Biografia de mário de andrade

Mário de Andrade



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Mário de Andrade


Mário de Andrade
Da esquerda para a direita: Cândido Portinari, Antônio Bento, Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco.Palace Hotel, Rio de Janeiro, 1936.
Nascimento 9 de outubro de 1893
São Paulo
Falecimento 25 de fevereiro de 1945 (51 anos)
São Paulo, São Paulo
Nacionalidade brasileira
Ocupação poeta
escritor
crítico literário
musicólogo
folclorista
ensaísta
Escola/tradição Modernismo

Mário Raul de Morais Andrade (São Paulo, 9 de outubro de 1893 — São Paulo, 25 de fevereiro de 1945) foi um poeta, romancista, crítico de arte, folclorista, musicólogo, professor universitário e ensaísta brasileiro. Em 1922 parcitipou ativamente da Semana de Arte Moderna, que teve grande influência na renovação da literatura e das artes no Brasil. Seu segundo livro de poesias, Paulicéia Desvairada, publicado no mesmo ano, marca para muitos o início da poesia modernista brasileira.


Durante a década de 1920 continuou sua carreira literária, ao mesmo tempo que exercia a função de crítico musical e de artes plásticas na imprensa escrita. Em 1928 publicou seu romance mais conhecido, Macunaíma, considerado por muitos como uma das obras capitais da narrativa brasileira no século XX.







Índice

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[editar] Biografia



[editar] Anos de formação


Andrade nasceu em São Paulo, cidade onde morou durante quase toda a vida, no número 320, Rua Aurora, onde seus pais, Carlos Augusto de Moraes Andrade e Maria Luísa Leite Moraes Andrade também viveram.[1] Em sua infância foi considerado um prodígio pianista. Ao mesmo tempo, estudou história, arte, e especialmente poesia.[2] Dominava a língua francesa: durante sua infância leu Rimbaud e os principais poetas simbolistas francês. Embora escrevesse poesia desde a mais tenra idade (seu primeiro poema é datado de 1904), sua primeira vocação foi musical, em 1911 foi matriculado no Conservatório de São Paulo.[1]


Em 1913, seu irmão Renato, então com catorze anos, morreu de um golpe recebido enquanto jogava futebol, o que causou um profundo choque em Mario. Abandonou o conservatório e se retiou com a família para uma fazenda em Araraquara.[1] Este incidente marcou o fim de sua carreira como pianista, já que produziu um tremor em suas mãos que impediu-o de tocar. Por isso, decidiu tornar-se professor de música, ao mesmo tempo que começa a ter um interesse mais sério pela literatura.[1] Em 1917, quando completou seus estudos piano, publicou seu primeiro livro de poemas, Há uma Gota de Sangue em Cada Poema, com o pseudônimo Mario Sobral.[1] O livro já contém inícios da crescente sensibilidade em direção ao autor as características distintivas da identidade brasileira, mas, como a maior parte da poesia brasileira produzida na época, não se destacava pela originalidade: é evidente a sua influência da escola europédia, sobretudo francesa.


Na sequência da publicação de seu primeiro livro de poemas, Andrade decidiu ampliar o âmbito de sua escrita. Deixou São Paulo e viajou para o campo. Iniciou uma atividade que continuaria a fazer durante o resto da vida: o meticuloso trabalho de documentação sobre a história e a cultura (especialmente música) no interior do Brasil, tanto em São Paulo quanto Minas Gerais, que deixou-se profundamente interessado pela arte barroca do período colonial, como nas áreas agrestes no nordeste do país. Publicou ensaios em jornais de São Paulo, algumas vezes ilustrados por suas próprias fotografias, e foi, acima de tudo, acumulando informações sobre a vida e folclore brasileiro. Apesar dessas viagens, Andrade ainda lecionava piano no Conservatório, e, em 1921, se tornou professor de História da Arte desta instituição.[1]



[editar] Semana de Arte Moderna




Ver artigo principal: Semana de Arte Moderna


Mário de Andrade (sentado), Anita Malfatti (sentada, ao centro) e Zina Aita (à esquerda de Anita), em 1922.

Mário de Andrade (sentado), Anita Malfatti (sentada, ao centro) e Zina Aita (à esquerda de Anita), em 1922.

