boigradia de antônio castilho de alcântara machado de oliveira

Antônio Castilho de Alcântara Machado de Oliveira


Antonio Castilho de Alcântara Machado dOliveira (São Paulo25/05/1901 – 14/04/1935). Contista, cronista, crítico literário, romancista e jornalista. Filho do jurista, político e escritor José de Alcântara Machado dOliveira (1875 – 1941) e de Maria Emília de Castilho Machado. Seguindo os passos do pai e do avô, ingressa na Faculdade Direito do Largo de São Francisco em 1919. Ainda estudante, escreve artigos jornalísticos, crítica literária e teatral no Jornal do Commercio.


Embora não participe da Semana de Arte Moderna (1922), apóia as novas idéias, aproximando-se dos escritores Oswald de Andrade (1890 – 1954) e Mário de Andrade (1893 – 1945) e do crítico Sérgio Milliet (1898 – 1966). Em 1924, torna-se redator-chefe do Jornal do Commercio. Vai para Europa em 1925 e reúne as impressões de viagem em seu primeiro livro, Pathé-Baby, publicado um ano depois. Seu envolvimento com as idéias modernistas e a imprensa leva-o a fundar, com o ensaísta Paulo Prado, a revista Terra Roxa e Outras Terras; com Oswald de Andrade, a Revista de Antropofagia, em 1928, e com Paulo Prado e Mário de Andrade a Revista Nova, que dura de 1931 a 1932. Estréia com o livro de conto de Brás, Bexiga e Barra Funda, em 1927, e lança Laranja da China, em 1928.


Na década de 1930 intensifica suas atividades políticas – apóia o movimento constitucionalista de 1932, e se transfere para o Rio de Janeiro como secretário-geral da bancada paulista na Assembléia Constituinte. Em 1934, assume a direção do Diário da Noite e é eleito deputado federal, mas não chega a ser empossado: morre no ano seguinte por complicações de uma apendicite. Deixa inédita a peça teatral A Ceia dos Não Convidados e o romance inacabado Mana Maria, publicados postumamente. Sua obra, baseada numa prosa coloquial, aborda a rápida modernização da cidade de São Paulo, com seus automóveis, indústrias e imigrantes, principalmente os italianos.


Fonte: www.itaucultural.org.br


ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRA


Contista brasileiro nascido em São Paulo, SP, cuja temática e estilo sobre o mundo do imigrante italiano e seus esforços de integração a São Paulo, o tornaram um modernista de primeira hora. Formado em direito, começou ainda estudante a trabalhar como jornalista.


Após uma temporada na Europa, impregnou-se das idéias de vanguarda e assumiu ostensiva posição de combate pela renovação literária, ao lado de Oswald de Andrade, como redator da Revista de Antropofagia. Seu estilo espontâneo e forte, tornou-se original por transmitir nova linguagem, que trouxe para a literatura brasileira as expressões mais típicas e o modo de falar ítalo-paulistano. Publicou Pathé-baby (1926), suas impressões de viagem, e em seguida os dois livros de contos pelos quais se tornaria lembrado como expoente do gênero: Brás, Bexiga e Barra Funda (1927) e Laranja da China (1928). Morreu relativamente jovem, no Rio de Janeiro, RJ, sem conhecer o auge de seu sucesso e sua valorização por gerações posteriores.


Em edições póstumas saíram Mana Maria (1936) e Cavaquinho e saxofone: solos (1940), como coletânea de seus artigos e ensaios antropofágicos (1926-1935).


Os 11 contos que compõem sua obra nasceram da experiência do autor como jornalista e, como tal, apresentam o sabor da notícia. Como cenário tem três bairros paulistanos, nítida ambientação ítalo-brasileira. Assim sua obra também representou uma excelente investigação da influência daqueles imigrantes sobre os paulistanos, revelando no autor o artista consciente de que o literato é também um historiador, ao observar a realidade urbana que o cerca.


Fonte: www.dec.ufcg.edu.br


ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRA



Antônio Castilho de Alcântara d Oliveira nasceu em São Paulo, a 25 de maio de 1901, filho de tradicional família paulistana. Formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, exercendo também o jornalismo.


Não participou da Semana de Arte Moderna, entrando em contato direto com os modernistas somente em 1925 e, no ano seguinte, já estréia com um livro de crônicas intitulado “Pathé-Baby”, com prefécio de Oswald de Andrade. Foi um dos fundadores da revista “Terra roxa e outras terras” e participou da “Revista Nova” e da “Revista Antropofágica” (da qual, em 1928, participou ativamente da primeira “dentição”).


A atividade política motivou sua mudança para o Rio de Janeiro, onde foi eleito deputado federal. Retornou pouco depois para São Paulo, onde morreu em 14 de abril de 1935, antes de ser empossado no cargo.


Teve seu nome consagrado com a publicação dos livros de contos “Brás, Bexiga e Barra Funda” (1927) e “Laranja da China” (1928). A principal característica de sua obra está no retrato, ao mesmo tempo crítico, anedótico, apaixonado, mas sobretudo humano, que faz da cidade de São Paulo e de seu povo, com particular atenção para os imigrantes italianos (sejam aqueles moradores dos bairros mais mais pobres ou os que vão se “aburguesando”). Esse painel é narrado no chamado “português-macarrônico” (quase um dialeto paulista, misturando o linguajar do imigrante italiano com o falar do povo brasileiro).

Em “Brás, Bexiga e Barra Funda”, o autor apresenta seus contos como “notícias” e o livro como um “jornal – órgão dos ítalo-brasileiros em São Paulo”.


Fonte: www.geocities.com


ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRA


Antônio era contista brasileiro nascido em São Paulo, SP, cuja temática e estilo sobre o mundo do imigrante italiano e seus esforços de integração a São Paulo, o tornaram um modernista de primeira hora.


Formado em direito, começou ainda estudante a trabalhar como jornalista. Após uma temporada na Europa, impregnou-se das idéias de vanguarda e assumiu ostensiva posição de combate pela renovação literária, ao lado de Oswald de Andrade, como redator da Revista de Antropofagia. Seu estilo espontâneo e forte, tornou-se original por transmitir nova linguagem, que trouxe para a literatura brasileira as expressões mais típicas e o modo de falar ítalo-paulistano.


