As funções do fígado

O fígado é a maior glândula do corpo humano, e localiza-se no canto direito superior do abdómen, sob o diafragma. Seu peso aproximado é cerca de 1,5 kg no homem adulto e um pouco menos na mulher. Em crianças é proporcionalmente maior, pois constitui 1/20 do peso total de um recém nascido. Na primeira infância é um órgão tão grande, que pode ser sentido abaixo da margem inferior das costelas, ao lado direito. Funciona como glândula exócrina, isto é, libera secreções em sistema de canais que se abrem numa superfície externa. Atua também como glândula endócrina, uma vez que também libera substâncias no sangue ou nos vasos linfáticos.
Índice

* 1 Funções
* 2 Uma usina de processamento
* 3 Morfologia
* 4 Hematologia e irrigação
* 5 Histologia
* 6 Processamento químico e sub produtos
* 7 A importância do fígado e seu poder de regeneração
* 8 Enfermidades
* 9 Referências Bibliográficas
* 10 Veja também
* 11 Imagens adicionais
* 12 Ligações externas

Funções

Em algumas espécies animais o metabolismo alcança a atividade máxima logo depois da alimentação; isto lhes diminui a capacidade de reação a estímulos externos. Noutras espécies, o controle metabólico é estacionário, sem diminuição desta reação. A diferença é determinada pelo fígado e sua função reguladora, órgão básico da coordenação fisiológica.

Entre algumas das funções do fígado, podemos citar:

* destruição das hemácias;
* emulsificação de gorduras no processo digestivo, através da secreção da bile;
* armazenamento e liberação de glicose;
* síntese de proteínas do plasma;
* produção de precursores das plaquetas;
* conversão de amônia em uréia;
* purificação quanto a diversas toxinas;
* destoxificação de muitas drogas e toxinas [2];

Uma usina de processamento

Além das funções citadas acima, este órgão efetua aproximadamente 220 funções diferentes todas interligadas e co-relacionandas. Para o entendimento do funcionamento dinâmico e complexo do fígado, podemos dizer que uma das suas principais atividades é a formação e excreção da bile, ou bílis; as células hepáticas produzem em torno de 1,5 l por dia, descarregando-a através do ducto hepático. A transformação de glicose em glicogênio, este conhecido como amido animal, e seu armazenamento, se dá nas células hepáticas. Ligada a este processo, há a regulação e a organização de proteínas e gorduras em estruturas químicas utilizáveis pelo organismo da concentração dos aminoácidos no sangue, que resulta na conversão de glicose, esta utilizada pelo organismo no seu metabolismo. Neste mesmo processo, o sub-produto resulta em uréia, eliminada pelo rim. Além disso, paralelamente existe a elaboração da seroalbumina, da seroglobulina e do fibrinogênio, isto tudo ao mesmo tempo em que ocorre a desintegração dos glóbulos vermelhos. Durante este processo, também age em diversos outros, tudo simultaneamente, destruindo, reprocessando e reconstruindo, como se fossem vários órgãos independentes, por exemplo, enquanto destrói as hemácias, o fígado forma o sangue no embrião; a heparina; a vitamina A a partir do caroteno, entre outros.

O fígado, além de produzir em seus processos diversos elementos vitais, ainda age como um depósito, armazenando água, ferro, cobre e as vitaminas A, vitamina D e complexo B. Durante o seu funcionamento produz calor, participando da regulação do volume sanguíneo; tem ação antitóxica importante, processando e eliminando os elementos nocivos de bebidas alcoólicas, café, barbitúricos, gorduras entre outros. Além disso, tem um papel vital no processo de absorção de alimentos. Espiritualmente se diz que no figado armazenamos a raiva.

Morfologia
Fígado anterior.

Nos humanos, o fígado tem formato em forma de prisma, com ângulos arredondados, dando-lhe aparência ovalizada, sua coloração é vermelho-escuro, tendendo ao marrom arroxeado, os tecidos que o compõem são de natureza muito frágil, sua aparência e consistência seguem o padrão de outros animais, sua localização é na parte mais alta da cavidade abdominal, embaixo do diafragma no hipocôndrio direito. É formado por três superfícies: superior ou diafragmática, inferior ou visceral e posterior. Alguns anatomistas dividem o órgão em dois lobos, o direito é bem maior que o esquerdo, tendo ainda mais dois lobos bem menores situados entre o direito e o esquerdo. A superfície superior fica imediatamente abaixo do diafragma e o ligamento falciforme divide-a em dois lobos: o direito e o esquerdo. A superfície inferior é plana, dividida por três sulcos, dando uma forma de H. Na parte anterior do sulco direito, encontra-se a vesícula biliar, que é uma bolsa membranosa que armazena bílis; na parte frontal do sulco esquerdo, está situado o ligamento redondo que é uma extensão da veia umbilical.

Existe ainda um sulco transverso determinado pelo hilo, que é por onde entram e saem todos os vasos sangüíneos, excetuando-se as veias hepáticas. Os sulcos dividem a superfície inferior do fígado em quatro lobos: o direito ou quadrilátero; o esquerdo ou triangular; o quadrado, situado na parte da frente do hilo e, por último, o alongado ou na parte posterior também chamado de Spiegel.

