Brasil movimentos sociais em carajás: a ordem da imprensa local é criminalizar

O Estado do Maranhão, Jornal do grupo Sarney, segue a mesma linha das Organizações Romulo Maiorana (ORM), do Pará, que controla o jornal O Liberal: prende, julga e puxa a corda do cadafalso em relação aos movimentos sociais na tensa fronteira agro-mineral de Carajás. Na edição dominical, 31 de agosto, considerada o luxo do jornalismo, dispara suposições contra as organizações sociais da região.

Ao contrário do Liberal, ao menos alguém assina a matéria que dedica mais de 80% com a defesa dos louros da Vale na região. Em regra geral, números estratosféricos de investimentos da companhia inundam a defesa da Vale em ato que não passa de uma suposição. São números intraduzíveis para o cidadão comum.





Ribamar Cunha, sub-editor não explica que movimentos sociais se trata e nem indica a fonte (terá sido alguém da Agência Brasileira de Inteligência -ABIN?), da suposição da ocupação da ferrovia. A manchete (invasão anunciada da EFC preocupa a Vale) desmente o teor. Na matéria não diz quem anunciou.


O fato não existe. Mais tem data marcada e até prazo de duração, 10 dias. Só faltou afirmar que vai ter abada. A capacidade de “convencer” os meios de comunicação onde a Vale opera é uma das dimensões da hipertrofia do poder da companhia, que foi bem traduzido com a presença do presidente da República no dia 14 de agosto emcerimônia de ampliação da capacidade de operação da Alunorte, empresa do grupo com sede em Barcarena, ao norte do Pará.


Os meios de comunicação não registram os passivos sociais e ambientais que as operações da companhia engendram nos rincões que extrai minérios, instala portos e ferrovias. Na edição de sábado, 29 de agosto, tanto o diário dos Barbalhos e o Liberal dos Maiorana, ambos do Pará, zelaram na degola do pescoço do MST, alvo preferencial na criminalização da imprensa da região.


A reação do MST por conta de um atropelamento e morte de um assentado da reforma agrária no projeto de assentamento da reforma agrária Palmares II, no município de Paraupebas, no pé da serra da maior provincial do mundo, por um carro de empresa prestadora de serviços à Vale foi assim traduzido: MST faz operários reféns.


Para os jornalões da praça de cá ou ditos centros desenvolvidos a régua e o compasso ditados pela Vale é a regra. A empresa cometeu o crime de vender madeira que devastou no município de Paragominas, onde explora bauxita, matéria prima para a produção de alumínio. Qual a manchete da matéria? “Vale se defende de crime ambiental”. Os fatos não interessam, vale a versão.


Os jornalões não sabem que é enclave o modelo de tais projetos, ou seja, não dinamiza a economia onde são instalados. Não bastasse, ainda há Lei Kandir, que isenta de imposto a exportação dos minérios e semi-elaborados.  O descompasso rege a modalidade de extrativismo mineral, enquanto o faturamento da empresa somente no Pará tem sido maior que o crescimento nacional, a região de Carajás coleciona passivos de toda ordem.


21 municípios do Pará estão entre os cem que mais desmatam na Amazônia. Dessas duas dezenas de cidades, 19 se encontra no sudeste do Pará, que além da mina abriga o pólo siderúrgico. O pólo é um dos maiores animadores de crimes ambientais, que incentiva além do desmatamento a produção ilegal de carvão, que agrega o trabalho escravo na linha de produção. Boa parte desses municípios recordistas em desmatamento, também lidera o ranking de violência.  Os estudos foram realizados através do Projeto Prodes – Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite/2007.


A parcialidade da imprensa sobre os movimentos sociais da mais tensa fronteira da disputa pela terra do país impera. Os segmentos sociais estão a se organizar no sentido de conhecer um pouco das mazelas resultantes da economia de enclave que rege a região de Carajás, e se mobilizam em bloco rumo ao Fórum Social Mundial, que eclode em Belém em 2009. Costuma-se afirmar por essas paragens quem tem grana faz lobby, quem não tem se mobiliza. Até onde se sabe, a Constituição garante a livre organização.


É caolha imprensa? Para ela pessoas não morrem na Estrada de Ferro de Carajás. Menos ainda animais. Ela ignora índices recordes de ações trabalhistas contra a companhia em Parauapebas, desconhece ainda os graves problemas de saúde dos trabalhadores nas fábricas de alumínio no município Barcarena, não sabe dos operários esmagados por gigantescas carretas na serra de Carajás, e se quer navega nos rios ameaçados de morte, a exemplo do Itacaúinas, que ainda banha o escaldante município de Marabá, cidade pólo do sudeste do Pará. Isso para não lembrar que a região também é top de linha em assassinatos de dirigentes sindicais rurais e seus assessores.


Para não dizer que tudo é ácido nessas latitudes, ao menos a prisão Eurival Martins, o Totô, foi revogada. Uma vitória. Além da prisão, o moço havia sido condenado a pagar multa de outro mundo a Vale quando centenas de camponeses e garimpeiros ocuparam a EFC.

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