biografia almeida garrett

ALMEIDA GARRETT


João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu no Porto em 4 de fevereiro de 1799, e faleceu a 9 de dezembro de 1854. Partiu com a família para a Ilha Terceira em 1808, de onde regressou em 1815, ano em que se matricula no curso jurídico. Após seu casamento em 1822 e a estréia de sua tragédia Catão, emigra para a Inglaterra e França no ano seguinte, e publica em Paris, em 1826, D. Branca, e em 1827 Camões, voltando a Portugal em 1826. Funda nos anos seguintes os periódicos O Português e O Cronista, mantendo polêmicas políticas com José Agostinho de Macedo. Após ser preso e libertado, sai novamente para a Inglaterra, publicando em Londres Adozinda e a Lírica de João Mínimo.


Participa da campanha de 1832 ao lado de Dom Pedro, e após exercer funções diplomáticas é eleito deputado, em 1837, fundando nesse ano o Teatro Nacional. Nos anos seguintes, vê representadas as peças Um Auto de Gil Vicente, O Alfageme de Santarém e Frei Luís de Sousa, e publica em 1843 o 1º volume do Romanceiro, e em 1845 Arco de Santana (1º tomo), Flores sem Fruto e Viagens na Minha Terra, esta sua obra mais conhecida. É designado Ministro dos Negócios Estrangeiros em 1852, quando recebe o título de Visconde, e publica em 1853 seu último livro, Folhas Caídas.


Fonte: www.thesaurus.com.br


ALMEIDA GARRETT


Almeida Garrett
Almeida Garrett


Escritor e Dramaturgo romântico, foi o proponente da edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e da criação do Conservatório. Nasceu no Porto, em 4 de Fevereiro de 1799; morreu em Lisboa em 9 de Dezembro de 1854.


Em 1816, tendo regressado a Portugal, inscreveu-se na Universidade, na Faculdade de Leis, sendo aí que entrou em contacto com os ideais liberais. Em Coimbra, organiza uma loja maçônica, que será frequentada por alunos da Universidade como Manuel Passos. Em 1818, começa a usar o apelido Almeida Garrett, assim como toda a sua família.


Participa entusiasticamente na revolução de 1820, de que parece ter tido conhecimento atempado, como parece provar a poesia As férias, escrita em 1819. Enquanto dirigente estudantil e orador defende o vintismo com ardor escrevendo um Hino Patriótico recitado no Teatro de São João.


Em Coimbra publica o poema libertino O Retrato de Vénus, que lhe vale ser acusado de materialista e ateu, assim como de “abuso da liberdade de imprensa”, de que será absolvido em 1822. Torna-se secretário particular de Silva Carvalho, secretário de estado dos Negócios do Reino, ingressando em Agosto na respectiva secretaria, com o lugar de chefe de repartição da instrução pública. No fim do ano, em 11 de Novembro, casa com Luísa Midosi.


A Vilafrancada, o golpe militar de D. Miguel que, em 1823, acaba com a primeira experiência liberal em Portugal, leva-o para o exílio. Estabelece-se em Março de 1824 no Havre, cidade portuária francesa na foz do Sena, mas em Dezembro está desempregado, o que o leva a ir viver para Paris. Não lhe sendo permitido o regresso a Portugal, volta ao seu antigo emprego no Havre. A mulher regressa a Portugal.


É amnistiado após a morte de D. João VI, regressando com os últimos emigrados, após a outorga da Carta Constitucional, reocupando em Agosto o seu lugar na Secretaria de Estado. Em Outubro começa a editar O Português, diário político, literário e comercial, sendo preso em finais do ano seguinte. Libertado, volta ao exílio em Junho de 1828, devido ao restabelecimento do regime absoluto por D. Miguel. De 1828 a Dezembro de 1831 vive em Inglaterra, indo depois para França, onde se integra num batalhão de caçadores, e mais tarde, em 1832, para os Açores integrado na expedição comandada por D. Pedro IV. Nos Açores transfere-se para o corpo académico, sendo mais tarde chamado, por Mouzinho da Silveira, para a Secretaria de Estado do Reino.


Morre devido a um cancro de origem hepática, tendo sido sepultado no Cemitério dos Prazeres.


Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br


ALMEIDA GARRETT


Cronologia


1799


João Baptista da Silva Leitão, nasce a 4 de Fevereiro no Porto.


1804-08


Infância repartida pela Quinta do Castelo e a do Sardão, em Vila Nova de Gaia.


1809-16


Partida da família para os Açores, antes que as tropas de Soult entrassem no Porto. Primeiras incursões literárias, sob o pseudónimo de Josino Duriense.


1818-20


Matricula-se na Universidade de Coimbra, em Leis. Lê os escritores das Luzes e os primeiros românticos. Funda, em 1817, uma loja maçónica. Em 1818, primeira versão de “O Retrato de Vénus”, que será acusada como sendo “materialista, ateu e imoral”. Participa na Revolução vintista. Vem para Lisboa.


1822


Dirige, com Luís Francisco Midosi, “O Toucador, periódico sem política, dedicado às senhoras portuguesas”. Casa com Luísa Midosi: Garrett tem 23 anos, ela 14…


1823-27


Com a Vilafrancada, é preso no Limoeiro. Vai para o primeiro exílio em Inglaterra, Birmingham. Vive numa precária subsistência. Em 1824, está em França, no Havre. Escreve “Camões” e “Dona Branca”. Em Dezembro, fica desempregado. Com a morte de D. João VI, em 1826, é amnistiado mas só regressa a Portugal depois da outorga régia da Carta Constitucional por D. Pedro.


1828


D. Miguel regressa a Portugal. Garrett, que vê morrer uma sua filha recém-nascida, parte para o segundo exílio, em Inglaterra, Plymouth. Começa a escrever a “Lírica de João Mínimo”.


