Como viveu jânio quadros

Jânio Quadros



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Nota: Esta página é sobre o Presidente do Brasil. Se procura outros significados da mesma expressão, consulte Presidente Jânio Quadros.



























































Jânio Quadros
Presidente do Brasil
Mandato: 31 de janeiro de 1961 até
25 de agosto de 1961
Vice-presidente João Goulart
Precedido por: Juscelino Kubitschek
Sucedido por: Ranieri Mazzilli
Governador de São Paulo
Mandato: 31 de janeiro de 1955
31 de janeiro de 1959
Precedido por: Lucas Nogueira Garcez
Sucedido por: Carlos Alberto Alves de Carvalho Pinto
Prefeito de São Paulo
Mandato: 8 de abril de 1953
até 6 de julho de 1954
1 de janeiro de 1986
até 1 de janeiro de 1989
Precedido por: Armando de Arruda Pereira (1º)
Mário Covas Júnior (2º)
Sucedido por: José Porfírio da Paz (1º)
Luiza Erundina (2º)
Nascimento: 25 de Janeiro de 1917
Campo Grande (MS)
Falecimento: 16 de Fevereiro de 1992 (75 anos)
São Paulo (SP)
Primeira-dama: Eloá Vale
Partido político: PDC, PTB
Profissão: advogado e professor de português



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Jânio da Silva Quadros (Campo Grande, 25 de janeiro de 1917São Paulo, 16 de fevereiro de 1992) foi um político e o décimo-sétimo presidente do Brasil; entre 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961 — data em que renunciou, alegando que “forças terríveis” o obrigavam a esse ato. Em 1985 elegeu-se prefeito de São Paulo pelo PTB. Jânio foi o único sul-matogrossense presidente do Brasil.







Índice

[esconder]



[editar] Formação acadêmica


Estudou no Colégio Marista arquidiocesano de São Paulo para, depois, se formar em direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Jânio Quadros pôde dar aulas de língua portuguesa no Colégio Dante Alighieri, sendo considerado excelente professor. Tempos depois, lecionou Direito Processual Penal na Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie.



[editar] Vida política



[editar] Início da carreira


Nascido no estado de Mato Grosso (na porção que hoje corresponde ao Mato Grosso do Sul), mas criado desde cedo na capital paulista, era oriundo do bairro da Vila Maria (seu histórico e mais cativo reduto eleitoral).


Em 1947 foi eleito suplente de vereador na cidade de São Paulo pelo Partido Democrata Cristão (mesmo do jovem André Franco Montoro, a quem enfrentaria em uma eleição estadual 35 anos depois). Mas com a cassação dos mandatos dos parlamentares do Partido Comunista Brasileiro (por determinação geral do então presidente Eurico Gaspar Dutra), pôde assumir uma cadeira na Câmara Municipal, desempenhando mandato entre 1948 e 1950. Na ocasião ficou conhecido como o maior autor de proposições, projetos de lei e discursos de todas as casas legislativas do país no período, assinando ainda a grande maioria das propostas e projetos considerados favoráveis à classe trabalhadora. Na seqüência foi consagrado como o deputado estadual mais votado, com mandato entre 1951 e 1953.



[editar] Prefeito e governador


A seguir foi eleito prefeito da cidade de São Paulo, exercendo a função em 19531954, abandonando o cargo no ano seguinte à posse com o objetivo de concorrer às eleições para governador. Seu vice, que assumiu no restante do mandato, foi José Porfírio da Paz, mais conhecido hoje em dia por ser o autor do hino do São Paulo Futebol Clube.


