biografia de dante alighieri

Dante Alighieri


Dante Alighieri
Dante Alighieri


Dante Alighieri (1265-1321)


Dante Alighieri nasceu em Florença em 1265 de uma família da baixa nobreza. Sua mãe morreu quando era ainda criança e seu pai, quando tinha dezoito anos.


Pouco se sabe sobre a vida de Dante e a maior parte das informações sobre sua educação, sua família e suas opiniões são geralmente meras suposições. As especulações sobre a sua vida deram origem à vários mitos que foram propagados por seus primeiros biógrafos, dificultando o trabalho de separar o fato da ficção. Pode-se encontrar muita informação em suas obras, como na Vida Nova (La Vita Nuova) e na Divina Comédia (Commedia).


Na Vida Nova Dante fala de seu amor platônico por Beatriz (provavelmente Beatrice Portinari), que encontrara pela primeira vez quando ambos tinham 9 anos e que só voltaria a ver 9 anos mais tarde, em 1283. Nos tempos de Dante, o casamento era motivado principalmente por alianças políticas entre famílias. Desde os 12 anos, Dante já sabia que deveria se casar com uma moça da família Donati. A própria Beatriz, casou-se em 1287 com o banqueiro Simone dei Bardi e isto, aparentemente, não mudou a forma como Dante encarava o seu amor por ela. Provavelmente em 1285, Dante casou-se com Gemma Donati com quem teve pelo menos três filhos. Uma filha de Dante tornou-se freira e assumiu o nome de Beatrice.


Em 1290, Beatriz morreu repentinamente deixando Dante inconsolável. Esse acontecimento teria provocado uma mudança radical na sua vida o levando a iniciar estudos intensivos das obras filosóficas de Aristóteles e a dedicar-se à arte poética.


Dante foi fortemente influenciado pelos trabalhos de retórica e filosofia de Brunetto Latini – um famoso poeta que escrevia em italiano (e não em latim, como era comum entre os nobres), tendo também se beneficiado da amizade com o poeta Guido Cavalcanti – ambos mencionados na sua obra. Pouco se sabe sobre sua educação. Segundo alguns biógrafos, é possível que tenha estudado na universidade de Bologna, onde provavelmente esteve em 1285.


A Itália no tempo de Dante estava dividida entre o poder do papa e o poder do Sagrado Império Romano. O norte era predominantemente alinhado com o imperador (que podia ser alemão ou italiano) e o centro, com o papa (veja mapa).



A Itália, porém, não era um império coeso. Não havia um único centro de poder. Havia vários, espalhados pelas cidades, que funcionavam como estados autônomos e seguiam leis e costumes próprios. Nas cidades era comum haver disputas de poder entre grupos opositores, o que freqüentemente levava a sangrentas guerras civis. Florença era, na época, uma das mais importantes cidades da Europa, igual em tamanho e importância a Paris, com uma população de mais de 100 mil habitantes e interesses financeiros e comerciais que incluíam todo o continente.


A política nas cidades representava os interesses de famílias. A afiliação era hereditária. A família de Dante pertencia a uma facção política conhecida como os guelfos (Guelfi) – representados pela baixa nobreza e pelo clero – que fazia oposição a um partido conhecido como os guibelinos (Ghibellini) – representantes da alta nobreza e do poder imperial. Os nomes dos dois grupos eram originários de partidos alemães, porém os ideais políticos eram um mero pretexto para abrigar famílias rivais. Florença se dividiu em guelfos e guibelinos quando um jovem da família Buondelmonti não cumpriu uma promessa de casamento com uma moça da família Amadei e foi assassinado. As famílias da cidade tomaram partido por um lado ou por outro e Florença se dividiu em guelfos e guibelinos.


Dante nasceu em uma Florença governada pelos guibelinos, que haviam tomado a cidade dos guelfos na sangrenta batalha conhecida como Montaperti (monte da morte), em 1260. Em 1289, Dante lutou com o exército guelfo de Florença na batalha de Campaldino, onde os florentinos venceram os exércitos guibelinos de Pisa e Arezzo, e recuperaram o poder sobre a cidade.


Na época de Dante, o governo da cidade era exercido por representantes eleitos de corporações de operários, artesãos, profissionais, etc. chamadas de guildas. Dante se inscreveu na guilda dos médicos e farmacêuticos e disputou as eleições em Florença, tendo sido eleito em 1300 como um dos seis priores (presidentes) do Conselho da Cidade.


A maior parte do poder em Florença estava então nas mãos dos guelfos – opositores do poder imperial. Mas o partido em pouco tempo se dividiu em duas facções. A causa foi novamente uma rixa entre famílias, desta vez, importada da cidade de Pistóia. Os Cancellieri era uma grande família de Pistóia, descendentes de um mesmo pai que tivera, durante sua vida, duas esposas. A família Cancellieri se dividiu quando um membro desajustado da família assassinou o tio e cortou a mão do primo. Os descendentes da primeira esposa do Cancellieri, que se chamava Bianca, decidiram se apelidar de Bianchi. Os rivais, que defendiam o jovem assassino, se apelidaram de Neri (negros) em espírito de oposição. A briga tomou conta de Pistóia e a cidade acabou sofrendo intervenção de Florença, que levou presos os líderes dos grupos rivais. Mas as famílias de Florença não demoraram a tomar partido e, por causa de uma briga de rua, a divisão se espalhou pela cidade, dividindo os guelfos em negros e brancos.


Depois de criados, os partidos assumiram posições políticas. Os guelfos brancos, moderados, respeitavam o papado mas se opunham à sua interferência na política da cidade. Já os guelfos negros, mais radicais, defendiam o apoio do papa contra as ambições do imperador, que era apoiado pelos guibelinos.


Os priores de Florença (entre eles Dante) viviam em constante atrito com a igreja de Roma que, sob o governo do papa Bonifácio VIII, pretendia colocar toda a Itália sob a ditadura da igreja. Em um dos encontros com o papa, onde os priores foram reclamar da interferência da igreja sobre o governo de Florença, Bonifácio respondeu ameaçando excomungá-los. A briga entre os Neri e Bianchi tornou-se cada vez mais intensa durante o mandato de Dante até que ele teve que ordenar o exílio dos líderes de ambos os lados para preservar a paz na cidade. Dante foi extremamente imparcial, incluindo, entre os exilados, um dos seus melhores amigos (Guido Cavalcanti) e um parente de sua esposa (da família Donati).


