Como adquirir um animal silvestre?

Quando o assunto é bicho de estimação, os animais silvestres têm seu lugar de destaque. Papagaios, araras, tucanos, iguanas e até cobras estão entre os preferidos dos amantes da natureza que querem tê-la por perto, aliás, bem perto, nos limites de sua residência.

Mas, antes de começar a criar um animal silvestre, é preciso tomar diversos cuidados, e o principal começa antes mesmo de adquiri-lo. É que muitos são comercializados de forma ilegal, o que pode transformar o prazer de se ter um diferente bichinho de estimação em uma grande enrascada, se não forem tomados certos cuidados, mais do que necessários, obrigatórios.


Para não comprar gato por lebre e não cair em armadilhas de pessoas ligadas ao tráfico de animais é importante saber como proceder corretamente para adquirir um bicho silvestre de forma legal. Não basta apenas comprar um animal silvestre no pet shop, um local aparentemente confiável. É importante constatar se a casa é registrada pelo Ibama e se o animal é proveniente de um criador legal (conforme assegura a Lei 5.197).


“O famoso anel, que fica na pata do bicho, não é garantia de legalidade. Ele deve conter, ainda, uma documentação específica, nota fiscal, com número de registro do Ibama e, em alguns casos (como o das cobras que não possuem patas para as anilhas serem colocadas), um chip implantado na pele do animal, que confirma a sua espécie, sexo, criador, entre outras informações”, explica a chefe do escritório de Santos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ingrid Maria Furlan Öberg.


Tráfico em Santos


Apesar de estar a todo vapor, em pleno boom imobiliário, a área insular de Santos guarda diversas espécies de animais silvestres. O lagarto teiú, bicho preguiça, tucano-de-bico-verde, sagüi e mico-leão são algumas que ocorrem nos morros santistas, embora os dois últimos tenham sido introduzidos, pois não são nativos da região. Alvos de tráfico de animais – que, aliás, é o terceiro maior do mundo, ficando atrás apenas do de drogas e armas -, muitos deles acabam sendo comercializados; e estima-se que a cada 10 animais retirados de seu habitat natural, apenas três sobrevivem, devido à falta de cuidado no manejo.



A maioria das denúncias que temos na cidade é relacionada ao tráfico de animais, muitos deles ocorridos nas áreas dos morros. É importante que a população denuncie, pois para cada animal fruto de tráfico, significa um a menos na natureza, que poderia gerar descendentes, em seu habitat”, salienta Ingrid Öberg.  Para denunciar, mesmo em anonimato, a Linha Verde, do Ibama, foi especialmente criada para este fim: 0800-618080 ou linhaverde@ibama.gov.br 


Sem saber como proceder, muitas pessoas que desejam se desfazer de seu animal silvestre, independente do motivo, costumam soltá-lo na mata mais próxima – uma atitude incorreta. Apesar de serem “silvestres”, uma arara ou um símio, por exemplo, criados com todos os mimos, comida fácil na segurança de um lar humano, dificilmente sobreviverão na mata.  Mas, de acordo com Ingrid Öberg, que também é bióloga, este não é o único problema. “Quando você solta um animal em um habitat ao qual não pertence ele pode interferir em todo o ecossistema. Nos morros temos duas espécies de sagüis: o de tufo branco e o de tufo preto, ambas inseridas. O que acontece é que, se cruzarem, podem gerar filhotes com problemas genéticos, além de estarem disputando espaço e alimento com as espécies nativas da região. Portanto, o melhor é, sempre, entregar o animal ao Ibama ou doá-lo, uma pessoa de confiança, sem se esquecer de transferir a posse e de lhe entregar a nota fiscal”.


Legalização e sanção
















16/11/2008
Meio ambiente
Reserva especial
Texto: Vitor de Andrade Silva/Fotos: Leandro Amaral
 



















Quando o assunto é bicho de estimação, os animais silvestres têm seu lugar de destaque. Papagaios, araras, tucanos, iguanas e até cobras estão entre os preferidos dos amantes da natureza que querem tê-la por perto, aliás, bem perto, nos limites de sua residência.


Mas, antes de começar a criar um animal silvestre, é preciso tomar diversos cuidados, e o principal começa antes mesmo de adquiri-lo. É que muitos são comercializados de forma ilegal, o que pode transformar o prazer de se ter um diferente bichinho de estimação em uma grande enrascada, se não forem tomados certos cuidados, mais do que necessários, obrigatórios.



Para não comprar gato por lebre e não cair em armadilhas de pessoas ligadas ao tráfico de animais é importante saber como proceder corretamente para adquirir um bicho silvestre de forma legal. Não basta apenas comprar um animal silvestre no pet shop, um local aparentemente confiável. É importante constatar se a casa é registrada pelo Ibama e se o animal é proveniente de um criador legal (conforme assegura a Lei 5.197).



“O famoso anel, que fica na pata do bicho, não é garantia de legalidade. Ele deve conter, ainda, uma documentação específica, nota fiscal, com número de registro do Ibama e, em alguns casos (como o das cobras que não possuem patas para as anilhas serem colocadas), um chip implantado na pele do animal, que confirma a sua espécie, sexo, criador, entre outras informações”, explica a chefe do escritório de Santos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ingrid Maria Furlan Öberg.


Tráfico em Santos



Apesar de estar a todo vapor, em pleno boom imobiliário, a área insular de Santos guarda diversas espécies de animais silvestres. O lagarto teiú, bicho preguiça, tucano-de-bico-verde, sagüi e mico-leão são algumas que ocorrem nos morros santistas, embora os dois últimos tenham sido introduzidos, pois não são nativos da região. Alvos de tráfico de animais – que, aliás, é o terceiro maior do mundo, ficando atrás apenas do de drogas e armas -, muitos deles acabam sendo comercializados; e estima-se que a cada 10 animais retirados de seu habitat natural, apenas três sobrevivem, devido à falta de cuidado no manejo.