Ganhou o pleito sobre o favorito Ademar de Barros (seu maior inimigo político) por uma pequena margem de votos, de cerca de 1%. Sua gestão foi entre 1955 e 1959. Durante o mandato (seu único que pode ser considerado exercido por inteiro), procurou executar ações que passassem uma imagem de moralização da administração pública e de combate à corrupção (uma prática comum era a das visitas surpresa às repartições públicas, a fim de verificar a qualidade do serviço oferecido à população) aliadas a um empreendedorismo que buscava destaque e projeção, seja na criação de novos serviços e órgãos ou na construção de grandes obras, como pode se verificar, por exemplo, na criação do Complexo Penitenciário do Carandiru. Assim, angariou grande popularidade e se consagrou como um líder entre os paulistas.


A presidência da República seria o passo a seguir mas, no final de 1958, para não passar um “tempo ocioso” na política, se candidatou e se elegeu deputado federal pelo estado do Paraná com o maior números de votos, mas não assumiu o mandato. Em lugar disso, preparou sua candidatura à presidência pelo Partido Democrata Cristão com apoio da União Democrática Nacional (UDN). Utilizou como mote da campanha o “varre, varre vassourinha, varre a corrupção”, cujo jingle tinha como versos iniciais:





varre, varre, varre, varre vassourinha / varre, varre a bandalheira / que o povo já tá cansado / de sofrer dessa maneira / Jânio Quadros é a esperança desse povo abandonado!, e também se dizia “homem do tostão contra o milhão”.

 


[editar] Presidente da República


Foi eleito presidente em 3 de outubro de 1960 pela extinta UDN (União Democrata Nacional), para o mandato de 1961 a 1966, com 5,6 milhões de votos – a maior votação até então jamais obtida no Brasil – vencendo o marechal Henrique Lott de forma arrasadora, por mais de dois milhões de votos. Porém não conseguiu eleger o candidato a vice-presidente de sua chapa, Milton Campos (naquela época votava-se separadamente para presidente e vice). Quem se elegeu para vice-presidente foi João Goulart, do Partido Trabalhista Brasileiro. Os eleitos formaram a chapa conhecida como chapa Jan-Jan.


Qual a razão do sucesso de Jânio Quadros? Castilho Cabral, presidente do antigo Movimento Popular Jânio Quadros, sempre se perguntava por que esse moço desajeitado conseguiu realizar, em menos de quinze anos, uma carreira política inteira – de vereador a Presidente da República – que não tem paralelo na história do Brasil. Jânio não alcançou o poder na crista de uma revolução armada, como Getúlio Vargas. Não era rico, não fazia parte de algum clã, não tinha padrinhos, não era dono de jornal, não tinha dinheiro, não era ligado a grupo econômico, não servia aos Estados Unidos nem à Rússia, não era bonito, nem simpático. O que era, então, Jânio Quadros?


Hélio Silva, em seu livro A Renúncia [1], tenta explicar:





Jânio trazia em si e em sua mensagem, algo que tinha que se realizar. E que excedia, até mesmo execedeu, sua capacidade de realizaçãoTodo um conjunto de valores e uma conjugação de interesses somavam-se em suas iniciativas e aliavam-se, nas resistências que encontrou. Analisada, a renúncia não tem explicação. Ou melhor, nenhuma das explicações que lhe foram dadas satisfaz.

Jânio representava a promessa de revolução pela qual o povo ansiava. Embora Jânio fosse considerado um conservador – era declaradamente anticomunista – seu programa de governo foi um programa revolucionário.


Propunha a modificação de fórmulas antiquadas, uma abertura a novos horizontes, que conduziria o Brasil a uma nova fase de progresso, sem inflação, em plena democracia.


Assumiu a presidência (pela primeira vez a posse se realizava em Brasília) no dia 31 de janeiro de 1961.


Embora tenha feito um governo curtíssimo – que só durou sete meses – pôde, nesse período, traçar novos rumos à política externa e e orientar, de maneira singular, os negócios internos. A posição ímpar de Cuba nas Américas após a vitória de Fidel Castro e a descoberta da África, um novo continente, mereceu sua atenção. Comenta Hélio Silva em A Renúncia [1]:





Foi em seu Governo, breve mas meteórico, que se firmaram diretrizes tão avançadas que, muitos anos passados, voltamos a elas, sem possibilidade real de desconhecer as motivações que as inspiraram.