O fígado tem grande parte da superfície externa revestida pelo peritônio, que forma os ligamentos que o conectam ao abdômen e às vísceras vizinhas. Envolvendo-o, há um invólucro especial, formado pela chamada cápsula de Glisson, esta, reveste todo o órgão, sem interrupção, como uma capa, que na parte mais próxima do hilo envolve a artéria hepática, a veia porta hepática, o condutor hepático e os nervos.

Embora o tecido hepático seja macio, a cápsula que o recobre é extremamente resistente e diminui a possibilidade de lesões traumáticas, em caso de ruptura, as consequências são gravíssimas, pois o tecido interno se lacera com grande facilidade.

O órgão é constituído por aproximadamente cem mil lóbulos, que são minúsculos agregados celulares formados pelas células hepáticas que se organizam em cordões dispostos em volta da veia chamada de centrolobular. A veia porta contém muitas pequenas ramificações, ligadas às sinusóides, que são espaços compreendidos entre as diversas camadas de células hepáticas.

Hematologia e irrigação

O fígado é irrigado pela artéria hepática, cuja função é levar sangue arterial oxigenado necessário ao seu metabolismo. O sangue procedente do baço e do intestino vem da veia porta; este é rico em substâncias nutritivas, absorvidas durante a digestão. O sangue é recolhido pela veia centrolobular e conduzido para veias cada vez mais grossas, até chegar à veia supra-hepática.

Histologia

O componente básico histológico do fígado é a célula hepática, ou hepatócito, estas são células epiteliais organizadas em placas. A unidade estrutural hepatica chama-se lóbulo hepático. Em seres humanos estes lóbulos estão juntos em parte de seu comprimento. Os hepatócitos estão dispostos nos lóbulos hepáticos formando como se fossem pequenos tijolos, e entre eles vasos chamados sinusóides hepáticos, e estes é circudado por uma bainha de fibras reticulares, os sinusóides contêm macrófagos, chamados de células de kupffer, que vão desenpenhar diversas funções.

Processamento químico e sub produtos

As impurezas são filtradas pelo fígado, que destrói as substâncias tissulares transportadas pelo sangue. Os lipídios, glicídios, proteínas, vitaminas, etc, vindos pelo sangue venoso, são transformados em diversos sub-produtos. Os glicídeos são convertidos em glicose, que metabolizada se converte em glicogênio, e, novamente convertida em açúcar que é liberado para o sangue quando o nível de plasma cai. As células de Kupfer, que se encontram nos sinusóides, agem sobre as células sangüíneas que já não tem vitalidade, e sobre bactérias, sendo decompostas e convertidas em hemoglobina e proteínas, gerando a bilirrubina, que é coletada pelos condutores biliares, que passam entre cordões dessas células que segregam bílis; esta, por sua vez, vai se deslocando para condutos de maior calibre, até chegar ao canal hepático, (também chamado de ducto hepático, ou duto hepático); neste, une-se numa forquilha em forma de Y com o ducto cístico, chegando à vesícula biliar. Da junção em Y, o ducto biliar comum estende-se até o duodeno, primeiro trecho do intestino delgado, onde a bílis vai se misturar ao alimento para participar da digestão. O alimento decomposto atravessa as paredes permeáveis do intestino delgado e suas moléculas penetram na corrente sangüínea. A veia porta conduz estas ao fígado que as combina e recombina, remetendo-as para o resto do organismo.

A importância do fígado e seu poder de regeneração

Em casos de impactos muito fortes, pode haver ruptura da cápsula que recobre o fígado, com a imediata laceração do tecido do órgão. As lesões em geral são importantes e de extrema gravidade, podendo ser muitas vezes fatais, devido à enorme quantidade de sangue que pode ser perdida, dado o grande número de vasos sangüíneos que compõem o órgão. Se em caso de acidente grave, e consequente lesão, a pessoa sobreviver, o fígado geralmente demonstrará alto e rápido poder de regeneração.

Enfermidades

Entre as principais enfermidades que acometem ao fígado estão, as Hepatites agudas de etiologia desconhecida, chamadas de hepatites criptogênicas, as hepatites B, C, D e E, as doenças alcoólicas do fígado, as doenças hepáticas tóxicas, as insuficiências hepáticas, as fibroses e cirroses hepáticas, entre outras.
Células de um fígado normal

Células de um fígado cirrótico

Referências Bibliográficas

1. ↑ Predefinição:GeorgiaPhysiology
2. ↑ BONSANELLO, Aurélio; Afídio, in “Biologia”, Volume II, Biblioteca do Paronama Cientifico, Editora Educacional LTDA.

3. Atlas de Anatomia Humana, Wolf, Heidegger, Guanabara-Koogan, 1968.

Veja também

* Testes de função hepática
* Hepatócito
* Hepatotoxicidade
* Bile
* Vesícula biliar

Imagens adicionais

Sistema digestivo acessório

Órgãos digestivos

Venação do fígado de um embrião humano de 24-25 dias, visto pela superfície ventral.

Secção transversal através do centro da primeira vértebra lumbar, mostrando os diferentes orgãos abdominais.

Frente do abdômen, mostrando a localização do fígado, estômago e intestino grosso

Topografia das vísceras torácicas e abdominais

Lâmina histológica do fígado mostrando sua tríade portal

Vista frontal do fígado humano

Vista por trás do fígado humano

Ligações externas

* Anatomia do Fígado
* (em inglês) Fígado no atlas de anatomia de Henry Gray

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