Biografia de gal costa







Cantora. Filha de Dona Mariah Costa, sua grande incentivadora, que, em entrevistas, conta que passou toda a gestação de Gracinha, nome como era conhecida antes da fama, ouvindo rádio. Cresceu no Bairro da Graça, em Salvador. Na adolescência trabalhou na loja de discos do jornalista Roni, que coincidentemente foi, em 1972, promotor do show “Caetano & Chico”, realizado em Salvador. Através deste emprego, sabia de todas as novidades musicais da época, e tornou-se fã da bossa nova. Desde criança tinha o sonho de ser cantora. No início dos anos 60 conheceu o ídolo João Gilberto, que, segundo seu depoimento registrado no encarte da coleção “História da Música Popular Brasileira”, disse-lhe após o primeiro encontro em que a viu cantar: “Você é a maior cantora do Brasil”. Nesta mesma época também conheceu Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil, quarteto que mais tarde viria a ser conhecido como Doces Bárbaros, quando juntos participaram de um espetáculo que resultou em um LP.


Sua estréia oficial como cantora foi em junho de 1964, no show “Nós por exemplo”, que marcou a inauguração do Teatro Vila Velha, em Salvador, onde atuou ao lado de Caetano, Tom Zé, Maria Bethânia, Djalma Correa, Alcivando Luz, Pitti, Fernando Lona e Gilberto Gil. Neste ano o grupo ainda apresentou, no mesmo teatro, o show “Nova bossa velha, velha bossa nova”. Em 1965, com a ida de Maria Bethânia para o Rio de Janeiro, onde foi substituir a cantora Nara Leão na peça “Opinião”, ela, que já pensava em passar as férias na “cidade maravilhosa”, aproveitou e viajou ao lado de Bethânia e Caetano, na época, mero acompanhante da irmã. Neste mesmo ano participou ao lado dos baianos (nome com que o grupo inicialmente ficou conhecido) dos espetáculos “Arena canta Bahia” e “Em tempo de guerra”, ambos dirigidos por Augusto Boal e apresentados no T.B.C. (antigo Teatro Brasileiro de Comédia), em São Paulo. Teve sua primeira participação em gravação no LP “Maria Bethânia”, lançado pela RCA, onde cantou ao lado da amiga, que também estreava em disco Long Play (já havia gravado alguns compactos), a composição de Caetano Veloso “Sol negro”. Ainda em 1965, gravou seu primeiro compacto, pela gravadora RCA, contendo as músicas “Eu vim da Bahia”, de Gilberto Gil”, e “Sim, foi você”, de Caetano Veloso. Em 1966, participou do I Festival Internacional da Canção (FIC), promovido pela TV Rio, interpretando a música “Minha Senhora”, de Gilberto Gil e Torquato Neto. No ano seguinte, participou do III Festival da Música Popular Brasileira defendendo a canção “Dada Maria”, de Renato Teixeira. Seu primeiro LP foi “Domingo”, lançado em 1967 pela Philips, que dividiu com o também estreante Caetano Veloso. A produção deste disco ficou por conta de Dori Caymmi. Uma vez inserida no meio artístico carioca, foi apresentada por Chico Buarque ao produtor Marcos Lázaro, que acertou sua participação nos programas de televisão de grande sucesso na época, “Fino da Bossa” e “Agnaldo Rayol Show”. Foi neste momento que o produtor Guilherme Araújo, que em 1968 viria a empresariá-la junto com Caetano, Gil e Tom Zé, sugeriu a mudança de seu nome artístico de Maria das Graças para Gal Costa. A partir daí, seguindo uma tendência do movimento tropicalista liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil, deixou o cabelo crescer e adotou um estilo mais agressivo no seu modo de cantar, contrário ao estilo bossa-novista que adotava anteriormente. Foi assim que, em 1968, defendeu a composição de Gilberto Gil e Caetano Veloso, “Divino Maravilhoso”, no IV Festival de Música Popular Brasileira, recebendo a terceira colocação. Foi considerada pela crítica da época a musa do Tropicalismo, alcançando grande popularidade. No emblemático LP “Tropicália”, também lançado em 1968, participou das faixas “Parque Industrial”, “Hino do Senhor do Bonfim”, “Mamãe coragem” e “Baby”. Esta última faixa havia sido composta por Caetano Veloso para Maria Bethânia gravar (inclusive foi ela que pediu ao irmão que fizesse uma música com este nome), mas como preferiu não participar do movimento Tropicalista, deixou a gravação por conta da amiga. “Baby”, que teve