1829


Em Londres, é secretário de Palmela no governo exilado.


1830-31


Edita o violento panfleto “Carta de Múcio Cévola ao futuro editor do primeiro jornal liberal em português”, numa época marcada por duas crises de saúde graves.


1832


Um ano de fogo: ao lado de Herculano e Joaquim António de Aguiar, parte em Janeiro, com a expedição de D. Pedro, integrando o corpo académico de voluntários. É o praça nº 72. Em Maio, é chamado para a secretaria do Reino junto de Mouzinho da Silveira, ministro da regência em S. Miguel. Integra em Junho a expedição que desembarca nas praias do Mindelo a 8 de Julho e, a 9, entra no Porto. Começa “O Arco de Santana”. É reintegrado por Palmela e é nomeado por Mouzinho da Silveira para coordenar o Código Criminal e Comercial. É encarregue de várias missões diplomáticas, dissolvidas em 1993. Desabafa: “Se não sou exilado ou proscrito, não sei o que sou.”


1833


Regresso a Lisboa, depois de saber da entrada das tropas liberais. Secretário da comissão de reforma geral dos estudos cujo projecto de lei inteiramente redige.


1834


Cônsul-geral e encarregado de negócios na Bélgica. Lê os grandes românticos alemães: Herder, Schiller e Goethe.


1835-40


Separa-se da mulher por comum acordo. As nomeações, demissões e rejeição de cargos continua. Em 1836, colabora com o governo setembrista. Apresenta o projecto de criação do Teatro D. Maria II. Em 1837, é deputado por Braga, para as Cortes Constituintes. Em Novembro, nasce o primeiro filho de Adelaide Pastor – com quem começara a viver -, Nuno, que morre com pouco mais de um ano. 1838: enquanto continua a redigir leis, escreve “Um Auto de Gil Vicente”. É nomeado cronista-mor do reino. Nasce o segundo filho de Adelaide, que também morrerá. Em 1840, é eleito por Lisboa e Angra na nova legislatura


1841-42


Nascimento da sua filha Maria e morte de Adelaide Pastor com apenas 22 anos. Com a assinatura de Joaquim António de Aguiar (!), é demitido dos cargos de inspector dos teatros, de presidente do conservatório e de cronista-mor.


Em 1842, é eleito deputado e entra nas Cortes. Publica “O Alfageme de Santarém”.


1843 – 17 de Julho


inicia a celebérrima viagem ao vale de Santarém que na está na origem de “As Viagens da Minha Terra”. Escreve a sua outra obra-prima: “Frei Luís de Sousa”.


1844


Publica anonimamente uma autobiografia na revista “Universo Pitoresco”. No Parlamento, reclama a reforma da Carta Constitucional e revela-se contra a pena de morte. Por ocasião dos acontecimentos de Torres Novas e das posições que defende, a sua própria casa é por três vezes assaltada e devassada pela polícia. Salvo de prisão certa e deportação, graças à imunidade diplomática que lhe concede o acolhimento do embaixador brasileiro. Morre nos Açores a única irmã, Maria Amália.


1845


Aparece em capítulos, em Junho, na “Revista Universal Lisbonense”, “Viagens na Minha Terra”. É representada “Falar Verdade a Mentir”, enquanto outra, “As Profecias do Bandarra” se estreia. Envolve-se na campanha eleitoral da oposição ao cabralismo. Morre outro irmão, Joaquim António.


1846


Publica “Viagens na Minha Terra”. Conhece Rosa Montufar, com quem tem uma ligação amorosa que se prolongará até ao ano da sua morte.


1847-50


Anda escondido no auge dos episódios da Patuleia. Com o regresso de Costa Cabral ao executivo, é remetido ao ostracismo político. No ano seguinte, é representado “A Comédia do Marquês”. Em 1849, desgostoso de amores, passa uma breve temporada em casa de Alexandre Herculano, à Ajuda. A política passa-lhe ao lado e cultiva a vida dos salões lisboetas. Protesta contra o projecto de lei de imprensa, a designada “lei das rolhas”. Dedica-se com regularidade à compilação final do seu “Romanceiro”.


1851-53


Volta, intensamente, à vida política com o advento da Regeneração. Visconde – que pretende aceitar em duas vidas -, chegou a ministro, por cinco meses. Está na reforma da Academia Real das Ciências, redige o primeiro Acto Adicional à Carta, que discute na própria casa com os ministros. Em 1953, é criado um conselho dramático no D. Maria II, por decreto de 22 de Setembro, foi seu presidente, demitindo-se a pedido dos actores e dramaturgos. Começa a escrever o testamento.


1854


Numa casa na Rua de Santa Isabel, morre, vítima de cancro de origem hepática. O seu biógrafo Francisco Gomes de Amorim escreve: “Eram seis horas e vinte e cinco minutos da tarde de sábado nove de dezembro de mil oitocentos e cinquenta e quatro.”


Fonte: www.revista.agulha.nom.br


ALMEIDA GARRETT



O escritor e político João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett foi fortemente influenciado pelo escritor neoclássico Filinto Elísio. Em 1820 participou, como líder da classe estudantil, da Revolução Liberal.


Em 1821, após concluir o curso de Direito na Faculdade de Coimbra, publicou o poema “Retrato de Vênus” e depois foi processado por obscenidade. Após o golpe de 1822, no qual o liberalismo foi derrotado, Garret partiu para o exílio na Inglaterra, de onde regressou somente em 1826. Durante o exílio Garret, influenciado pelas obras de Walter Scott e Lord Byron, compôs os poemas “Camões” e “Dona Branca”. Essas obras foram publicadas em 1824 e são consideradas o marco inicial do Romantismo em Portugal. Garret voltou a Portugal em 1832 integrando o exército de D. Pedro no cerco à cidade do Porto. Entre 1833 e 1836, foi cônsul geral na Bélgica.


