biografia de antônio lobo antunes

Antônio Lobo Antunes


Antônio Lobo Antunes
Antônio Lobo Antunes


António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942. Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria. Exerceu, durante vários anos, a profissão de médico psiquiatra.


Em 1970 foi mobilizado para o serviço militar. Embarcou para Angola no ano seguinte, tendo regressado em 1973.


Em 1979 publicou os seus primeiros livros, MEMÓRIA DE ELEFANTE e OS CUS DE JUDAS, seguindo-se, em 1980, CONHECIMENTO DO INFERNO. Estes primeiros livros são marcadamente biográficos, e estão muito ligados ao contexto da guerra colonial; imediatamente o transformaram num dos autores contemporâneos mais lidos e discutidos, no âmbito nacional e internacional.


Da sua obra – Explicação dos Pássaros, Fado Alexandrino, Auto dos Danados, As Naus, Tratado das Paixões da Alma, A Ordem Natural das Coisas, A Morte de Carlos Gardel, O Manual dos Inquisidores, O Esplendor de Portugal, Exortação aos Crocodilos, Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, Que Farei Quando Tudo Arde, Boa Tarde às Coisas Aqui Em Baixo, Eu Hei-de Amar uma Pedra, Ontem Não te Vi em Babilónia e em 2007, o seu último romance O Meu Nome É Legião – constam, ainda, três volumes de crónicas.


Todo o seu trabalho literário, ao longo dos anos, tem sido objecto dos mais diversos estudos, académicos ou não, e de vários prémios, nacionais, por exemplo, por duas vezes, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa, e internacionais; entre estes, destacam-se o Prémio Europeu de Literatura (Áustria), o Prémio Ovídio (Roménia), o Prémio Internacional de Literatura da União Latina (Roma), o Prémio Rosalía de Castro (Galiza), o Prémio Jerusalém de Literatura, o Prémio Iberoamericano das Letras José Donoso e o Prémio Camões.


Fonte: www.dquixote.pt


Antônio Lobo Antunes


António Lobo Antunes, escritor que leva já quinze obras publicadas, nasceu em 1942, em Lisboa, na zona de Benfica, onde cresceu. “Tive a sorte de ter uma infância muito boa, passada em Benfica que, na altura, era um microcosmos, das várias classes sociais, tudo aquilo misturado, larguinhos, pracinhas.”


É o mais velho de seis irmãos. São eles João, que se dedica à medicina, Pedro à arquitectura, Miguel à jurisprudência, Manuel à diplomacia e Nuno à neurologia pediátrica.


De todos os irmãos, foi com João que estabeleceu uma relação mais forte: “… sobretudo com o João, porque vivíamos dois a dois, em cada quarto, e o João era o meu companheiro.”


No que concerne à sua relação com a família, Lobo Antunes tem a dizer: “Talvez por na família haver uma grande contenção e uma grande austeridade, ainda hoje falo com o meu pai mais de literatura do que dos nossos sentimentos pessoais… Sou capaz de falar de emoções e sentimentos com os meus amigos, mas, com os meus pais, há um enorme pudor, não sei se estão bem afectivamente, em que partido é que eles votam.” (cfr. crónicas)


Relativamente à educação, diz: “Nós somos seis rapazes e tivemos a sorte de os meus pais serem extremamente estimulantes, no sentido de nos fazerem interessar por tudo, desde de cálculo integral até à literatura. Havia uma enorme curiosidade intelectual da parte do meu pai, sobretudo, mas também da minha mãe.”


