Envelhecendo com saúde

O envelhecimento populacional atinge vários países. A cada dez indivíduos no mundo, um tem mais de 60 anos. No ano de 2030, o Brasil será a sexta população mundial em número absoluto de idosos (Fundação IBGE, 2000).



Por causa dos avanços na urbanização e no combate às doenças, a expectativa de vida tem aumentado a cada década. Em 1997, a esperança de vida da população era de 57 anos para os homens e 66 para as mulheres. De 1997 a 2025, o aumento percentual previsível na população de 60 anos ou mais será de 163%, e a expectativa de vida das mulheres ultrapassará os 78 anos (Organização Panamericana de Saúde, 1998).




O processo de envelhecimento caracteriza-se por uma diminuição das reservas funcionais e fisiológicas do organismo. Estas alterações podem ser observadas em todos os órgãos e sistemas, influenciando numa diminuição das habilidades dos idosos em executar tarefas simples: o simples ato de permanecer em pé freqüentemente torna-se um desafio.



A velhice é um período de declínio caracterizado por dois aspectos: a senescência e a senilidade. A senescência é o período em que os declínios físico e mental são lentos e graduais, ocorrendo em alguns indivíduos na casa dos 50 e em outros, depois dos 60 anos. A senilidade se refere à fase do envelhecer em que o declínio físico é mais acentuado e é acompanhado da desorganização mental. Aqui também encontramos as diferenças entre as pessoas: algumas se tornam senis relativamente jovens, outras antes dos 70 anos, algumas, porém, nunca ficam senis, pois são capazes de se dedicarem a atividades criativas que lhes conservam a lucidez até a morte. (Rosa, 1983)



O sedentarismo, a incapacidade e a dependência são importantes adversidades à saúde e que, associadas ao envelhecimento, contribuem para a perda de autonomia e maior risco de institucionalização. De acordo com o Centro Nacional de Estatística para a Saúde, cerca de 84% das pessoas com idade igual ou superior a 65 anos são dependentes para realizar suas atividades cotidianas. Estima-se que em 2020 ocorrerá aumento de 84 a 167% no número de idosos com moderada ou grave incapacidade (Nóbrega et al, 1999).



Os programas de reabilitação propostos para idosos, em geral, visam incrementar a força muscular, o equilíbrio, a flexibilidade e a resistência cardiorrespiratória, bem como manter o bem-estar físico, psicológico e social do idoso, tornando-o mais independente e ativo (Kligman, 1992; Evans, 1996; ACSM, 1998; Nóbrega et al, 1999; Bassey, 1998). Objetiva-se melhorar a capacidade funcional e minimizar ou prevenir o aparecimento de incapacidade, mantendo a autonomia e a qualidade de vida com o envelhecimento (Nóbrega et al, 1999).


O processo de envelhecimento pode ter seu ritmo reduzido por meio de exercício regular. Uma maior perda na capacidade aeróbica é observada mais freqüentemente em pessoas sedentárias que em indivíduos ativos. A perda da capacidade aeróbica em pessoas altamente treinadas pode ser de apenas 5 a 7% por década, diferentemente dos 10 a 15% mencionados para os indivíduos sedentários.



Achados de pesquisas recentes sugerem que a melhoria da aptidão muscular (força e resistência muscular) oferece benefícios consideráveis para os idosos. O treinamento de resistência pode capacitar o idoso a realizar atividades da vida diária com maior facilidade e contrapor-se à fraqueza muscular e fragilidade em pessoas mais idosas. Acredita-se que o treinamento de resistência proporcione benefícios músculo-esquelético para homens e mulheres de todas as idades, e um nível apropriado de aptidão muscular assegura que o indivíduo viva seus últimos anos de forma digna e auto-suficiente (Colégio Americano de Medicina Esportiva, 2000).



Um programa de atividade física para o idoso deve ser precedido de uma avaliação médica e também contemplar os diferentes componentes da aptidão física, incluindo exercícios aeróbios, de força muscular, de flexibilidade e de equilíbrio.



Marcello Barbosa é professor de educação física, pós-graduado em Fisiologia do Exercício e Treinamento Desportivo e coordenador geral da Equipe Personal Vip – Consultoria em Fitness. É personal trainer das academias Companhia Atlética e A!Bodytech, no Rio de Janeiro, e de artistas como Angélica, Grazi Massafera, Juliana Silveira e Sthefany Brito.

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