Após a Revolução de Setembro foi encarregado de organizar um plano de um teatro nacional, que veio a promover.


Em 1851 recebeu o título de Visconde de Almeida Garrett. Da sua vasta obra literária destacam-se a peça de teatro “Frei Luís de Sousa” (1844), o romance “Viagens da Minha Terra” (1846) e a coletânea de poemas líricos “Folhas Caídas” (1853).


Fonte: www.mundocultural.com.br


ALMEIDA GARRETT


1799 – João Baptista da Silva Leitão, nasce a 4 de Fevereiro no Porto.


1804-08 – Infância repartida pela Quinta do Castelo e a do Sardão, em Vila Nova de Gaia.


1809-16 – Partida da família para os Açores, antes que as tropas de Soult entrassem no Porto. Primeiras incursões literárias, sob o pseudónimo de Josino Duriense.


1818-20 – Matricula-se na Universidade de Coimbra, em Leis. Lê os escritores das Luzes e os primeiros românticos. Funda, em 1817, uma loja maçónica. Em 1818, primeira versão de “O Retrato de Vénus”, que será acusada como sendo “materialista, ateu e imoral”. Participa na Revolução vintista. Vem para Lisboa.


1822 – Dirige, com Luís Francisco Midosi, “O Toucador, periódico sem política, dedicado às senhoras portuguesas”. Casa com Luísa Midosi: Garrett tem 23 anos, ela 14…


1823-27 – Com a Vilafrancada, é preso no Limoeiro. Vai para o primeiro exílio em Inglaterra, Birmingham. Vive numa precária subsistência. Em 1824, está em França, no Havre. Escreve “Camões” e “Dona Branca”. Em Dezembro, fica desempregado. Com a morte de D. João VI, em 1826, é amnistiado mas só regressa a Portugal depois da outorga régia da Carta Constitucional por D. Pedro.


1828 – D. Miguel regressa a Portugal. Garrett, que vê morrer uma sua filha recém-nascida, parte para o segundo exílio, em Inglaterra, Plymouth. Começa a escrever a “Lírica de João Mínimo”.


1829 – Em Londres, é secretário de Palmela no governo exilado.


1830-31 – Edita o violento panfleto “Carta de Múcio Cévola ao futuro editor do primeiro jornal liberal em português”, numa época marcada por duas crises de saúde graves.


1832 – Um ano de fogo: ao lado de Herculano e Joaquim António de Aguiar, parte em Janeiro, com a expedição de D. Pedro, integrando o corpo académico de voluntários. É o praça nº 72. Em Maio, é chamado para a secretaria do Reino junto de Mouzinho da Silveira, ministro da regência em S. Miguel. Integra em Junho a expedição que desembarca nas praias do Mindelo a 8 de Julho e, a 9, entra no Porto. Começa “O Arco de Santana”. É reintegrado por Palmela e é nomeado por Mouzinho da Silveira para coordenar o Código Criminal e Comercial. É encarregue de várias missões diplomáticas, dissolvidas em 1993. Desabafa: “Se não sou exilado ou proscrito, não sei o que sou.”


1833 – Regresso a Lisboa, depois de saber da entrada das tropas liberais. Secretário da comissão de reforma geral dos estudos cujo projecto de lei inteiramente redige.


1834 – Cônsul-geral e encarregado de negócios na Bélgica. Lê os grandes românticos alemães: Herder, Schiller e Goethe.


1835-40 – Separa-se da mulher por comum acordo. As nomeações, demissões e rejeição de cargos continua. Em 1836, colabora com o governo setembrista. Apresenta o projecto de criação do Teatro D. Maria II. Em 1837, é deputado por Braga, para as Cortes Constituintes. Em Novembro, nasce o primeiro filho de Adelaide Pastor – com quem começara a viver -, Nuno, que morre com pouco mais de um ano. 1838: enquanto continua a redigir leis, escreve “Um Auto de Gil Vicente”. É nomeado cronista-mor do reino. Nasce o segundo filho de Adelaide, que também morrerá. Em 1840, é eleito por Lisboa e Angra na nova legislatura


1841-42 – Nascimento da sua filha Maria e morte de Adelaide Pastor com apenas 22 anos. Com a assinatura de Joaquim António de Aguiar (!), é demitido dos cargos de inspector dos teatros, de presidente do conservatório e de cronista-mor.


Em 1842, é eleito deputado e entra nas Cortes. Publica “O Alfageme de Santarém”.


1843 – 17 de Julho: inicia a celebérrima viagem ao vale de Santarém que na está na origem de “As Viagens da Minha Terra”. Escreve a sua outra obra-prima: “Frei Luís de Sousa”.


1844 – Publica anonimamente uma autobiografia na revista “Universo Pitoresco”. No Parlamento, reclama a reforma da Carta Constitucional e revela-se contra a pena de morte. Por ocasião dos acontecimentos de Torres Novas e das posições que defende, a sua própria casa é por três vezes assaltada e devassada pela polícia. Salvo de prisão certa e deportação, graças à imunidade diplomática que lhe concede o acolhimento do embaixador brasileiro. Morre nos Açores a única irmã, Maria Amália.


1845 – Aparece em capítulos, em Junho, na “Revista Universal Lisbonense”, “Viagens na Minha Terra”. É representada “Falar Verdade a Mentir”, enquanto outra, “As Profecias do Bandarra” se estreia. Envolve-se na campanha eleitoral da oposição ao cabralismo. Morre outro irmão, Joaquim António.


