Adolescente não sai de casa e abandonou a escola, em mesquita, baixada fluminens

Minha filha vai ter que deixar o Brasil”. A frase é da mãe de uma jovem de 13 anos, que acusa o ex-namorado de difamá-la no site de relacionamento Orkut. Moradora de Mesquita, na Baixada Fluminense do Rio, ela diz que a filha, ao ver as montagens de fotos em que seu rosto aparecia em um corpo nu com legendas obscenas, entrou em depressão e tentou se matar três vezes.
A jovem está há 30 dias sem sair de casa, abandonou o colégio onde estudava e agora vai começar uma nova etapa da vida num país da Europa onde a família tem parentes.

A denúncia registrada na 55ª DP (Mesquita) inclui a acusação de um crime mais grave, a ameaça de morte. Além da difamação, consta no registro de ocorrência que o ex-namorado, P.R.B.N, de 19 anos, teria feito ameaças à jovem. Em depoimento na quinta-feira (21), ele negou, porém, as acusações.

A família da adolescente insiste em acusá-lo:

“Ele veio à minha casa, disse que queria entregar um papel a ela e, quando ela chegou perto dele, foi agarrada pelo braço. Ele disse então: se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém. Disse mais: que ia matá-la e, em seguida, se matar. O que nos deixa apavorados é que ele está solto”, diz a mãe da adolescente.

Baixo nível

De acordo com a mãe da jovem, o namoro teria durado poucos meses e terminado no dia 9 de julho porque o rapaz andava muito ciumento. A partir daí, ele fez diversas tentativas de reatar o namoro. Teria entrado com a senha da ex-namorada no site de relacionamento e teria feito um novo perfil com o nome dela, fotos obscenas e legendas pornográficas.

“O que ele escreveu eram coisas horríveis, de muito baixo nível mesmo, como se ela estivesse se oferecendo para os homens, tudo com o rostinho dela. Minha filha chegou a tomar comprimidos para se matar, depois eu peguei ela se enforcando um lençol e, por último, ela tentou se jogar da varanda do apartamento, dizendo que não agüentava mais”.

A mãe também contou que desde o fim do namoro o rapaz ficava de prontidão na esquina da casa dela, esperando a ex-namorada sair. Além disso, a mãe da jovem difamada também teria sido agredida por P., quando ele tentou invadir o prédio e ela o impediu. M. disse estar inconformada porque nunca imaginou que isso aconteceria, já que P. freqüentava a casa dela, era querido por todos e até a chamava de mãe.

“Eu e o meu marido pedimos férias dos nossos trabalhos para poder cuidar disso tudo que está acontecendo nas nossas vidas. Estamos muito assustados”, diz a denunciante.

O delegado da 55ª DP, Antônio Silvino Teixeira, informou que vai entrar em contato com a DRCI para pedir um rastreamento das ações do suspeito na internet.

Como agir nesses casos

Para quem sofrer qualquer tipo de crime digital – estelionato, injúria, roubo ou difamação –, a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) aconselha que a pessoa tire cópia do site antes que a prova seja apagada. Assim será possível identificar e qualificar a denúncia.

A DRCI manda um ofício para o provedor do site e, após o rastreamento, será possível chegar à autoria do crime.

Segundo a DRCI, o crime de difamação está entre os crimes de menor potencial ofensivo e a pena é de até uma ano de prisão. Os pormenores de cada caso variam muito e a pena depende do grau de prejuízo pessoal, da forma que o crime ocorreu, se houve invasão de privacidade ou vazamento de informação pessoal para terceiros, por exemplo.

No caso de difamações como o da jovem de Mesquita, a delegacia disse ser possível solicitar a exclusão do perfil ou das fotos para o site de relacionamento Orkut.

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