Em debate, marta e kassab desencavam mensalão e pfl

SÃO PAULO – Num revide à campanha petista, que tem procurado associar sua imagem à de Paulo Maluf e Celso Pitta, em São Paulo, o prefeito e candidato à reeleição na capital paulista, Gilberto Kassab (DEM), atacou na noite de domingo a relação de sua adversária, Marta Suplicy (PT) “com a turma do mensalão”. No primeiro bloco do debate promovido pela Record, Kassab reagiu à lembrança de sua trajetória política na cidade.

– Ela (Marta) não se afastou do Delúbio (Soares), do Silvinho (Pereira), (José) Genoino, da turma do mensalão – disse ele, que lembrou o escândalo envolvendo o governo federal duas vezes durante o programa.

Em sua defesa, Marta lembrou que o adversário integra o “o partido do retrocesso”, referindo-se ao DEM, antigo PFL.

– Todo mundo sabe que o partido do qual você faz parte representa o atraso, o retrocesso. É o antigo PFL, e é isso que a população precisa saber – disse a petista, num início de debate marcado por manifestações da platéia.

Marta e Kassab discutiram a peça de publicidade do PT que fazia insinuações sobre a vida pessoal do prefeito. Segundo Marta, a situação foi constrangedora, embora continue achando a peça legítima, já que, disse ela, “a população tem o direito de saber o máximo de informações sobre os candidatos”.

– Sinto ter molestado o candidato (com a propaganda) e a outras pessoas do meu partido… Foi uma situação bastante constrangedora – disse Marta em referência às críticas que recebeu inclusive de membros do PT. – Eu nunca seria parceira de algo que pudesse gerar uma confusão. Em vez de discutir política, (as pessoas) ficaram num detalhe, que perverteram – ela completou.

Kassab, incomodado por uma pessoa na platéia que gritava ofensas relacionadas à suposta insinuação da propaganda, respondeu apenas: “Sou solteiro, sou feliz, sou engenheiro.”

Também entrou no debate o confronto entre as policiais civis e militar em São Paulo. Indagado se considera que o governador José Serra deveria pedir desculpas a Lula por ter afirmado que a greve teria sido motivada por motivos político-eleitorais, acusando diretamente o PT, Kassab desconversou:

– O presidente Lula fez essa declaração num ambiente partidário, evidente que com sua responsabilidade vai pensar melhor, vai ligar paro governador Serra porque ele tem espírito público – disse Kassab.

– Primeiro, eu fiquei indignada com o que aconteceu. Achei uma provocação, e depois achei que era uma manifestação eleitoral (a de Serra). O governador não conseguiu levar o assunto para uma mesa de negociação, e por isso o estado teve pela primeira vez o confronto entre as duas polícias.

Nos blocos seguintes, Kassab procurou desestabilizar a adversária fazendo referências às taxas criadas por Marta em sua administração, entre 2001 e 2004. O prefeito citou 11 taxas entre as que foram criadas por ele e as que chegaram a ser apresentadas pela prefeitura à Câmara Municipal.

Marta pediu desculpas ao paulistano por tributos
O democrata chegou ao debate com a intenção de reforçar o alto potencial de rejeição de Marta, provocado, em grande parte, pela cobrança de taxas de lixo e iluminação. Marta reagiu com desculpas ao eleitor e garantiu que, se eleita, não criará tributos para o paulistano.

Seguindo orientação do comando de campanha, Kassab partiu para a ofensiva:

– A prefeita é traumatizada com taxas. Ela cometeu tanto equívocos que ficou com trauma de taxas – provocou.

Marta, irritada, devolveu:

– Olha, Kassab, vou dizer ao eleitor que ele está tendo um cheque em branco. Não sei se fico pasma ou indignada. Além disso, um vereador do seu partido apresentou um projeto que cobra R$ 4 para a população que sai de casa com carro. Me diga quanto vai custar seu pedágio, Kassab? – disse Marta.

– Kassab, você não tem peito para dizer que o que você fez foi continuar o que eu comecei. Você não fez nada, Kassab – disse ela.

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