Com a aprovação do estatuto do torcedor pelo congresso nacional, as mudanças

Calendário e competições
Um torcedor brasileiro.
Um torcedor brasileiro.

Motivo de grande controvérsia no Brasil, o calendário de futebol ao longo dos tempos foi alvo de críticas por parte de torcedores, jornalistas especializados e mesmo dirigentes de clubes. Com a aprovação do “Estatuto do Torcedor” pelo Congresso Nacional, as mudanças começaram a transformar o calendário nacional. Segundo a CBF, a intenção é tornar o calendário brasileiro compatível com os dos países da Europa, para compatibilizar os interesses das organizações de futebol nacionais e internacionais.[57][58]

A temporada brasileira, tradicionalmente, é iniciada em janeiro. Hoje, a primeira competição a ser disputada pelos elencos profissionais são os campeonatos estaduais. Anteriormente, entre meados da década de 1990 até 2002, as competições regionais, como o Torneio Rio-São Paulo, a Copa Sul-Minas e a Copa Nordeste por exemplo, eram realizadas no começo do ano. Envolviam equipes de diferentes estados. Contudo, foram extintas, já que sobrecarregavam os grandes times no primeiro semestre. A Copa do Brasil, disputada na primeira metade do ano, cresceu e ganhou importância. Esta é a única competição nacional que envolve clubes de todos os estados do Brasil, classificados a partir de torneios estaduais do ano anterior. No entanto, a Copa do Brasil não conta com a participação das equipes classificadas para a Libertadores da América, também disputada no primeiro semestre de cada ano.

O Campeonato Brasileiro de Futebol, também conhecido por Brasileirão popularmente, é realizado entre maio e dezembro normalmente, desde 2003. Por começar antes do meio de cada ano, o campeonato sofre com a abertura do mercado exterior entre julho e agosto, fazendo com que muitos jogadores transfiram-se para outros países.[59] Além disso, seu início dá-se durante a fase decisiva da Copa Libertadores e sua finalização é concorrente à Copa Sul-Americana.

No total, um clube brasileiro pode acabar disputando por volta de 80 partidas ao longo do ano, perfazendo a média de um jogo a cada 4,5 dias. Os jogos de primeira divisão no país costumam acontecer em rodadas de quarta e quinta-feira, à noite, e sábado e domingo, à tarde.

No passado, os campeonatos estaduais e o nacional, desde que fora criado, dividiam o calendário do futebol brasileiro. Uma competição para cada semestre. Além disso, paralelamente aos estaduais, ocorriam competições municipais, regionais e, em alguns locais, o Torneio Início, que tinha todas suas partidas em apenas um dia.

[editar] Campeonatos Estaduais
Partida entre Santos e Mogi Mirim na Vila Belmiro, pelo Paulistão 2007.
Partida entre Santos e Mogi Mirim na Vila Belmiro, pelo Paulistão 2007.

Ver artigo principal: Campeonato Estadual de Futebol

Organizados pelas federações estaduais, é uma disputa entre os clubes de cada unidade da federação, muito tradicional em determinados estados. A fórmula de disputa é diferente para cada Estado, variando conforme a tradição, cultura, mercado e vontade dos dirigentes locais. Alguns Estados criam fórmulas complexas, com diversas finais, turnos e repescagens ao longo do torneio, enquanto outros, como o Rio Grande Sul, mantém a mesma fórmula há várias décadas. Desde a instituição da Copa do Brasil, os campeões estaduais de federações menores têm a oportunidade de obter algum tipo de projeção nacional.

Sua existência é um aspecto único ao futebol brasileiro. Por causa do desenvolvimento do esporte em tempos remotos, o tamanho do país e a falta de um transporte rápido, tornou-se inviável a criação de uma competição de nível nacional, fazendo com que os primeiros torneios fossem estaduais ou interestaduais, como o Torneio Rio-São Paulo. Mesmo hoje, apesar da existência de um campeonato nacional, os campeonatos estaduais continuam a ser disputados intensamente e as rivalidades dentro de cada estado mantém-se muito forte. Em alguns Estados, a competição ganha o apelido por seu aumentativo, casos do Paulistão e Gauchão por exemplo.

[editar] Copa do Brasil

Ver artigo principal: Copa do Brasil de Futebol

Torneio criado em 1989, a Copa do Brasil de Futebol em suas primeiras edições era relegado ao segundo plano. Hoje, ganhou importância devido a um número maior de participantes e, principalmente, por causa da vaga para a Copa Libertadores da América do ano seguinte reservada ao campeão. É a única chance dos times pequenos (como o Santo André, em 2004, e o Paulista de Jundiaí, em 2005) conseguirem acesso à competições internacionais, sem precisar ganhar o competitivo Campeonato Brasileiro de Futebol, em todas as suas divisões.

[editar] Campeonato Brasileiro

Ver artigo principal: Campeonato Brasileiro de Futebol

Partida entre Cruzeiro e Corinthians no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro de 2006.
Partida entre Cruzeiro e Corinthians no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro de 2006.

