Diego hypólito fala sobre a derrota no solo

Diego Hypólito descartou a possibilidade de que se desconcentrou na parte final do exercício do solo devido à sensação da vitória após uma série quase perfeita e afirmou que se tivesse concluído o exercício com perfeição teria levado o ouro.

O ginasta, que conversou com jornalistas na área internacional da Vila Olímpica nesta terça-feira, afirmou que a ginástica não permite a desconcentração e que o sorriso que deu no meio da série era porque estava feliz com o andamento da apresentação, e não porque já se imaginava no pódio.


– Eu não cantei vitória antes, isso não existe. Não tem como desconcentrar no meio da série. Naquele momento você não pensa em mais nada – afirmou. – Na ginástica, a concentração tem que ser máxima o tempo todo, porque são acrobacias nas quais você pode se machucar seriamente – completou.


Ao lado de seu técnico, Renato Araújo, e da chefe da equipe de ginástica, Eliane Martins, o bicampeão mundial do solo afirmou que ainda não tem explicação para o que aconteceu e que mal tem conseguido dormir desde domingo, quando caiu na conclusão da série do solo e perdeu a chance de medalha.


– A imagem da queda não sai da minha cabeça. As vezes acordo no meio da noite e digo: não acredito – afirma.

Diego Hypólito era o favorito até cair sentado / EFE

Diego pensa que se tivesse concluído com perfeição a acrobacia derradeira de sua série, teria nota entre 16.200 e 16.300, o que seria suficiente para o primeiro lugar.


O chinês Kai Zou levou o ouro na competiçao, ao marcar 16.050. O brasileiro terminou com nota de 15.200, em sexto lugar.


Além de Diego, outro favorito ao título, o romeno Marian Dragulescu, campeão mundial em 2006, sofreu queda na sua série e terminou fora do pódio.


O ginasta não sabe o que deu errado.


– Nao adianta as pessoas quererem achar um motivo para o que aconteceu. Isso acontece com qualquer ser humano, eu errei. Você vê a chinesa Fei Cheng, que era favorita em dois aparelhos e ficou só com um bronze – afirmou. – Achei que ia cravar e quando vi estava no chao. A tristeza é maior porque Olimpíada é só de quatro em quatro anos, Mundial tem todo ano. É um minuto que decide 8, 10 anos de treinos. Veja o caso da Fabiana (Murer, do salto com vara) por exemplo, um absurdo, são anos de treinamento que se perdem – disse.


O ginasta, apesar da grande decepção por não sair de Pequim com uma medalha olímpica, argumentou que o que ele realizou nos Jogos não deve ser apagado.


– Eu sei que eu fiz história. Fiz a melhor nota na etapa de classificação. E um sexto lugar em uma Olimpíada não é ruim, mas infelizmente eu sei que isso não tem reconhecimento – afirmou.


O atleta afirmou que após uma pausa para descanso vai retomar sua rotina normal de treinos e espera se classificar e chegar nas próximas Olimpíadas em uma forma tão boa ou melhor que na atual.

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