Brasil um país de discriminação racial

Há todo um discurso que tenta sustentar a imagem de que o Brasil, por sua formação social híbrida, misto de várias raças, seria um local onde um racismo não teria encontrado espaço. Não é bem assim. De fato, ao contrário de países como os Estados Unidos e a África do Sul, a violência racial a a dificuldade de afirmação social do negro não foi tão problemática. Mas há um racismo velado que se mostra cada dia mais evidente.
Um abismo de 55 países separa o Brasil negro do branco: no ranking de qualidade de vida medido pelo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o negro brasileiro fica em 101º lugar, e o branco, em 46º lugar. Com isso os negros têm qualidade de vida comparável à de países pobres como Vietnã (101º lugar no ranking da ONU) e Argélia (100º lugar), onde o desenvolvimento humano é considerado de médio para baixo. Já os brancos têm qualidade de vida similar à de países como a Croácia (46º lugar) e os Emirados Árabes (45º lugar), de alto desenvolvimento.

Esse é o resultado de uma pesquisa feita pelo economista Marcelo Paixão, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Com a mesma metodologia usada pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) para elaborar o IDH – que considera indicadores de educação, expectativa de vida e rendimento per capita -, ele calculou os índices para as populações de negros e brancos no Brasil, referentes ao ano de 1999.

Em vez de negros, porém, o pesquisador usa a terminologia afro-descendentes, somando aqueles que o IBGE classifica como pretos e pardos. Segundo o instituto, em 1999 a população brasileira era formada por 54% de brancos, 5,4% de pretos e 39,9% de pardos.

Em 1999, 91,7% dos brancos com mais de 15 anos eram alfabetizados, enquanto, entre negros, essa taxa era de 80,2%. Na análise dos indicadores salariais, a pesquisa mostra que a renda média familiar per capita dos brancos (2,99 salários mínimos) é mais do que o dobro da dos negros (1,28 salário). Na expectativa de vida, o negro também perde: vive, em média, 65,12 anos, enquanto o branco vive 71,23 anos.

A sociedade brasileira só agora está discutindo mecanismos para combater este problema. O fato é que, se há conseqüências, há causas e, com certeza, muitas delas estão ainda ligadas à questão do preconceito. É necessário repensar nossos parâmetros de igualdade racial.

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brasil: um país de discriminação racial

Há todo um discurso que tenta sustentar a imagem de que o Brasil, por sua formação social híbrida, misto de várias raças, seria um local onde um racismo não teria encontrado espaço. Não é bem assim. De fato, ao contrário de países como os Estados Unidos e a África do Sul, a violência racial a a dificuldade de afirmação social do negro não foi tão problemática. Mas há um racismo velado que se mostra cada dia mais evidente.

Um abismo de 55 países separa o Brasil negro do branco: no ranking de qualidade de vida medido pelo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o negro brasileiro fica em 101º lugar, e o branco, em 46º lugar. Com isso os negros têm qualidade de vida comparável à de países pobres como Vietnã (101º lugar no ranking da ONU) e Argélia (100º lugar), onde o desenvolvimento humano é considerado de médio para baixo. Já os brancos têm qualidade de vida similar à de países como a Croácia (46º lugar) e os Emirados Árabes (45º lugar), de alto desenvolvimento.

Esse é o resultado de uma pesquisa feita pelo economista Marcelo Paixão, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Com a mesma metodologia usada pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) para elaborar o IDH – que considera indicadores de educação, expectativa de vida e rendimento per capita -, ele calculou os índices para as populações de negros e brancos no Brasil, referentes ao ano de 1999.

Em vez de negros, porém, o pesquisador usa a terminologia afro-descendentes, somando aqueles que o IBGE classifica como pretos e pardos. Segundo o instituto, em 1999 a população brasileira era formada por 54% de brancos, 5,4% de pretos e 39,9% de pardos.

Em 1999, 91,7% dos brancos com mais de 15 anos eram alfabetizados, enquanto, entre negros, essa taxa era de 80,2%. Na análise dos indicadores salariais, a pesquisa mostra que a renda média familiar per capita dos brancos (2,99 salários mínimos) é mais do que o dobro da dos negros (1,28 salário). Na expectativa de vida, o negro também perde: vive, em média, 65,12 anos, enquanto o branco vive 71,23 anos.

A sociedade brasileira só agora está discutindo mecanismos para combater este problema. O fato é que, se há conseqüências, há causas e, com certeza, muitas delas estão ainda ligadas à questão do preconceito. É necessário repensar nossos parâmetros de igualdade racial.

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