Publicou Pathé-baby (1926), suas impressões de viagem, e em seguida os dois livros de contos pelos quais se tornaria lembrado como expoente do gênero: Brás, Bexiga e Barra Funda (1927) e Laranja da China (1928). Morreu relativamente jovem, no Rio de Janeiro, RJ, sem conhecer o auge de seu sucesso e sua valorização por gerações posteriores. Em edições póstumas saíram Mana Maria (1936) e Cavaquinho e saxofone: solos (1940), como coletânea de seus artigos e ensaios antropofágicos (1926-1935).


Os 11 contos que compõem sua obra nasceram da experiência do autor como jornalista e, como tal, apresentam o sabor da notícia. Como cenário tem três bairros paulistanos, nítida ambientação ítalo-brasileira. Assim sua obra também representou uma excelente investigação da influência daqueles imigrantes sobre os paulistanos, revelando no autor o artista consciente de que o literato é também um historiador, ao observar a realidade urbana que o cerca.


Fonte: pt.shvoong.com


ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRA


Dentre os muitos autores existentes na fase literária modernista, Alcântara Machado – cujo estudo da obra se faz interessante pelo modo como se dá seu trabalho – alia às notícias do jornal características literárias e constrói seus contos com base no dinamismo das informações e dos acontecimentos que permeiam o cotidiano da sociedade paulista.


Apresentação: biografia e contexto histórico-literário


Antônio de Alcântara Machado (1901 – 1935) nasceu em São Paulo e proveio de uma família tradicional. Formado em Direito, iniciou-se na literatura como crítico teatral, no Jornal do Commercio. Durante os dez anos que exerceu a atividade de escritor e jornalista, viveu o período preparatório da Revolução de 1930, a fase inicial de sua implantação e o chamado movimento constitucionalista, desde da Revolução Paulista (1932) até a elaboração da primeira constituição da República Nova em 1934.


Alcântara Machado trabalhou como redator e colaborador das revistas Terra Roxa e Outras Terras, da Revista de Antropofagia e da Revista Nova. Dedicou-se à crônica jornalística dentre as quais podemos citar Cavaquinho e Saxofone – publicadas postumamente; à prosa ficcional, com Brás, Bexiga e Barra Funda – talvez sua mais importante obra – e Contos Avulsos, também em edições póstumas; além de Mana Maria – romance inacabado, dedicou-se também à pesquisa histórica.


Em 1925, viajou à Europa, onde colheu impressões para seu livro de estréia Pathé Baby, cujo prefácio foi feito por Oswald de Andrade. Embora não tivesse participado da Semana de Arte Moderna em 1922, era extremamente ligado ao movimento modernista.


Juntamente com outros jovens escritores paulistas investiam contra uma literatura apegada aos valores estilísticos clássicos estritamente lusitanos. O principal objetivo dos escritores modernistas era destruir o convencionalismo literário, desmoralizar a inteligência empalhada, acabar com os medalhões da cultura.


O texto a seguir mostra, de maneira irônica, a ruptura que o autor propõe para acabar com o estilo rebuscado que até então marcava a literatura da época:


“O literato nunca chamava a coisa pelo nome. Nunca. Arranjava sempre um meio de se exprimir indiretamente. Com circunlóquios, imagens poéticas, figuras de retórica, metalepses, metáforas e outras bobagens complicadíssimas. Abusando. Ninguém morria: partia para os páramos ignotos. Mulher não era mulher. Qual o quê. Era flor, passarinho, anjo da guarda, doçura desta vida, bálsamo de bondade, fada, e, diabo. Mulher é que não. Depois a mania do sinônimo difícil. A própria coisa não se reconhecia nele. Nem mesmo a palavra. Palavra. Tudo fora da vida, do momento, do ambiente. A preocupação de embelezar, de esconder, de colorir. Nada de pão, queijo queijo. Não Senhor. Escrever assim não é vantagem. Mas pão epílogo tostado dos trigais dourados, queijo acompanhamento vacum da goiabada dulcífica, sim. E bonito. Disfarça bem a vulgaridade das coisas. Canta nos ouvidos. E é asnático, absolutamente asnático. Tem sobretudo esta qualidade. (…)O literato não se contentava em exclamar: ‘como cheiram as magnólias!’ Não. As magnólias eram capazes de se ofender com tanta secura. E êle então acrescentava poeticamente: ‘Flores de carne, seios de virgem.’ Pronto. As magnólias já não tinham direito de se queixar“.[1]


É interessante observar no texto acima a maneira divertida e irônica de se referir ao estilo do tempo, ao relatar o presente, ano de 1927, como se fosse coisa morta e definitivamente enterrada. Os artifícios lingüísticos empregados neste trecho evidenciam a completa identificação do autor com o movimento modernista.


Como prosador, trilhou caminhos experimentais traçados anteriormente por Mário e Oswald de Andrade. Utiliza uma linguagem leve e bem-humorada, espontânea e comunicativa, resultado possível graças à sua atuação como jornalista. Tal qual Oswald fez uso da linguagem telegráfica, elíptica e cinematográfica, cheia de flashes e cortes surpreendentes, o que possibilitou uma comunicação fácil e direta com o público.


Brás, Bexiga e Barra Funda: O foco na sociedade italiana


Interessado pela vida na cidade, o universo retratado por Alcântara Machado é o espaço urbano de São Paulo, em especial dos bairros dos imigrantes italianos – Brás, Bexiga, Barra Funda e Mooca – embora não faltem citações sobre os pontos considerados ‘nobres’ e ‘centrais’ da cidade – como a Avenida Angélica, Higienópolis, Paulista, Rua Barão de Itapetininga e Largo Santa Cecília. No conto Carmela, a personagem passeia pela cidade e conduz o leitor ao reconhecimento de alguns desses lugares com indicações dos nomes e, às vezes, até o número da casa ou da loja.


