Companhia neerlandesa das índias ocidentais

A Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (em neerlandês: West-Indische Compagnie ou WIC) foi uma empresa de mercadores holandeses. Representa um exemplo alternativo, mais moderno, de pendor(declive,vertente) capitalista, à organização do comércio externo, que em Portugal permaneceu fortemente dependente do Estado até mais tarde.


A 3 de Junho de 1621, por iniciativa de um grupo de calvinistas flamengos e brabanteses refugiados na Holanda para escapar à perseguição religiosa, foi concedido um alvará para o monopólio do comércio com as colônias ocidentais pertencentes à República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos. O objectivo do alvará era eliminar a competição entre diferentes postos mercantis estabelecidos pelos mercadores. Espanhóis e portugueses acusaram os cristãos-novos de Amsterdã de serem a alavanca da empresa, mas do total de 3 milhões de florins subscritos na cidade, apenas 36 mil florins serão contribuição dos sefarditas. O objetivo da companhia era levar ao Novo Mundo, como a sua congênere, a bem sucedida VOC (ver abaixo) já fazia na Ásia, a guerra de independência dos Países Baixos, atacando os pontos-chave do Império espanhol. As possessões portuguesas, segundo se calculava, seriam o calcanhar-de-aquiles, e se pensava que a Espanha sacrificaria sua defesa à dos próprios domínios americanos. Por isso, desde 16241625, quando ocupou Salvador, a WIC dedicava ao Brasil o melhor de sua atenções.


A companhia desempenhou, em geral, importante papel na colonização neerlandesa das Américas e foi responsável pela ocupação de áreas no nordeste brasileiro. A área em que podia operar consistia da África ocidental (zonas entre o Trópico de Câncer e o Cabo da Boa Esperança) e as Américas, que incluia o Oceano Pacífico e partes orientais da Nova Guiné. A opção pela Bahia e por Pernambuco era óbvia: D. Diogo de Menezes, Governador Geral, escreveria na época à Corte que: « no Brasil, não há mais que este lugar de Pernambuco e da Bahia». Eram as chamadas «capitanias de cima» e monopolizavam a produção do açúcar, principal gênero de exportação, que geravam o excedente fiscal que tornava o Brasl rentável, pois as «capitanias de baixo» eram deficitárias. Mas, mesmo assim, não se pense serem povoadas: a ocupação era meramente litorânea, não excedendo uma faixa de 70 quilômetros a partir da costa.


A WIC foi organizada de forma similar à Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC), que detinha o monopólio do comércio neerlandês com a Ásia desde 1602, excepto no facto de a WIC não ter obtido permissão de conduzir quaisquer operações militares sem a aprovação do governo neerlandês. Tal como a VOC, a WIC detinha cinco escritórios, chamados de câmaras (kamers), em Amsterdã, Midelburgo, Roterdã, Hoorn e Groningen (cidade), sendo as câmaras de Amsterdã e de Midelburgo aquelas que mais contribuiram para a companhia. O conselho de administração consistia de 19 membros e era conhecido como o “Heeren XIX”.


Em 1630, uma armada da WIC comandada pelo almirante Loncq bloqueou o litoral de Pernambuco, desembarcou um exército que conquistou Olinda e Recife, começando a conquista da área entre o rio São Francisco e o rio Grande. A Espanha, sob Filipe IV e o conde-duque de Olivares, optou por uma guerra lenta, mas quando foi nomeado Maurício de Nassau em 1636 para governador civil e militar do Nordeste, o exército da WIC já conseguira dominar a região entre Natal e Porto Calvo, hoje Alagoas. Maurício de Nassau seria nomeado por seu talento administrativo, para pôr o Brasil a render – pois os lucros obtidos pela WIC com o corso contra Espanha e Portugal no Atlântico e nas Antilhas, que se estima 30 milhões de florins, não davam para pagar a guerra (45 milhões) e a burocracia da WIC. A Companhia tomara dinheiro emprestado aos acionistas, não distribuía dividendos desde 1628, quando Piet Heyn capturara a frota espanhola da prata ao largo de Cuba. Sua dívida acumulada superava 18 milhões de florins. E um partido, o dos burgueses de Amsterdã, no seio da Companhia, queria a paz, prevendo restituir a área conquistada no Nordeste brasileiro contra a abertura do comércio com as possessões da América espanhola.


Isaac de Pinto, economista judeu de origem portuguesa, foi accionista da WIC e terá pertencido aos Heeren XIX desde 1750, aproximadamente.


Em 1791 as ações da companhia foram adquiridas pelo governo holandês, que passou a controlar os territórios transformando-os em colônias.

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