1846 – Publica “Viagens na Minha Terra”. Conhece Rosa Montufar, com quem tem uma ligação amorosa que se prolongará até ao ano da sua morte.


1847-50 – Anda escondido no auge dos episódios da Patuleia. Com o regresso de Costa Cabral ao executivo, é remetido ao ostracismo político. No ano seguinte, é representado “A Comédia do Marquês”. Em 1849, desgostoso de amores, passa uma breve temporada em casa de Alexandre Herculano, à Ajuda. A política passa-lhe ao lado e cultiva a vida dos salões lisboetas. Protesta contra o projecto de lei de imprensa, a designada “lei das rolhas”. Dedica-se com regularidade à compilação final do seu “Romanceiro”.


1851-53 – Volta, intensamente, à vida política com o advento da Regeneração. Visconde – que pretende aceitar em duas vidas -, chegou a ministro, por cinco meses. Está na reforma da Academia Real das Ciências, redige o primeiro Acto Adicional à Carta, que discute na própria casa com os ministros. Em 1953, é criado um conselho dramático no D. Maria II, por decreto de 22 de Setembro, foi seu presidente, demitindo-se a pedido dos actores e dramaturgos. Começa a escrever o testamento.


1854 – Numa casa na Rua de Santa Isabel, morre, vítima de cancro de origem hepática. O seu biógrafo Francisco Gomes de Amorim escreve: “Eram seis horas e vinte e cinco minutos da tarde de sábado nove de dezembro de mil oitocentos e cinquenta e quatro.”


ALMEIDA GARRETT



Após uma resenha das variadíssimas facetas da personalidade de Garrett, Almeida Santos concentra o seu artigo na análise dos discursos parlamentares do grande escritor, sublinhando o seu brilhantismo, expresso no dom da palavra na elocução justa e directa, e no apuro da linguagem que distinguem o Garrett parlamentar.


Antes de ser eleito deputado, Garrett distinguiu-se desde logo pela redacção de um conjunto de notáveis textos legislativos, sobre matérias tão diversas como a reforma do ensino público, ou o direito de autor. Sobre esta última questão desenvolveu, aliás uma famosa polémica com Alexandre Herculano, que tinha uma posição idealista, recusando a considerar a propriedade literária como qualquer outra. A esta posição contrapunha Garrett, que os escritores e os artistas tinham que almoçar todos os dias como toda a gente.


Garrett foi eleito deputado inúmeras vezes, tendo porém recusado vários cargos governamentais, preferindo dedicar-se à tarefa mais importante de legislador e reformados. a sua atenção incidiu também, para além dos aspectos já mencionados, no teatro. Elaborou os projectos de criação de um Teatro Nacional, do Conservatório de Arte Dramática, e da Inspecção-Geral dos Teatros e Espectáculos Nacionais. O seu amor pelo teatro levou-o a ser um dos professores fundadores do Conservatório, tendo escrito inclusivè, peças de teatro para serem representadas pelos alunos. Mas, como observa Almeida Santos, “por entre as árduas lutas e as importantes tarefas de que foi incumbido, encontrou sempre ânimo, para dar continuidade à exploração do filão inesgotável da sua criatividade artística.”


Fonte: www.instituto-camoes.pt


ALMEIDA GARRETT


João Baptista da Silva Leitão e mais tarde visconde de Almeida Garrett, (Porto, 4 de Fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de Dezembro de 1854) foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, Par do Reino, ministro e secretário de Estado honorário português.


Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.


Almeida Garrett
Almeida Garrett


Biografia de Almeida Garrett


Primeiros anos


João Baptista da Silva Leitão nasceu no Porto a 4 de Fevereiro de 1799.Na adolescência foi viver para os Açores, na Ilha Terceira, quando as tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal e onde era instruído pelo tio, D. Alexandre, bispo de Angra.


Em 1816 seguiu para Coimbra, onde se matriculou no curso de Direito. Em 1821 publicou O Retrato de Vénus, trabalho que lhe custou um processo por ser considerado materialista, ateu e imoral.E neste mesmo ano que ele e sua família passam a usar o apelido de Almeida Garrett.


Presença nas lutas liberais


Participou da revolução liberal de 1820, seguindo para o exílio na Inglaterra em 1823, após a Vilafrancada. Antes havia casado com Luísa Midosi, de apenas 14 anos. Foi em Inglaterra que tomou contacto com o movimento romântico, descobrindo Shakespeare, Walter Scott e outros autores e visitando castelos feudais e ruínas de igrejas e abadias góticas, vivências que se reflectiriam na sua obra posterior.


Em 1824, seguiu para França, onde escreveu Camões (1825) e Dona Branca (1826), poemas geralmente considerados como as primeiras obras da literatura romântica em Portugal. Em 1826 foi amnistiado e regressou à pátria com os últimos emigrados dedicando-se ao jornalismo, fundando e dirigindo o jornal diário O Português (1826-1827) e o semanário O Cronista (1827).


Teria de deixar Portugal novamente em 1828, com o regresso do Rei absolutista D. Miguel. Ainda nesse ano perdeu a filha recém-nascida. Novamente em Inglaterra, publica Adozinda (1828) e Catão (1828).


Juntamente com Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar, tomou parte no Desembarque do Mindelo e no Cerco do Porto em 1832 e 1833.


Vida política


Almeida Garrett, Alexandre Herculano e José Estêvão de Magalhães nos Passos Perdidos, Assembleia da República Portuguesa
Almeida Garrett, Alexandre Herculano e José Estêvão de Magalhães nos Passos Perdidos, Assembleia da República Portuguesa


A vitória do Liberalismo permitiu-lhe instalar-se novamente em Portugal, após curta estadia em Bruxelas como cônsul-geral e encarregado de negócios, onde lê Schiller, Goethe e Herder. Em Portugal exerceu cargos políticos, distinguindo-se nos anos 30 e 40 como um dos maiores oradores nacionais. Foram de sua iniciativa a criação do Conservatório de Arte Dramática, da Inspecção-Geral dos Teatros, do Panteão Nacional e do Teatro Normal (actualmente Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa). Mais do que construir um teatro, Garrett procurou sobretudo renovar a produção dramática nacional segundo os cânones já vigentes no estrangeiro.