Para combater a burocracia, tomou emprestado a Winston Churchill – que usara o método durante a Guerra – o hábito de comunicar-se com ministros e assessores diretamente por meio de memorandos – apelidados pela imprensa oposicionista de os bilhetinhos de Jânio [2] – os quais funcionário ou ministro algum ousava ignorar. Adquirira esse hábito, que causou estranheza a alguns conservadores – e era até objeto de chacotas da oposição – no governo de São Paulo.


Um mestre inato da arte da comunicação, Jânio, no intuíto de se manter diariamente na “ribalta”, utilizava factóides como a proibição do biquíni nos concursos de miss, a proibição das rinhas de galo, a proibição de lança-perfume em bailes de carnaval, e a tentativa de regulamentar o carteado.


Jânio condecorou, no dia 19 de agosto de 1961, com a Grã Cruz da ordem Nacional do Cruzeiro do Sul [3] [4] Ernesto Che Guevara, o guerrilheiro argentino que fora um dos líderes da revolução cubana – e era ministro daquele país – em agradecimento por Guevara ter atendido a seu apelo e libertado mais de vinte sacerdotes presos em Cuba, que estavam condenados ao fuzilamento, exilando-os na Espanha. Jânio fez esse pedido de clemência a Guevara por solicitação de dom Armando Lombardi, Núncio apostólico no Brasil, que o solicitou em nome do Vaticano. A outorga da condecoração foi aprovada no Conselho da Ordem por unanimidade, inclusive pelos três ministros militares. [5] As possíveis consequências desse ato foram mal calculadas por Jânio. Sua repercussão foi a pior possível e os problemas já começaram na véspera, com a insubordinação da oficialidade do Batalhão de Guarda que, amotinada, se recusava a acatar as ordens de formar as tropas defronte ao Palácio do Planalto, para a execução dos hinos nacionais dos dois países e a revista. Só a poucas horas da cerimônia, já na manhã do dia 19, conseguiram os oficiais superiores convencer os comandantes da guarda a se enquadrar [3]. A oposição aproveitou-se desse mero ato de cortesia, feita a um governante que havia prestado um favor ao Brasil, para transformá-lo em tempestade num copo dágua. Na imprensa e no Congresso começaram a surgir violentos protestos contra a condecoração de Guevara. Alguns militares ameaçaram devolver suas condecorações em sinal de protesto. Em represália ao que foi descrito como um apoio de Jânio ao regime ditatorial de Fidel, nesse mesmo dia, Carlos Lacerda entregou a chave do Estado da Guanabara ao líder anticastrista Manuel Verona, diretor da Frente Revolucionária Democrática Cubana, que se encontrava viajando pelo Brasil em busca de apoio à sua causa.


A Política Externa Independente (PEI) [6] , criada por San Tiago Dantas (juntamente com Afonso Arinos e Araújo Castro) e adotada por Jânio, introduziu grandes mudanças na política internacional do Brasil. O país transformou as bases da sua ação diplomática e esta mudança representou um ponto de inflexão na história contemporânea da política internacional brasileira, que passou a procurar estabelecer relações comerciais e diplomáticas com todas as nações do mundo que manifestassem interesse num intercâmbio pacífico.


Inaugurada em seu governo, foi firmemente conduzida pelo chanceler Afonso Arinos de Melo Franco. A inovação não era bem vista pelos Estados Unidos da América nem por vários grupos econômicos que se beneficiavam da política anterior e nem pela direita nacional, em especial por alguns políticos da UDN, que apoiara Jânio Quadros na eleição.