arranjo de Rogério Duprat, foi um marco em sua carreira. No ano seguinte gravou seu primeiro LP individual: “Gal Costa”, lançado pela Philips. O sucesso foi imediato, ficando as faixas “Não identificado”, de Caetano Veloso, e “Que pena”, de Jorge Ben (hoje Jorge Benjor), mais de três meses nas paradas de sucesso. Seu empresário, Guilherme Araújo, produziu neste ano uma série de shows em várias cidades brasileiras. Ainda em 1969 gravou seu segundo LP, também intitulado “Gal Costa”. O disco continha a antológica gravação de “Meu nome é Gal”, música de Roberto e Erasmo, feita em sua homenagem. Com o exílio de Caetano e Gil, viajou por diversas vezes para visitá-los em Londres. Neste período gravou “London, London” e “Deixa sangrar” de Caetano Veloso, em seu LP “LeGal”, lançado no final de 1970. Estreou ainda o show “Deixa sangrar” no Teatro Opinião, Rio de Janeiro, com direção de Jards Macalé. No ano seguinte, lançou o álbum duplo “Gal a todo vapor” e o show homônimo, com direção de Roberto Menescal, que incluia os sucessos “Pérola Negra” de Luís Melodia, “Como dois e dois” de Caetano Veloso”, e “Sua estupidez” de Roberto e Erasmo. Em 1971, participou ao lado de João Gilberto e Caetano Veloso de um programa da TV Tupi de São Paulo. Em 1972, estreou, sob a direção de Wally Salomão, o show que foi considerado um marco na sua carreira, “Fatal”, e em seguida o que confirmaria seu sucesso “Índia”. Com este show percorreu o circuito universitário que compreendeu a maioria das cidades do interior de São Paulo e Paraná. Em 1973 a Phonogram realizou, em São Paulo, o show “Phono 73”, que reuniu mais de 35 artistas do cast da gravadora. Neste evento cantou ao lado de Bethânia “Oração de Mãe Menininha”, de Dorival Caymmi, registrada no LP homônimo. Neste ano, ainda apresentou-se ao lado de Gilberto Gil no MIDEM, em Cannes, França. Em 1974, lançou, ao lado de Gil e Caetano, o show e LP “Temporada de verão”, apresentado na Bahia e São Paulo. Ainda nesse ano, gravou o LP “Cantar”, com direção de Caetano Veloso. Este disco não obteve o mesmo sucesso dos anteriores, sendo o menos vendido desde o início de sua carreira. Em 1975, sua gravação para a música “Modinha para Gabriela”, de Dorival Caymmi, foi tema da novela “Gabriela”, apresentada no horário nobre da TV Globo. O grande sucesso que a música alcançou gerou o LP “Gal canta Caymmi”, contendo exclusivamente composições do mestre baiano. O disco, produzido por Perinho Albuquerque, foi lançado em 1976. Nesse mesmo ano, apresentou-se ao lado de Caymmi, em show produzido por Guilherme Araújo. A música “Só louco”, contida no LP, foi escalada para compor a trilha de uma nova novela da Globo. Apresentou-se ainda no programa “Globo de Ouro” da mesma emissora. També, em 1976, reuniu-se com Maria Bethânia, Gilberto Gil e Caetano Veloso para formar Os Doces Bárbaros. O show estreou no Anhembi, São Paulo, e, posteriormente, ficou por dois meses em cartaz no Canecão, Rio de Janeiro, batendo o record de bilheteria da época. Em 1977, mais um sucesso de crítica e público marcou sua carreira: o LP “Caras e Bocas”, que incluiu a canção “Tigresa”, de Caetano Veloso. No ano seguinte recebeu da Associação Brasileira de Produtores de Discos o Prêmio Villa-Lobos, como melhor cantora. Ainda em 1978, viajou para a Europa com Caetano Veloso, com quem realizou uma série de shows e gravou especiais para as televisões italiana e francesa. Em setembro deste ano, lançou o LP “Água Viva”, com o qual ganhou seu primeiro Disco de Ouro. Neste disco gravou pela primeira vez músicas de Chico Buarque, compositor que a partir daí sempre freqüentou o seu repertório. No final de 1978, realizou três apresentações no Bauen Hotel, em Buenos Aires, e participou ainda da faixa “Sonho Meu” (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho) do LP “Álibi”, de Maria Bethânia. No dia 11 de janeiro de 1979, estreou no Teatro dos Quatro, Rio de Janeiro, um dos shows mais marcantes de toda a sua carreira: “Gal Tropical”. O show ficou em cartaz durante todo o ano, sempre com casa lotada, sendo apresentado em seguida em São Paulo, no Norte e Nordeste do país, e no exterior: Montreux, Portugal, Japão e