Crimes e obsessão parte 2

Caso 2: Mateus da Costa Meira, na época com 24 anos de idade, entrou em uma sala de cinema no Shopping Morumbi, em São Paulo, e, com uma submetralhadora, atirou nas pessoas que ali estavam para ver o filme Clube da Luta. Estudante de medicina, ele vinha de uma família de classe média. Embora os pais o tratassem com muito carinho, Mateus mantinha um relacionamento frio e distante com eles, tratando-os com indiferença. Era uma pessoa irritada, depressiva, autoritária, paranóica e solitária, que, por vezes, consumia álcool e cocaína. Em uma entrevista, ele disse que, antes de cometer a chacina, foi ao banheiro do cinema e, depois de se olhar no espelho, não se lembrava de mais nada do que aconteceu. Afirmou também ouvir “vozes”.

         Caso 3: Wedson Rosa de Morais, um brasileiro residente nos Estados Unidos, teve um acesso de fúria e, com 50 facadas, assassinou os avós de sua esposa, Gerald e Amélia Hunt, ambos com 79 anos de idade, ferindo também a sogra, Lois Miranda. Em seguida, tentou o suicídio, perfurando o próprio peito. O crime, motivado pela cobrança de uma dívida de 670 dólares, pelo pedido dos avós para que a neta se divorciasse dele e pela ameaça de perder a guarda dos dois filhos, à época com 5 e 7 anos, fez de Wedson o primeiro brasileiro a estar no “corredor da morte”, mas acabou condenado à prisão perpétua. Ao ser preso, alegou que uma força estranha tomou conta de sua mente, a qual denominou como “Neto”, que dizia tratar-se de uma criança entre 8 a 12 anos. “Quando se apossa de mim, sinto que estou morrendo e o Neto vivendo”. Na prisão, as “vozes” cessaram por um tempo, mas depois voltaram, só que, desta vez, Wedson afirmou que eram do demônio. “As vozes eram insuportáveis e ordenavam que eu me matasse”, contou. Transtornado, tentou novamente o suicídio, mas foi contido por um colega de cela.


         Esse é o perfil psicológico de três criminosos. O que eles têm em comum? Todos tiveram uma infância conturbada, aparentavam normalidade e eram amáveis em alguns casos. Sem exceção, declararam ouvir “vozes” e se sentiram tomados por uma força estranha. Na época dos crimes, os três estavam com idades entre 24 a 33 anos, ou seja, não eram adolescentes em busca de aventura. No caso de Wedson, que tentou se suicidar na seqüência dos os homicídios, vale ressaltar que, nos Estados Unidos, país em que residia, 80% dos assassinos em massa tomam essa mesma atitude.


         Poderíamos assinalar mais algumas semelhanças caso a caso, mas entendemos que estas são suficientes para que possamos tirar algumas conclusões. Afinal de contas, estamos falando de obsessão e um Espírito, para tal ato, deve ter sintonia com outros que pensam da mesma forma, submetendo-se à injunção de seus algozes.


         Quando o “maníaco do parque” fala sobre seus sonhos, podemos compreender a clareza da obsessão ao compararmos o caso com um relato idêntico contido no livro Tormentos da Obsessão, de Manoel Philomeno de Miranda e psicografado por Divaldo Pereira Franco, que descreve essa mesma sensação vivida por um Espírito desencarnado: “desde a primeira infância, era acometido de sonhos terrificantes, nos quais seres monstruosos o perseguiam, ameaçando destruí-lo por meio das formas mais terríveis que se possa imaginar. Sempre despertava daqueles sombrios pesadelos banhado em álgido suor e apavorado. As sombras da noite passaram a ser-lhe um incomparável tormento”.


         Com relação ao caso de Mateus e a utilização de álcool e a cocaína por ele, o psiquiatra Talvane Martins de Moraes, em entrevista à revista Veja, disse que a agressividade possui vida própria na personalidade de uma pessoa e, portanto, a droga ou a bebida seria apenas a porta pela qual ela escaparia. “O uso continuado ou em combinação com o álcool pode desencadear o chamado ‘delírio paranóico’, um distúrbio da percepção no qual a pessoa ouve vozes e vê coisas imaginárias”, afirmou.

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