Enquanto o chanceler Afonso Arinos discursava no Congresso Nacional e divulgava, pela imprensa, palavras que conseguiam tranqüilizar alguns setores mais esclarecidos da opinião pública, a corrente que comandava a campanha de oposição à nova política externa, liderada por Carlos Lacerda, Roberto Marinho (rede Globo), Júlio de Mesquita Filho (O Estado de S. Paulo) e Dom Jaime de Barros Câmara (arcebispo do Rio de Janeiro), ganhava terreno entre a massa propriamente dita, a tal ponto que alguns de seus eleitores começaram a acusar Jânio de estar levando o Brasil para o comunismo.


Essa inovadora política externa de Jânio também provocou algumas resistências nos meios militares. O almirante Penna Botto, que havia protagonizado a deposição de Carlos Luz no episódio do Cruzador Tamandaré, chegou a lançar, em 1961, um livro intitulado A Desastrada Política Exterior do Presidente Jânio Quadros [7].


Por outro lado as duras medidas internas, que visavam a combater a inflação – que foi crescente durante o governo JK – e já grassava solta após a inauguração de Brasília, bem como algumas medidas que visavam reorganizar a economia, desagradavam à esquerda. Jânio reprimia os movimentos esquerdistas, pelos quais não tinha simpatia alguma, e muitos deles eram liderados por João Goulart. Sua política de austeridade, baseada principalmente no congelamento de salários, restrição ao crédito e combate à especulação, desagradava inúmeros setores influentes.


Jânio nunca teve um bom esquema de sustentação no Congresso Nacional. Sua eleição se deu ao arrepio das forças políticas que compunham esse Congresso, que fora eleito em 1958, e já não mais correspondia às necessidades e às aspirações do eleitorado, que mudara de posição. Diz Hélio Silva, em A Renúncia [1] : O resultado do pleito em que Jânio recebeu quase 6 milhões de votos rompeu o controle das cúpulas partidárias.



[editar] O governo


No seu curto período de governo, Jânio Quadros:



  • Criou uma nova política internacional, a política externa independente (PEI), visando estabelecer relações com todos os povos, particularmente os da área socialista e da África. Restabeleceu relações diplomáticas e comerciais com a URSS e a China. Nomeou o primeiro embaixador negro da história do Brasil.
  • Defendeu a política de autodeterminação dos povos, condenando as intervenções estrangeiras. Condenou o episódio da Baía do Porcos e a interferência norte-americana que provocou o isolamento de Cuba.
  • Deu a Che Guevara uma alta condecoração, a Ordem do Cruzeiro do Sul, o que irritou seus aliados, sobretudo os da UDN.
  • Criou as primeiras reservas indígenas, dentre elas o Parque Nacional do Xingu, e os primeiros parques ecológicos nacionais.
  • Através da Resolução nº 204 da Superintendência da Moeda e do Crédito, acabou com subsídios ao câmbio que beneficiavam determinados grupos econômicos importadores às custas do erário público – inclusive os grandes jornais, que importavam papel de imprensa a um dólar subsidiado em cerca de 75%, e que se irritaram com essa perda de seus privilégios [8].
  • Instalou uma avara política de gastos públicos, enxugando onde fosse possível a máquina governamental. Abriu centenas e centenas de inquéritos e sindicâncias em um combate aberto à corrupção e ao desregramento na administração pública.
  • Enviou ao Congresso os projetos de lei antitruste, a lei de limitação e regulamentação da remessa de lucros e royalties, e a pioneira proposta de lei de reforma agrária. Naturalmente nenhum desses projetos jamais foi posto em votação pelo Congresso – hostil a seu governo – que os engavetou, uma vez que Jânio se recusava a contribuir com o que chamava de espórtulas constrangedoras que os congressistas estavam acostumados a exigir para aprovar Leis de interesse da nação (prática essa similar ao chamado Mensalão que ocorreu no primeiro governo Lula).
  • Finalmente, proibiu o biquíni na transmissão televisada dos concursos de miss, proibiu as rinhas de galo, o lança-perfume em bailes de carnaval e regulamentou o jogo carteado. Por hilárias que possam ter parecido essas medidas na ocasião, mais de 45 anos depois, passados mais de dez presidentes pela cadeira que foi sua, todas essas leis editadas por Jânio ainda continuam em vigor.