No meio da confusão entre os guelfos de Florença, o papa decidiu enviar Carlos de Valois (irmão do rei Felipe da França) como pacificador para acabar com a briga entre as facções. A suposta ajuda, porém, revelou ser um golpe dos Neri para tomar o poder. Eles ocuparam o governo de Florença e condenaram vários Bianchi ao exílio e à morte. Dante foi culpado de várias acusações, entre elas corrupção, improbidade administrativa e oposição ao papa. Foi banido da cidade por dois anos e condenado a pagar uma alta multa. Caso não pagasse, seria condenado à morte se algum dia retornasse a Florença.


Dante no Exílio. Anônimo. Archivo Iconográfico S. A., Itália.
Dante no Exílio. Anônimo. Archivo Iconográfico S. A., Itália.
Imagem pertencente à Corbis Image Collections.


No exílio, Dante se aproximou mais da causa dos guibelinos (o império), à medida em que a tirania do papa aumentava. Ele passou o seu exílio em Forlì, Verona, Arezzo, Veneza, Lucca, Pádua (e também provavelmente em Paris e Bologna). Em 1315 voltou a Verona e dois anos depois fixou-se em Ravenna. Suas esperanças de voltar a Florença retornaram depois que o sucessor de Bonifácio VIII chamou à Itália o imperador Henrique VII. O objetivo de Henrique VII era reunir a Itália sob seu reinado. Porém a traição do papa, que ainda alimentava a idéia de ter um império próprio, seguida por uma nova vitória dos Neri e a morte de Henrique VII três anos depois enterraram de vez as suas esperanças.


Na obra La Vita Nuova, seu primeiro trabalho literário de importância, iniciado pouco depois da morte de Beatriz, Dante narra a história do seu amor por Beatriz na forma de sonetos e canções complementadas por comentários em prosa. Durante o seu exílio Dante escreveu duas obras importantes em latim: De Vulgari Eloquentia, onde defende a língua italiana, e Convivio, incompleto, onde pretendia resumir todo o conhecimento da época em 15 livros. Apenas os quatro primeiros foram concluídos. Escreveu também um tratado: De Monarchia, onde defendia a total separação entre a Igreja e o Estado. A Commedia consumiu 14 anos e durou até a sua morte, em 1321, ocorrida pouco após a conclusão do Paraíso. Cinco anos antes de sua morte, foi convidado pelo governo de Florença a retornar à cidade. Mas os termos impostos eram humilhantes, semelhantes àqueles reservados à criminosos perdoados e Dante rejeitou o convite, respondendo que só retornaria se recebesse a honra e dignidade que merecia. Continuou em Ravenna, onde morreu e foi sepultado com honras.


Helder da Rocha


Fontes: [Encarta 97], [Larousse 98], [Mauro 98], [Musa 95], [Cambridge].


Nota: Muitas fontes apresentaram informações contraditórias sobre a vida de Dante, principalmente em relação a datas e sobre sua família. Neste texto, mantive as informações das fontes que eu considerei mais confiáveis. Outros textos podem, portanto, apresentar versões diferentes.


Fonte: www.stelle.com.br


Dante Alighieri

Nascido em Florença (maio ou junho de 1265), Dante pertenceu a uma família de pequena nobreza, graças ao título de cavaleiro, outorgado a seu trisavô Cacciaguida, pelo imperador Conrado III. A família, de condição modesta, vivia do comércio local, de câmbio e pequenos empréstimos: uma típica família florentina dos séculos XII e XIII. As reviravoltas da Cida política foram a causa do exílio de Bellincione, o avô de Dante.


Aos 5 anos de idade perdeu a mãe. Tempos depois morre o pai, comerciante que fez maus negócios. Dante, então, torna-se chefe de família, aos 16 ou 17 anos. Recebera instrução que se ministrava aos jovens florentinos de sua condição social: instrução primária – gramática e retórica – na casa de um pedagogo, e, depois, o ensino do “trivium” e do “quadrivium” na escola da igreja episcopal.


Dante parece não haver se interessado pelos negócios comerciais da família. Muito cedo, ele se consagra à poesia: o soneto “A ciascunalma presa” que encabeça a Vita Nuova, parece ter sido escrito em 1283. Nos estudos, dedica-se, de início, aos literários, filosóficos e teológicos (1290-1294). Depois de passar, talvez, pela Universidade de Bolonha (1287), ele freqüenta intelectuais florentinos, particularmente Brunetto Latini (consagrado escritor florentino) e Guido Cavalcanti (que lhe possibilita ingressar numa camada da sociedade inacessível a sua pequena nobreza), recebendo bastante influência na obra. Assimila a retórica clássica e medieval, a cultura francesa, a poesia cortês siciliana e toscana.


Em 1289, as obrigações militares interrompem a sua atividade literária, já que toma parte nas batalhas de Campaldino e de Caprona. Em 1290, reinicia os estudos, voltando-se para a filosofia, principalmente Cícero e Boécio, e para a teologia, na escola de religiosos de Santa Croce e de Santa Maria Novella.


Os interesses de Dante, no entanto, não se limitam aos estudos. Em 1295, aos trinta anos, passa a tomar parte na política florentina, à beira da guerra civil. A motivação foram as novas medidas que devolviam os direitos civis aos nobres, com a condição de que se inscrevessem numa corporação. Dante inscreve-se imediatamente na dos médicos e farmacêuticos. Até o ano de 1300, participa ativamente da vida política de Florença, tendo assento em diversos conselhos e é encarregado de missões diplomáticas importantes.


Dante faz-se notar pela política firme contra os “magnati” e pela oposição aos Pretos, os quais, como seu chefe Corso Donati, sustentavam na Toscana as ambições políticas do Papado. O engajamento político não retirará Dante da criação poética: ele compõe a Vita Nuova (1293-1295).


Em 1300, é eleito membro do Colégio dos Priores. Neste cargo ficou 2 meses, juntamente com outros 5 priores que exerciam o colegiado do poder executivo de Florença. Seu priorado á assinalado por sangrentos motins, que causam o exílio dos principais chefes dos Pretos e dos Brancos – entre estes últimos achava-se Guido Cavalcanti. Porém, como a entrada em Florença de Charles de Valois, que fora enviado pelo Papa para pacificar as dissensões entre as facções adversárias – os Pretos e os Brancos –, o partido dos Pretos triunfa e toma o poder. Dante, que pertence ao partido dos Brancos, derrotado, acusado de corrupção, improbidade administrativa e oposição ao Papa.


De acordo com os relatos, Dante, que havia ido a Roma para uma audiência com o Papa, não teve oportunidade sequer de retornar antes de sua condenação, em janeiro de 1302. Sentenciado a uma pena pecuniária, a dois anos de prisão e à perda dos direitos civis e, principalmente, a justificar-se perante um tribunal por sua ação política contra os Pretos, Dante não teve a ingenuidade de apresentar-se: era o exílio. Condenado à morte por contumácia, em março de 1302, nunca mais iria rever Florença.