António Lobo Antunes licenciou-se na Faculdade de Medicina, em Lisboa – afirmou ter ido para medicina por acaso. Isso acontecia à maior parte de filhos dos médicos. “Na verdade, nunca quis ser médico. Mas eu era o mais velho e, naquela altura, quando se chegava ao quinto ano, tínhamos de escolher entre ciências e letras. Ora, eu tinha treze anos – o meu pai perguntou-me o que é que eu queria fazer, eu disse que queria ser escritor e, portanto, queria ir, naturalmente para a Faculdade de Letras.(…)lembro-me de o meu pai me dizer, na altura, que, se eu queria ser escritor, o melhor seria tirar um curso técnico, que isso me daria uma preparação melhor. Eu penso que ele estava preocupado com a ideia de eu ter de ser professor de liceu e que tivesse uma vida mais ou menos difícil e triste, e achava que a medicina poderia ser uma via melhor para mim.”


Especializou-se em psiquiatria por pensar que era parecido com literatura.


Parte da sua experiência clínica foi praticada em Angola, durante a Guerra Colonial. “Quando fui para África, ainda que contasse com pouca experiência cirúrgica, tinha de fazer amputações, tinha que fazer essas coisas tramadas que há a fazer em tempo de guerra… Então, levava o tratado de cirurgia, o furriel enfermeiro, que não podia ver sangue, ia-me lendo aquilo tudo, os procedimentos, e eu ia operando. Felizmente nunca nos morreu ninguém assim. Portanto, a minha relação com a medicina era essa.”


Posteriormente, veio para Portugal: “Depois quando voltei de África, fazia ‘bancos’ em vários sítios porque ganhava pouco dinheiro como interno e, depois chegava a casa e continuava a escrever sempre. Por um lado, funcionava como anti depressivo e, por outro, tinha a sorte de estar com o Ernesto Melo Antunes, que era meu capitão. Recebíamos imensos livros. O relacionamento com Melo Antunes foi decisivo para mim e é uma amizade que ainda hoje dura.”


No que concerne à política, apenas uma vez foi militante da APU (1980). No entanto, em relação à questão do poder, afirma estar um pouco distanciado, talvez por formação e herança do seu pai que era anarquista. Lobo Antunes caracterizou numa entrevista o pai da seguinte forma: “Ele é realmente um homem de uma grande visão, de superior inteligência, de grande sensibilidade.”


Foi, sensivelmente, a partir de 1985 que Lobo Antunes se dedicou quase exclusivamente ao ofício da escrita. Referiu apenas ter conhecido pessoas do meio artístico depois de se tornar escritor. Entre elas José Cardoso Pires, um dos seus melhores amigos. Embora não directamente ligado ao meio artístico, é de referir Daniel Sampaio, que foi fundamental para a publicação das suas primeiras obras, uma vez que foi ele que se preocupou em falar com as editoras – nomeadamente, a sua primeira obra, Memória de Elefante, datada de 1979.


Os temas abordados nas suas obras são a Guerra Colonial (essencialmente nas primeiras); a morte; a solidão; a frustração de viver/não amar. Numa entrevista em 1992 ao Público, afirmou ter começado a abordar um tema que até então não tinha feito parte dos seus romances: a ternura – “No fundo nos sentimentos, nas emoções, no fundo em face dos grandes temas que acabaram por ser sempre os mesmos ao longo dos livros todos: a solidão, a morte, necessariamente também a vida, depois o amor ou a ausência dele, e penso que cada vez mais a ternura.”


A sociedade urbana da média burguesia é a mais retratada nos seus livros, uma vez que esta sociedade caracterizou o seu próprio ambiente familiar. Deste modo, o autor tem necessidade de partir duma base real para a criação das suas obras.


Quanto a publicações, Lobo Antunes tem várias no estrangeiro e quanto a Portugal diz “não ter necessidade de as publicar cá: porque o meu nome não aparece em parte nenhuma, porque recuso tudo: entrevistas, convites. Às vezes pergunto-me porque o faço, julgo que, por um lado, é porque tenho tido lá for a uma aceitação que não encontro cá; depois, porque me aparecem existirem muitos equívocos ao nível da Literatura neste país.”