[editar] A renúncia


Carlos Lacerda, governador do estado da Guanabara, – o derrubador de presidentes – percebendo que Jânio fugia ao controle das lideranças da UDN, mais uma vez se colocou como porta-voz da campanha contra um presidente legitimamente eleito pelo povo (como havia feito com relação a Getúlio Vargas e tentado, sem sucesso, com relação a Juscelino Kubitschek. Não tendo como acusar Jânio de corrupto, tática que usou contra seus dois antecessores, decidiu impingir-lhe a pecha de golpista.


Em um discurso no dia 24 de Agosto de 1961, transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão, Lacerda denunciou uma suposta trama palaciana de Jânio e acusou seu Ministro da Justiça, Oscar Pedroso Horta, de tê-lo convidado a participar de um golpe de estado.


Na tarde de 25 de Agosto, Jânio Quadros, para espanto de toda a nação, anunciou sua renúncia, que foi prontamente aceita pelo Congresso Nacional. Especula-se que talvez Jânio não esperasse que sua carta-renúncia fosse efetivamente entregue ao Congresso. Pelo menos não a carta original, assinada, com valor de documento.


O popular rádio jornal daquela época, o Repórter Esso, em edição extraordinária, no dia 25 de agosto, atribuiu a renúncia a “Forças ocultas“, frase que Jânio não usou, mas que entrou para a história do Brasil e que muito irritava Jânio, quando perguntado sobre ela.


Cláudio Lembo, que foi Secretário de Negócios Jurídicos da Prefeitura durante o segundo mandato de Jânio, recorda dois pedidos de renúncia que Jânio lhe entregou – e preferiu guardar no bolso. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo [9] disse Lembo:





Ele fazia isso em momentos de tensão ou muito cansaço, ou de “stress”, como os jovens dizem hoje. Era aquele cansaço da luta política, de quem diz vou embora. Mas não era para valer. [9]

Era voz corrente, na ocasião, que os congressistas não dariam posse ao vice-presidente, João Goulart, cuja fama de “esquerdista” agravou-se após Jânio tê-lo enviado habilmente em missão comercial e diplomática à China. Essa fama de “esquerdista” fora atribuída a Jango quando ele ainda exercia o cargo de ministro do Trabalho no governo democrático de Getúlio Vargas (1951-1954), durante o qual aumentou-se o salário mínimo a 100% e promoveu-se reforma agrária – atitudes essas consideradas suficientemente “comunistas” pelos setores conservadores na época.


Por outro lado especula-se que Jânio estaria certo de que surgiriam fortes manifestações populares contra sua renúncia, com o povo clamando nas ruas por sua volta ao poder – como ocorreu com Charles de Gaulle. Por isso Jânio permaneceu por horas aguardando dentro do avião que o levaria de Brasília a São Paulo.


Tudo indica, entretanto, que algum tipo arranjo foi feito, nos bastidores da política, para impedir que a população soubesse em que local Jânio se encontrava nos momentos mais cruciais – imediatamente após a divulgação de sua carta de renúncia.


Jânio Quadros alegou a pressão de “forças terríveis” que o obrigavam a renunciar, forças que nunca chegou a identificar. Com sua renúncia abriu-se uma crise, pois os ministros militares vetavam o nome de Goulart. Assumiu provisoriamente Ranieri Mazzili, enquanto acontecia a Campanha da Legalidade; nesta campanha destacou-se Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul e cunhado de Jango. Com a adoção do regime parlamentarista, e consequente redução dos poderes presidenciais, finalmente os militares aceitaram que Goulart assumisse. O primeiro Primeiro-Ministro do Brasil foi Tancredo Neves. A experiência parlamentarista, contudo, foi revogada por um plebiscito em 6 de janeiro de 1963, depois de também terem sido primeiros-ministros Brochado da Rocha e Hermes Lima.