Em 1304, Dante rompe definitivamente com os Brancos exilados, ao dar-se conta de que eles estão animados apenas pelo facciosismo. Até 1309, vive entregue a uma vida errante pelas cidades de Forlì, Bolonha, Treviso, Pádua, Veneza, Lunigiana, no Casentino e em Lucca. Com a falta de dinheiro, é obrigado a recorrer a empréstimos de um meio-irmão, Francesco, um modesto comerciante. Os primeiros anos no exílio, entretanto, são preenchidos com enorme trabalho de criação literária: canções doutrinais e morais, cartas em latim; o tratado filosófico O Banquete – uma obra inacabada, composta de três odes, um ensaio lingüístico, De Vulgari Eloquentia (1303-1304), em que defende a língua italiana; Convívio (1304), obra projetada para 15 volumes, sobre a importância da cultura, mas da qual só escreveu 3; e, ao que parece, é em 1304 que começa a Divina Comédia.


De 1309 a 1312, o poeta alimenta esperanças na empresa do Imperador Henrique VII que, desejando pôr termo às ambições do Papado, prepara sua ida à Itália. Dante escreve-lhe três cartas em latim, empenhando-se na viagem. A morte de Henrique VII, em 1313, fazem desmoronar as esperanças.


A partir de 1315, fixa-se em Verona por dois anos, na corte de Cangrande della Scala. Ali faz a revisão de “Inferno”, divulgado desde fins de 1314, escreve “Purgatório”, que começa a circular em 1315 e começa o “Paraíso”. Nessa ocasião redige a carta de dedicatória do “Paraíso” a Cangrande e a “Monarchia” (1317). Em 1316, recebe o perdão do exílio e é convidado pelo governo a retornar a Florença, mas as condições impostas são humilhantes, semelhantes àquelas reservadas aos criminosos. Dante rejeita o convite. Em represália à sua negativa, recebe nova condenação, dessa vez extensiva aos filhos.


Em 1318, deixa Verona, que é agitada por conflitos políticos. Vai para Ravena, na corte de Guido Novello da Polenta. É nesse momento que conclui o “Paraíso” e quando escreve “Quaestio de Aqua et Terra”, versão pouco alongada da aula ministrada pelo poeta sobre a questão de não poder a água, em altura, superar a terra imersa. O cenário de intelectuais e de seus filhos, condenados que tinham sido à morte, permite-lhe se dedicar ainda à escrita, redigindo duas “Éclogas”.


Em 1321, ao regressar de uma embaixada, desempenhada em Veneza por conta de Guido da Polenta. Dante adoece e é vencido pela malária. Morre em Ravena na noite de 13 para 14 de setembro de 1321. Foi sepultado na Igreja de São Francisco.


DANTE E BEATRIZ


 


Segundo o relato da Vita Nuova, Dante, já órfão de mãe, ainda criança – aos nove anos de idade – conhece Beatriz, da mesma idade, por quem se apaixona. Nessa época, os casamentos são motivados por alianças políticas entre as famílias. Aos doze anos, Dante já está prometido em casamento a uma moça da família Donati.


Quando o pai falece, Dante reencontra Beatriz, por quem nutre um amor platônico, intenso e infeliz. Mas ela, assim como ele, também já está prometida em casamento. Assim, em 1285 (aos 20 anos de idade, portanto), Dante se casa com Gemma di Manetto Donati, com quem teria quatro filhos: Jacopo, Pietro, Giovanni e Antonia. Sua filha se tornaria freira e assumiria o nome de Beatriz.


Em 1287, com 22 anos, Beatriz casa-se com o banqueiro Simone dei Bardi. A forma como Dante encara o amor por sua musa, entretanto, não se modifica: ela será a dama por quem ele estará apaixonado até o fim de seus dias. Embora quase nada se saiba sobre ela, parece não haver existido nenhuma relação séria entre ambos.


Em 1290, aos 24 anos, Beatriz morre, prematuramente, deixando Dante inconsolável. Do período imediato à sua morte, pouco se sabe, a não ser que teria se entregado a uma vida dissoluta. Depois de uma mudança radical, passa a dedicar-se à filosofia e literatura, e o amor platônico por sua musa está expresso em Vita Nuova (“A Vida Nova”). Escrito por volta de 1293, é uma coleção de sonetos e canções dedicados a Beatriz, complementados por um comentário em prosa, que elucida o leitor sobre as circunstâncias em que os poemas foram escritos e o estado de alma do poeta. Essa obra revela influência dos trovadores do sul da França, já que o trovadorismo na região começou a florescer nos séculos XII e XIII.


Data deste período (1293-1295), época em que escreve Vita Nuova, o desvio do reto caminho, de que se declarará culpado – o que fornece o ponto de partida da narração de A Divina Comédia, mas sem nunca especificá-lo. Presume-se que se trate de uma tríplice infidelidade: à recordação de Beatriz (como o comprovariam os sonetos escritos para Fioretta, Pargoletta e Petra), à doutrina do amor sublimado, ao “dolce stil nuovo”.


Quando Dante falece, junto ao leito de morte encontra-se a filha Antonia, a freira Beatriz.


Alguns críticos buscam na obra de Dante elementos biográficos, porém estudos revelam que as aparentes confissões, na verdade, correspondem a esquemas literários e procedimentos de composição. O caráter retórico da obra impede que se estabeleça uma relação entre obra e realidade biográfica. Assim, os encontros de Dante e Beatriz, aos 9 e depois aos 18 anos, na nona hora do dia, não têm o menor valor histórico: trata-se apenas do mito poético de Dante e o seu itinerário interior.


Fonte: www.estacio.br


Dante Alighieri

(Florença, 1265 – Ravena, 1321)


Escritor italiano. Estuda Teologia e Filosofia e conhece profundamente os clássicos latinos e os filósofos escolásticos. Pertencente ao Partido Guelfo, luta na Batalha de Campaldino contra os Gibelinos. Cerca de 1300 inicia a carreira diplomática e, em 1302, é encarcerado por causa das suas actividades políticas. Inicia-se então a segunda etapa da sua vida: o exílio definitivo, pois não dá acolhimento às amnistias de 1311 e 1315. Afastado de Florença, vive em Verona e em Lunigiana. Posteriormente, e seguindo as vicissitudes da política dos principados italianos, reside também em Ravena, onde morre. Apesar de ser casado, Beatriz, dama florentina, é o seu amor platónico e a personagem central da sua obra.