Aludiu numa entrevista à Visão, em Setembro de 96, que as principais influências nos seus livros foram o cinema norte-americano, o cinema italiano, os andamentos da música, e também alguns escritores que o encantaram na adolescência, como sejam: Céline, Hemingway, Sartre, Camus, Malraux, Júlio Verne e Emilio Salgari; mais tarde foi a descoberta de Simenon e posteriormente a descoberta dos russos com Tolstoi e Tchekov. “A minha família tem pouco sangue português: sou meio brasileiro, meio alemão. Fui formado, sobretudo, pela literatura dos estrangeiros, norte-americanos em particular: Faulkner, Scott Fitzgerald, Thomas Wolf.” – declarou Lobo Antunes ao Jornal de Letras, em Novembro de 85.


A propósito de numa entrevista ao Jornal Record, em Dezembro de 1996, ter referido a mudança que tudo sofre, nomeadamente a terra onde viveu a sua infância, afirma que o mesmo acontece com as suas filhas que vão crescendo, mas que a imagem delas na infância perdura na memória. O escritor tem três filhas: uma de 27, outra de 25 e outra de 15. Quanto à sua relação com elas, diz: “Actualmente, julgo que é boa. Mas eu nunca pergunto nada, não lhes faço perguntas pessoais. Como a mim nunca me fizeram. O meu pai só me dizia: nunca faças nada de que te possas arrepender. E o facto de haver liberdade obrigava-nos, naturalmente a um maior auto-controle e auto-responsabilização.”


Embora dedique a sua vida à escrita, costuma ir muitas vezes ao hospital: “vou ao hospital trabalhar só para não me sentir maluco, porque escrever é uma coisa muito solitária e às vezes, é preciso ver outras pessoas.”


Escrever todos os dias é já uma necessidade de Lobo Antunes. “É sempre igual: começo a escrever às duas da tarde, quando posso, às dez da manhã, mas nem sempre é possível, e trabalho até às duas, três da manhã, com uma pausa para almoçar e outra para jantar. ” É no seu escritório, uma pequena sala de duas assoalhadas junto do Cemitério do Alto de S. João, que Lobo Antunes escreve. Quanto a mobiliário, apenas uma pequena mesa de tampo de mármore partido, dois ou três sofás de napa sem braços, duas cadeiras, uma cama, um guarda-fato, um cabide de pé e um televisor sobre a alcatifa; uma das paredes está decorada com minúsculas fotografias e cromos de jogadores de futebol, essencialmente do Benfica e da década de 60.


Sobre a escrita, Lobo Antunes diz: “Eu escrevo livros para corrigir os anteriores, E ainda tenho muito para corrigir.” Numa outra entrevista afirmou também: “no fundo, a nossa vida é sempre uma luta contra a depressão e, em relação a mim, escrever é uma forma de fuga ou de equilíbrio… Por outro lado, há a sensação de qualquer coisa que nos foi dada e que temos obrigação de dar às outras pessoas: quando não trabalho sinto-me culpado. Há ainda a sensação do tempo, ou seja, ter na cabeça projectos para 200 anos e saber que não vamos viver 200 anos…”


Fonte: www.citi.pt


Antônio Lobo Antunes


António Lobo Antunes
António Lobo Antunes


António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942. Médico psiquiatra, foi convocado pelo exército português para servir na guerra em Angola.


É considerado por vários críticos em todo o mundo como o mais importante romancista português depois de Eça de Queirós. Boa tarde às coisas aqui em baixo é o 16.º romance de sua obra, em que se destacam títulos como:




  • Memória de elefante, seu primeiro livro (1979)


  • A morte de Carlos Gardel


  • O manual dos inquisidores


  • Conhecimento do inferno


  • Tratado das paixões da alma


  • A ordem natural das coisas


  • Exortação aos crocodilos, que lhe rendeu o Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, em 1999.

Fonte: www.objetiva.com.br


ANTÔNIO LOBO ANTUNES


Escritor português contemporâneo e polémico, Lobo Antunes nasceu em Lisboa no ano de 1942. Licenciou-se na Universidade de medicina de Lisboa, especializando-se em Psiquiatria por considerá-la semelhante à literatura.