Com a vitória cartista e o regresso de Costa Cabral ao governo, Almeida Garrett afasta-se da vida política até 1852.Contudo, em 1850 subscreveu, com mais de 50 personalidades, um protesto contra a proposta sobre a liberdade de imprensa, mais conhecida por “lei das rolhas”.


Garrett sedutor


A vida de Garrett foi tão apaixonante quanto a sua obra. Revolucionário nos anos 20 e 30, distinguiu-se posteriormente sobretudo como o tipo perfeito do dandy, ou janota, tornando-se árbitro de elegâncias e príncipe dos salões mundanos.Foi um homem de muitos amores, uma espécie de homem fatal. Separado da esposa, passa a viver em mancebia com D. Adelaide Pastor até à morte desta em 1841.


A partir de 1846, a sua musa é a viscondessa da Luz, Rosa Montufar Infante, andaluza casada, desde 1837, com o oficial do exército português Joaquim António Velez Barreiros, inspiradora dos arroubos românticos das Folhas caídas.


Em 1851, Garrett é feito visconde de Almeida Garrett em duas vidas, e em 1852 sobraça, por poucos dias, a pasta dos Negócios Estrangeiros em governo presidido pelo Duque de Saldanha.


Falece em 1854, vítima de cancro, em Lisboa, na sua casa situada na actual Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique.


Obras


Teatro


Dá início ao seu projeto de regeneração do teatro português, levando à cena em 1838 Um Auto de Gil Vicente, pouco antes Filipa de Vilhena e, em 1842, O Alfageme de Santarém, todas sobre temas da história de Portugal.


Almeida Garret pelo escultor Barata Feyo
Almeida Garret pelo escultor Barata Feyo


Em 1844 é publicada a sua obra-prima, Frei Luís de Sousa, que um crítico alemão, Otto Antscherl, considerou a “obra mais brilhante que o teatro romântico produziu”. Estas peças marcam uma viragem na literatura portuguesa não só na selecção dos temas, que privilegiam a história nacional em vez da antiguidade clássica, como sobretudo na liberdade da acção e na naturalidade dos diálogos.


Prosa


Almeida Garret pelo escultor Barata FeyoEm 1843, Garrett publica o Romanceiro e o Cancioneiro Geral, colectâneas de poesias populares portuguesas, e em 1845 o primeiro volume dO Arco de Santana (o segundo apareceria em 1850), romance histórico inspirado por Notre Dame de Paris de Victor Hugo. Esta obra seduz não só pela recriação do ambiente medieval do Porto, mas sobretudo pela qualidade da prosa,longe das convenções anteriores e muito mais próxima da linguagem falada.


A obra que se lhe seguiu deu expressão ainda mais vigorosa a estas tendências: Viagens na minha terra, livro híbrido em que impressões de viagem, de arte, paisagens e costumes se entrelaçam com uma novela romântica sobre factos contemporâneos do autor e ocorridos na proximidade dos lugares descritos (outra inovação para a época, em que predominava o romance histórico). A naturalidade da narrativa disfarça a complexidade da estrutura desta obra, em que alternam e se entrecruzam situações discursivas, estilos, narradores e temas muito diversos.


Poesia


Na poesia, Garrett não foi menos inovador. As duas coletâneas publicadas na última fase da sua vida (Flores sem fruto, de 1844, e sobretudo Folhas caídas, de 1853) introduziram uma espontaneidade e uma simplicidade praticamente desconhecidas na poesia portuguesa anterior.


Almeida Garret pelo escultor António Pinheiro
Almeida Garret pelo escultor António Pinheiro


Ao lado de poemas de exaltada expressão pessoal surgem pequenas obras-primas de singeleza ímpar como «Pescador da barca bela», próximas da poesia popular quando não das cantigas medievais. A liberdade da metrificação, o vocabulário corrente, o ritmo e a pontuação carregados de subjectividade são as principais marcas destas obras.

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Biografia almeida garrett

Partiu com a família para a Ilha Terceira em 1808, de onde regressou em 1815, ano em que se matricula no curso jurídico. Após seu casamento em 1822 e a estréia de sua tragédia Catão, emigra para a Inglaterra e França no ano seguinte, e publica em Paris, em 1826, D. Branca, e em 1827 Camões, voltando a Portugal em 1826. Funda nos anos seguintes os periódicos O Português e O Cronista, mantendo polêmicas políticas com José Agostinho de Macedo. Após ser preso e libertado, sai novamente para a Inglaterra, publicando em Londres Adozinda e a Lírica de João Mínimo.

Participa da campanha de 1832 ao lado de Dom Pedro, e após exercer funções diplomáticas é eleito deputado, em 1837, fundando nesse ano o Teatro Nacional. Nos anos seguintes, vê representadas as peças Um Auto de Gil Vicente, O Alfageme de Santarém e Frei Luís de Sousa, e publica em 1843 o 1º volume do Romanceiro, e em 1845 Arco de Santana (1º tomo), Flores sem Fruto e Viagens na Minha Terra, esta sua obra mais conhecida. É designado Ministro dos Negócios Estrangeiros em 1852, quando recebe o título de Visconde, e publica em 1853 seu último livro, Folhas Caídas.