Além do reconhecimento geográfico da cidade um conjunto de aspectos humanos, morais, sociais, culturais e lingüísticos é trazido ora por um narrador observador, que anota suas impressões a uma certa distância, como fotógrafo de situações; ora por um narrador onisciente, que penetra superficialmente no íntimo dos personagens que formavam a comunidade ítalo-paulista. Totalmente identificado com a alma popular, Alcântara Machado traz para sua obra Brás, Bexiga e Barra Funda, não os emigrantes italianos ricos da avenida Paulista, fazendeiros de café, senão os ítalo-paulistas dos arrebaldes pobres, dos bairros operários, flagrados na simplicidade do seu cotidiano, na sua vida íntima, na luta por sua integração social.


“Em Brás, Bexiga e Barra Funda, Alcântara Machado utiliza a língua portuguesa tal como é praticada nos bairros ítalo-paulistas. Mas quando se compara a língua macarrônica de um Juó-Bananère com a de Alcântara Machado constata-se uma notável diferença entre a reprodução caricatural das deformações fonéticas, no primeiro, e o recurso comedido às misturas de vocabulário e erros de construção gramatical no segundo. […] De fato, Alcântara Machado não tem outro programa: ‘Construir tudo. Até a língua. Principalmente a língua’.”.[2]


Alcântara Machado dispôs-se a homenagear a italianidade lingüística e comportamental que marcava o dinamismo da cidade em expansão, recriando-a na linguagem certeira e ligeira das notícias de jornal. Embora elogiasse as deformações da sintaxe e da prosódia utilizadas por Juó Bananère (pseudônimo de Alexandre Marcondes Machado, um dos pioneiros da crônica da imigração na imprensa paulistana), o autor não o imitava, mas integrava vocábulos e estruturas frasais da língua italiana ao Português coloquial dos personagens preservando a brasilidade do narrador:


“Embatucou. Tinha qualquer cousa. Tirou o charuto da boca, ficou olhando para a ponta acesa. Deu um balanço no corpo. Decidiu-se.


– Ia dimenticando de dizer. O meu filho fará o gerente da sociedade… Sob a minha direção, se capisce.


– Sei, sei… O seu filho?


– Si. O Adriano. O doutor… mi pare… mi pare que conhece ele?”[3]


Outra característica fundamental no livro é a constatação do progresso metropolitano através da referência às máquinas, símbolos do progresso na década de 20. Neste contexto são extremamente importantes os veículos: bondes, coches, automóveis, identificados pelas marcas: Ford, Buick, Lancia, Hudson. Esses elementos são os responsáveis pelo desencadeamento dos conflitos nos contos Gaetaninho e O Monstro de Rodas, também funcionam como elementos caracterizadores de poder econômico em A Sociedade e Carmela ou de espaços como em Lisetta e Corinthians (2) vs. Palestra (1).


No conto Tiro de Guerra n. º 35, vários dados se atrelam o bonde: é através dele que descobrimos a condição econômica do cobrador (protagonista do conto), reconhecemos o espaço da cidade graças à linha do bonde. Verifica-se também um dado concreto a respeito da cultura popular quando a ausência do cobrador inspira a seção de fofocas amorosas da revista A Cigarra. Em outra passagem, o cobrador deixa o emprego na companhia cujo nome homenageava o escritor italiano Gabrielle d’Annunzio para trabalhar numa similar que homenageava Rui Barbosa, marca evidente do nacionalismo jacobino presente no conto.


As descrições dos ambientes espaciais – tanto exteriores quanto interiores em Brás, Bexiga e Barra Funda são econômicas e por vezes, raras. Em Amor e Sangue, o narrador faz uma descrição do ambiente comparando-o ao personagem de Nicolino; adianta registra também a imagem dos bondes e o acúmulo de pessoas que ocupavam esses bondes:


“(…) não adiantava que o céu estivesse azul porque a alma de Nicolino estava negra (…)” [4]


O tempo na narrativa é cronológico e bastante breve. As ações se passam em intervalos de horas, dias ou semanas em razão dos próprios enredos. Assim em O Monstro das Rodas,o relato não ultrapassa o período compreendido entre o velório e o enterro de uma criança, em Corinthians (2)vs. Palestra (1), o enredo se inicia em plena partida de futebol para encerrar-se nas comemorações da torcida campeã. Já no conto Carmela, a protagonista é convidada, em um fim de tarde, para um passeio de carro; no dia seguinte aceita o convite, mas leva uma amiga junto, enquanto que no passeio do domingo já não leva mais a acompanhante.


Durante a descrição do tempo das narrativas, o autor utiliza o recurso da síntese para marcar a passagem do tempo e das ações. Esses saltos são traduzidos graficamente pelo espaço em brando deixado entre as partes de cada história. No conto O Monstro de Rodas, a reza de uma Ave-Maria é entremeada com a descrição de dados paralelos e o momento mais dramático do conto é acentuado pelo uso de parênteses para registrar ações simultâneas:



“ O caixãozinho cor-de-rosa com listras prateadas (Dona Nunzia gritava) surgiu diante dos olhos assanhados da vizinhança reunida na calçada (a molecada pulava) nas mãos da Aída, da Josefina, da Margarida e da Linda”. [5]


A construção das personagens em Brás, Bexiga e Barra Funda


A obra de Alcântara Machado deixa uma fresta na construção dos personagens em relação ao uso superficial da psicologia para caracterizá-los, limitando-se à criação de tipos que talvez pudessem esconder o lado preconceituoso do escritor paulista com relação aos imigrantes, fato reforçado pela falta de convivência com estes. Por outro lado, deve-se levar em consideração que a obra não se impõe como uma sátira ao modo de viver estrangeiro e que, portanto, não pretende aprofundar as personalidades destes personagens, mas sim demonstrar de que maneira eles influenciaram na constituição da sociedade paulistana desde aquela época e que é evidenciada até hoje.


Diante disso, a construção dos personagens nos contos de Alcântara Machado surge de maneira dinâmica durante o desenrolar das ações do enredo, de maneira muito simples, privando-se do uso exagerado de adjetivos, cedendo lugar aos dados concretos que vão caracterizar os personagens cinematograficamente:


“Grito materno sim: até filho surdo escuta. Virou o rosto tão feio de sardento, viu a mãe e viu o chinelo.