“A maioria das denúncias que temos na cidade é relacionada ao tráfico de animais, muitos deles ocorridos nas áreas dos morros. É importante que a população denuncie, pois para cada animal fruto de tráfico, significa um a menos na natureza, que poderia gerar descendentes, em seu habitat”, salienta Ingrid Öberg.  Para denunciar, mesmo em anonimato, a Linha Verde, do Ibama, foi especialmente criada para este fim: 0800-618080 ou linhaverde@ibama.gov.br 


Como se desfazer?



Sem saber como proceder, muitas pessoas que desejam se desfazer de seu animal silvestre, independente do motivo, costumam soltá-lo na mata mais próxima – uma atitude incorreta. Apesar de serem “silvestres”, uma arara ou um símio, por exemplo, criados com todos os mimos, comida fácil na segurança de um lar humano, dificilmente sobreviverão na mata.  Mas, de acordo com Ingrid Öberg, que também é bióloga, este não é o único problema. “Quando você solta um animal em um habitat ao qual não pertence ele pode interferir em todo o ecossistema. Nos morros temos duas espécies de sagüis: o de tufo branco e o de tufo preto, ambas inseridas. O que acontece é que, se cruzarem, podem gerar filhotes com problemas genéticos, além de estarem disputando espaço e alimento com as espécies nativas da região. Portanto, o melhor é, sempre, entregar o animal ao Ibama ou doá-lo, uma pessoa de confiança, sem se esquecer de transferir a posse e de lhe entregar a nota fiscal”.


Legalização e sanção



O Ibama não regulariza animais ilegais, assim como a polícia não regulariza drogas ilícitas. Quem possui um bicho silvestre sem registro pode se enrascar com a lei. Portanto, o melhor é entregá-lo ao Ibama antes que a instituição o encontre. “Mesmo se o animal estiver sendo bem tratado e estiver familiarizado, ele é, certamente, proveniente do tráfico e a pessoa será sancionada, com multa, prestação de serviços sociais ou terá que responder uma criminal, dependendo do flagrante”, explica a chefe do escritório do Ibama.


O barato sai caro 


De acordo com o proprietário do pet shop e jardinagem Zôo & Garden, Arthur Coelho Filho, muitas pessoas optam pelo animal ilegal pelo valor baixo. “Uma arara, no tráfico, custa cerca de R$300. Já uma legalizada sai em torno de R$ 1.500. O que acontece por aí é que tem muita gente que se acha esperta e compra um animal ilegal, acreditando que está saindo no lucro. A diferença é grande, mas não compensa. Com uma legalizada, você vive tranqüilo e pode até sair com bicho na rua em seu ombro sem preocupações”.


Exemplos a ser seguidos


Em uma das ruas do bairro Encruzilhada, em Santos, há uma casa bastante curiosa. Em frente à porta de entrada é possível ouvir grunhidos, latidos e diversos cantos de várias espécies de aves. Na entrada, a frase “Não crie caso, crie animais silvestres legalizados” deixa explicito que o proprietário é um aficionado pelo mundo animal.


Roberto Maransaldi Júnior sempre gostou de bichos, mas a idéia de se tornar um criador amador tomou forma quando estava nos últimos anos da faculdade de Direito. “Foi nessa época que caiu a ficha de que não conseguiria trabalhar o dia inteiro em um escritório. Minha paixão por animais foi crescendo cada vez mais e hoje tenho cerca de 50 mascotes silvestres, todos dentro da lei e com autorização do Ibama, que é bastante atencioso neste assunto. Por isso, tratei de arranjar uma profissão que me desse a liberdade de cuidar da bicharada”, conta.


Quem pensa que para criar animais silvestres é preciso apenas boa vontade, está bastante enganado.


Maransaldi Júnior montou em sua casa dois grandes viveiros: um, com 35m³, para o seu casal de araras e outro para dezenas de espécies de aves, que passeiam entre canários-da-terra e jandaias. “Higiene e cuidado é fundamental. Repare que todos são muito bem tratados: recebem alimentação específica e de primeira (inclusive a sua jibóia que come um roedor a cada 15 dias), além de passarem, anualmente, por uma consulta veterinária de rotina, feita por um profissional especializado. Em caso de emergência tenho até uma minifarmácia veterinária em casa”, salienta.


Assim como Maransaldi Júnior, o proprietário do pet shop e jardinagem Zôo & Garden, Arthur Coelho Filho, possui um viveiro para o seu casal de arara-juba e já está buscando autorização do Ibama para poder comercializar aves silvestres. Para ele, uma das questões mais importantes antes de se adquirir um animal silvestre é estudar sobre a espécie. “Muita gente, por exemplo, compra uma arara porque acha bonitinho. Mas não sabem é que elas chegam a viver por cerca de 75 anos. Ou seja: o dono provavelmente morrerá antes dela. E esta é apenas uma das questões que envolve a aquisição desta espécie”, explica Coelho Filho.


Quem sabe disso é a estudante de medicina veterinária Camilla Gomes Galvão, que, há seis meses, por incentivo de sua amiga Daniele Silvestre, comprou a Schtit – uma arara legalizada já acostumada não apenas com a presença humana, mas também de outros animais, alguns, inclusive, poderiam ser um predador potencial, o que dificilmente aconteceria com uma arara ilegal, capturada em seu habitat natural. “Sei que sua expectativa de vida é grande, mas meu filho, de apenas 3 anos, está tão encantado com seu novo amigo que já aprendeu a alimentá-lo.”


 

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