Cantor da banda moptop fala sobre o segundo albúm da banda

“Eu não sei nada sobre música. Nesse negócio você não tem que saber.” Ou, então: “Prefiro ser odiado pelo que sou do que ser amado por aquilo que não sou.” A frase de Elvis Presley e a afirmação de Kurt Cobain sobre o “negócio da música” e “o estranho segundo disco”, respectivamente, estão entre as citações escolhidas pelos integrantes do Moptop – banda indicada como revelação em diversas premiações recentes, dividindo a cena com NX Zero e Fresno – em material divulgado à imprensa para facilitar a vida dos jornalistas no momento de entrevistá-los. Seria uma provocação em resposta àqueles que ainda insistem em rotular o grupo?

Com uma pitada de humor atualmente meio raro entre as bandas pop nacionais, o quarteto carioca está lançando seu segundo álbum, “Como se comportar”. “A gente tem mania de fazer piadinha, não sei se as pessoas vão entender”, diz o vocalista Gabriel Marques. “A capa é uma imagem forte, mostra que a gente não queria fugir da raia. Já que o título é esse, tinha que ter no mínimo algumas coisas mais provocadoras”, fala o músico, deixando claro que a relação do grupo com a imprensa sempre foi tranqüila.

“As comparações com os Strokes eram válidas”, diz. “A gente nunca fugiu dela, até porque as primeiras coisas da banda estavam bem calcadas não só neles, mas numa certa cena da Inglaterra, de Nova York. Acho que muito mais pela nossa ingenuidade e incapacidade de produzir arranjos diferentes a gente ficou preso a uma certa fórmula de fazer música. O lado positivo desse novo disco é que a gente não teve muita preocupação. Com o tempo, sem saber, formamos uma identidade, um som próprio. O disco está mais livre de influências, mais ‘Moptopeano’.”

Repertório Moptopeano

Por ‘Moptopeano’ entenda-se “uma certa influência de rock anos 80, um pouco mais de folk e trilhas sonoras tipo Ennio Morricone”, conforme explica o baterista Mario Mamede. “As influências de indie estão mais diluídas. Um dos nossos objetivos era fazer um disco mais equilibrado, que batesse em outras teclas que não só aquelas do primeiro álbum”, diz. “Esse disco tem um potencial de divulgação maior ainda que o primeiro. Tem balada, porrada, música dançante. É um trabalho amplo, que mostra todas as influências que a gente tem.”

A amplitude se estende às letras. “Alguns assuntos que estão no primeiro disco se esgotaram”, diz Gabriel. “Tive de fugir um pouco da primeira pessoa, deixar de falar de coisas que estavam acontecendo comigo ou que se passavam na minha cabeça. Desta vez deu pra passear um pouco mais, incorporar outros personagens. Algumas das melhores letras do disco falam menos de coisas pessoais.”

Segundo Mamede, as músicas falam muito sobre comportamento. “O título resume o trabalho como um todo”, diz o baterista. Ao longo das 12 faixas, há ainda algumas referências ao escritor beatnik Jack Kerouac – resultado de dois anos de turnê pelo Brasil. “Se chamarem a gente pra abrir o show do Seu Jorge a gente vai tocar o nosso som”, fala Mamede. “É bom, porque podemos levar a música para um número maior de pessoas. Chega um momento em que você faz uma escolha: ou vira radical ou não liga e vai divulgar a banda. Nos anos 80 não tinha isso, todo mundo tocava no Chacrinha.”

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