– Subito!


Foi-se chegando devagarinho, devagarinho. Fazendo beicinho. Estudando o terreno. Diante da mãe e do chinelo parou. Balançou o corpo. Recurso de campeão de futebol. (…)“. [6]


Em Gennarinho, o detalhe do nariz do escorrendo, denota a falta de polidez do personagem, em oposição aos elementos que compõem seu visual. Embora quisesse parecer ‘fino’, sua caracterização se torna rude, ironicamente:


“Gennarinho desceu na estação da Sorocabana com o nariz escorrendo. Todo chibante. De chapéu vermelho. Bengalinha na mão. (…) com a cabeça para fora do automóvel soltando cusparadas. Apertou o dedo no portão. Disse uma palavra feia. Subiu as escadas berrando.


– Tire o chapéu.


Tirou


– Diga boa noite


Disse.


– Beije a mão dos padrinhos.


Beijou.


– Limpe o nariz.


Limpou com o chapéu.”[7]


Outro aspecto interessante é a descrição do vestuário utilizada para caracterizar os personagens. No caso da protagonista Carmela, as peças do vestuário vão marcar o lado escandaloso da nudez e a conseqüente vulgarização da personagem, ressaltada pela pretensa elegância na combinação de cores e permite ao leitor aproximar-se da personagem observando-a de dentro do conto, à medida que esta se contempla:


“O vestido de Carmela coladinho no corpo é de organdi verde. Braços nus, colo nu, joelhos de fora. Sapatinhos verdes. Bago de uva Marengo maduro para os lábios dos amadores. (…) Abre a bolsa e espreita o espelhinho quebrado que reflete a boca reluzente de carmim primeiro, depois o nariz chumbeva, depois os fiapos de sobrancelha, por último as bolas de metal branco na ponta das orelhas descobertas.”[8]


Em contraposição à descrição de Carmela está a apresentação de sua amiga Bianca, que ao mesmo tempo é um pouco desvalorizada por sua descrição física, faz o papel de boa amiga e intermediadora do romance entre Carmela o rapaz do Buick:


“Bianca por ser estrábica e feia é a sentinela da companheira.” [9]


Análise do conto Gaetaninho


Em linhas gerais, observamos na obra de Alcântara Machado, como traços mais característicos, o uso da pontuação como recurso de reprodução de traços rítmicos e melódicos da linguagem coloquial. Outra característica fundamental é o uso de expressões italianas para marcar a influência da imigração e da miscigenação racial na constituição da sociedade paulistana.


Em Gaetaninho, conto de abertura de Brás, Bexiga e Barra Funda, há uma divisão do conto em cinco cenas, característica notadamente cinematográfica, dada pelo corte narrativo existente de uma cena para outra, introduzindo uma nova situação, em um tempo e espaço também novos. Essa superposição de cenas compõe o todo como uma colagem, como se o narrador estive com uma câmera fotografando cena por cena.


Um dos recursos utilizados pelo autor para ilustrar a ação do personagem é a linguagem radiofônica. Como se fosse um locutor esportivo, o narrador descreve:


“O Nino veio correndo com a bolinha de meia. Chegou bem perto. Com o tronco arqueado, as pernas dobradas, os braços estendidos, as mãos abertas, Gaetaninho ficou pronto para a defesa.


– Passa pro Beppino!


Beppino deu dois passos e meteu o pé na bola. Com todo o muque. Ela cobriu o guardião sardento e foi parar no meio da rua.


– Vá dar tiro no inferno!


– Cala a boca, palestrino!


– Traga a bola!” [10]


O ambiente da trama é constituído por traços leves, demonstrando uma certa preocupação jornalística, mas que, no entanto, consegue identificar perfeitamente a condição sócio-econômica das personagens, como na passagem:


“Ali na Rua Oriente a ralé quando muito andava de bonde. De automóvel ou carro só mesmo em dia de enterro. De enterro ou de casamento. Por isso mesmo o sonho de Gaetaninho era de realização muito difícil. Um sonho.” [11]


Ainda neste trecho, notamos um certo valor social presente no desejo de Gaetaninho de andar de automóvel e ser admirado pelas pessoas, valor que talvez fosse associado como representação da elite, do status econômico.


“Gaetaninho saiu correndo. Antes de alcançar a bola um bonde o pegou. Pegou e matou.


No bonde vinha o pai do Gaetaninho.


A gurizada assustada espalhou a noticia na noite.


– Sabe o Gaetaninho?


– Que é que tem?


– Amassou o bonde!


A vizinhança limpou com benzina suas roupas domingueiras.


Às dezesseis horas do dia seguinte saiu um enterro da Rua do Oriente e Gaetaninho não ia na boléia de nenhum dos carros do acompanhamento. Ia no da frente dentro de um caixão fechado com flores pobres por cima. Vestia a roupa marinheira, tinha as ligas, mas não levava a palhetinha.


Quem na boléia de um dos carros do cortejo mirim exibia soberbo terno vermelho que feria a vista da gente era o Beppino”[12]


O final do conto é surpreendente, tanto pela rapidez com que se dá a morte de Gaetaninho, quanto pela ambigüidade causada pela frase “Amassou o bonde”. Tomando-se o sentido do verbo amassar em português e sabendo que em italiano ammazzare significa matar, permite uma dupla interpretação do trecho final, já que não se sabe se foi o garoto que atropelou o bonde ou contrário, o que garante, para um final que parecia ser trágico, um caráter cômico.


Referências Bibliográficas


BARBOSA, Francisco de Assis. António de Alcântara Machado. Trechos escolhidos, coleção Nossos Clássicos, 2ª ed. Rio de Janeiro: Agir Editora, 1970.


BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 2001.


CARELLI, Mário. Carcamanos e Comendadores. São Paulo: Ática, 1985.


MACHADO, Antônio de Alcântara – Novelas Paulistanas, Rio de Janeiro: José Olympio, 1961.


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[1] BARBOSA, Francisco de Assis. António de Alcântara Machado. Trechos escolhidos, coleção Nossos Clássicos, 2ª ed. Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1970, p. 07.