O Campeonato Brasileiro de Futebol ou Brasileirão foi criado apenas em 1971 pela CBF para ser o principal torneio de futebol no âmbito nacional. O campeonato teve com antecessores a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Ainda hoje, algumas dificuldades são notórias para a sua realização. A fórmula foi alterada inúmeras vezes e as divisões inferiores sempre sofreram com o descaso e a falta de planejamento. Nos últimos anos, porém, o campeonato ganhou consistência com a adoção, desde a edição de 2003, do sistema de pontos corridos, onde a competição é disputada em dois turnos, sendo o time que somar o maior número de pontos o campeão. O torneio cede vaga para as competições internacionais, Libertadores e Sul-Americana, além de rebaixar clubes para a Segunda Divisão.

O Campeonato Brasileiro é disputado em três divisões, além da Série A, existem também as Séries B e C. Recentemente, grandes clubes cairam para a Segunda Divisão, como Palmeiras, Botafogo, Atlético Mineiro, Grêmio, porém, todos estes conseguiram reascender à Série A no ano seguinte. A presença destas equipes gerou maior organização da competição e atração de investimentos para a sua realização. Já a Terceira Divisão teve como participação o tradicional Fluminense em 1999. A presença do clube carioca gerou uma grande estruturação da competição, que, pela primeira vez naquele ano, foi transmitida pela televisão.

Com o baixo interesse pela Série C[60], a CBF começou a discutir em 2008 a criação de uma Série D, de modo a poder diminuir os participantes da Série C e torná-la mais atrativa.[61][62] A nova divisão foi confirmada no dia 9 de Abril. O formato de disputa ainda não foi confirmado.[60]

[editar] Categorias de base
Robinho, jovem atacante brasileiro.
Robinho, jovem atacante brasileiro.

[editar] Copa São Paulo de Futebol Júnior

Ver artigo principal: Copa São Paulo de Futebol Júnior

Organizada pela Federação Paulista de Futebol, a Copa São Paulo de Futebol Júnior conta com a participação de dezenas de clubes da categoria júnior (até 20 anos) de todo o país (em algumas edições houve a participação de clubes estrangeiros), com uma contagem que varia ano a ano. Tem duração em torno de 20 dias e sua final acontece sempre no Estádio do Pacaembu em 25 de Janeiro, aniversário da cidade de São Paulo, capital do Estado.

[editar] Campeonato Brasileiro de Futebol Sub-20

Ver artigo principal: Campeonato Brasileiro de Futebol Sub-20

Organizado desde 2006 pela CBF, o Campeonato Brasileiro de Futebol Sub-20 reúne no final do ano as principais equipes de futebol do país, com jogadores em idade até 20 anos, em um único Estado-sede. As equipes são divididas em grupos e os melhores classificam-se para uma fase eliminatória. Após cada etapa, o vencedor da final sagra-se o campeão. As duas edições do torneio foram disputadas no Rio Grande do Sul.

[editar] Competições internacionais

[editar] Copa Libertadores
Final da Libertadores 2007 entre Grêmio e Boca Juniors
Final da Libertadores 2007 entre Grêmio e Boca Juniors

Ver artigo principal: Copa Libertadores da América

A Copa Libertadores da América começou a ser disputada em 1960. Organizada pela CONMEBOL, é a principal competição de clubes da América do Sul, sendo disputada no primeiro semestre. Apesar de um boicote por parte dos clubes brasileiros em fins da década de 1960, oito clubes do país já a venceram. São eles São Paulo, recordista do país com três conquistas; Santos, Grêmio e Cruzeiro com duas; além de Flamengo, Vasco, Palmeiras e Internacional que possuem um título. Atualmente, cinco equipes do Brasil podem conseguir vaga na competição através das competições nacionais. O campeão da Libertadores ganha vaga na Recopa Sul-Americana para jogar contra o campeão da Copa Sul-Americana. A competição é tão importante para os clubes que de 1991 em diante sempre teve um time brasileiro como semi-finalista.

[editar] Copa Sul-Americana

Ver artigo principal: Copa Sul-Americana

A Copa Sul-Americana é a segunda principal competição da América do Sul. Ela foi criada para substituir as antigas Copa Conmebol, vencida por Atlético Mineiro (duas vezes), Botafogo, São Paulo e Santos, e Copa Mercosul, conquistada por Flamengo, Vasco e Palmeiras. Ocorre sempre no segundo semestre de cada ano. São concedidas para times do Brasil oito vagas no torneio, incluíndo uma para o campeão do Brasileirão. Contudo, até hoje, nenhum clube do país a venceu. O campeão da Copa Sul-Americana ganha vaga na Recopa Sul-Americana para jogar contra o campeão da Copa Libertadores da América.

