Delegado protógenes queiroz é afastado da diretoria de inteligência da pf

Foto: Dida Sampaio/Agência Estado Foto: Dida Sampaio/Agência Estado

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que comandava a Operação Satiagraha (Foto: Dida Sampaio/Agência Estado)


O delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, foi informado na manhã desta segunda-feira (24) do seu afastamento da diretoria de inteligência da Polícia Federal, onde era lotado.


 


A informação foi dada a Protógenes pelo próprio diretor de inteligência da PF, Daniel Lorenz, quando o delegado chegou à sede da corporação em Brasília.


 


O setor de Recursos Humanos da Polícia Federal irá determinar o setor onde o delegado deverá trabalhar de agora em diante.


 


Deflagrada no dia 8 de julho, a Operação Satiagraha chegou a prender o banqueiro Daniel Dantas, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito da capital paulista Celso Pitta, entre outros.


 


 



Após concluir o inquérito, o delegado Protógenes Queiroz deixou o comando das investigações. A PF diz que ele pediu pra sair para fazer um curso. Protógenes alega que foi afastado.


 


Protógenes participou de um curso para subir na carreira de delegado. A sua entrada no curso foi feita mediante uma liminar conseguida na justiça, já que Protógenes não tinha os dez anos de Polícia necessários para ingressar na formação.


 


O curso terminou na semana passada e o delegado foi aprovado, após entregar e defender a sua monografia na Academia da Polícia Federal em Brasília.


 


Segundo a PF, a qualificação permite que delegados passem da categoria delegado de primeira classe, com salário de R$ 17.006,29 reais, para delegado especial, com salário de R$ 19.053,57 reais. Mas Protógenes deverá aguardar mais um ano pela promoção, quando terá acumulado os dez anos necessários como delegado da PF para assumir o cargo de delegado especial. 


 


A PF elaborou um segundo relatório sobre a Operação Satiagraha, com outro delegado. O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que o novo relatório, entregue à Justiça e ao Ministério Público pela Polícia Federal, foi elaborado “sem espetaculosidade”.


 


Reclamações


 


Lorenz já havia reclamado publicamente sobre a deslealdade do colega. Em depoimento à CPI dos Grampos, Lorenz afirmou que Protógenes Queiroz mentiu aos seus colegas sobre a participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Operação Satiagraha. 

“Para a própria equipe que trabalhava com ele, o doutor Protógenes Queiroz apresentava os servidores da Abin como sendo técnicos da Receita Federal. Nos deixa chocado a forma desleal com que ele se portou em relação ao Departamento de Polícia Federal”, afirmou Lorenz.


 


Lorenz contou ainda na CPI que a Operação Satiagraha deixou a Diretoria de Inteligência para passar ao departamento de Combate ao Crime Organizado porque Protógenes o acusou de vazamento de informações da operação, que teve informações publicadas no jornal “Folha de São Paulo” antes de ser deflagrada.

Segundo o diretor, a denúncia foi feita por Protógenes a um delegado da Polícia Federal. “Ele apresentou uma pseudogravacao em que uma pessoa que seria a Andréa Michael faz menção ao meu nome. Ele deduziu que eu seria fonte. A gravação foi apresentada a outro delegado. O doutor Protógenes usava deste tipo de maledicência para desqualificar as pessoas”, disse Lorenz à CPI.

O diretor de Inteligência nega ter vazado informações para a jornalista. Afirma ainda que sequer tinha detalhes sobre o trabalho de Protógenes. “Em oito meses ele só me encaminhou um relatório com cinco parágrafos, 20 linhas, em que não dizia nada”.


 


Investigação


 


A Polícia Federal cumpriu no início do mês mandados de busca e apreensão em residências do delegado Protógenes Queiroz em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. As buscas estavam relacionadas às investigações da corregedoria da PF que apuram vazamento de informações na Operação Satiagraha. 

O delegado acredita que está sendo alvo de retaliação. Em entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo”, ele classificou os mandados de busca como “trama” e disse se sentir “humilhado”. “Em toda minha vida profissional, nunca havia sido submetido a tamanha humilhação e constrangimento”, disse, segundo o jornal.

Para ele, a intenção é tirar o foco sobre o banqueiro Daniel Dantas, que foi preso durante a Satiagraha. “Não tenho dúvidas e isso mais tarde vai ser revelado.”


 


Protógenes também afirmou que “o momento político no Brasil é de proteger bandido”. Ele disse que já havia previsto, no início do trabalho, que a Operação Satiagraha iria ter grandes repercussões. “Quando eu preparava a Satiagraha eu falei que era uma operação que ia rachar o Brasil no meio, e ela rachou”.


 


 


 

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