[2] CARELLI, Mário. Carcamanos e Comendadores. São Paulo: Ática, 1985, p.180.



[3] MACHADO, Antônio de Alcântara. A Sociedade. In: Novelas Paulistanas, Rio de Janeiro, José Olympio, 1961, p. 80.



[4] MACHADO, Antônio de Alcântara. Amor e Sangue. In: Novelas Paulistanas, Rio de Janeiro, José Olympio, 1961, p. 74.



[5] MACHADO, Antônio de Alcântara. O Monstro de Rodas. In: Novelas Paulistanas, Rio de Janeiro, José Olympio, 1961, p. 97.


6 MACHADO, Antônio de Alcântara – Gaetaninho. In: Novelas Paulistanas, Rio de Janeiro, José Olympio, 1961, p. 59.


[7] MACHADO, Antônio de Alcântara. Notas Biográficas do Novo Deputado. In: Novelas Paulistanas, Rio de Janeiro, José Olympio, 1961, p. 91s


Antônio Castilho de Alcântara Machado de Oliveira



Antônio Castilho de Alcântara Machado dOliveira nasceu em São Paulo, a 25 de maio de 1901, filho de ilustre e tradicional família paulistana. Formou-se em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco. Apesar de colaborar periodicamente com artigos sobre cultura no Jornal do Comércio, só tomou contato direto com os modernistas de São Paulo a partir de 1925. Sua estréia literária se deu em 1926, com um livro de crônicas intitulado Pathé-Baby, com prefácio de Oswald de Andrade.


Em 1928, participou ativamente da primeira “dentição” da Revista de Antropofagia; após 1929, por divergências ideológicas, afastou-se de Oswald, ao mesmo tempo que estreitou laços de amizade com Mário de Andrade. Morreu em 14 de abril de 1935, em São Paulo, aos 34 anos de idade.


Alcântara Machado teve seu nome definitivamente consagrado com a publicação dos livros de contos Brás, Bexiga e Barra Funda (1927) e Laranja da China (1928). A maior característica de sua obra está no retrato, ao mesmo tempo crítico, anedótico, apaixonado, mas sobretudo humano, que faz da cidade de São Paulo e de seu povo, com particular atenção para os imigrantes italianos, quer os moradores de bairros mais pobres, quer os que se vão aburguesando.


Todo esse painel é narrado no verdadeiro dialeto paulistano resultante da mistura do linguajar do imigrante italiano com o falar do povo brasileiro, que se convencionou chamar de “português macarrônico”, já brilhantemente utilizado por Juó Bananére. Em Brás, Bexiga e Barra Funda, o autor define seus contos como “notícias” e o livro como um “jornal – órgão dos ítalo-brasileiros de São Paulo”.


Transcrevemos, a seguir, um trecho do “editorial” desse “jornal”.


“Do consórcio da gente imigrante com o ambiente, do consórcio da gente imigrante com a indígena nasceram os novos mamalucos.


Nasceram os intalianinhos.


O Gaetaninho.


A Carmela.


Brasileiros e paulistas. Até bandeirantes.


E o colosso continuou rolando.


No começo a arrogância indígena perguntou meio zangada:


Carcamano pé-de-chumbo


Calcanhar de frigideira


Quem te deu a confiança


De casar com brasileira?


O pé-de-chumbo poderia responder tirando o cachimbo da boca e cuspindo de lado: A brasileira, per Bacco! Mas não disse nada. Adaptou-se. Trabalhou. Integrou-se. Prosperou.


E o negro violeiro cantou assim:


Italiano grita
Brasileiro fala
Viva o Brasil
E a bandeira da Itália!


Brás, Bexiga e Barra Funda, como membro da livre imprensa que é, tenta fixar tão somente alguns aspectos da vida trabalhadeira, íntima e quotidiana desses novos mestiços nacionais e nacionalistas. É um jornal. Mais nada. Notícia. Só. Não tem partido nem ideal. Não comenta. Não discute. Não aprofunda.


Principalmente não aprofunda. Em suas colunas não se encontra uma única linha de doutrina. Tudo são fatos diversos. Acontecimentos de crônica urbana. Episódios de rua. O aspecto étnico-social dessa novíssima raça de gigantes encontrará amanhã o seu historiador. E será então analisado e pesado num livro.


Brás, Bexiga e Barra Funda não é um livro.


Inscrevendo em sua coluna de honra os nomes de alguns ítalo-brasileiros ilustres este jornal rende uma homenagem à força e às virtudes da nova fornada mamaluca. São nomes de literatos, jornalistas, cientistas, políticos, esportistas, artistas e industriais. Todos eles figuram entre os que impulsionam e nobilitam neste momento a vida espiritual e material de São Paulo.


Brás, Bexiga e Barra Funda não é uma sátira.”


Resenha


Brás, Bexiga e Barra Funda
Francisco Araújo da Costa


Sinopse: Sendo um livro de contos, existem na verdade vários enredos curtos. Cada um destes contos foca-se em membros dos três bairros paulistanos do título e são neo-realistas. O autor, no prefácio, define o livro como um jornal e os contos como notícias, adicionando ainda mais realismo às histórias.


Temática: Os habitantes dos três bairros, seu drama e sua comédia humana são o tema desta obra.


Linguagem: Numa mistura de italiano e português, A. de A.M. registra o linguajar dos habitantes destes bairros.


Características: Sempre de modo realista (na verdade, neo-realista seria o termo técnico mais correto), o autor mostra a vida da gente pobre e humilde, as “pessoas invisíveis”, como chamou outro autor: tipos humanos comuns, cotidianos, dos bairros do Brás, Bexiga e Barra Funda, imigrantes italianos e seus descendentes.


Fonte: www.algosobre.com.br


Antônio Castilho de Alcântara Machado de Oliveira


(1901-1953)


Antônio Castilho de Alcântara Machado D Oliveira nasceu em São Paulo em 25 de maio de 1901. De família ilustre, o pai fora escritor e professor da Faculdade de Direito de São Paulo. Forma-se em direito no ano de 1924, mas não exerce a profissão, pois se dedica ao jornalismo, chegando a ocupar o cargo de redator-chefe do Jornal do Comércio.