A Vida Nova é uma colecção de sonetos e canções dedicada à sua dama idealizada, Beatriz. Mas a grande obra de Dante é a Divina Comédia, grandioso poema alegórico, filosófico e moral que resume a cultura cristã medieval. A sua estrutura reproduz as concepções cosmológicas e teológicas da época. É uma obra de rica simbologia mística: Beatriz, convertida em ideia espiritual após a sua morte, personifica a teologia ou sabedoria divina, com a qual a alma percorre as vias da razão até alcançar a graça e a união com Deus. Mas tudo isso está impregnado das ideias e crenças de Dante, das suas recordações e esperanças, dos seus amores e ódios, da poderosa inspiração e da personalidade deste formidável escritor.


Fonte: www.vidaslusofonas.pt


Dante Alighieri

Poeta italiano nascido na cidade de Florença, autor de A Divina comédia, uma das obras poéticas fundamentais da literatura mundial, escrita em latim, considerada a primeira obra da literatura italiana, onde relata uma viagem imaginária pelo inferno, purgatório e paraíso, uma alegoria do percurso do homem em busca de si mesmo. De uma importante família burguesa do partido político dos guelfos, ficou órfão de mãe ainda cedo e fez estudos humanísticos que abrangeram a filosofia, a teologia e os clássicos latinos. O ambiente existente em Florença na época acentuou sua natural inclinação para as letras. Foi amigo de numerosos poetas e de pintores, como Giotto.


Entre seus mestres destacaram-se Brunetto Latini (que aparece na Comédia) e Guido Cavalcanti. Casou-se com Gemma Donati (1285), porém o grande amor platônico de sua vida foi Beatrice Portinari, que tinha apenas 12 anos quando a viu pela primeira vez. Com a precoce morte da jovem (1290), refugiou-se no estudo, entregando-se à leitura de autores cristãos e clássicos como Boécio, santo Agostinho, são Tomás de Aquino, Aristóteles, Ovídio e Lucano, atravessando um período de amadurecimento que o levou a várias mudanças em sua produção artística. Por problemas estritamente políticos, foi acusado de improbidade administrativa e condenado a pagar uma multa de cinco mil florins, a permanecer confinado dois anos e proibido de exercer cargos públicos para o resto da vida (1303). Como negou-se a pagar a multa ou a se justificar, foi condenado à morte, iniciando sua longa vida de exílio. De Siena partiu para Verona e depois em Bolonha (1304-1306).


Com a expulsão dos exilados dessa cidade, iniciou nova peregrinação por terras italianas e sem conseguir a anistia de seus compatriotas florentinos, terminou seus dias em Ravenna, vitimado pela malária contraída nos pântanos de Veneza. Além da sua obra prima, a Divina comédia (1308-1320), escreveu também outras de grade qualidade como La vita nuova (1283-1292) coletânea da juventude, reuniu, além de 31 poemas líricos dedicados a Beatrice Portinari, Il convivio (1304-1307) e De vulgari eloquentia (1305-1306). Em Sobre a língua do povo, escrita em latim para os eruditos da época, defendia o uso do italiano nas obras poéticas. Dante, na realidade é a abreviatura de Durante, seu verdadeiro prenome.


Fonte: www.netsaber.com.br


Dante Alighieri

Escritor italiano, nasceu na cidade de Florença no ano de 1265. Estudou Teologia e Filosofia, sendo profundo conhecedor dos clássicos latinos e dos filósofos escolásticos. Pertenceu ao Partido Guelfo, lutou na Batalha de Campaldino contra os Gibelinos e, por volta de 1300, iniciou a carreira diplomática.


Em 1302, foi preso por causa das suas atividades políticas. Iniciou-se então a segunda etapa da sua vida: o exílio definitivo, pois não aceitou as anistias de 1311 e 1315.


Afastado de Florença, viveu em Verona e em Lunigiana. Posteriormente, e seguindo as vicissitudes da política dos principados italianos, residiu também em Ravena, onde morreu em 14 de setembro de 1321


Dante Alighieri


Dante Alighieri
Dante Alighieri


Poeta italiano (entre 15/5 e 15/6/1265-14/9/1321).


Considerado o precursor da literatura de seu país por ter sido o primeiro autor a escrever uma obra – A Divina Comédia – em italiano e não em latim. Nasce em Florença e, por motivos políticos, com pouco mais de 30 anos de idade é banido e condenado à morte. Vive exilado em várias cidades italianas até morrer, em Ravena.


Ainda jovem, escreve Vita Nuova, experiência literária e filosófica dedicada a Beatrice Portinari, paixão platônica da mocidade que marcaria toda sua vida. O idealismo presente nessa obra influencia sua produção literária posterior. Entre 1305 e 1306 defende no tratado Sobre a Língua do Povo o uso do idioma italiano na poesia.


É como escreve a A Divina Comédia, obra-prima da literatura italiana. O livro relata uma viagem imaginária pelo inferno e purgatório, guiada por Virgílio, e pelo paraíso, guiada por Beatrice, na qual Dante discute política, filosofia e teologia com amigos, inimigos e adversários, vivos ou mortos, numa alegoria do percurso do homem em busca de si mesmo.


Fonte: www.algosobre.com.br


Dante Alighieri

1265-1321


Escritor italiano, nascido na Florença. Um dos poetas de grande gênio no ocidente, Dante escreveu uma das mais fundamentais obras na literatura universal, A Divina Comédia. Dante nasceu em meio a uma família de classe média, tendo, por meio de sua formação educacional, entrando em contato com os clássicos da literatura cristã. Sob a orientação de Brunneto Latini, Dante é iniciado nas leituras de Estácio, Ovídio e Vergílio.


Em sua juventude, o escritor se engajou nas lutas políticas locais da cidade, a qual apresentava uma intensa e agitada vida pública. O escritor tornou-se prior da administração da cidade.


Na divisão do partido dos guelfos, surgiram as facções branca e negra, a primeira moderada e a segunda radical. Dante enquadrou-se nos moderados e sua participação política se canalizou para as lutas contra as ambições políticas do papa Bonifácio VIII, que pretendia estender seu domínio. Com a vitória dos negros, Dante é exilado em 1302, indo para Roma, de onde jamais voltaria.


Exilado, Dante passa pelo período mais sombrio de sua vida, embora também o período mais prolífico de sua criação. A grande reputação literária de Dante repousa na Divina Comédia, obra que escreveu no exílio, iniciada entre os anos 1307 e 1314, sendo finalizada pouco tempo antes de sua morte, em 1321.


