Atores em busca de registro profissional


Atores em busca de registro profissional


Para ser ator é necessário talento, vocação e estudo. Para Juiz de Fora, a saída é ser testado pelo sindicato


Para exercer a profissão de ator é necessário mais do que talento. A vocação é uma qualidade que faz toda a diferença, pois “o talento não resiste sem ela”, diz o coordenador e diretor do Centro de Estudos Teatrais (Grupo Divulgação), José Luiz Ribeiro. Ele justifica dizendo que ser ator é um trabalho de perseverança.


Ao contrário do que muita gente pensa, ele diz que não é uma profissão fácil. “Na vida, andamos e falamos, mas no palco não é só isso. Temos que andar, falar e representar, tudo ao mesmo tempo”, ressalta.


O motivo de alguns verem facilidade na profissão de ator está ligado ao fato de o ser humano ter facilidade em representar. “Todo mundo mente com a cara mais lavada do mundo quando a situação obriga”, explica Ribeiro. Entretanto, ele diz que teatro não é só mentira. “Associamos a mentira à técnica. O ator diz ser algo que não é e quanto mais ele diz que é, mais as pessoas acreditam”.


Além disso, a representação é uma arte híbrida, onde o ator precisa desempenhar a dança, o canto e a fala. “A base do teatro são as pessoas, e os atores trabalham com a comunicação face a face”. Por isso, para trabalhar, é preciso que o ator esteja preparado “na voz, no corpo e na alma”, orienta ele. Nesse meio, o público não é mero espectador. “Dependemos da resposta do público, pois estabelecemos uma comunicação direta e recíproca”.


foto da peça Mercador foto da peça Tempestade

O diretor explica que há uma diferença entre ser ator de televisão e estar nos palcos. Ele compara a expressividade da televisão à de um cabo de vassoura e justifica dizendo que, na novela, a câmera se apóia sempre no rosto do ator, porque é a parte do corpo que se mostra mais natural. “Quando uma pessoa te deixa nervoso, você se levanta e quer tirar satisfação. Na televisão, isso não é possível por causa das câmeras colocadas em lugares específicos. Então, o ator permanece na posição e interpreta através da expressão facial”, explica.


No teatro, tudo acontece de forma mais exagerada, mesmo quando é um espetáculo naturalista. Isso pode ser percebido através dos movimentos dos atores no palco e do tom da voz, que sempre deve ser bem alto. “Brincamos que sempre há uma velhinha na última fila da platéia e que precisa ouvir o que falamos no palco”.


Em busca do registro

foto de Bruno Em grandes capitais, como São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, ter o registro de ator significa que o profissional está habilitado para trabalhar na televisão e nos palcos. Entretanto, para Juiz de Fora este registro ainda não possui muita funcionalidade. “Não é mérito ter o registro”, diz o ator Bruno Fonseca, da Cia Putz! de teatro.


Bruno tirou seu registro profissional de ator em setembro do ano passado, em Juiz de Fora. Como na cidade não há curso superior e nem técnico, a saída foi passar por testes oferecidos pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos de Diversão de Minas Gerais (Sated).


Ele conta que a prova do Sated realizada em Juiz de Fora não foi fácil. Os candidatos passaram por três etapas, o que inclui prova de história do teatro, leitura de peças, apresentação de monólogo e exercícios de improvisação. Para o ator, Minas é o Estado que mais exige dos atores nesses testes.


foto de Bruno Os profissionais enfrentam o problema do grande número de pessoas que não têm o registro e, mesmo assim, interpreta. “É normal vermos modelos fazendo interpretação em comerciais na televisão, o que não é permitido”, comenta. Por isso, ele cobra maior atuação do Sindicato na fiscalização.


Ele fala que, na cidade, o número de atores profissionais é pequeno. “E a maioria dos profissionais não trabalha bem”, diz. Segundo ele, isso está ligado ao fato de o Rio de Janeiro não exigir muito de quem pretende o registro. “As pessoas vão até o Rio, apresentam os documentos e conseguem tirar sem fazer qualquer teste”, conta.


De acordo com a lei

As outras formas de ser ator profissional é cursar uma faculdade ou passar por um curso técnico. Nestes dois casos, o diploma permite ter o registro profissional. Porém, segundo Ribeiro (foto abaixo), há diferenças entre as duas formações. Quem passa pelo curso superior, tem o registro de artista. “Ele dá opção de ser diretor, cenógrafo, figurinista, dramaturgo ou coreógrafo”, explica. No outro caso, o registro de técnico permite a interpretação.


foto de José Ribeiro O decreto 82.385, de 05 de outubro de 1978, regulamenta as profissões de artista e de técnico em espetáculos de diversões. Segundo seu artigo 8º, para ter o registro é necessário que o candidato apresente diploma de curso superior de diretor de teatro, coreógrafo, professor de arte dramática, ou outros cursos semelhantes. Ainda é permitido apresentar diploma ou certificado de 2º grau de ator, contra-regra, cenotécnico ou sonoplasta. Ainda há a terceira opção, que permite apresentar atestado de capacitação profissional fornecido pelo Sindicato.


Para Ribeiro, a facilidade em conseguir o registro em alguns locais é o principal motivo de existirem profissionais ruins. “Quando a televisão precisa de um perfil e encontra, ela dá um jeito de arrumar o registro para a pessoa. Ela trabalha naquilo e, depois, quando não desaparece, continua fazendo alguma coisa”, comenta.


Sobre a profissão em Juiz de Fora, ele diz que não há como viver somente do trabalho de ator e ressalta que isso também acontece em outros locais, como no Rio. “O profissional passa fome se não se dedicar a outra coisa”.


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