No ano de 1925 realiza sua segunda viagem à Europa, onde já estivera quando criança. De lá traz crônicas e reportagens que originaram seu livro de estréia, Pathé-Baby (1926), prefaciado por Oswald de Andrade.


Em 1922 não participa da Semana de Arte Moderna, mas, no ano de 1926, junto com A.C. Couto de Barros, funda a revista Terra Roxa e Outras Terras. Em 1928 publica a obra Brás, Bexiga e Barra Funda . Na primeira edição dessa obra o prefácio é substituído prefácio por um texto intitulado Artigo de fundo , disposto em colunas, como as de uma página de jornal, onde afirmava:


Este livro não nasceu livro: nasceu jornal. Estes contos não nasceram contos: nasceram notícias. E este prefácio portanto também não nasceu prefácio: nasceu artigo de fundo .


Essa introdução revela uma característica fundamental de sua obra: a narrativa curta, muito semelhante à linguagem jornalística. Nessa obra Alcântara Machado revela a sua preocupação em descrever os habitantes e os costumes das pessoas que habitam os bairros humildes da capital paulistana. Assim, fez surgir um novo tipo de personagem na literatura brasileira: o ítalo-brasileiro.


Em 1928 une-se a Oswald de Andrade para fundar a Revista de Antropofagia. Alcântara Machado, juntamente com Raul Bopp, foi o diretor dessa revista no período de maio de 1928 a fevereiro de 1929. Ainda em 1929 lança a obra Laranja da China .


Em 1931 dirige a Revista Hora, junto com Mário de Andrade. Ingressando na política, muda-se para o Rio de Janeiro, onde exerce também a crítica literária. Candidata-se ao cargo de deputado federal. Eleito, não chega a ser empossado, pois falece em conseqüência de complicações de uma cirurgia de apêndice, no Rio de Janeiro, em 14 de abril 1935.


Fonte: www.omelhordaweb.com.br


ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRA


ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DOLIVEIRA nasceu em São Paulo em 25 de maio de 1901. De família ilustre, o pai fora escritor e professor da Faculdade de Direito de São Paulo. Forma-se em direito no ano de 1924, mas não exerce a profissão, pois se dedica ao jornalismo, chegando a ocupar o cargo de redator-chefe do Jornal do Comércio.


No ano de 1925 realiza sua segunda viagem à Europa, onde já estivera quando criança. De lá traz crônicas e reportagens que originaram seu livro de estréia, Pathé-Baby (1926), prefaciado por Oswald de Andrade. Em 1922 não participa da Semana de Arte Moderna, mas, no ano de 1926, junto com A.C. Couto de Barros, funda a revista Terra Roxa e Outras Terras. Em 1928 publica a obra “Brás, Bexiga e Barra Funda”. Na primeira edição dessa obra o prefácio é substituído prefácio por um texto intitulado “Artigo de fundo”, disposto em colunas, como as de uma página de jornal, onde afirmava:


“Este livro não nasceu livro: nasceu jornal. Estes contos não nasceram contos: nasceram notícias. E este prefácio portanto também não nasceu prefácio: nasceu artigo de fundo”.


Essa introdução revela uma característica fundamental de sua obra: a narrativa curta, muito semelhante à linguagem jornalística. Nessa obra Alcântara Machado revela a sua preocupação em descrever os habitantes e os costumes das pessoas que habitam os bairros humildes da capital paulistana. Assim, fez surgir um novo tipo de personagem na literatura brasileira: o ítalo-brasileiro.


Em 1928 une-se a Oswald de Andrade para fundar a Revista de Antropofagia. Alcântara Machado, juntamente com Raul Bopp, foi o diretor dessa revista no período de maio de 1928 a fevereiro de 1929. Ainda em 1929 lança a obra “Laranja da China”.


Em 1931 dirige a Revista Hora, junto com Mário de Andrade. Ingressando na política, muda-se para o Rio de Janeiro, onde exerce também a crítica literária. Candidata-se ao cargo de deputado federal. Eleito, não chega a ser empossado, pois falece em conseqüência de complicações de uma cirurgia de apêndice, no Rio de Janeiro, em 14 de abril 1935.


Principais Obras


Romances


Pathé-Baby (l926);


Mana Maria (inacabado)


Contos


Brás, Bexiga e Barra Funda (1927);


Laranja da China (1928)


Ensaio


Cavaquinho e Saxofone


Fonte: www.mundocultural.com.br


ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRA


São Paulo, SP, 25 de março de 1901.†Rio de Janeiro, RJ,14 de abril de 1935. Contista e cronista. Formou-se em 1923, pela Faculdade de Direito de São Paulo. Dedicou-se ao jornalismo, tendo sido crítico teatral e redator-chefe do Jornal do Commercio. Foi deputado federal pelo Partido Constitucionalista. Modernista, colaborou nas revistas Terra Roxa e Outras Terras (1926) e a Revista de Antropofagia (1928), ambas de curta duração. Com os escritores Mário de Andrade e Palma Travassos fundou a Revista Nova, também de duração efêmera. Sua obra retrata a ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRA proletária dos imigrantes italianos em alguns bairros de São Paulo. Sua prosa é vigorosa, concisa e expressiva. Foi membro da Academia Brasileira de Letras cadeira nº 37.


Principais Obras:


Pathé-Baby (crônicas), 1926, reed. 1983 Civilização Brasileira/INL, Rio de Janeiro;


Brás, Bexiga e Barra Funda (contos), 1927, reed. 1995, Nova Alexandria, São Paulo;


Laranja da China (contos), 1928, reed. 1982, IMESP/DAESP, São Paulo; Obras, 1983, Civilização Brasileira/INL, Rio de Janeiro;


Novelas paulistanas, 1988, Itatiaia/EDUSP, São Paulo.


Fonte: www.leiabrasil.org.br



ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRA


(1901-1935) era o nome completo do autor. Bacharel em direito, filho do professor e político Alcântara Machado, preferiu enveredar pela carreira jornalística e, em 1927, aos 26 anos de idade, era um dos redatores destacados dos “Diários Associados”, em São Paulo.