Ao mesmo tempo que Andrade efetuava seu trabalho como pesquisador do folclore brasileiro, fez amizade com um grupo de jovens artistas e escritores de São Paulo que, como ele, estavam interessados no modernismo europeu. Alguns deles mais tarde integrariam o chamado Grupo dos Cinco: ele próprio, Andrade, o poeta Oswald de Andrade (sem relação de parentesco com Mário de Andrade, apesar da coincidência de nomes)[3] e Menotti del Picchia, além das pintoras Tarsila do Amaral e Anita Malfatti. Malfatti havia visitado a Europa nos anos anteiores a Primeira Guerra Mundial, e foi a introdutora do expressionismo no Brasil.


Em 1922, ao mesmo tempo que preparava a publicação de Paulicéia desvairada, Andrade trabalhou com Malfatti e Oswald de Andrade em organizar um evento que se destinava a divulgar as criações do grupo modernista de São Paulo para uma audiência mais vasta: a Semana de Arte Moderna, que ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo entre 11 e 18 de fevereiro. Além de uma exposição de pinturas de Malfatti e de outros artistas associados ao modernismo, durante esses dias foram realizadas leituras literárias e palestras sobre arte, música e literatura. Andrade foi o principal organizador e um dos mais ativos participantes do evento, que, apesar de inicialmente recebida com ceticismo, atraiu uma grande audiência. Andrade, na ocasião, apresentou o esboço do ensaio que viria a publicar em 1925, a A Escrava que não é Isaura.


Os membros do Grupo dos Cinco continuaram trabalhando juntos durante a década de 1920, período durante o qual sua reputação cresceu e hostilidade por suas inovações foi gradualmente diminuindo. Mário de Andrade trabalhou, por exemplo, na “Revista de Antropofagia“, fundada por Oswald de Andrade, em 1928.[1] Mario e Oswald de Andrade foram os principais impulsionadores do movimento modernista brasileiro. De acordo com Paulo Mendes de Almeida, que era um amigo de ambos:



[editar] Missão de pesquisas folclóricas


Em 1935, durante uma era de instabilidade do governo Vargas, organizou, juntamente com o escritor e arqueólogo Paulo Duarte, um Departamento de Cultura para a unificação da cidade de São Paulo (Departamento de Cultura e Recreação da Prefeitura Municipal de São Paulo), onde Andrade se tornou diretor.[4] Em 1938 Mário de Andrade reuniu uma equipe com o objetivo de catalogar músicas do Norte e Nordeste brasileiros.[5]


Tinha como objetivo declarado, de acordo com a acta da sua fundação “conquistar e divulgar para todo país a cultura brasileira”.[6] O âmbito de aplicação do recém-criado Departamento de Cultura foi bastante ampla: a investigação cultural e demográfica, como construção de parques e recriações, além de importantes publicações culturais.


Exerceu seu cargo com a ambição que o caracterizava: ampliar seu trabalho sobre música e folclore popular, ao mesmo tempo tempo organizar exposições e conferências. As missões resultaram um vasto acervo registrados em vídeo, áudio, imagens, anotações musicais, dos lugares percorridos pela Missão de Pesquisas Folclóricas, o que pode ser considerado como um dos primeiros projetos multimédia da cultura brasileira. O material foi dividido de acordo com o caráter funcional das manifestações: músicas de dançar, cantar, trabalhar e rezar. Trouxe sua coleção fonográfica cultura para o Departamento, formando uma Discoteca Municipal, que era possivelmente as melhores e maiores reunidas no hemisfério.[7]



Mário em 12 de junho de 1927.

Mário em 12 de junho de 1927.

Em um marco do Departamento de Cultura, Claude Lévi-Strauss, então professor visitante da Universidade de São Paulo, realizou pesquisas. Outro grande evento foi a Missão de Pesquisas Folclóricas, que 1938, visitou mais de trinta localidades em seis estados brasileiros em busca de material etnográfico, especialmente na música. A missão foi interrompida, no entanto, quando, em 1938, pouco depois de instaurado o Estado Novo (do qual era contrário)[1], por Getúlio Vargas, Mário demitiu-se do departamento.[1]


Mário de Andrade também foi um dos mentores e fundadores do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, junto com o advogado Rodrigo de Melo Franco de Andrade. Limitações de ordem política e financeira impediram a realização desse projeto (que seria caracterizado por uma radical investida no inventário artístico e cultural de todo o país), restringindo as atribuições do instituto, fundado em 1937, à preservação de sítios e objetos históricos relacionados a fatos políticos históricos e ao legado religioso no país.