Fonte: members.fortunecity.com


Dante Alighieri

Dante Alighieri nasceu em Florença, em maio de 1265. A cidade na época, era a mais popular, culta e rica cidade de todo ocidente. Aquele foram tempos de grandes amores e grandes ódios, de profundas dedicações, de renúncias vigorosas, de fé exaltada, de abjeções dolorosas. Em suma, foram tempos de definições. Esse fato ajuda a entender o homem de oposição e luta que marcou a personalidade de Dante durante toda sua vida.


Como cidadão honrado, ele amou e serviu a pátria florentina, na guerra, no gabinete, na política, na poesia, em casa e até no exílio. Ele passou de um participante do Concelho dos cem à Prior, ou seja, integrante do órgão máximo do governo. Em 1302 é condenado e exilado, devido à disputas políticas entre o partido apoiador do papa da época (o partido Neri Guelfi) e os opositores (o partido Bianchi Guelfi), cuja batalha foi vencida pelos apoiadores do papa. A reação de Dante foi a mais enérgica possível e se manifestou através de uma carta. Os versos a aseguir ilustram bem sua raiva contra o imperador: “Godi, Firenze, poichè sè si grande,/che per mare e per terra batti Lali,/e per lo inferno, tuo nome si spande”.Muitos de seus escritos retratam os conflitos de sua época, e retratam o pensamento e a política medievais. Apesar de ter alcançado um certo sucesso com suas obras em que defende suas idéias, jamais conseguiu retornar para sua cidade natal.


“Dante, na verdade, é uma abreviação de seu real nome, Durante. Nasceu numa importante família florentina (cujo apelido era, na realidade, Alaghieri) comprometida politicamente com o partido dos Guelfos, uma aliança política envolvida em lutas com outra facção de florentinos: os Gibelinos. Os Guelfos estavam ainda divididos em Guelfos Brancos e Guelfos Negros. A mãe de Dante chamava-se Dona Bella degli Abati, nome algo comentado por significar a bela dos abades, ainda que Bella seja uma contracção de Gabriella. Morre quando Dante conta apenas com 5 ou 6 anos de idade. Alighiero rapidamente se casa com Lapa di Chiarissimo Cialuffi. (Há alguma controvérsia quanto a esse casamento, propondo alguns autores que os dois se tenham unido sem contrair matrimônio, graças a dificuldades levantadas, na época, ao casamento de viúvos). Dela nasceram o irmão de Dante, Francesco, e Tana (Gaetana), sua irmã.Com a idade de 12 anos, em 1277, sua família impôs o casamento com Gemma, filha de Messe Manetto Donati, prática comum — tanto no arranjo quanto na idade — na época. Era dada uma importância excepcional à cerimônia que decorria num ambiente muito formal, com a presença de um notário. Dante teve vários filhos de Gemma. Como acontece, geralmente, com pessoas famosas, apareceram muitos supostos filhos do poeta. É provável, no entanto, que Jacopo, Pietro e Antonia fossem, realmente, seus filhos. Antonia tomou o hábito de freira, com o nome de Irmã Beatriz. Um outro homem, chamado Giovanni, reclamou também a filiação mas, apesar de ter estado com Dante no exílio, restam algumas dúvidas quanto à pretensão.”


Sabe-se que estudou a poesia toscana, talvez com a ajuda de Brunetto Latini (numa idade posterior, como se dirá de seguida). A poesia toscana centrava-se na “Scuola poetica siciliana”, um grupo cultural da Sicília que se dava a conhecer, na altura, na Toscânia. Esse interesse depressa se alargou a outros autores, dos quais se destacam os menestréis e poetas provençais, além dos autores da Antiguidade Clássica latina (de entre os quais elegia, preferencialmente, Virgílio, ainda que também tivesse conhecimento da obra de Horácio, Ovídio, Cícero e, de forma mais superficial, Tito Lívio, Séneca, Plínio e outros).


Ainda jovem (18 anos), conheceu Beatrice Portinari, a filha de Folco dei Portinari, ainda que, crendo no próprio Dante, a tenha fixado na memória quando a viu pela primeira vez, com nove anos (teria Beatriz, nessa altura, 8 anos). Há quem diga, no entanto, que Dante a viu uma única vez, nunca tendo falado com ela. Não há elementos biográficos que comprovem o que é que seja.O Amor por Beatriz aparece como a justificativa da poesia e da própria vida, quase se confundindo com as paixões políticas, igualmente importantes para Dante. Entretanto, com a morte precoce de “Beatrice”, então com 12 anos, Dante refugiou-se no estudo, entregando-se à leitura de autores cristãos e clássicos como Boécio, santo Agostinho, são Tomás de Aquino, Aristóteles, Ovídio e Lucano, atravessando um período de amadurecimento que o levou a várias mudanças em sua produção artística. Por problemas estritamente políticos, foi acusado de improbidade administrativa e condenado a pagar uma multa de cinco mil florins, a permanecer confinado dois anos e proibido de exercer cargos públicos para o resto da vida (1303). Como negou-se a pagar a multa ou a se justificar, foi condenado à morte, iniciando sua longa vida de exílio.Com a expulsão dos exilados dessa cidade, iniciou nova peregrinação por terras italianas e sem conseguir a anistia de seus compatriotas florentinos, terminou seus dias em Ravenna, vitimado pela malária contraída nos pântanos de Veneza.


A Divina Comédia é a obra prima de Dante Alighieri, que a iniciou provavelmente por volta de 1307, concluindo-a pouco antes de sua morte (1321). Escrita em italiano, a obra é um poema narrativo rigorosamente simétrico e planejado que narra uma odisséia pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, descrevendo cada etapa da viagem com detalhes quase visuais. Dante, o personagem da história, é guiado pelo inferno e purgatório pelo poeta romano Virgílio, e no céu por Beatriz, musa em várias de suas obras.


Suas obras:




  • Divina Comédia (obra mais importante e mais conhecida)


  • De Vulgari Eloquentia (“Sobre a Língua vulgar”)


  • Vita Nova (“Vida Nova”)


  • Le Rime – (“As rimas”)


  • Il Convivio – (“O Convívio”)


  • Monarchia – (“Monarquia”)


  • “As Epístolas”


  • “Éclogas”


  • “Quaestio” de aqua et terra”

Fonte: recantodasletras.uol.com.br


Dante Alighieri
Dante Alighieri
por Sandro Botticelli


Dante Alighieri (Florença, Maio ou Junho de 1265 — Ravena, 13 ou 14 de Setembro de 1321) foi um escritor, poeta e político italiano. É considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido il sommo poeta (“o sumo poeta”).