O jornalismo, entretanto, não o absorveu inteiramente. Consagrou-se também às letras, surgindo como uma das figuras mais expressivas do movimento modernista. Em 1934, veio para o Rio de Janeiro, onde passou a dirigir o “Diário da Noite”. Estava nesse posto jornalístico quando, a 14 de abril de 1935, faleceu na Casa de Saúde de São Sebastião, ao ser operado em conseqüência de uma crise aguda de apendicite.


Distinguiu-se pela vivacidade da linguagem, pela noANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRAde do estilo, pela fiel reprodução dos tipos e costumes paulistas, bem como pela sátira acerada e certeira com que alvejava os nossos ridículos. Nos deixou, ainda, a comédia “O Nortista”, e o livro de contos “Laranja da China”.


Fonte: www.klickescritores.com.br


ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRA


A literatura urbana foi inaugurada no Rio de Janeiro, mas São Paulo também teve, e continua tendo, importantes representantes, entre os quais se destaca, logo após o movimento modernista e o incorporando, ANTÔNIO DE ALCÂNTARA MACHADO. Com uma prosa experimental fortemente calcada na oralidade brasileira e numa economia telegráfica, ele retrata a ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRA simples e difícil dos imigrantes italianos que passaram a constituir um novo componente do povo nacional: são proletários, comerciantes, costureiras, barbeiros, jogadores de futebol etc., todos membros característicos de uma nova cidade (e de um novo país) em plena formação e desenvolvimento. Buscando uma união entre literatura erudita e espírito popular, o ficcionista soube antecipar um dos aspectos que se tornaria fundamental no desenvolvimento do mundo chamado “pós-moderno”. Se editou inúmeras revistas ligadas ao movimento antropofágico, dele, ele soube se diferenciar, criando um estilo único que deu voz a questões nunca antes abordadas. Nascer no primeiro ano de um século movimentado e renovador como o XX deve ter suas implicações!


OBRAS


Pathé-Baby (1926); Brás, Bexiga e Barra Funda (1927); Laranja da China (1928); Mana Maria (1936); Cavaquinho e Saxofone (1940); Novelas Paulistanas (1961); Obras (1983); Pressão Afetiva & Aquecimento Intelectual: Cartas de A. A. M. a Prudente de Morais Neto (1997).


A INOVAÇÃO DETERMINANTE


“O minuto de ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRA é fixado nos contos de Brás, Bexiga e Barra Funda por uma técnica de síntese que parece haver recrutado seus recursos na caricatura, no jornalismo e no cinema. Da primeira vem a economia de traços com que o caráter de cada personagem é esboçado; do segundo, a fatualidade do enfoque e a direitura do modo de narrar; do último, a montagem da efabulação em curtos blocos ou tomadas descontínuos. A técnica narrativa de Alcântara Machado deixaria inclusive uma marca indelével no conto brasileiro, rastreável desde Marques Rebelo até Dalton Trevisan.” (José Paulo Paes, Um Seqüestro do Divino)


EXCEPCIONAL


“É realmente um excepcional escritor esse que nos dá, à maneira dos antigos cronistas, um tratado do Brasil, mas do Brasil novo e diferencial que se processa nas terras paulistas. […] Vivendo numa cidade moderna, trêmula e estuante de vibrações contínuas de recomposição, descobriu a gente nova que alvorecia, semente de futuros grandes e incertos.” (João Ribeiro, Os Modernos)


Extrato da obra Brás, Bexiga e Barra Funda


Saiu do Grupo e foi para a oficina mecânica do cunhado. Fumando Bentevi e cantando a Caraboo. Mas sobretudo com muita malandrice. Entrou para o Juvenil Flor de Prata F. C. (fundado para matar o Juvenil Flor de Ouro F. C.). Reserva do primeiro quadro. Foi expulso por falta de pagamento. Esperou na esquina o tesoureiro. O tesoureiro não apareceu. Estreou as calças compridas no casamento da irmã mais moça (sem contar a Joaninha). Amou a Josefina. Apanhou do primo da Josefina. Jurou vingança. Ajudou a empastelar o Fanfulla que falou mal do Brasil. Teve ambições. Por exemplo: artista do Circo Queirolo. Quase morreu afogado no Tietê.


E fez vinte anos no dia chuvoso em que a Tina (namorada do Lingüiça) casou com um chofer de praça na polícia.


Então brigou com o cunhado. E passou a ser cobrador da Companhia Autoviação Gabrielle dAnnunzio. De farda amarela e polainas vermelhas.


Sua linha: Praça do Patriarca—Lapa. Arranjou logo uma pequena. No fim da Rua das Palmeiras. Ela vinha à janela ver o Aristodemo passar. O Evaristo era quem avisava por camaradagem tocando o cláxon do ônibus verde. Aristodemo ficava olhando para trás até o Largo das Perdizes.


E não queria mesmo outra ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRA.


Fonte: virtualbooks.terra.com.br


ANTÔNIO CASTILHO DE ALCÂNTARA MACHADO DE OLIVEIRA


Antônio Castilho de Alcântara Machado dOliveira (São Paulo, 25 de maio de 1901 — Rio de Janeiro, 14 de abril de 1935) foi um jornalista, político e escritor brasileiro. Apesar de não ter participado da Semana de 1922, Alcântara Machado escreveu diversos contos e crônicas modernistas, além de um romance inacabado.


Biografia


De família ilustre, de advogados e escritores, formou-se em medicina no ano de 1924, na Faculdade de Direito de São Paulo, onde o pai, também escritor, era professor. Porém, Alcântara nunca exerceria a profissão de jurista, preferindo aos dezenove anos iniciar a carreira de jornalista, na qual chegou mesmo a ocupar o cargo de redator-chefe do Jornal do Comércio.


Estreou-se na literatura primeiramente ao escrever críticas de peças de teatro para o jornal. No ano de 1925, viajou à Europa, onde já estivera quando criança, e de onde se inspirou para escrever crônicas e reportagens que viriam a dar origem ao seu primeiro livro, Pathé-Baby (primeiramente publicado em 1926), o qual recebeu um prefácio de Oswald de Andrade, este que estreitava os laços de amizade com Alcântara.