Fonte: www.thesaurus.com.br


ALMEIDA GARRETT


Almeida Garrett
Almeida Garrett


Escritor e Dramaturgo romântico, foi o proponente da edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e da criação do Conservatório. Nasceu no Porto, em 4 de Fevereiro de 1799; morreu em Lisboa em 9 de Dezembro de 1854.


Em 1816, tendo regressado a Portugal, inscreveu-se na Universidade, na Faculdade de Leis, sendo aí que entrou em contacto com os ideais liberais. Em Coimbra, organiza uma loja maçônica, que será frequentada por alunos da Universidade como Manuel Passos. Em 1818, começa a usar o apelido Almeida Garrett, assim como toda a sua família.


Participa entusiasticamente na revolução de 1820, de que parece ter tido conhecimento atempado, como parece provar a poesia As férias, escrita em 1819. Enquanto dirigente estudantil e orador defende o vintismo com ardor escrevendo um Hino Patriótico recitado no Teatro de São João.


Em Coimbra publica o poema libertino O Retrato de Vénus, que lhe vale ser acusado de materialista e ateu, assim como de “abuso da liberdade de imprensa”, de que será absolvido em 1822. Torna-se secretário particular de Silva Carvalho, secretário de estado dos Negócios do Reino, ingressando em Agosto na respectiva secretaria, com o lugar de chefe de repartição da instrução pública. No fim do ano, em 11 de Novembro, casa com Luísa Midosi.


A Vilafrancada, o golpe militar de D. Miguel que, em 1823, acaba com a primeira experiência liberal em Portugal, leva-o para o exílio. Estabelece-se em Março de 1824 no Havre, cidade portuária francesa na foz do Sena, mas em Dezembro está desempregado, o que o leva a ir viver para Paris. Não lhe sendo permitido o regresso a Portugal, volta ao seu antigo emprego no Havre. A mulher regressa a Portugal.


É amnistiado após a morte de D. João VI, regressando com os últimos emigrados, após a outorga da Carta Constitucional, reocupando em Agosto o seu lugar na Secretaria de Estado. Em Outubro começa a editar O Português, diário político, literário e comercial, sendo preso em finais do ano seguinte. Libertado, volta ao exílio em Junho de 1828, devido ao restabelecimento do regime absoluto por D. Miguel. De 1828 a Dezembro de 1831 vive em Inglaterra, indo depois para França, onde se integra num batalhão de caçadores, e mais tarde, em 1832, para os Açores integrado na expedição comandada por D. Pedro IV. Nos Açores transfere-se para o corpo académico, sendo mais tarde chamado, por Mouzinho da Silveira, para a Secretaria de Estado do Reino.


Morre devido a um cancro de origem hepática, tendo sido sepultado no Cemitério dos Prazeres.


Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br


ALMEIDA GARRETT


Cronologia


1799


João Baptista da Silva Leitão, nasce a 4 de Fevereiro no Porto.


1804-08


Infância repartida pela Quinta do Castelo e a do Sardão, em Vila Nova de Gaia.


1809-16


Partida da família para os Açores, antes que as tropas de Soult entrassem no Porto. Primeiras incursões literárias, sob o pseudónimo de Josino Duriense.


1818-20


Matricula-se na Universidade de Coimbra, em Leis. Lê os escritores das Luzes e os primeiros românticos. Funda, em 1817, uma loja maçónica. Em 1818, primeira versão de “O Retrato de Vénus”, que será acusada como sendo “materialista, ateu e imoral”. Participa na Revolução vintista. Vem para Lisboa.


1822


Dirige, com Luís Francisco Midosi, “O Toucador, periódico sem política, dedicado às senhoras portuguesas”. Casa com Luísa Midosi: Garrett tem 23 anos, ela 14…


1823-27


Com a Vilafrancada, é preso no Limoeiro. Vai para o primeiro exílio em Inglaterra, Birmingham. Vive numa precária subsistência. Em 1824, está em França, no Havre. Escreve “Camões” e “Dona Branca”. Em Dezembro, fica desempregado. Com a morte de D. João VI, em 1826, é amnistiado mas só regressa a Portugal depois da outorga régia da Carta Constitucional por D. Pedro.


1828


D. Miguel regressa a Portugal. Garrett, que vê morrer uma sua filha recém-nascida, parte para o segundo exílio, em Inglaterra, Plymouth. Começa a escrever a “Lírica de João Mínimo”.


1829


Em Londres, é secretário de Palmela no governo exilado.


1830-31


Edita o violento panfleto “Carta de Múcio Cévola ao futuro editor do primeiro jornal liberal em português”, numa época marcada por duas crises de saúde graves.


1832


Um ano de fogo: ao lado de Herculano e Joaquim António de Aguiar, parte em Janeiro, com a expedição de D. Pedro, integrando o corpo académico de voluntários. É o praça nº 72. Em Maio, é chamado para a secretaria do Reino junto de Mouzinho da Silveira, ministro da regência em S. Miguel. Integra em Junho a expedição que desembarca nas praias do Mindelo a 8 de Julho e, a 9, entra no Porto. Começa “O Arco de Santana”. É reintegrado por Palmela e é nomeado por Mouzinho da Silveira para coordenar o Código Criminal e Comercial. É encarregue de várias missões diplomáticas, dissolvidas em 1993. Desabafa: “Se não sou exilado ou proscrito, não sei o que sou.”


1833


Regresso a Lisboa, depois de saber da entrada das tropas liberais. Secretário da comissão de reforma geral dos estudos cujo projecto de lei inteiramente redige.


1834


Cônsul-geral e encarregado de negócios na Bélgica. Lê os grandes românticos alemães: Herder, Schiller e Goethe.