[editar] Cassação dos direitos políticos e regresso


No ano seguinte à renúncia Jânio foi candidato a governador de São Paulo sendo derrotado por seu velho desafeto Adhemar de Barros. Com a eclosão do Regime Militar de 1964 foi um dos três ex-presidentes a ter seus direitos políticos cassados ao lado de João Goulart e Juscelino Kubitschek. Após fazer declarações à imprensa em Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, em julho de 1968, o ex-presidente foi detido pelo Exército Brasileiro, por ordem do então Ministro da Justiça, Luís Antônio da Gama e Silva, ficando confinado em Corumbá, cidade que fica no Pantanal sul-mato-grossense, na fronteira com a Bolívia. O ex-presidente ficou hospedado em no Hotel Santa Mônica, que ainda funciona em Corumbá [10].


Recuperou os direitos políticos em 1974 mas manteve-se afastado das urnas inclusive nas eleições legislativas de 1978, ano em que seus simpatizantes (agrupados sob o denominado “Movimento Popular Jânio Quadros”) o levaram a visitar o bairro paulistano de Vila Maria, tradicional reduto “janista”. Em novembro do ano seguinte manifestou a intenção de concorrer à sucessão de Paulo Maluf ao governo do estado de São Paulo filiando-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (agora de centro-direita, tendo pouca relação com a antiga legenda de Getúlio e Jango) tão logo foi efetivada a reforma partidária.


Ciclotímico, Jânio Quadros deixou o PTB sete meses depois de sua filiação e ingressou no PMDB tendo sua “entrada” indeferida pela executiva nacional do partido retornando assim ao PTB, legenda pela qual foi candidato a governador de São Paulo em 1982 num pleito onde o vitorioso foi Franco Montoro, seu antigo correligionário no PDC. Em 1985 elegeu-se prefeito de São Paulo pelo mesmo partido, derrotando o candidato situacionista senador Fernando Henrique Cardoso (PMDB) e o representante das esquerdas, deputado federal Eduardo Suplicy (PT). A vitória de Jânio Quadros contrariou os prognósticos dos institutos de pesquisa e contradisse as avaliações segundo as quais o ex-presidente era tido como um nome “ultrapassado” no novo contexto da política brasileira emergente do processo de redemocratização e da campanha das Diretas Já. Fernando Henrique Cardoso, que era o favorito nas pesquisas, chegou a tirar uma foto, que foi publicada pela Revista Veja, sentado na cadeira de prefeito de São Paulo. O que levou Jãnio, a tomar posse com um tubo de inseticida nas mãos, declarando: “Estou desinfetando a poltrona porque nádegas indevidas a usaram” [11].





[editar] Prefeito de São Paulo pela segunda vez


Seu mandato foi exercido até o primeiro dia de 1989, quando passou o cargo para Luiza Erundina (que derrotou, dentre outros, João Mellão Neto, Secretário de Administração de Jânio Quadros). Em sua última empreitada político-administrativa repetiu seus lances populistas habituais: pendurou uma chuteira em seu gabinete (para dar conta do seu suposto desinteresse em prosseguir na política), proibiu jogos de sunga no Parque do Ibirapuera, então sede da prefeitura, dissolveu a escola de balé municipal por conta da suposta homossexualidade dos docentes, aplicou multas de trânsito pessoalmente, posou para a imprensa com a camisa do Corinthians e tentou fechar os cinemas que exibiam o filme A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese, por considerá-lo desrespeitoso.


Ao mesmo tempo em que criava factóides midiáticos, investia em obras de infra-estrutura, no setor de limpeza pública, no saneamento básico, na saúde e na habitação. Grande conhecedor dos problemas de trânsito sua cidade, concebeu pessoalmente o sistema viário de multiplos tuneis, que conectam diversas avenidas vitais de São Paulo, a cujas complexas e demoradas obras deu início, ainda em seu mandato. Após terem sido interrompidas por Luiza Erundina, que lhe sucedeu, essas obras foram retomadas e parcialmente concluídas na gestão de Paulo Maluf.