Foi muito mais do que apenas um literato: numa época onde apenas os escritos em latim eram valorizados, redigiu um poema, de viés épico e teológico, La Divina Commedia (A Divina Comédia), que se tornou a base da língua italiana moderna e culmina a afirmação do modo medieval de entender o mundo. Nasceu em Florença, onde viveu a primeira parte da sua vida até ser injustamente exilado. O exílio foi ainda maior do que uma simples separação física de sua terra natal: foi abandonado por seus pares. Apesar dessa condição, seu amor incondicional e capacidade visionária o transformaram no mais importante pensador de sua época.


Vida


Primeiros anos de vida e família


Afresco transferido da madeira, por Andrea del Castagno.
Afresco transferido da madeira, por Andrea del Castagno.


Não há registro oficial da data de nascimento de Dante. Ele informa ter nascido sob o signo de Gêmeos, entre fim de Maio e meados de Junho. A referência mais confiável é a data de 29 de maio de 1265. Dante, na verdade, é uma abreviação de seu real nome, Durante. Nasceu numa importante família florentina (cujo apelido era, na realidade, Alaghieri) comprometida politicamente com o partido dos Guelfos, uma aliança política envolvida em lutas com outra facção de florentinos: os Gibelinos. Os Guelfos estavam ainda divididos em “Guelfos Brancos” e “Guelfos Negros”. Dante, no Inferno (XV, 76), pretende dizer que a sua família tem raízes na Roma Antiga, ainda que o familiar mais antigo que se lhe conhece (citado pelo próprio Dante, no livro Paraíso, (XV, 135), seja Cacciaguida do Eliseu, que terá vivido, quando muito, à volta do ano 1100 (o que, relativamente ao próprio Dante, não é muito antigo).


O seu pai, Alighiero di Bellincione, foi um “Guelfo Branco. Não sofreu, porém, qualquer represália após a vitória do partido Gibelino na Batalha da Montaperti. Essa consideração por parte dos próprios inimigos denota, com alguma segurança, o prestígio da família.


A mãe de Dante chamava-se Dona Bella degli Abati, nome algo comentado por significar “a bela dos abades”, ainda que Bella seja uma contracção de Gabriella. Morre quando Dante conta apenas com 5 ou 6 anos de idade. Alighiero rapidamente se casa com Lapa di Chiarissimo Cialuffi. (Há alguma controvérsia quanto a esse casamento, propondo alguns autores que os dois se tenham unido sem contrair matrimónio, graças a dificuldades levantadas, na época, ao casamento de viúvos). Dela nasceram o irmão de Dante, Francesco, e Tana (Gaetana), sua irmã.


Com a idade de 12 anos, em 1277, sua família impôs o casamento com Gemma, filha de Messe Manetto Donati, prática comum — tanto no arranjo quanto na idade — na época. Era dada uma importância excepcional à cerimónia que decorria num ambiente muito formal, com a presença de um notário. Dante teve vários filhos de Gemma. Como acontece, geralmente, com pessoas famosas, apareceram muitos supostos filhos do poeta. É provável, no entanto, que Jacopo, Pietro e Antonia fossem, realmente, seus filhos. Antonia tomou o hábito de freira, com o nome de Irmã Beatriz. Um outro homem, chamado Giovanni, reclamou também a filiação mas, apesar de ter estado com Dante no exílio, restam algumas dúvidas quanto à pretensão.


Educação e Poesia


Afresco por Luca Signorelli
Afresco por Luca Signorelli


Pouco se sabe sobre a educação de Dante, presumindo-se que tivesse estudado em casa, de forma autodidata. Sabe-se que estudou a poesia toscana, talvez com a ajuda de Brunetto Latini (numa idade posterior, como se dirá de seguida). A poesia toscana centrava-se na “Scuola poetica siciliana”, um grupo cultural da Sicília que se dava a conhecer, na altura, na Toscânia. Esse interesse depressa se alargou a outros autores, dos quais se destacam os menestréis e poetas provençais, além dos autores da Antiguidade Clássica latina (de entre os quais elegia, preferencialmente, Virgílio, ainda que também tivesse conhecimento da obra de Horácio, Ovídio, Cícero e, de forma mais superficial, Tito Lívio, Séneca, Plínio e outros de que encontramos bastantes referências na Divina Comédia.


É importante referir que durante estes séculos escuros (em italiano “Secoli Bui”, expressão usada por alguns para referir-se à Idade Média, designando-a como “Idade das trevas” – noção que hoje em dia é rebatida por muitos historiadores que demonstram que essa época foi muito mais rica culturalmente do que aquilo que a tradição pretende demonstrar), a Península Itálica era politicamente dividida em um complexo mosaico de pequenos estados, de modo que a Sicília estava tão longe, cultural e politicamente, de Florença quanto a Provença. As regiões do que hoje é a Itália ainda não compartilhavam a mesma língua nem a mesma cultura, também em virtude das vias de comunicação deficitárias. Não obstante, é notório o espírito curioso de Dante que, sem dúvida, pretendia estar a par das novidades culturais a um nível internacional.


Aos dezoito anos, com Guido Cavalcanti, Lapo Gianni, Cino da Pistoia e, pouco depois, Brunetto Latini, Dante lança o Dolce Stil Nuovo. Na Divina Comédia (Inferno, XV, 82), faz-se uma referência especial a Brunetto Latini, onde se diz que terá instruído Dante. Tanto na Divina Comédia como na Vita Nuova depreende-se que Dante se terá interessado por outros meios de expressão como a pintura e a música.


Ainda jovem (18 anos), conheceu Beatrice Portinari, a filha de Folco dei Portinari, ainda que, crendo no próprio Dante, a tenha fixado na memória quando a viu pela primeira vez, com nove anos (teria Beatriz, nessa altura, 8 anos). Há quem diga, no entanto, que Dante a viu uma única vez, nunca tendo falado com ela. Não há elementos biográficos que comprovem o que é que seja.


Retrato por Gustave Doré.
Retrato por Gustave Doré.


É difícil interpretar no que consistiu essa paixão, mas, é certo, foi de importância fulcral para a cultura italiana. É sob o signo desse amor que Dante deixa a sua marca profunda no Dolce Stil Nuovo e em toda a poesia lírica italiana, abrindo caminho aos poetas e escritores que se lhe seguiram para desenvolverem o tema do Amor (Amore) que, até então, não tinha sido tão enfatizado. O Amor por Beatriz (tal como o amor que Petrarca demonstra por Laura, ainda que numa perspectiva diferente) aparece como a justificativa da poesia e da própria vida, quase se confundindo com as paixões políticas, igualmente importantes para Dante.


