Cuidados para quem tem alergia


Você sabia que uma das grandes causas de alergias pode ser aquele macio e confortável travesseiro que você não troca há anos? Ou mesmo uma mudança de clima abrupta, coisa que não podemos evitar? Pois é, alérgico sofre. Seja com uma crise de rinite, irritação na pele ou uma intolerância alimentar, para algumas pessoas, basta estar exposta ou entrar em contato com algumas substâncias para que um terrível mal-estar tome conta de seu corpo. Felizmente, hoje não faltam produtos para aliviar a preocupação dos mais sensíveis aos fatores alérgenos. Preste atenção, pois você pode precisar – mais do que imagina.



Segundo Ana Paula Moschione Castro, da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI), as alergias mais comuns são as respiratórias, em especial a rinite alérgica, que pode acometer até 25% da população. A asma também é freqüente, embora muito mais séria. “O desconforto gerado pela falta de ar e a dificuldade em realizar as atividades do dia-a-dia conferem gravidade, e complicações como pneumonias não são raras. As causas da asma são uma mistura de fatores genéticos e hereditários associados a causas ambientais, como poluição, fumaça de cigarro e ácaros da poeira domiciliar”, explica a alergista.


As causas exatas pelas quais os processos alérgicos têm aumentado ultimamente são desconhecidas, mas Ana Paula destaca que a urbanização teve uma forte influência neste aumento. “Estamos mais confinados e indoor. Escritórios e apartamentos com carpetes e ar-condicionado facilitam o crescimento de ácaros e fungos. As mudanças nos hábitos alimentares e a introdução de alimentos industrializados, ricos em conservantes, também podem ter contribuído, mas ainda não há confirmação de estudos científicos”, comenta. Outro fator importante, a mudança de temperatura aumenta em até 35% os casos de doenças respiratórias e alergias. “As alterações no clima – especialmente as que ocorrem no outono, mais seco e suscetível a inversões térmicas – estimulam o desencadeamento de quadros alérgicos respiratórios. O ressecamento das mucosas faz com que os pacientes alérgicos percam um importante mecanismo de proteção. Irritantes como poluentes também ampliam a resposta inflamatória”, esclarece Ana Paula.


 



Da necessidade, a idéia



Foi justamente por ver a filha sofrer com alergias respiratórias e de pele que Sarah Lazaretti resolveu criar, em 1993, a Alergoshop, a primeira empresa no Brasil a atender à demanda das pessoas alérgicas. “A idéia surgiu por uma necessidade pessoal. Eu tinha que contar com a gentileza de pessoas que viajavam para trazer produtos para a minha filha”, conta Sarah. A Casa do Alérgico também investiu neste nicho, há 12 anos. “Naquela época já havia mais de 10% da população sofrendo com algum tipo de alergia. Hoje, a porcentagem de alérgicos está em torno de 30%”, afirma a bióloga Wanda Conicelli, proprietária da loja.


Para elas, o mercado de produtos voltados para alérgicos – chamados hipoalergênicos – mostra-se promissor, não só por ser um ramo relativamente novo, mas também porque as pessoas estão buscando cada vez mais viver com qualidade. “Hoje, temos a consciência de evitar usar produtos que agridam o meio ambiente e comprar alimentos nocivos à saúde, por exemplo. O mesmo ocorre com outros itens. Para quê utilizar um cosmético cheio de corantes, se há outro muito menos agressivo, que diminui o risco de desencadear alergias e cumprem o que prometem? Por que não utilizar um travesseiro que reduza o contato com os ácaros?”, menciona Sarah.



Entre os produtos hipoalergênicos mais vendidos, Wanda destaca as capas anti-ácaros para colchões e travesseiros, edredons tratados, purificadores de ar, desodorantes, esmaltes, semi-jóias e bijuterias sem níquel, e as luvas de algodão, vinil e nitrila (que substituem as de látex para pessoas com dermatite de contato). Para os alérgicos a látex, existem ainda camisinhas especiais: “Vendemos preservativos masculinos importados, feitos de poliuretano, sem látex e com total eficácia”, indica Wilma, da Casa do Alérgico. Entre os alérgenos mais comuns em alimentos, estão o leite de vaca, o glúten, ovo, peixes, crustáceos, amendoim, trigo, castanhas, conservantes e corantes artificiais. “A soja também é um dos alimentos que mais desencadeiam alergias, mas é importante ter cuidado ao avaliar se esses produtos são mesmo responsáveis pelas crises”, pondera Ana Paula Castro, da ASBAI, lembrando que as alergias alimentares ocorrem em 6% a 8% das crianças e em 2% dos adultos.


Para evitar irritações, espirros, pruridos, falta de ar e desconforto, a regra principal para as pessoas mais sensíveis ao contato com certas substâncias é evitar este contato ao máximo. “O princípio básico para lidar com as alergias é manter o indivíduo longe dos alérgenos que desencadeiam os sintomas de mal-estar”, recorda Sarah Lazaretti. Os produtos hipoalergênicos são criados com este objetivo – substituir substâncias nocivas por outras que permitam que os pacientes levem uma vida normal. “Os hipoalergênicos apresentam menor chance de alergia, mas ainda assim ela pode ocorrer. Esses produtos, em geral, não contêm componentes sabidamente alergênicos e são liberados para o consumidor através de testes. É importante sempre ouvir a opinião médica sobre a necessidade da utilização desses produtos, pois eles podem trazer benefícios em casos específicos, mas não precisam ser indicados para quaisquer pessoas”, adverte Ana Paula Castro.




A especialista ressalta que os alérgicos devem ter muito cuidado ao comprar produtos, até mesmo aqueles voltados para eles. “Deve-se ler e sempre checar os rótulos, pois às vezes os fabricantes mudam alguns ingredientes e não avisam. Podem ocorrer problemas também quando os produtores lançam alternativas a pacientes com intolerância alimentar e querem adaptá-las a alérgicos, o que nem sempre é possível”, alerta Ana Paula. Ela acrescenta que intolerância à lactose e alergia a leite são coisas diferentes: “A primeira relaciona-se às proteínas do leite de vaca, e a segunda, ao açúcar”. Os chocolates de leite de soja, por exemplo, são uma boa opção para os dois casos. “São muito gostosos e comprados inclusive por pessoas que não têm alergia ao leite ou intolerância à lactose e que gostam do sabor um pouco menos doce que os chocolates ao leite”, aponta Sarah Lazaretti. Wanda Conicelli garante que o chocolate de soja orgânica, hoje, tem o sabor muito semelhante ao do tradicional e faz sucesso principalmente na Páscoa.



De doces a laticínios, de acessórios a itens de higiene pessoal (inclusive cremes hidratantes e esfoliantes), opções não faltam para os alérgicos. Mas por que esses produtos costumam ser mais caros? Para Sarah, da Alergoshop, a qualidade e a avaliação pela qual esses produtos passam podem elevar um pouco os preços. “Vai depender com o que se compara. Os cosméticos hipoalergênicos não podem ser comparados com cosméticos comuns, vendidos em supermercado, porque utilizam matéria-prima diferenciada e passam por testes para comprovar que são realmente hipoalergênicos. Porém, se comparados com outros produtos de boa qualidade, os preços são mais baixos”, argumenta.


Vale lembrar que hipoalergênico é diferente de antialérgico, classificação dada somente a medicamentos para o tratamento de alergias.

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