Pouco depois partiu para a guerra colonial, em Angola, onde exerceu a sua actividade.


« Quando fui para África, ainda que contasse com pouca experiência cirúrgica, tinha de fazer amputações, tinha que fazer essas coisas tramadas que há a fazer em tempo de guerra». (António Lobo Antunes)


Volta para Portugal, onde continua a exercer medicina. Apenas começa a dedicar-se em exclusivo à arte de escrever, a sua paixão sempre presente, a partir de 1985, após ter feito amizade com José Cardoso Pires e Daniel Sampaio, que tiveram um papel fundamental na edição da sua primeira obra.


Os seus livros falam, sobretudo da guerra colonial, dos portugueses que viveram nas colónias («retornados»), da morte, da solidão e da frustração de viver e não amar. A sua escrita é poderosa e várias entidades internacionais já o premiaram por esse facto. É um dos nomes apontados para um futuro Prémio Nobel da Literatura.


«No fundo, a nossa vida é sempre uma luta contra a depressão e, em relação a mim, escrever é uma forma de fuga ou de equilíbrio… Por outro lado, há a sensação de qualquer coisa que nos foi dada e que temos obrigação de dar às outras pessoas: quando não trabalho sinto-me culpado. Há ainda a sensação do tempo, ou seja, ter na cabeça projectos para 200 anos e saber que não vamos viver 200 anos…». (António Lobo Antunes)


Obra


Memória de Elefante, 1979 Os Cus de Judas, 1979 Conhecimento do Inferno, 1980 A Explicação dos Pássaros, 1981 Fado Alexandrino, 1983 Auto dos Danados, 1985 As Naus, 1988 Tratado das Paixões da Alma, 1990 A Ordem Natural das Coisas, 1992 A Morte de Carlos Gardel, 1994 Crónicas, 1995 Manual dos Inquisidores, 1996 O Esplendor de Portugal, 1997 Exortação aos Crocodilos, 1999 A História do Hidroavião, 2000 Não Entres Tão depressa Nessa Noite Escura, 2000 Que Farei Quando Tudo Arde?, 2001 Apontar com o Dedo o Centro da Terra, 2002 (ilustração de Júlio Pomar) Algumas Crónicas, 2002 Segundo Livro de Crónicas, 2002 Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, 2003


Fonte: lusomatria.com


ANTÔNIO LOBO ANTUNES


Romancista. Proveniente de uma família da grande burguesia portuguesa, licenciou-se em Medicina, com especialização em Psiquiatria. Exerceu a profissão no Hospital Miguel Bombarda em Lisboa, dedicando-se desde 1985 exclusivamente à escrita. A experiência em Angola na Guerra Colonial como tenente e médico do exército português durante vinte e sete meses (de 1971 a 1973) marcou fortemente os seus três primeiros romances.


Em termos temáticos, a sua obra prossegue com a tetralogia constituída por A explicação dos pássaros, Fado alexandrino, Auto dos Danados e As naus, onde o passado de Portugal, dos Descobrimentos ao processo revolucionário de Abril de 1974, é revisitado numa perspectiva de exposição disfórica dos tiques, taras e impotências de um povo que foram, ao longo dos séculos, ocultados em nome de uma versão heróica e epopeica da história. Segue-se a esta série a trilogia Tratado das paixões da alma, A ordem natural das coisas e A morte de Carlos Gardel – o chamado “ciclo de Benfica” -, revisitação de geografias da infância e adolescência do escritor (o bairro de Benfica, em Lisboa). Lugares nunca pacíficos, marcados pela perda e morte dos mitos e afectos do passado e pelos desencontros, incompatibilidades e divórcios nas relações do presente, numa espécie de deserto cercado de gente que se estende à volta das personagens.