É interessante notar que, apesar de demonstrar traços marcadamente modernistas já desde essa primeira obra, composta de períodos curtos e rápidos de prosa urbana, o autor não havia participado da Semana de Arte Moderna de 1922.


A partir daí, escreveria diversos contos e crônicas modernistas, tomando parte, no ano de 1926, junto com A.C. Couto de Barros, na fundação da revista Terra Roxa e Outras Terras, também de viés modernista.


== Brás, Bexiga e Barra Funda Uma de suas obras mais conhecidas é Brás, Bexiga e Barra Funda, uma coletânea de contos. Publicada em 1928, trata do quotidiano dos imigrantes italianos e dos ítalo-descendentes na cidade de São Paulo, expressando-se a narrativa numa linguagem livre, próxima da coloquial. Mostrava as impressões duma São Paulo imersa na experiência da imigração, que então vinha modificando os trejeitos da cidade.


Na primeira edição, o prefácio é substituído por um texto entitulado Artigo de fundo, disposto como que em colunas de página de jornal, onde se lê: “Este livro não nasceu livro: nasceu jornal. Estes contos não nasceram contos: nasceram notícias. E este prefácio portanto também não nasceu prefácio: nasceu artigo de fundo”.


Por si só, tal introdução revela uma caraterística fundamental de sua obra: a narrativa curta, a linguaguem elíptica e cinematográfica, entrecortada e justaposicionada, como uma colagem de cenas permeada pela oralidade informal, o que possibilitava uma comunicação fácil e direta com o público. Brás, Bexiga e Barra Funda revela ainda a preocupação em se descreverem os habitantes e os costumes das pessoas que habitavam os bairros periféricos da capital paulista, e, inadvertidamente, fez surgir um novo tipo de personagem na literatura brasileira: o ítalo-brasileiro.


Conforme sobrecitado, o livro é versado na vida urbana, em especial no espaço urbano de São Paulo, nos bairros dos imigrantes (em sua maioria italianos), como já indica o título, retratados na sua intimidade de todos os dias. O leitor é levado a reconhecer e se familiarizar com esses arrebaldes, dos quais se indicam os nomes e, por vezes, mesmo o número da casa ou do estabelecimento.


Para além dum reconhecimento geográfico, descrevem-se também séries de valores humanos presentes nesses moradores menos favorecidos, em se evidenciando as suas peculiaridades comportamentais, tanto na forma de ver o mundo, como na difícil condição de estrangeiros, assim como na expressão, ilustrada pelo uso do português numa variedade linguística estigmatizada, porque extremamente arraigada à gramática italiana, com influência no vocabulário e nas construções.


Isso nos é motrado criticamente por um narrador observador, distanciado, que impinge as personagens com os seus próprios juízos; ou, alternativamente, por um narrador onisciente, que adentra os personagens para recuperar a história pela visão deles.


Constata-se, no livro, também a importância dada à máquina, vista como o símbolo do futuro e do progresso na pós-Revolução Industrial, personificada na obra de Alcântara pelos meios de transporte: para além de identificadores da cidade, funcionam como parte do enredo, por vezes servindo como inferência à posição social da personagem.


A narração compõe-se a partir da sucessão cronológica, onde simultaneidade, anterioridade e posterioridade desempenham um papel importante. A passagem do tempo é demonstrada por saltos ou lacunas entre as partes do conto.


Alcântara e o Modernismo


Em 1928, após a publicação da coletânea, uniu-se a Oswald de Andrade para fundarem a Revista de Antropofagia. Alcântara Machado, juntamente com Raul Bopp, foi co-diretor da revista no período de Maio de 1928 até a Fevereiro de 1929, ano este no qual lançou outra obra, de título Laranja da China.


Com outros escritores do movimento, ele investia a favor da rutura, contra a Literatura dos valores estilísticos clássicos, com vistas a desconstruir as convenções, desmoralizar, evoluir e acabar com a cultura preestabelecida, com o estilo rebuscado que até então vogava dentre os literatos do Brasil.


Na sua prosa, caminhou pela senda da experimentação, aberta por Mário e Oswald de Andrade, ao fazer uso duma linguagem leve, bem-humorada e espontânea, altamente influenciada pelo seu passado de jornalista. Talvez tenha sido um dos primeiros brasileiros a usar o elemento gráfico como expressão literária aplicada à prosa de temas urbanos do quotidiano.


Juntou-se então, em 1931, com Mário de Andrade e dirigiram mais uma publicação, a Revista Nova. Nesse período de ebulição e transformações sociais e políticas, na época do chamado movimento constitucionalista, que, sucedendo à Revolução Paulista (1932), culminaria na elaboração da primeira constituição da República Nova em 1934, foi quando Alcântara ingressou na vida pública.


Foi continuar a exercer a carreira de crítico literário para o Rio, onde se candidatou ao cargo de deputado federal. Eleito, sequer chegou a ser empossado, dadas complicações duma cirurgia do apêndice que resultariam no seu falecimento, na cidade do Rio de Janeiro, a 14 de Abril de 1935, deixando para trás, inacabado, o seu romance Mana Maria. Seu corpo foi sepultado no túmulo da família no Cemitério da Consolação,em São Paulo. O pai, o escritor e Jurista José de Alcântara Machado, que nunca se refez do forte abalo causado pela morte do filho,faleceu em 1941 e foi sepultado no mesmo túmulo.


Entretanto, as suas crônicas inéditas, desde as que não conseguiram integrar Pathé-Baby até às escritas no ano do seu óbito, encontram-se publicadas no póstumo Cavaquinho e Saxofone, abrangendo quase dez anos do jornalismo literário do escritor. Outrossim, de contos, publicou-se uma outra obra póstuma, chamada Contos Avulsos.


Obra




  • Pathé-Baby (1926), romance


  • Brás, Bexiga e Barra Funda (1927), contos


  • Laranja da China (1928), contos


  • Mana Maria (inacabado), romance


  • Cavaquinho e saxofone (1940, póstuma), crônicas e ensaios


  • Contos Avulsos (1961, póstuma), contos

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