1835-40


Separa-se da mulher por comum acordo. As nomeações, demissões e rejeição de cargos continua. Em 1836, colabora com o governo setembrista. Apresenta o projecto de criação do Teatro D. Maria II. Em 1837, é deputado por Braga, para as Cortes Constituintes. Em Novembro, nasce o primeiro filho de Adelaide Pastor – com quem começara a viver -, Nuno, que morre com pouco mais de um ano. 1838: enquanto continua a redigir leis, escreve “Um Auto de Gil Vicente”. É nomeado cronista-mor do reino. Nasce o segundo filho de Adelaide, que também morrerá. Em 1840, é eleito por Lisboa e Angra na nova legislatura


1841-42


Nascimento da sua filha Maria e morte de Adelaide Pastor com apenas 22 anos. Com a assinatura de Joaquim António de Aguiar (!), é demitido dos cargos de inspector dos teatros, de presidente do conservatório e de cronista-mor.


Em 1842, é eleito deputado e entra nas Cortes. Publica “O Alfageme de Santarém”.


1843 – 17 de Julho


inicia a celebérrima viagem ao vale de Santarém que na está na origem de “As Viagens da Minha Terra”. Escreve a sua outra obra-prima: “Frei Luís de Sousa”.


1844


Publica anonimamente uma autobiografia na revista “Universo Pitoresco”. No Parlamento, reclama a reforma da Carta Constitucional e revela-se contra a pena de morte. Por ocasião dos acontecimentos de Torres Novas e das posições que defende, a sua própria casa é por três vezes assaltada e devassada pela polícia. Salvo de prisão certa e deportação, graças à imunidade diplomática que lhe concede o acolhimento do embaixador brasileiro. Morre nos Açores a única irmã, Maria Amália.


1845


Aparece em capítulos, em Junho, na “Revista Universal Lisbonense”, “Viagens na Minha Terra”. É representada “Falar Verdade a Mentir”, enquanto outra, “As Profecias do Bandarra” se estreia. Envolve-se na campanha eleitoral da oposição ao cabralismo. Morre outro irmão, Joaquim António.


1846


Publica “Viagens na Minha Terra”. Conhece Rosa Montufar, com quem tem uma ligação amorosa que se prolongará até ao ano da sua morte.


1847-50


Anda escondido no auge dos episódios da Patuleia. Com o regresso de Costa Cabral ao executivo, é remetido ao ostracismo político. No ano seguinte, é representado “A Comédia do Marquês”. Em 1849, desgostoso de amores, passa uma breve temporada em casa de Alexandre Herculano, à Ajuda. A política passa-lhe ao lado e cultiva a vida dos salões lisboetas. Protesta contra o projecto de lei de imprensa, a designada “lei das rolhas”. Dedica-se com regularidade à compilação final do seu “Romanceiro”.


1851-53


Volta, intensamente, à vida política com o advento da Regeneração. Visconde – que pretende aceitar em duas vidas -, chegou a ministro, por cinco meses. Está na reforma da Academia Real das Ciências, redige o primeiro Acto Adicional à Carta, que discute na própria casa com os ministros. Em 1953, é criado um conselho dramático no D. Maria II, por decreto de 22 de Setembro, foi seu presidente, demitindo-se a pedido dos actores e dramaturgos. Começa a escrever o testamento.


1854


Numa casa na Rua de Santa Isabel, morre, vítima de cancro de origem hepática. O seu biógrafo Francisco Gomes de Amorim escreve: “Eram seis horas e vinte e cinco minutos da tarde de sábado nove de dezembro de mil oitocentos e cinquenta e quatro.”


Fonte: www.revista.agulha.nom.br


ALMEIDA GARRETT



O escritor e político João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett foi fortemente influenciado pelo escritor neoclássico Filinto Elísio. Em 1820 participou, como líder da classe estudantil, da Revolução Liberal.


Em 1821, após concluir o curso de Direito na Faculdade de Coimbra, publicou o poema “Retrato de Vênus” e depois foi processado por obscenidade. Após o golpe de 1822, no qual o liberalismo foi derrotado, Garret partiu para o exílio na Inglaterra, de onde regressou somente em 1826. Durante o exílio Garret, influenciado pelas obras de Walter Scott e Lord Byron, compôs os poemas “Camões” e “Dona Branca”. Essas obras foram publicadas em 1824 e são consideradas o marco inicial do Romantismo em Portugal. Garret voltou a Portugal em 1832 integrando o exército de D. Pedro no cerco à cidade do Porto. Entre 1833 e 1836, foi cônsul geral na Bélgica.


Após a Revolução de Setembro foi encarregado de organizar um plano de um teatro nacional, que veio a promover.


Em 1851 recebeu o título de Visconde de Almeida Garrett. Da sua vasta obra literária destacam-se a peça de teatro “Frei Luís de Sousa” (1844), o romance “Viagens da Minha Terra” (1846) e a coletânea de poemas líricos “Folhas Caídas” (1853).


Fonte: www.mundocultural.com.br


ALMEIDA GARRETT


1799 – João Baptista da Silva Leitão, nasce a 4 de Fevereiro no Porto.


1804-08 – Infância repartida pela Quinta do Castelo e a do Sardão, em Vila Nova de Gaia.


1809-16 – Partida da família para os Açores, antes que as tropas de Soult entrassem no Porto. Primeiras incursões literárias, sob o pseudónimo de Josino Duriense.


1818-20 – Matricula-se na Universidade de Coimbra, em Leis. Lê os escritores das Luzes e os primeiros românticos. Funda, em 1817, uma loja maçónica. Em 1818, primeira versão de “O Retrato de Vénus”, que será acusada como sendo “materialista, ateu e imoral”. Participa na Revolução vintista. Vem para Lisboa.