António Lobo Antunes começou por utilizar o material psíquico que tinha marcado toda uma geração: os enredos das crises conjugais, as contradições revolucionárias de uma burguesia empolgada ou agredida pelo 25 de Abril, os traumas profundos da guerra colonial e o regresso dos colonizadores à pátria primitiva. Isto permitiu-lhe, de imediato, obter um reconhecimento junto dos leitores, que, no entanto, não foi suficientemente acompanhado pelo lado da crítica. As desconfianças em relação a um estranho que se intrometia no meio literário, a pouca adesão a um estilo excessivo que rapidamente foi classificado de “gongórico” e o próprio sucesso de público, contribuíram para alguns desentendimentos persistentes que se começaram a desvanecer com a repercussão internacional (em particular em França) que a obra de António Lobo Antunes obteve.


Ultrapassado este jogo de equívocos, António Lobo Antunes tornou-se um dos escritores portugueses mais lidos, vendidos e traduzidos em todo o mundo. Pouco a pouco, a sua escrita concentrou-se, adensou-se, ganhou espessura e eficácia narrativa. De um modo impiedoso e obstinado, esta obra traça um dos quadros mais exaustivos e sociologicamente pertinentes do Portugal do século XX.


A sua obra prosseguiu numa contínua renovação linguística, tendo os seus últimos romances (Exortação aos Crocodilos, Não entres tão depressa nessa noite escura, Que farei quando tudo arde?, Boa tarde às coisas aqui em baixo), bem recebidos pela crítica, marcado definitivamente a ficção portuguesa dos últimos anos.


Fonte: www.iplb.pt


ANTÔNIO LOBO ANTUNES


António Lobo Antunes (Lisboa, 1 de Setembro de 1942), escritor português.


Romancista e cronista, Lobo Antunes é licenciado em Medicina, com especialização em Psiquiatria. Esteve destacado em Angola, entre 1970 e 1973, durante a fase final da Guerra Colonial portuguesa. A sua experiência de guerra inspirou muitos dos seus livros. Regressado a Portugal, trabalhou no hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, em Lisboa.


Foi militante da APU (Aliança Povo Unido – coligação liderada pelo Partido Comunista Português) em 1980.


Actualmente vive em Lisboa, dedicando-se em exclusivo à escrita.


Em 2007 é-lhe atribuído o Prémio Camões[1], o mais importante galardão literário de língua portuguesa.


Brasil


No Brasil, a Editora Objetiva adquiriu os direitos de publicação, em versão original, de toda a obra do escritor português. A editora já publicou no país os seguintes títulos: Boa tarde às coisas aqui em baixo, Memória de elefante, Conhecimento do inferno, Os cus de Judas e Eu hei-de amar uma pedra.


Segundo o autor, durante entrevista à revista Entre livros, nº 32, páginas 14 a 19, o Brasil começou muito tarde a publicar seu trabalho por “razões pessoais”: “Os cus de Judas saiu primeiro por uma editora que era de um amigo meu, a Marco Zero, e depois por longos anos não foi publicado.” O autor não tinha pressa em ser publicado no Brasil e conclui: “Não sei, certa impressão de que meus livros seriam muito criticados… e eu venho do Brasil.” O avô de Lobo Antunes, também António, era de (Belém), onde o escritor começou a ler os clássicos brasileiros José de Alencar, Aluísio Azevedo, Machado de Assis, Monteiro Lobato.


Temáticas
Muitos dos livros de António Lobo Antunes referem ou reportam-se a todo o processo de passagem do fim do Estado Novo até à implantação da Democracia. O fim da Guerra Colonial, o fim de um mundo burguês marcado por valores conservadores e retrógados. Os problemas de mudança social rápida no 25 de Abril e consequentemente a instabilidade política vivida em Portugal. Esse processo de passagem é espelhado nas relações familiares. Regra geral aparecem nos romances deste autor famílias disfuncionais em que o indivíduo está a perder os seus referentes, em que a comunicação é ou nula ou superficial entre os seus membros. Regra geral os anti-heróis dos seus romances são pessoas que exercem profissões liberais oriundos de “boas famílias”.