Quando Beatriz morre, em 1290, Dante procura refúgio espiritual na filosofia da Literatura latina. Pelo Convívio, sabemos que leu a “De consolatione philosophiae”, de Boécio, e a “De amicita”, de Cícero. Dedicou-se, pois, ao estudo da filosofia em escolas religiosas, como a Dominicana de Santa Maria Novella, tanto mais que ele próprio era membro da Ordem Terceira de São Domingos. Participou nas disputas entre místicos e dialécticos, que se travavam, então, em Florença nos meios académicos, e que se centravam em torno das duas ordens religiosas mais relevantes. Por um lado, os Franciscanos, que defendiam a doutrina dos místicos (São Boaventura), e, por outro, os Dominicanos, que se socorriam das teorias de São Tomás de Aquino. A sua paixão “excessiva” pela filosofia é criticada por Beatriz (representando a Teologia), no Purgatório.


Dante Alighieri


Carreira política em Florença


Estátua de Dante na Galleria degli Uffizi, em Florença.
Estátua de Dante na Galleria degli Uffizi, em Florença.


Dante participou, também, na vida militar da época. Em 1289 combateu ao lado dos cavaleiros florentinos, contra os de Arezzo, na batalha de Campaldino, em 11 de Junho. Em 1294, estava com os soldados que escoltavam Carlos Martel (filho de Carlos de Anjou e herói de Poitiers) quando este estava em Florença.


Foi, também, médico e farmacêutico; não pretendia exercer essas profissões mas, segundo uma lei de 1295, todo nobre que pretendesse tomar um cargo público devia pertencer a uma das Guildas (Corporazioni di Arti e Mestieri – ou seja, “Corporação de Artes e Ofícios”). Ao entrar na guilda dos boticários, Dante podia, assim, aceder à vida política. Esta profissão não era, de todo, inadequada para Dante, já que, na época, os livros eram vendidos nos boticários. De 1295 a 1300, fez parte do “Conselho dos Cem” (o Conselho da Comuna de Florença), onde fez parte dos seis priores que governavam a cidade.


O envolvimento político de Dante acarretou-lhe vários problemas. O Papa Bonifácio VIII tinha a intenção de ocupar militarmente Florença. Em 1300, Dante estava em San Gimignano, onde preparava a resistência dos guelfos toscanos contra as intrigas papais. Em 1301, o papa enviou Carlos de Valois, (irmão de Felipe o Belo, rei de França), como pacificador da Toscânia. O governo de Florença, no entanto, já recebera mal os embaixadores papais, semanas antes, de forma a repelir qualquer influência da Santa Sé. O Conselho da cidade enviou, então, uma delegação a Roma, com o fim de indagar ao certo as intenções do Sumo Pontífice. Dante chefiava essa delegação.


Exílio e morte



Bonifácio rapidamente enviou os outros representantes de Florença de volta, retendo apenas Dante em Roma. Entretanto, a 1 de Novembro de 1301, Carlos de Valois entrava em Florença com os Guelfos Negros que, por seis dias, devastaram a cidade e massacraram grande número de partidários da facção branca. Instalou-se, então, um governo apoiante dos Guelfos Negros, e Cante dei Gabrielli di Gubbio foi nomeado “Podestà” (funcionário público designado pelas famílias mais influentes da cidade). Dante foi condenado, em Florença, ao exílio por dois anos, além de ser condenado a pagar uma elevada multa em dinheiro. Estando ainda em Roma, o papa “sugeriu-lhe” que aí se mantivesse, sendo considerado, a partir de então, um proscrito. Não tendo pago a multa, foi, por consequência, condenado ao exílio perpétuo. Se fosse, entretanto, capturado por soldados de Florença, seria sumariamente executado, queimado vivo.


O poeta participou em várias tentativas para repor os Guelfos Brancos no poder; em Florença, no entanto, devido a diversas traições, todas falharam. Dante, amargurado com o tratamento de que foi alvo por parte dos seus inimigos, afligia-se também com a inacção dos seus antigos aliados. Declarou solenemente, na altura, que pertencia a um partido com um único membro. Foi nesta altura que começou a fazer o esboço do que viria a ser a “Divina Comédia”, poema constituído por 100 cantos, divididos em 3 livros (“Inferno”, “Purgatório” e “Paraíso”) com 33 cantos cada (exceptuando o primeiro livro que, dos seus 34 cantos, o primeiro é considerado apenas como Canto introdutório).


Foi para Verona, onde foi hóspede de Bartolomeo Della Scala; mudou-se para Sarzana (Ligúria), e, depois, supõe-se que terá vivido algum tempo em Lucca com Madame Gentucca, que o acolheu de forma calorosa (o que, mais tarde, será referido de forma agradecida no Purgatório XXIV,37). Algumas fontes chegam a avançar que terá estado em Paris, entre 1308 e 1310. Outras fontes, menos credíveis, porém, dizem que terá ido até Oxford.


Em 1310, Arrigo VII do Luxemburgo invadia Itália. Dante viu nele a hipótese de se vingar. Escreveu-lhe, bem como a vários príncipes italianos, cartas abertas onde incitava violentamente à destruição do poderio dos Guelfos Negros. Misturando religião e assuntos privados, invocou a ira divina sobre a sua cidade, sugerindo como alvo principal do desagrado de Deus os seus mais acérrimos inimigos pessoais.


Em Florença, Baldo dAguglione perdoou a maior parte dos Guelfos Brancos que estavam no exílio, permitindo-lhes o seu regresso. Dante, no entanto, tinha ultrapassado largamente os limites toleráveis para o partido negro nas suas cartas a Arrigo VII, pelo que o seu regresso não foi permitido.


Dante no exílio
“Dante no exílio”, autor desconhecido.


Dante ainda esperou, mais tarde que fosse possível ser convidado por Florença a um regresso honrado. O exílio era como que uma segunda morte, privando-o de muito do que formava a sua identidade. No Canto XVII do Paraíso, Dante refere o quanto era dolorosa para si a vida de exilado, quando o seu trisavô, Cacciaguida, lhe “profetiza” aquilo que o espera:


. . . Tu lascerai ogne cosa diletta
più caramente; e questo è quello strale
che larco de lo essilio pria saetta.
Tu proverai sì come sa di sale
lo pane altrui, e come è duro calle
lo scendere e l salir per laltrui scale . . .»
(segue-se uma tradução livre, feita pelo editor da primeira versão deste artigo na Wikipédia Portuguesa):


“. . . Deixarás tudo aquilo que te agrada
mais profundamente; é esta seta a tal
logo no arco do exílio disparada.
E provarás como é falto de sal
o pão d outros, e como é dura estrada
subir e sair pelas escadas de al.”
(Nota: al = outros)