O atual prefeito, Gilberto Kassab cogita em dar-lhes continuidade [12]. Segundo alguns analistas políticos e representantes da sociedade civil Jãnio teria adotado um estilo “autoritário” em diversas situações. Criou a Guarda Civil Metropolitana para reforçar o policiamento na cidade, sendo por isso criticado por seus adversários, que a viram como um de seus instrumentos de “repressão”. Ao longo de seu mandato afastou-se diversas vezes do cargo para cuidar tanto de sua saúde, já abalada, quanto da de sua mulher, Dona Eloá Quadros (falecida em 1990). Faltando dez dias para o término de seu mandato viajou para Londres.



[editar] Após a prefeitura


Sua saúde frágil o impediu de concorrer à Presidência da República em 1989 (teria recebido inclusive um convite do PSD, que depois lançaria o nome de Ronaldo Caiado) e por conta desse fato hipotecou apoio ao ascendente Fernando Collor, cujo discurso e práticas políticas eram similares às suas. Faleceu em São Paulo no dia 16 de fevereiro de 1992, em estado vegetativo, vítima de três derrames cerebrais.


Seu apelido era “Vassourinha”, graças ao lema de sua campanha que pretendia “varrer” do Brasil os males da corrupção – uma clara alusão aos enormes gastos do governo de Juscelino Kubitschek, que gerou déficits orçamentários devido ao seu ambicioso Plano de Metas.



[editar] Herdeiros políticos


Sua única filha Dirce Tutu Quadros (com quem tinha um relacionamento tempestuoso) foi eleita deputada federal em 1986 e em 1988 inscreveu seu nome entre os fundadores do PSDB tendo, nesse meio tempo, participado da Assembléia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição vigente desde 1988. Uma polêmica jurídica acerca da perda de nacionalidade de Tutu, por conta de ter efetivada a naturalização para a cidadania norte-americana, fez com que ela logo em seguida se afastasse da política.



[editar] Obras publicadas


Jânio Quadro publicou as obras Curso prático da língua portuguesa e sua literatura (1966), História do povo brasileiro (1967, em co-autoria com Afonso Arinos), Novo Dicionário Prático da Língua Portuguesa (1976) e Quinze contos (1983).



[editar] A carta-renúncia



“Fui vencido pela reação e assim deixo o governo. Nestes sete meses cumpri o meu dever. Tenho-o cumprido dia e noite, trabalhando infatigavelmente, sem prevenções, nem rancores. Mas baldaram-se os meus esforços para conduzir esta nação, que pelo caminho de sua verdadeira libertação política e econômica, a única que possibilitaria o progresso efetivo e a justiça social, a que tem direito o seu generoso povo.


“Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou de indivíduos, inclusive do exterior. Sinto-me, porém, esmagado. Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam, até com a desculpa de colaboração.


“Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranqüilidade, ora quebradas, indispensáveis ao exercício da minha autoridade. Creio mesmo que não manteria a própria paz pública.


“Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes, para os operários, para a grande família do Brasil, esta página da minha vida e da vida nacional. A mim não falta a coragem da renúncia.


“Saio com um agradecimento e um apelo. O agradecimento é aos companheiros que comigo lutaram e me sustentaram dentro e fora do governo e, de forma especial, às Forças Armadas, cuja conduta exemplar, em todos os instantes, proclamo nesta oportunidade. O apelo é no sentido da ordem, do congraçamento, do respeito e da estima de cada um dos meus patrícios, para todos e de todos para cada um.


“Somente assim seremos dignos deste país e do mundo. Somente assim seremos dignos de nossa herança e da nossa predestinação cristã. Retorno agora ao meu trabalho de advogado e professor. Trabalharemos todos. Há muitas formas de servir nossa pátria.”


Brasília, 25 de agosto de 1961.


Jânio Quadros”

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