1822 – Dirige, com Luís Francisco Midosi, “O Toucador, periódico sem política, dedicado às senhoras portuguesas”. Casa com Luísa Midosi: Garrett tem 23 anos, ela 14…


1823-27 – Com a Vilafrancada, é preso no Limoeiro. Vai para o primeiro exílio em Inglaterra, Birmingham. Vive numa precária subsistência. Em 1824, está em França, no Havre. Escreve “Camões” e “Dona Branca”. Em Dezembro, fica desempregado. Com a morte de D. João VI, em 1826, é amnistiado mas só regressa a Portugal depois da outorga régia da Carta Constitucional por D. Pedro.


1828 – D. Miguel regressa a Portugal. Garrett, que vê morrer uma sua filha recém-nascida, parte para o segundo exílio, em Inglaterra, Plymouth. Começa a escrever a “Lírica de João Mínimo”.


1829 – Em Londres, é secretário de Palmela no governo exilado.


1830-31 – Edita o violento panfleto “Carta de Múcio Cévola ao futuro editor do primeiro jornal liberal em português”, numa época marcada por duas crises de saúde graves.


1832 – Um ano de fogo: ao lado de Herculano e Joaquim António de Aguiar, parte em Janeiro, com a expedição de D. Pedro, integrando o corpo académico de voluntários. É o praça nº 72. Em Maio, é chamado para a secretaria do Reino junto de Mouzinho da Silveira, ministro da regência em S. Miguel. Integra em Junho a expedição que desembarca nas praias do Mindelo a 8 de Julho e, a 9, entra no Porto. Começa “O Arco de Santana”. É reintegrado por Palmela e é nomeado por Mouzinho da Silveira para coordenar o Código Criminal e Comercial. É encarregue de várias missões diplomáticas, dissolvidas em 1993. Desabafa: “Se não sou exilado ou proscrito, não sei o que sou.”


1833 – Regresso a Lisboa, depois de saber da entrada das tropas liberais. Secretário da comissão de reforma geral dos estudos cujo projecto de lei inteiramente redige.


1834 – Cônsul-geral e encarregado de negócios na Bélgica. Lê os grandes românticos alemães: Herder, Schiller e Goethe.


1835-40 – Separa-se da mulher por comum acordo. As nomeações, demissões e rejeição de cargos continua. Em 1836, colabora com o governo setembrista. Apresenta o projecto de criação do Teatro D. Maria II. Em 1837, é deputado por Braga, para as Cortes Constituintes. Em Novembro, nasce o primeiro filho de Adelaide Pastor – com quem começara a viver -, Nuno, que morre com pouco mais de um ano. 1838: enquanto continua a redigir leis, escreve “Um Auto de Gil Vicente”. É nomeado cronista-mor do reino. Nasce o segundo filho de Adelaide, que também morrerá. Em 1840, é eleito por Lisboa e Angra na nova legislatura


1841-42 – Nascimento da sua filha Maria e morte de Adelaide Pastor com apenas 22 anos. Com a assinatura de Joaquim António de Aguiar (!), é demitido dos cargos de inspector dos teatros, de presidente do conservatório e de cronista-mor.


Em 1842, é eleito deputado e entra nas Cortes. Publica “O Alfageme de Santarém”.


1843 – 17 de Julho: inicia a celebérrima viagem ao vale de Santarém que na está na origem de “As Viagens da Minha Terra”. Escreve a sua outra obra-prima: “Frei Luís de Sousa”.


1844 – Publica anonimamente uma autobiografia na revista “Universo Pitoresco”. No Parlamento, reclama a reforma da Carta Constitucional e revela-se contra a pena de morte. Por ocasião dos acontecimentos de Torres Novas e das posições que defende, a sua própria casa é por três vezes assaltada e devassada pela polícia. Salvo de prisão certa e deportação, graças à imunidade diplomática que lhe concede o acolhimento do embaixador brasileiro. Morre nos Açores a única irmã, Maria Amália.


1845 – Aparece em capítulos, em Junho, na “Revista Universal Lisbonense”, “Viagens na Minha Terra”. É representada “Falar Verdade a Mentir”, enquanto outra, “As Profecias do Bandarra” se estreia. Envolve-se na campanha eleitoral da oposição ao cabralismo. Morre outro irmão, Joaquim António.


1846 – Publica “Viagens na Minha Terra”. Conhece Rosa Montufar, com quem tem uma ligação amorosa que se prolongará até ao ano da sua morte.


1847-50 – Anda escondido no auge dos episódios da Patuleia. Com o regresso de Costa Cabral ao executivo, é remetido ao ostracismo político. No ano seguinte, é representado “A Comédia do Marquês”. Em 1849, desgostoso de amores, passa uma breve temporada em casa de Alexandre Herculano, à Ajuda. A política passa-lhe ao lado e cultiva a vida dos salões lisboetas. Protesta contra o projecto de lei de imprensa, a designada “lei das rolhas”. Dedica-se com regularidade à compilação final do seu “Romanceiro”.


1851-53 – Volta, intensamente, à vida política com o advento da Regeneração. Visconde – que pretende aceitar em duas vidas -, chegou a ministro, por cinco meses. Está na reforma da Academia Real das Ciências, redige o primeiro Acto Adicional à Carta, que discute na própria casa com os ministros. Em 1953, é criado um conselho dramático no D. Maria II, por decreto de 22 de Setembro, foi seu presidente, demitindo-se a pedido dos actores e dramaturgos. Começa a escrever o testamento.


1854 – Numa casa na Rua de Santa Isabel, morre, vítima de cancro de origem hepática. O seu biógrafo Francisco Gomes de Amorim escreve: “Eram seis horas e vinte e cinco minutos da tarde de sábado nove de dezembro de mil oitocentos e cinquenta e quatro.”


Fonte: www.secrel.com.br

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