Biografia


António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942. Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria. Exerceu, durante vários anos, a profissão de médico psiquiatra. Em 1970 foi mobilizado para o serviço militar. Embarcou para Angola no ano seguinte, tendo regressado em 1973.


Em 1979 publicou os seus primeiros livros, MEMÓRIA DE ELEFANTE e OS CUS DE JUDAS, seguindo-se, em 1980, CONHECIMENTO DO INFERNO. Estes primeiros livros são marcadamente biográficos, e estão muito ligados ao contexto da guerra colonial; transformaram-no imediatamente num dos autores contemporâneos mais lidos e discutidos, no âmbito nacional e internacional.


Da sua obra – Explicação dos Pássaros, Fado Alexandrino, Auto dos Danados, As Naus, Tratado das Paixões da Alma, A Ordem Natural das Coisas, A Morte de Carlos Gardel, O Manual dos Inquisidores, O Esplendor de Portugal, Exortação aos Crocodilos, Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, Que Farei Quando Tudo Arde, Boa Tarde às Coisas Aqui Em Baixo, Eu Hei-de Amar uma Pedra, Ontem Não te Vi em Babilónia e em 2007, o seu último romance O Meu Nome É Legião – constam, ainda, três volumes de crónicas.


Todo o seu trabalho literário, com o passar dos anos, tem sido utilizado para os mais diversos estudos, académicos, e de vários prémios, nacionais, por exemplo, por duas vezes, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa, e internacionais; entre estes, destacam-se o Prémio Europeu de Literatura (Áustria), o Prémio Ovídio (Roménia), o Prémio Internacional de Literatura da União Latina (Roma), o Prémio Rosalía de Castro (Galiza), o Prémio Jerusalém de Literatura, o Prémio Iberoamericano das Letras José Donoso e o Prémio Camões.


Estilo



Densidade


Lobo Antunes tem uma escrita densa. O leitor tem algum esforço de leitura porque, por exemplo, não é raro haver mudanças de narrador e assim o leitor tem tendência a “perder o fio à meada”. No entanto apesar de não ser um autor que opte por uma escrita fácil (ou facilitista) Lobo Antunes constitui um fenómeno de vendas e é muito lido internacionalmente, especialmente na Europa Continental.


Mudança de narrador


Na esteira de James Joyce ou de “The Sound and the Fury ” de Faulkner, o narrador é por vezes trocado, como se o ponto de vista saltasse de personagem em personagem. Isto dá uma qualidade de caleidoscópio ao desenrolar da narrativa.


Obsessividade


Os livros de Lobo Antunes são muito obsessivos e labirínticos dando um tom geral de claustrofobia e paranóia às suas obras. Apesar disso as suas obras apresentam uma diversidade linguística notável.


Sintagmas nominais complexos


Ocorre muitas vezes numa descrição ou pensamento do que está a acontecer a um personagem aparecerem sobrepostos tanto o que está “realmente” a acontecer como uma realidade imaginária. Outros processos típicos são sintagmas nominais complexos como por exemplo “cachoeira dos pulmões”. Aqui os substantivos (S1 de S2) não funcionam da maneira habitual em que S2 atribui propriedades sobre S1 (“copo de água”; água está a especificar o conteúdo do copo) mas funcionando este sintagma como uma metáfora ou como uma comparação. (assim esta imagem seria descrita num português mais habitual como “os pulmões fazendo barulho como uma cachoeira”). Em As Naus, um velho cego tem “olhos lisos de estátua”; em Manual dos Inquisidores, uma luneta é descrita como sendo “um tubo de inventar planetas”.


Simultaneidade


Tipicamente ocorrem várias descrições simultâneas, tanto físicas como de pensamentos. É habitual uma realidade do passado estar misturada com uma realidade do presente. No meio de um diálogo serem inseridos diálogos imaginários ou do tempo passado. Estes processos são usados com mestria por este autor resultando efeitos de grande valor literário.

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