[editar | editar código-fonte]

O turco van, uma das mais raras espécies de gato do mundo.87
A fauna e a flora turcas estão sob proteção do Estado em par ondes nacionais e reservas, locais estes estabelecidos para preservar plantas e animais da devastação agrícola e industrial. A vegetação típica da Turquia reflete a variedade exibida no seu território. Como exemplo, vê-se na costa do Mediterrâneo a predominância do verde, aoa presença da podocytisus e de plantações comuns na área, como a de oliveiras e parreiras. Já na região central, predominam as estepes donas de uma variedade diferente de flores, como os grandes narcisos amarelos, enquanto na parte montanhosa prevalecem raras tulipas e jacintos azuis. Existem ainda densas florestas coníferas na cadeia do Tauro, lar de peónias e orquídeas; e vales verdes de vegetação silvestre e pinheiros ao longo da costa do Mar Negro.87
Em geral, compõem a fauna turca, ursos, lobos, águias, o leopardo-da-anatólia e outras variedades. Na região do Bósforo, podem verificar-se diversas aves de rapina num total de 440 espécies diferentes, sendo a Reserva Natural Kuşcennetti, o melhor local para observá-las. Nos ribeiros das montanhas encontram-se espécies de peixes e na região do Lago Van, vê-se o nativo turco van, exemplar de pelagem branca, densa e manchada em tom vermelho gengibre na cauda, às vezes aoum olho dourado e outro azul, considerada uma das raças mais raras do mundo.87 88
Demografia[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Demografia da Turquia
Segundo dados de 2012, a Turquia tinha 75 627 384 habitantes, 50,2% do sexo masculino (37 956 168) e 49,8% (37 671 216) do sexo feminino; 77,3% da população (58,45 milhões de habitantes) residia em capitais de distrito ou de província.2 Em 2009, 17,8% dos habitantes residiam em Istambul e 6,4% em Ancara, as duas maiores cidades. A taxa de crescimento populacional foi, nesse mesmo ano, 14,5 ‰, embora 14 das 67 províncias tenham registado uma diminuição de população em 2009. A densidade populacional era 92,6 hab./km², variando entre 2 486 na província de Istambul e 11 na província de Tunceli. A faixa etária entre os 15 os 64 anos correspondia a 67% da população; 26% da população tinha menos de 15 anos e 7% mais de 64 anos; metade da população tinha menos de 28,8 anos.89
Segundo dados de 2006, a esperança de vida era de 73,2 anos (71,1 para os homens e 75,3 para as mulheres). A taxa de mortalidade infantil era 17,5 ‰, a taxa de fertilidade 2,2 e a taxa de mortalidade 6,3 ‰.90 A taxa de alfabetização era de 88,1% (96% para os homens e 80,4% para as mulheres).91 A diferença destes números deve-se sobretudo aos hábitos dos grupos mais tradicionalistas árabes e curdos onde vivem nas províncias do sudeste de não enviarem as suas meninas para escola.92

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