Mudou-se para o Rio de Janeiro para tomar posse de um novo posto na UFRJ, onde dirigiu o Congresso da Língua Nacional Cantada, um importante evento folclórico e musical. Em 1941 retornou para São Paulo e voltou ao antigo posto do Departamento de Cultura, apesar de não trabalhar com a mesma intensidade que antes.


Andrade morreu em sua residência em São Paulo devido a um enfarte do miocárdio, em 25 de fevereiro de 1945, quando tinha 52 anos. Dadas as suas divergências com o regime, não houve qualquer reação oficial significativa antes de sua morte. Dez anos mais tarde, porém, quando foram publicados em 1955, Poesias completas, quando já havia falecido Vargas, começou a consagração de Andrade como um dos principais valores culturais no Brasil. Em 1960 foi dado o seu nome à Biblioteca Municipal de São Paulo.



[editar] Obra


A sua segunda obra, Paulicéia desvairada, colocou-o entre os pioneiros do movimento modernista no Brasil, culminando, em 1922, como uma das figuras mais proeminentes da histórica Semana de Arte Moderna. Alguns dos seus livros de poesia mais conhecidos são: Losango cáqui, Clã do jabuti, Remate de males, Poesias e Lira paulistana.



[editar] Paulicéia desvairada


O “prefácio interessantíssimo” é o prefácio de Mário de Andrade ao seu próprio livro Paulicéia Desvairada, considerado a base do modernismo brasileiro.mundocultural Abre com uma citação do escritor belga Émile Verhaeren, que é o autor de Villes Tentaculaires. O prefácio não fala do livro mas sim de uma atitude geral perante a literatura. É uma espécie de manifesto poético, em versos livres.


No início do Prefácio ele próprio denuncia a sua atitude. Depois de afirmar que “está fundado o Desvairismo”, afirma que o seu texto é meio a sério meio a brincar. O que lhe dá um caráter inconfundível de, por um lado, programa poético e, por outro, paródia. Assim o sério e o divertimento se misturam num todo sem fronteiras definidas. Repare-se ainda que é um texto muito assertivo, provocativo e polêmico no que é característico o Modernismo.


Num estilo rápido e solto, com idéias truncadas, e que atinge um efeito de grande dinamismo. Mário de Andrade luta por uma expressão nova, por uma expressão que não esteja agarrada a formas do passado: “escrever arte moderna não significa jamais para mim representar a vida atual no que tem de exterior: automóveis, cinema, asfalto.”


Outra das idéias expressas por Mário de Andrade neste Prefácio/Manifesto é que a língua portuguesa é uma opressão para a livre expressão do escritor no Brasil. Assim ele afirma que “A língua brasileira é das mais ricas e sonoras”. Para reforçar esta idéia do brasileiro como língua, grafa propositadamente a ortografia de modo a ficar com o sotaque brasileiro. Assim aparece muitas vezes neste manifesto “si” em vez de “se”. Neste ponto está a ser completamente contra os poetas parnasianos que defendiam uma idéia de que a língua portuguesa seria a língua dos bons e grandes escritores do passado. Neste ponto, Mário de Andrade é um nacionalista. Mas não admira Marinetti. É contra a rima. E contra todas as imposições externas. “A gramática apareceu depois de organizadas as línguas. Acontece que meu inconsciente não sabe da existência de gramáticas, nem de línguas organizadas”. “Os portugueses dizem ir à cidade. Os brasileiros, na cidade. Eu sou brasileiro”. (Citado por Celso Pedro Luft).


A idéia talvez mais importante deste Prefácio é a de Polifonia e de Liberdade. “Arroubos… Lutas… Setas… Cantigas… povoar!” (trecho da poesia Tietê) Estas palavras não se ligam. Não formam enumeração. Cada uma é frase, período elíptico, reduzido ao mínimo telegráfico”.


Publicou, em 1928, Macunaíma o herói sem nenhum caráter e Ensaio sobre a Música Brasileira.