[editar] Mundial de Clubes

Ver artigo principal: Campeonato Mundial de Clubes

O Mundial de Clubes, e suas versões anteriores, são a principal competição de futebol envolvendo clubes no Planeta Terra. Disputada desde 1950 e, a partir de 1980 no Japão anualmente (com exceção de uma edição no Brasil em 2000), dá vaga ao campeão da Copa Libertadores da América de disputar a título de campeão do mundo.

Sete clubes do país já venceram a competição, o São Paulo, recordista do país com três conquistas, o Santos duas vezes, e o Flamengo, Grêmio e o Internacional uma vez cada.

[editar] Arbitragem
Consulte também: Anexo:Lista de árbitros FIFA do Brasil.

A arbitragem no Brasil é regulamentada pela Comissão de Arbitragem (CONAF), orgão vinculado à CBF. Seu atual presidente é Segio Corrêa. A indicação dos membros da comissão fica a cargo do presidente da CBF.[63] A profissão é representada pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), que responde pelos interesses da classe no país.

Os juízes do quadro nacional são indicados pelas comissões de arbitagem de cada federação. Entre as atribuições do CONAF estão a punição a árbitros por erros cometidos durante as partidas[64][65][66], o sorteio dos mesmos nas competições regulamentadas pela CBF – Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, e a execução dos testes fisícos e teóricos para seus quadros nacionais e internacionais[67] – os “árbitros FIFA”, aptos a apitar jogos internacionais.

No quadro FIFA de 2008 houve no total 7 alterações. Entre os árbitros masculinos, entraram Marcelo de Lima Henrique e Evandro Rogério Roman. Entre os assistentes, duas mudanças: Emerson Augusto de Carvalho e Dibert Pedrosa Moises. Já no quadro feminino, no entanto, não há árbitros, apenas assistentes. Foram três mudanças: a inserção de Maria Eliza Correia Barbosa, Katiúscia Mayer Berger Mendonça e a Angela Paula C. Regis Ribeiro.[68]

A escolha dos árbitros para as competições oficiais se dá mediante sorteio. Tal regra foi regulamentada pela Lei 10.671, mais conhecida como Estatuto de Defesa do Torcedor. Seu artigo 32 diz que “É direito do torcedor que os árbitros de cada partida sejam escolhidos mediante sorteio, dentre aqueles previamente selecionados”.[69] Antes da lei entrar em vigor a CONAF decidia a escalação dos juízes em campeonatos nacionais, com as federações regionais decidindo o mesmo em campeonatos estaduais. A não realização de um sorteio levava a indicações políticas e por pressões de cartolas pelo escolha de um árbitro em detrimento de outro, numa tentativa de interferência na arbitragem de modo a favorecer seu time.[70] O atual sistema, apesar de evitar interferências externas, é criticado porque, com um único critério, que é a aleatoriedade, acabaria por afastar árbitros mais qualificados da escala.

O primeiro juiz brasileiro em uma Copa do Mundo foi Almeida Rego, que atuou como árbitro em três partidas na primeira edição do torneio e como auxiliar em outra. A atuação do brasileiro em sua primeira partida, Argentina versus França, foi polêmica. Almeida terminou o jogo antes dos 90 minutos regulamentares, e avisado pelos seus auxiliares, voltou atrás em sua decisão.[71]

A arbitragem brasileira só seria representada novamente na Copa do Mundo de 1950, com Mário Gonçalves Vianna, apitando em dois jogos. Vianna voltaria na edição de 54 para se envolver numa grande polêmica. Na partida Suíça 2 x Itália 1, apitada pelo brasileiro, Vianna foi acusado de não coibir o jogo violento do time suíço e de ter anulado um gol legítimo francês. Terminado o confronto, ele foi perseguido pelos atletas franceses, que tiveram que ser contidos pela polícia. O jornal italiano Gazzetta Dello Sport caracterizou a atuação do árbitro com a manchete “Arbitraggio scandaloso!” (arbitragem escandalosa!).[72]

Em 1950 o Brasil foi representado por mais dois árbitros: Alberto da Gama Malcher, participando de dois jogos, e Mário Gardelli, como auxiliar em um. Desde então mais 11 juízes tiveram participações em Copas do Mundo, totalizando 15 brasileiros. São eles: João Etzel Filho, em 1962; Armando Nunes Castanheira da Rosa Marques em 66 e 74; Arnaldo Cezar Coelho em 78 e 82; Romualdo Arppi Filho em 1986; José Roberto Wright em 1990; Renato Marsiglia e Paulo Jorge Alves em 94; Márcio Rezende Freitas e Arnaldo Pinto em 98; Carlos Eugênio Simon e Jorge Paulo Gomes em 2002, e o mesmo Simon em 2006.[73]

Dois árbitros brasileiros já apitaram uma final de Copa do Mundo: Arnaldo Cezar Coelho na Copa do Mundo de 1982, no jogo entre Itália e Alemanha e Romualdo Arppi Filho em 1986, na decisão entre Argentina e Alemanha.

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