Encarnado sem vida

Sabemos que muitos desencarnados permanecem no plano terrestre após o fenômeno da morte, por diversos motivos, entre eles: não saberem que estão “mortos”; ou por saberem, mas não aceitar esta condição; ou ainda por estarem muito ligados aos bens materiais; ou também por questões de vingança a algum encarnado. Ou seja, uma série de eventos pode fazer com que um desencarnado permaneça na crosta terrestre.

         O cinema mostrou muito bem esta situação no filme “O Sexto Sentido”, história do psicólogo infantil Malcolm Crowe, interpretado por Bruce Willis, que se dedica ao caso do garoto de 8 anos, Cole Sear (Haley Joel Osment), que tem dificuldades de entrosamento no colégio, além de ver constantemente pessoas mortas. O interessante do filme é que Malcolm é assassinado logo no início do filme por um ex-paciente psicótico que logo após o homicídio se suicida. Malcolm permanece no Mundo Material sem saber que havia morrido, levando uma vida quase normal. Seu único contato é com o garoto Cole que é um médium que vê constantemente pessoas mortas. Os mortos que lhe procuram em busca de ajuda, não querem fazer o mal, apenas solucionar assuntos mal resolvidos, pendências que lhes afligem o coração. O interessante do filme é a forma que o personagem de Willis se comporta, ou seja, sem saber que está morto. Ele só vem saber no final da película quando em um momento de sono, sua esposa pergunta por que ele se foi, e deixa a aliança de casamento cair no chão; assim ele toma consciência de sua atual situação e um “filme” passa pela sua cabeça mostrando sua condição de desencarnado.


         O filme “Os Outros”, segue a mesma linha. Grace (Nicole Kidman), cuida de seus dois filhos pequenos enquanto aguarda o retorno de seu marido da guerra. A chegada de três empregados (um velho e uma velha estranhos, além de uma jovem muda), altera a rotina da mansão. O interessante deste filme é o final, quando descobrem que estão todos mortos há muitos anos. Inclusive, esta descoberta é por meio de uma comunicação de médiuns com um dos filhos de Grace.


         Todos estes filmes possivelmente já foram assistidos pelo amigo leitor. Fizemos uma breve recapitulação para entrarmos no assunto que nos propusemos a comentar que é sobre os encarnados que se encontram literalmente mortos sem terem esta consciência.


         No livro “Fonte Viva”, pelo espírito de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, no capítulo 143, intitulado Acorda e Ajuda, ele comenta o seguinte: “O cadáver é carne sem vida, enquanto que um morto é alguém que se ausenta da vida. Há muita gente que perambula nas sombras da morte sem morrer”.


         As pessoas, no seu individualismo, egoísmo ou na vaidade, se negam a partilhar experiência comum. Fecham-se em seu mundo de uma forma impenetrável.  Conforme explica Emmanuel: “Mergulham-se em sepulcros de ouro, de vício, de amargura e ilusão. Se vitimados pela tentação da riqueza, moram em túmulos de cifrões; se derrotados pelos hábitos perniciosos, encarceram-se em grades de sombra; se prostrados pelo desalento, dormem no pranto da bancarrota moral, e, se atormentados pelas mentiras com que envolvem a si mesmos, residem sob as lápides, dificilmente permeáveis, dos enganos fatais”.


Muitas vezes estamos nesta situação e não nos damos conta. Somente quando alguém nos abre os olhos ou fazemos uma leitura edificante como esta da Fonte Viva, é que passamos a tomar consciência que somos um “encarnado sem vida”. Por que vivemos para nós e não para os outros. E as leis de Deus são claras e perfeitas, devemos colocar em prática os ensinamentos morais e cristãos que Jesus nos deixou há 2.000 anos atrás. Agora, para que possamos ser “um vivo encarnado”, temos que tomar consciência de nosso estágio atual e querer mudar. Não basta apenas palavras vindas de alguém ou uma leitura agradável, precisamos querer modificar o comportamento, senão, estaremos persistindo em um estado de evolução medíocre.


         Outro agravante é a pessoa que, preocupada intimamente com seus problemas, individualidades, sonhos, etc, passa a viver como zumbi. Fica tão obcecada por uma determinada coisa que fixa o olhar em um determinado ponto e se “desliga” deste mundo.  Passa a viver para si, criando o seu mundo, muitas vezes impenetrável para as outras pessoas.


         “Aprende a participar da luta coletiva. Sai, cada dia, de ti mesmo, e busca sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias de ter irmão e ajuda quanto possas. Não te galvanizes na esfera do próprio “eu”. Desperta e vive com todos, por todos e para todos, porque ninguém respira tão-somente para si”, esclarece Emmanuel.


         Vamos refletir sobre estas palavras sábias de Emmanuel. Não podemos reclamar, no dia de amanhã, que não tivemos a oportunidade de mudar nossa forma de ser. Por que na realidade, temos consciência, mesmo que em alguns seja parcial, de que temos que melhorar, principalmente no tratamento com o outro. Afinal, estamos em um processo evolutivo e ninguém evolui sozinho. Precisamos da coletividade para que juntos possamos ensinar e aprender, além é claro, de colocar os ensinamentos de Jesus em prática.


         Vamos acordar para vida, para o próximo. Vamos deixar de ser um “perâmbulo” da morte sem morrer.  “Cedamos algo de nós mesmos, em favor dos outros, pelo muito que os outros fazem por nós”, escreve Emmanuel.


         A reforma íntima e moral que faremos em nossas vidas nos dará o suporte necessário para que passamos de doador de si mesmo para doador ao próximo. Que deixemos de pensar em si e passemos a pensar mais nos outros e acreditar que o nosso próximo é importante e que precisamos ajudá-lo.


         A vida é uma benção de Deus!


         Devemos fazer por merecer esta benção.

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