Em 1938 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde exerceu o cargo de diretor do Instituto de Artes na antiga Universidade do Distrito Federal (hoje Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Regressando a São Paulo em 1942, regeu durante muitos anos a cadeira de História da Música no Conservatório Dramático e Musical.


Possuidor de uma cultura ampla e profunda erudição, foi o fundador e primeiro diretor do Departamento de Cultura de São Paulo da Prefeitura Municipal de São Paulo, onde implantou a Sociedade de Etnologia e Folclore, o Coral Paulistano e a Discoteca Pública Municipal.


Foi amigo e compartilhou os ideais estéticos modernistas de Oswald de Andrade.


O próximo livro de poemas por Andrade, Losango cáqui (publicado em 1926, mas escrito em 1922), continua na mesma linha do trabalho anterior. Em Clá do jabuti (1927) e Remate de males (1930), faz amplo uso da sua pesquisa etnográfica.


Desde 1930, coincidindo com a Revolução 1930, a sua poesia sofre mudanças. Parte do seu trabalho posterior, como Poesia (1942), é resvala para um tom mais íntimo e sereno, embora mantenha uma outra linha de acusação e de política social, com obras como O Carro da miséria e Lira paulistana(1946).


Neste último trabalho pertence um longo poema intitulado “Meditação sôbre o Tietê”, um livro denso e complexo, pelos críticos, foi descrito como eu primeiro trabalho “sem importância”, apesar de as recentes críticas sobre o poema se manifestem mais animadoras. David T. Paterson comparou a Paterson, poema de William Carlos Williams, um inacabado poema épico com uma construção extremamente complexo.[8] A Meditação é um poema sobre a cidade e concentra-se no rio Tietê, que atravessa São Paulo. O poema é simultaneamente uma suma da trajetória poética de Andrade, em diálogo com outros poemas escritos muito antes, amor e um poema ao rio e a cidade em si.


Mario de Andrade foi também um excelente narrador. Escreveu vários contos, como em coleções Primeiro andar (1926) e Contos Novos (1946), bem como crônicas (Os Filhos da Candinha, 1945). Ele foi o autor de dois romances: Amar, verbo intrasitivo (1927) e Macunaíma (1928). O primeiro causou um escândalo na época, uma vez que reconta iniciação sexual de um adolescente com uma mulher madura, um alemão institutriz contratado pelo pai do jovem.[9] O segundo, que desde sua primeira edição, é apresentada como uma rapsódia, e não como romance, é considerado um dos romances de capitais da literatura brasileira.[10]


A inspiração para este romance Andrade veio da leitura do trabalho etnográfico do alemão Koch-Grünberg, que no livro Von Roraima zum Orinoco, recolheu lendas e histórias dos índios taulipangues e arecunás, da Venezuela e Amazônia brasileira. A partir desses materiais, Andrade criou o que ele chamou rapsódia, um termo ligado à tradição oral da literatura, e está também relacionada com a atividade do autor como a música.[11]


O protagonista, o indígena Macunaíma, chamado de “o herói sem nenhum caráter”.



Referências




  1. 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 1,8 Mário de Andrade, em www. releituras.com (en portugués). Consultado el 2/12/2007.
  2. Luper, Albert T. “The Musical Thought of Mário de Andrade (1893–1945).” Anuario 1(1965), 41–54; p. 43.
  3. Em algumas fontes, no entanto, são tidos erroneamente como irmãos. Enciclopedia Encarta).
  4. www.prodam.sp.gov.br
  5. Luper 47.
  6. “Mário de Andrade y la Missão de Pesquísas Folclóricas (1938): Una etnografía que no fue”, artículo de Fernando Giobellina Brumana, en Revista de Indias 237 (2006); pp. 545-572.
  7. Luper 47.
  8. Haberly, David T. “The Depths of the River: Mário de Andrades Meditação Sôbre o Tietê.” Hispania 72,2 (1989), 277–282.
  9. Trias Folch, op. cit., p. 220.
  10. Macunaíma – Estudo e resumo da obra, por por Dácio Antônio de Castro y Frederico Barbosa.
  11. Trias Folch, p. 221.

Mário de Andrade já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Paulo Hesse no filme O Homem do Pau-Brasil (1982) e Pascoal da Conceição nas minisséries Um Só Coração (2004) e JK (2006).

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