Argentina. Com o LP homônimo ganhou seu segundo Disco de Ouro. Ainda em 1979, gravou para o LP “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque, a faixa “Pedaço de Mim”. Em 1980, ganhou seu terceiro Disco de Ouro, com o LP “Aquarela do Brasil”, no qual gravou somente músicas de Ary Barroso. No ano seguinte, participou do especial para a televisão “Grandes Nomes” (TV Globo), com direção de Daniel Filho. Neste programa, teve como convidada a cantora Elis Regina, na interpretação inesquecível de “Amor até o fim”, de Gilberto Gil, que fizeram juntas. Neste ano, realizou temporada de quatro meses no Canecão com o show “Fantasia”. O LP homônimo foi lançado no mesmo ano, e lhe valeu o Prêmio de Melhor Cantora, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e mais um Disco de Ouro e o primeiro Disco de Platina de sua carreira. Em 1982, estreou o show “Festa do Interior” no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, para um público de mais de 25 mil pessoas. O show, dirigido por Waly Salomão, excursionou pelo Brasil e encerrou sua temporada nacional na comemoração do 22º aniversário de Brasília, para um público de mais de 300 mil pessoas. O compacto com a música “Festa do Interior” (Moraes Moreira e Abel Silva), com arranjo de Lincoln Olivetti, também ganhou Disco de Ouro. Na decorrer da década de 1980, outros discos e shows foram lançados. No LP “Profana”, destacou-se a faixa “Chuva de Prata”, bolero de Ed Wilson e Ronaldo Bastos, que em 1985 tocou bastante nas rádios. Em 1990, lançou pela BMG o disco “Plural”, no qual incluiu músicas de Carlinhos Brown, compositor então pouco conhecido (havia sido gravado um ano antes por Caetano Veloso no LP “Estrangeiro”). Em 1994, reuniu-se com Gilberto Gil, Caetano Veloso e Maria Bethânia na quadra da escola de samba Mangueira para o show “Doces Bárbaros na Mangueira”, que comemorou os 18 anos dos Doces Bárbaros. Neste mesmo ano, a escola os homenageou com o samba enredo “Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu”, parafraseando o sucesso “Atrás do trio elétrico”, de Caetano Veloso. No dia primeiro de junho daquele ano os Doces Bábaros voltaram a se reunir no Royal Albert Hall, em Londres, com a participação da bateria da Mangueira. Ainda em 1994, lançou o disco e o show “O sorriso do gato de Alice”, com direção de Gerald Thomas. O espetáculo causou polêmicas com a encenação da cantora, que entrava no palco quase que se arrastando no chão e, ao cantar “Brasil”, de Cazuza, mostrava os seios nus à plateia. Com este trabalho ganhou os prêmios Sharp e APCA do ano. No ano seguinte, lançou “Mina dágua do meu canto”, trazendo apenas composições de Chico Buarque e Caetano Veloso, com arranjos de Jaques Morelenbaum. Em 1997, gravou o CD e o vídeo “Acústico MTV”, cantando ao lado de diversos convidados como Herbert Vianna e Zeca Baleiro. Lançou, no ano seguinte, o CD “Aquele frevo axé” e, em 1999, um disco em homenagem a Tom Jobim, com arranjos de Cristovão Bastos, cujo show de lançamento percorreu o Brasil depois de estrear no Metropolitan (atual ATL Hall), na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Em 2000, participou dos shows comemorativos da virada do milênio, apresentando-se ao lado de Bethânia, em show apresentado no Metropolitan (ATL Hall), Rio de Janeiro, e participou do evento “Rio Bossa Nova 2000”, realizado num palco montado na praia de Ipanema, Rio de Janeiro, ao lado de diversos artistas, como Leny Andrade e “Os Cariocas”. Em 2001, gravou o CD “De tantos amores”, contendo as músicas “Outra vez” (Isolda), “A última estrofe” (Cândido das Neves “Índio”), “Que pena (Ela já não gosta mais de mim)” (Jorge Ben), “Que maravilha” (Jorge Ben e Toquinho) “Folhetim” (Chico Buarque), “Apaixonada” (Ed Motta e Nélson Motta) e “Caminhos do mar” (Dorival Caymmi, Danilo Caymmi e Dudu Falcão), além de canções de Caetano Veloso, “Abandono”, “O amor” (c/ Ney Costa Santos) e “Força estranha”, e versões de Geraldo Carneiro, “Dama sofisticada” (Irving Mills, Duke Ellington e Mitchell Parish) e “Contigo aprendi” (Armando Manzanero) e José Fortuna, “Índia” (M. O. Guerrero e J. A. Flores





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