Paraíso, XVII, 55-60. Quanto à esperança de um dia voltar a Florença, Dante descreve o seu sentimento melancólico, como se já estivesse resignado a essa impossibilidade, no Canto XX do Paraíso:


Se mai continga che l poema sacro
al quale ha posto mano e cielo e terra,
sì che mha fatto per molti anni macro,
vinca la crudeltà che fuor mi serra
del bello ovile ovio dormi agnello,
nimico ai lupi che li danno guerra;
con altra voce omai, con altro vello
ritornerò poeta, e in sul fonte
del mio battesmo prenderò l cappello . . .
(a tradução que se segue é também uma tradução livre do primeiro editor deste artigo em português):


Se acontecer que o poema sagrado,
em que céu e terra puseram mão,
(magro me fez, de tanto ano passado)
Vencer a crueldade que em prisão
me exila do redil onde, cordeiro,
dormi, oposto aos lobos que o atacam;
Voz e pêlo distinto do primeiro
terei, chegando poeta, e me façam
a testa ornar com folha de loureiro …


Tumba de Dante, esculpida por Pietro Lombardo.
Tumba de Dante, esculpida por Pietro Lombardo.


Paraíso, XXV, 1-9. É claro que isto nunca aconteceu. Os seus restos mortais mantêm-se em Ravena, não em Florença.


Guido Novello da Polenta, príncipe de Ravena, convidou-o para aí morar, em 1318. Dante aceitou a oferta. Foi em Ravena que terminou o “Paraíso” e, pouco depois, falecia, talvez de malária, em 1321, com 56 anos, sendo sepultado na Igreja de San Pier Maggiore (mais tarde chamada Igreja de San Francesco). Bernardo Bembo, pretor de Veneza, decidiu honrar os restos mortais do Poeta, erigindo-lhe um monumento funerário de acordo com a dignidade de Dante Alighieri.


Na sepultura, constam alguns versos de Bernardo Canaccio, amigo de Dante, onde se refere a Florença com os seguintes termos:


parvi Florentia mater amoris
“Florença, mãe de pequeno amor”


Obras


Óleo de Delacroix representando Dante e Virgílio.
Óleo de Delacroix representando Dante e Virgílio.


A Divina Comédia descreve uma viagem de Dante através do Inferno, Purgatório, e Paraíso, primeiramente guiado pelo poeta romano Virgílio, autor do poema épico Eneida, através do Inferno e do Purgatório e, depois, no Paraíso, pela mão da sua amada Beatriz (com quem, presumem muitos autores, nunca tenha falado e, apenas visto, talvez, de uma a três vezes). Em termos gerais, os leitores modernos preferem a descrição vívida e psicologicamente interessante para a sensibilidade contemporânea do “Inferno”, onde as paixões se agitam de forma angustiada num ambiente quase cinematográfico. Os outros dois livros, o Purgatório e o Paraíso, já exigem outra abordagem por parte do leitor: contêm subtilezas ao nível filosófico e teológico, metáforas dificilmente compreensíveis para a nossa época, requerendo alguma pesquisa e paciência. O Purgatório é considerado, dos três livros, o mais lírico e humano. É interessante verificar que é, também, aquele onde aparecem mais poetas. O Paraíso, o mais pesadamente teológico de todos, está repleto de visões místicas, raiando o êxtase, onde Dante tenta descrever aquilo que, confessa, é incapaz de exprimir (como acontece, aliás, com muitos textos místicos que fazem a história da literatura religiosa). O poema apresenta-se, como se pode ver num dos excertos acima, como “poema sagrado” o que demonstra que Dante leva muito a sério o lado teológico e, quiçá, profético, da sua obra.


O poema chama-se “Comédia” não por ser engraçado mas porque termina bem (no Paraíso). Era esse o sentido original da palavra Comédia, em contraste com a Tragédia, que terminava, em princípio, mal para os personagens.


Dante escreveu a “Comédia” no seu dialeto local. Ao criar um poema de estrutura épica e com propósitos filosóficos, Dante demonstrava que a língua toscana (muito aproximada do que hoje é conhecido como língua italiana, ou língua vulgar, em oposição ao latim, que se considerava como a língua apropriada para discursos mais sérios) era adequada para o mais elevado tipo de expressão, ao mesmo tempo que estabelecia o Toscano como dialecto padrão para o italiano.


Outras obras importantes do autor são:


De Vulgari Eloquentia (“Sobre a Língua vulgar”, escrita, curiosamente, em latim);


Vita Nova (“Vida Nova”), onde insere sonetos, comentados, onde narra a história do seu amor por Beatriz. A língua utilizada é a toscana, tanto para os poemas (o que não é grande novidade, já que muitas obras líricas tinham sido escritas em língua vulgar) como para os comentários que, pelo seu carácter mais teórico, já inovam ao prescindir do latim.


Le Rime – “As rimas”, também chamadas de “Canzoniere”, onde aparecem vários textos de cariz lírico (sonetos, canções, baladas, sextinas…), onde, novamente, canta o amor idealizado (amor platónico), Beatriz, bem como a Ciência, a Filosofia, a Moral (num sentido alargado do termo);


Il Convivio – “O Convívio”, de carácter filosófico, é apresentado pelo poeta como um banquete com 14 pratos (simbolizando as canções), acompanhados do pão (os comentários). Faz parte das obras que pretendem dignificar a língua vulgar, tanto mais que Dante chega aqui a citar autores tão importantes como Aristóteles ou São Tomás de Aquino;


Monarchia – “Monarquia”, onde expõe as suas ideias políticas;


Outras obras, consideradas menores, como “As Epístolas”, “Éclogas” e “Quaestio de aqua et terra”.
Nota: Quando nos referimos a excertos da Divina Comédia, indicamos primeiro o livro (por exemplo, “Inferno”), depois o Canto, em numeração romana; e, finalmente, em numeração árabe, os versos (que aparecem numerados na maior parte das edições da obra).


Curiosidades


Estátua de Dante na Piazza Dante, Nápoles
Estátua de Dante na Piazza Dante, Nápoles


Em 2007, cientistas italianos da Universidade de Bologna recriaram a face de Dante. Crê-se que o modelo seja o mais próximo possível de sua verdadeira aparência. Um seu retrato, feito por Botticelli foi usado como base, junto ao crânio.


Dante, como expoente da literatura universal foi utilizado como referência cultural e didáctica indispensável pela autora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andressen, que o utilizou como personagem no livro infanto-juvenil “O Cavaleiro da Dinamarca”, onde é apresentado às jovens gerações como alguém que terá tido contacto com realidades transcendentes ou que, não as tendo tido, deixou, ainda assim, uma obra por si mesma transcendente

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Biografia de dante alighieri

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